Inicio / Lobisomem / A Companheira Rejeitada Retorna / Capítulo 5: O Limite da Indiferença

Compartir

Capítulo 5: O Limite da Indiferença

last update Fecha de publicación: 2026-04-08 03:33:23

O guarda ficou nervoso e deu um passo para trás, o que fez com que eu me aproximasse ainda mais dele de forma perigosa.

Por fim, ele começou a gaguejar, tentando se explicar.

—A-a ex-Luna Lyra… foi levada para a masmorra… depois que a Luna Calista disse ao Alfa Rowan que ela deveria ser punida…

Meus dedos se contraíram. Eu não tinha dado nenhuma ordem para que Lyra fosse presa, muito menos punida.

Calista.

Eu queria saber o que havia acontecido, por que a decisão do Alfa Rowan, quando ele havia deixado o sofrimento de Lyra a meu cargo.

Mas antes que eu pudesse dizer algo ao guarda, o próprio Rowan apareceu de repente com um brilho de curiosidade e orgulho em seu olhar.

—Finalmente você voltou, Alfa Mikail —disse ele em um tom estranho, como se esperasse que meu retorno significasse algo mais do que uma simples presença em seu território.

Enfrentei seu olhar com a mesma hostilidade de sempre.

Não gostava que ele se achasse mais do que era só porque tinha o título de Alfa.

—Tive que me ausentar por algumas horas —respondi com simplicidade, cruzando os braços—, mas, ao voltar, ouvi algo interessante.

Rowan arqueou uma sobrancelha.

—Ah, é? —perguntou com falsa curiosidade.

Mantive o olhar fixo nele, apreciando a maneira como sua postura se tensionava.

—Ouvi dizer que a ex-Luna Lyra foi levada para a masmorra —disse friamente—. Que sua punição foi ordenada por você, por sugestão de sua futura Luna.

Seu rosto não demonstrou nenhuma reação imediata, mas eu não era idiota.

Suas pupilas se dilataram levemente e sua língua passou sutilmente pelo lábio inferior antes de falar. Ele estava nervoso.

—Foi isso mesmo —confirmou depois de alguns segundos, mantendo a postura rígida—. Não é problema seu, Mikail, ou é?

—Interessante —murmurei, percebendo como sua mandíbula se contraía.

Dei mais um passo à frente.

—Eu deveria estar encarregado dela enquanto ela estivesse aqui —disse calmamente, embora meu tom fosse uma lâmina bem afiada—. Desde quando você passou por cima da sua própria decisão, Rowan?

Sua expressão ficou sombria.

—Eu sou o Alfa desta matilha —rosnou ele, com uma tentativa de autoridade que quase me fez sorrir.

Quase.

Porque eu vi.

A pequena hesitação.

A breve vacilação em suas palavras antes de terminá-las.

Ele não estava seguro de si.

—Ah, não pretendo contrariar você —murmurei, deixando um pequeno sorriso curvar meus lábios. Não era um gesto de zombaria, mas algo pior—. Afinal, este é o seu território e ela faz parte da sua matilha.

Rowan engoliu em seco, sem responder. Meu beta, Krimson, moveu-se sutilmente atrás de mim, em uma postura pronta para qualquer coisa. 

—Vamos —ordenei, sem tirar os olhos de Rowan. Justamente quando me virei, a voz de uma mulher me deteve. 

—Você parece amigável demais, Alfa Mikail. 

Calista. A futura Lua da matilha Moonfang estava ao lado de Rowan, de braços cruzados e com um sorriso que não escondia totalmente seu desdém. 

Observei-a por um instante. Ela não me impressionava. 

—Sei ser cortês quando a ocasião exige —disse com calma, sem me deter mais do que o necessário. 

Não deixei de notar o modo como seus olhos me acompanharam até eu desaparecer na noite. 

Mas não me importei. Havia algo mais importante a fazer. 

*** 

A masmorra ficava na parte mais profunda do território. E o fedor de sangue a denunciava antes mesmo de eu vê-la. 

Krimson e eu descemos os degraus de pedra, com a umidade grudando em nossa pele. Não precisei que me dissessem qual era a cela. Soube no momento em que vi os rastros de sangue seco no chão. 

Parei diante da porta com grades e observei a figura lá dentro. Lyra. 

Ou o que restava dela. 

Seu corpo estava encurvado em um canto, com o vestido rasgado e grudado em sua pele ensanguentada. 

As marcas do chicote se estendiam por suas costas, algumas ainda abertas, outras cicatrizando com dificuldade. 

Observei-a em silêncio. 

Ela não se movia. Krimson se aproximou um pouco mais e rosnou em desaprovação. 

—Ela não consegue se regenerar —murmurou—. Ela não tem loba. 

Não respondi. Não porque não tivesse nada a dizer, mas porque estava processando o impacto do que estava vendo. 

O castigo que lhe impuseram não tinha sido uma simples demonstração de disciplina. Tinha sido uma execução fracassada. 

Uma tentativa de quebrá-la completamente. Rowan tinha dito que não era problema meu. 

Mas… Meus dedos se contraíram. 

Não sabia o que me incomodava mais. Se o fato de ela estar naquele estado. Ou que tivessem feito isso pelas minhas costas. 

Virei-me lentamente para Krimson. 

—Traga-a. 

Meu beta piscou. 

—O quê? 

Olhei fixamente para ele. 

—Leve-a para o meu quarto. 

Não esperei por resposta. Apenas me virei e saí da masmorra, deixando o eco dos meus passos ressoando na pedra fria.

Continúa leyendo este libro gratis
Escanea el código para descargar la App

Último capítulo

  • A Companheira Rejeitada Retorna   Extra 3: Atos de redenção

    —O que você está fazendo aqui? —consegui perguntar, com a voz rouca de tanta emoção.Ele arqueou uma sobrancelha.—É simples. Respostas.Isso foi o suficiente para que todos os meus pecados voltassem de uma vez:A imagem de Lyra fugindo. Seu choro. Minha covardia. O medo disfarçado de decisão.—Não tenho nada a lhe oferecer —disse eu—. Apenas erros e muito arrependimento.Aiden não desviou o olhar.—Não vim pedir perdão nem concedê-lo —respondeu ele em tom cortante—. Vim olhar para o homem que me deu a vida… e talvez entender por que ele escolheu nos abandonar.Minha mãe soluçou mais forte. Eu cerrei os punhos até doerem e minhas mãos ficarem dormentes.—Não há desculpa válida —admiti com um suspiro—. Fui fraco. E paguei por isso. Certamente pelo resto dos meus dias.Olhei para ele com atenção. Ele era poderoso. Dava para perceber em sua postura, na energia contida sob sua pele. Pensei em Lyra. Em como ela teria crescido. Em como ele pôde permitir que ela viesse. Eu não tinha o direi

  • A Companheira Rejeitada Retorna   Extra 2: Arrependimento tardio

    **Eloísa**Anos atrás, meu mundo desabou no grande salão de Silverbane.Lembro-me primeiro do murmúrio. Depois, dos rostos tensos. Em seguida, das palavras que ninguém jamais quer ouvir sobre um filho.—Mikail será banido — anunciou o ancião mais velho. — Por seus crimes contra a matilha.Não ouvi mais nada. O chão se inclinou e o ar abandonou meus pulmões.Acordei com o gosto metálico do medo na boca e a voz de Severino me chamando.—Eloísa… amor… olhe para mim.—Ágata? —foi a primeira coisa que perguntei—. Onde está minha menina?Severino não respondeu imediatamente. E aquele silêncio foi pior do que qualquer sentença.—Ela estará na masmorra do rei Alfa —disse ele finalmente—. Por muito tempo.Gritei. Não me lembro o quanto nem como. Só sei que algo dentro de mim se quebrou para sempre. Mikail banido. Ágata aprisionada. Dois filhos perdidos no mesmo dia.Os dias seguintes foram puro caos. Severino assumiu o comando de Silverbane enquanto Mikail fugia como um animal ferido, mas a ma

  • A Companheira Rejeitada Retorna   Extra 1: A curiosidade do saber

    **Lyra**A felicidade tem um peso próprio. Não é leve nem ingênua. É uma paz profunda, conquistada com muito esforço, como a que sinto todas as manhãs ao acordar ao lado de Tharion, o rei Alfa que não só me escolheu como rainha, mas como toda a sua vida. Ser amada por ele, daquela forma devota e feroz, me deu algo que nunca acreditei ser possível: descanso. Wolvencrest deixou de ser um refúgio para se tornar um lar.Tharion nos amava com uma dedicação absoluta. A mim. A Aiden. A cada um de nossos filhos, sem distinção, sem hierarquias. Ele nos olhava como se fôssemos o que havia de mais precioso no mundo, e eu retribuía esse amor com a mesma intensidade. Nosso legado não era apenas poder ou território, mas uma família unida. Mas mesmo na felicidade mais sólida, o passado sabe como reivindicar seu lugar.Aiden tinha dezesseis anos quando a verdade o atingiu.Era uma tarde silenciosa. Demasiadamente.Ele entrou na sala com os ombros tensos, a mandíbula cerrada, os olhos acesos por u

  • A Companheira Rejeitada Retorna   Capítulo 142: Laços que não se rompem (Epílogo)

    **Lyra**O território respirou comigo quando o último vestígio de magia negra se dissipou. Senti isso sob meus pés descalços, como se Wolven Crest exalasse um suspiro após uma guerra que se prolongou demais. Não houve relâmpagos nem gritos. Apenas um calor suave e profundo, que purificou a terra sem feri-la. Era assim que devia terminar: sem violência, sem sangue.Pensei em tudo o que perdemos para chegar até aqui. Pensei no medo que me dominou por tanto tempo… e em como, mesmo assim, segui em frente.Porque confiava em Tharion, porque, por mais quebrada que estivesse, decidi confiar uma última vez no amor e no destino. E não me enganei. Porque, no fim, tudo valeu a pena.Os anciãos me observaram em silêncio quando dei o último passo à frente. Não havia acusação em seus olhares. Nem expectativa temerosa.—Lyra —disse o mais ancião—. Nós te reconhecemos como rainha.Senti um nó na garganta e algo apertando meu peito.—Você não foi uma arma —disse o ancião, inclinando a cabeça—. Nunca

  • A Companheira Rejeitada Retorna   Capítulo 141: O lar que se escolhe (Final)

    **Lyra**Ver Rowan onde menos esperava foi um choque para mim.Virei-me para Tharion com um olhar interrogativo, e ele se apressou em se explicar.—Foi uma aliança incômoda —admitiu com um suspiro—. Necessária. Ele nos deu a rota quando ninguém mais podia fazê-lo. Não confio nele… mas hoje ele cumpriu sua parte.Acenei lentamente, processando tudo. Havia muitas perguntas pairando no ar, muitas verdades recém-reveladas.—Haverá tempo para conversar —prometeu ele, apertando minha mão—. Para esclarecer tudo. Agora, a única coisa que importa é isso.Ele olhou para nosso filho. Depois, para mim.—Vocês estão a salvo. E continuarão a salvo. Eu juro.Eu mantive o olhar fixo nele. E, pela primeira vez desde que essa guerra começou, pude me sentir verdadeiramente em paz.O silêncio que se seguiu à captura de Calista era denso, quase sufocante. Eu sentia o pulso ainda acelerado, como se meu corpo não conseguisse entender que já não corria perigo. Aiden estava atrás de mim, pequeno, agarrado à m

  • A Companheira Rejeitada Retorna   Capítulo 140: A queda das máscaras

    **Mikail**Não foi a dor física que me deteve.Foi a certeza.Dei apenas um passo para trás quando compreendi que não havia saída. O caos do campo de batalha ainda vibrava no ar, o cheiro de magia queimada e sangue misturando-se com algo mais denso: a derrota. Virei-me, procurando uma brecha, uma mínima oportunidade de fugir, mas uma mão se fechou com força sobre minha camisa e tirou o ar dos meus pulmões.—Aonde você acha que vai? —a voz de Krimson soou muito perto, carregada de um sarcasmo que me gelou as costas.Ele me virou para ele com um puxão. Seu sorriso não tinha humor; tinha julgamento.—Krimson… —engoli em seco—. Pelo que fomos. Pelo que juramos quando eu era seu Alfa… me solta.Minhas palavras soaram patéticas até para mim.Krimson inclinou a cabeça, observando-me como se visse algo que já não merecia nem respeito nem ódio.—Esse vínculo morreu —disse ele friamente—. Morreu quando fizeste a Lyra sofrer. Quando usaste o filho dela como moeda de troca. A minha lealdade agor

Más capítulos
Explora y lee buenas novelas gratis
Acceso gratuito a una gran cantidad de buenas novelas en la app GoodNovel. Descarga los libros que te gusten y léelos donde y cuando quieras.
Lee libros gratis en la app
ESCANEA EL CÓDIGO PARA LEER EN LA APP
DMCA.com Protection Status