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Quero que ele conheça o peso da própria traição.

last update Data de publicação: 2026-08-17 20:57:23

Alguns dias antes...

Ali Al-Kudsi, sheik de Godan

A cada palavra do meu assessor, sinto a minha respiração ficar mais pesada.

Mohamed. Durante um ano, confiei naquele homem. Entreguei a ele os números dos meus hotéis, os relatórios financeiros e o controle de parte dos meus negócios. Acreditei que fosse competente, leal e, acima de tudo, honesto.

Agora descubro que ele me rouba há meses.

Não é o dinheiro que faz o meu sangue ferver. Sou um dos homens mais ricos do Barein. A quantia desviada não ameaça a minha fortuna. O que me enfurece é a audácia daquele homem. Ele me julgou um tolo. Acreditou que poderia enganar a mim e à minha família sem jamais ser descoberto.

Levanto-me da cadeira ornamentada com ouro e começo a andar de um lado para o outro na sala.

—Por favor, sua alteza, tente se acalmar —Faruk pede, mantendo a voz baixa.

Paro perto da janela e encaro o jardim de inverno. A beleza do palácio não consegue amenizar a raiva que pulsa dentro de mim.

—Como quer que eu me acalme? —pergunto, virando-me para ele. —Nós confiamos cegamente naquele desgraçado.

Meu assessor engole em seco.

—É verdade, mas sua pressão pode subir. O médico recomendou que o senhor evite fortes emoções.

Solto uma risada sem humor.

—Emoções? Ele roubou a minha família, a minha empresa e a minha confiança. Isso não é uma emoção, Faruk. É uma afronta.

Volto a olhar pela janela.

Um ano nos roubando.

Um ano sorrindo diante de mim enquanto escondia a própria ganância. Um ano usando o meu nome e a minha confiança para alimentar vícios e decisões irresponsáveis.

—O que vossa excelência fará? —Faruk pergunta.

Encaro-o com firmeza.

—Puxe o endereço desse sanguessuga. Iremos até lá. Quero que ele conheça o peso da própria traição.

Pouco depois, deixo o escritório com o endereço nas mãos. Faruk me acompanha até a saída, onde o motorista já espera. No caminho, vejo meu filho sentado sozinho em uma poltrona. Rashid mantém o olhar perdido, distante, como se carregasse dentro do peito uma dor que não permite que ninguém toque.

—Faruk, espere no carro.

Ele obedece.

Aproximo-me do meu filho.

—Rashid —chamo em tom firme.

Ele demora a me encarar.

—Acabei de descobrir que Mohamed, o controller dos hotéis, está roubando. Saad foi um incompetente. Deveria ter percebido antes.

Rashid se levanta devagar. Preparo-me para o desprezo frio que costuma surgir em seus olhos sempre que tento envolvê-lo nos negócios da família.

—Baba, hoje não —ele diz. —Resolva o que tiver que resolver, mas não me peça para participar disso. Acabei de sair de uma reunião e não me envolvo nos assuntos de Saad.

Toda a vontade de afrontá-lo desaparece. Desde jovem, Rashid consegue exercer sobre mim um domínio silencioso. Ele não precisa levantar a voz para impor limites. Basta me olhar.

Respiro fundo.

—Tudo bem. Vou resolver tudo do meu jeito.

Um sorriso frio toca os lábios do meu filho.

—Ótimo.

E, naquele momento, ainda não sei que a vingança que estou prestes a iniciar vai mudar para sempre o destino de duas famílias.

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Último capítulo

  • A CRIADA    —Aquilo foi puro orgulho. Uma forma de camuflar que eu te amava como a própria vida.

    Epílogo“Cada vez mais desesperadamente o homem procura dilatar o tempo que já não o tem.” Khalil GibranJade—Allah! Nádia como seu bebê é lindo. Como ele se parece com você.—O sheik acha diferente. Ele disse “Esse meninão é a cara de Saad quando era pequeno.” Eu rio.—E você? Quando pretende engravidar. Rashid se aproxima de nós dizendo:—Não temos pressa. Estamos apreciando um ao outro. Ainda quero levar Jade para conhecer muitos lugares. Precisamos viajar mais.—Mais? —Nádia diz rindo.—Sim. Quem sabe uma volta ao mundo? —Rashid diz me olhando com um sorriso no rosto.—Seria ótimo —digo extasiada com a ideia.Saad entra no quarto e se aproxima da esposa. Observa o filho mamando em seu peito emocionado.—Vamos deixá-los agora... —sussurro no ouvido de Rashid.Minutos depois, bem longe do hospital, no aconchego do nosso quarto eu ergo os braços para Rashid retirar meu vestido. Ao se livrar da peça, seus olhos gulosos passam pelo meu corpo. Esse homem é insaciável... Ele me pux

  • A CRIADA   esculpe-me mas estou seguindo para a minha festa de noivado. 

    —Esta festa será para oficializar minha união com Jade. Ficaremos noivos perante todos.Saad sorri. —Uma ótima ideia. O que acha baba?—Eu aprovo. Rashid abraça o seu baba. O sheik estende a mão para mim e eu emocionada e avanço até o sheik e o abraço forte.Ergo meu rosto banhado em lágrimas.—Obrigada por tudo. Obrigada por me aceitar na família.O sheik sorri e beija minha testa e então se afasta de mim e une minhas mãos com as de Rashid. —Em nome de Allah! Eu abençoo a união de vocês. Espero que sejam muito felizes e que me concedam muitos netos. — Likun! —Rashid diz, emocionado.— Likun! —digo.—O que é tudo isso? —Nádia diz entrando no quarto.—Rashid e Jade ficarão noivos hoje à noite.—Vocês ficarão noivos? —Soraia ao lado de Nádia avança questionando, incrédula.Rashid sorri.—Sim, e antes que digam que estou fora de mim, saibam que estou bem, que minha memória voltou. E eu amo Jade e faz tempo. Hoje irei oficializar meu noivado com ela e pretendo me casar o mais rápido

  • A CRIADA   Eu amo Jade, baba.

    —Isso pode ser tudo uma jogada de seu irmão para você se lembrar de tudo. Segundo seu neurologista, as emoções exacerbadas te trariam de volta.—Não foi meu irmão que me disse isso! Foi meu baba! Por acaso meu baba sabe de nós? —Não — Minha voz sai sussurrada. Rashid solta o ar cheio de angústia. Eu caminho até ele e o abraço forte, então ergo meu rosto enquanto seguro o seu com minhas mãos. —Olha para mim. O importante é que você se lembrou de nós e agora sabe que eu te amo. Podemos chamar todos aqui no quarto e finalmente contar a nossa história e eu não serei prometida a ninguém. Ele amansa.—Você me ama mesmo? —questiona ainda incrédulo.Eu o abraço forte- adoro seu cheiro- então o encaro:—Eu te amo. Eu te amo muito. Por que acha que contei a nossa história para Saad? Para cuidar de você, estar ao seu lado e tentar estimular a sua memória a se lembrar de nós.Quando Rashid assimila as minhas palavras e lê a verdade nos meus olhos, solta um gemido e toma meus lábios com paixã

  • A CRIADA   Essa festa é só minha apresentação na sociedade. 

    —Rashid, melhor você ir. Isso não vai acabar bem.—Responda o que eu te perguntei. Como fará? Tem algum truque na manga? Já pensou nisso?Provoque as lembranças para ele se lembrar!—Eu...dou um jeito. As mulheres sabem simular essas coisas. Ele olha para mim, ofegante:—Allah!—Rashid. Por favor, vá. Quando se lembrar de algo, me procure novamente, está certo?Ele ri amargo.—É essa a sua desculpa agora para fugir de mim?Eu respiro fundo. —Entenda de uma vez que eu não estou fugindo de você. Simplesmente eu não posso te dizer nada. Não posso por ideias em sua cabeça! Que força tem minhas palavras ante a sua amnésia?Rashid me estuda.—É? E se eu te disser que eu me lembrei de tudo?Meus lábios tremem, meus olhos se estreitam.—Você se lembrou?Ele confirma levemente com a cabeça. Seus olhos transmitem seu sofrimento.—Rashid... —gemo o nome dele em pura satisfação e o abraço forte. Rashid estremece, como se esperasse minha reação. Ele me afasta de um jeito firme, decidido e me en

  • A CRIADA   Allah! Como ele sabe que não sou virgem?

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  • A CRIADA   Nádia me olha como se me dissesse: “não disse que esse homem é não ama ninguém, que ele é complicado?”.

    Allah! Suas palavras me levam ao limite da minha raiva. —Não. Pode deixar. Eu me viro sozinho. Você está dispensada! Não preciso mais de ajuda. Sei de cor e salteado os remédios que devo tomar e seus horários. E hoje mesmo tomei a resolução de sair do quarto. Como você mesma pode ver, já me sinto bem melhor. Irei andar por aí e você, nem ninguém irá me impedir.Seus lábios tremem, mas seu narizinho se empina. Flashes dela agindo dessa mesma maneira em uma biblioteca atravessam meu cérebro e minha respiração fica agitada. —Tudo bem —ela diz e se afasta. Destranca a porta e sai do quarto.Minha cabeça dói com a lembrança. Caminho até a cama e me sento nela.—Você está bem? —Selima diz entrando no quarto. Ergo meu rosto e encaro a empregada. Tinha até me esquecido dela.—Selima, mudei de ideia quanto a conversamos. Eu quero que saia agora. Quero ficar sozinho. Selima fica vermelha.—Allah! O que essa odalisca falou de mim?Odalisca? É isso mesmo que ouvi?Eu me enfureço com sua ati

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