FAZER LOGINO jovem ruivo trocou o peso do corpo entre os pés, colocando a mão no quadril de forma elegante e prepotente.
— É. A senhorita poderia estar morta agora — zombou ele, com um brilho de diversão nos olhos verdes.
— Mas não estou! — Orin retrucou, embora a gravidade da situação finalmente começasse a se infiltrar em sua mente. — Apesar de eu ainda não entender bem o porquê.
O homem de tranças longas também cruzou os braços fortes, ostentando um sorriso puramente provocante.
— Porque não somos bárbaros.
— Podemos não a querer aqui, mas não a mataríamos deliberadamente — expôs o de cabelo azul, mantendo sua expressão gélida.
— Não por querer... — O homem de pele ébano pigarreou, lembrando que o ataque anterior quase a pegou. — Mas você não teria a mesma sorte com os outros. Muitos odeiam humanos e não hesitariam em matá-la.
O de cabelo azul a observou em silêncio por um momento. E ele notou como ela se apoiava pesadamente contra o tronco da árvore, a palidez denunciando seu estado.
— Por falar nisso... — questionou ele, com sua sinceridade cortante — a senhorita consegue se levantar sozinha?
Orin abaixou a cabeça, respirando fundo antes de tentar se afastar da árvore. Mas sem conseguir conter, uma careta de dor surgiu em seu rosto, fazendo-os observá-la com uma apreensão silenciosa.
O homem de longas tranças se aproximou, e o instinto de defesa de Orin a fez recuar bruscamente contra o tronco. No movimento, ela tropeçou em uma pedra, perdendo o equilíbrio.
Ela fechou os olhos com força, preparando-se para o impacto e a dor que certamente viriam. Mas nada aconteceu.
Confusa, Orin abriu as pálpebras e soltou um suspiro de choque ao perceber que estava flutuando a poucos metros do chão, envolta por uma brisa invisível e firme.
— O quê?
O jovem de tranças aproximou-se com um sorriso travesso, embora seus olhos carregassem um brilho de arrependimento.
— Uns hematomas por minha causa já são mais do que o suficiente, não acha, princesa?
Com um gesto suave, Alaric a colocou de volta no solo.
Orin ajeitou a saia do seu longo vestido, sentindo as bochechas queimarem. Ela agradeceu timidamente, mas não deixou de corrigi-lo.
— Obrigada, eu acho... E meu nome não é princesa!
Recuperando a postura, ela olhou para o grupo à sua volta.
— Como se chamam? Eu... não sei como me dirigir a vocês... — balbuciou, a timidez lutando contra a curiosidade.
Eles se apresentaram um a um, revelando que, por trás da aura letal, existiam seres de uma educação milenar.
— Sou Alaric, o dragão do ar — o homem de tranças foi o primeiro, tomando a mão de Orin e depositando um beijo galanteador sobre seus dedos. Ele era o dragão verde.
— Sou o Tork, o dragão da terra — apresentou-se o homem de pele ébano. Ele mantinha uma carranca, mas sua reverência foi impecável. Ele era o dragão marrom.
Logo em seguida, o ruivo fez uma mesura elegante e teatral.
— Eu sou o Pyro, dragão vermelho das chamas incandescentes.
O loiro também fez uma leve reverência, um pouco mais desajeitada que a de Pyro, mas carregada de uma solenidade respeitosa.
— Corvus. Dragão negro das chamas sombrias.
Por fim, o jovem dragão azul, que se mantinha à distância com os braços cruzados, falou de forma curta e direta.
— Dior. O dragão da água.
Orin absorveu cada nome e gesto, sentindo o coração martelar contra as costelas. O transe, porém, foi quebrado pela voz fria de Dior, que relembrou a realidade.
— Você deveria ir embora, humana.
Orin revirou os olhos, um gesto audacioso que fez Dior erguer uma sobrancelha, surpreso com tamanha petulância.
— Meu nome não é "humana", senhor Dior. É Orin.
— Aqui não é o seu lugar. Este solo é perigoso para a sua espécie — lembrou Tork, a voz profunda fazendo Orin finalmente aceitar a realidade de que havia sido pega invadindo o território deles. Mas como ela poderia adivinhar que as lendas realmente tinham vida naquele lugar?
— Mas o que a trouxe tão ousadamente ao nosso domínio, princesa? — questionou Alaric, mantendo o tom galante e a observando com curiosidade.
Enquanto os outros pareciam perdidos em seus próprios pensamentos, Orin caminhou calmamente, tentando controlar a respiração para não denunciar a dor lancinante em suas costelas.
Ela se abaixou, pegando seu cesto de ervas caído a poucos metros, e o mostrou para os gigantes.
A agonia era quase insuportável, mas ela precisava resistir. Não queria que eles a vissem como uma criatura frágil e decidissem "poupá-la" da pior forma possível.
— Vim por isto — disse ela, mostrando as ervas com um toque de tristeza no olhar. — Elas acabaram em Cilia, e achei que poderia encontrar algumas por aqui.
— E não passou por sua linda cabecinha que poderia morrer aqui em Solária? — questionou Corvus, observando-a com uma intensidade que a fez suspirar angustiada.
— Para dizer a verdade... eu achava que vocês nem existiam. Mesmo com tudo o que vem acontecendo lá fora, achei que os dragões fossem apenas histórias para assustar crianças.
Todos a observavam com atenção.
Orin sentou-se em uma enorme pedra, soltando uma careta suave de dor enquanto acomodava o cesto aos seus pés.
— Com os humanos e os seres místicos em guerra e tal... — começou ela, tentando justificar sua descrença.
— Então agora somos reais o suficiente para você, humana? — questionou Pyro com uma paciência irônica, fazendo-a confirmar com a cabeça, angustiada.
Ela sentia-se como uma criança recebendo uma bronca dos pais por ter desobedecido; por isso, decidiu ignorar, apenas dessa vez, o fato de ser chamada de "princesa" ou "humana".
— Está ficando tarde. Você deve ir embora agora — lembrou Dior, indicando suavemente o pôr do sol com o olhar.
Orin concordou ao perceber os tons alaranjados tingindo o céu atrás de si.
Timidamente, ela apertou o tecido das saias entre os dedos.
— Vocês... vão me deixar ir? Sabe... assim, sem nada e... viva?
— Vamos. Mas só se você se lembrar de que nunca esteve aqui — Tork impôs com firmeza, sendo seguido imediatamente por Corvus.
— E de que nós não existimos.
— E você não deve voltar mais aqui, princesa — acrescentou Alaric, com seu tom galante agora mais sério.
— Nunca mais — finalizou Dior.
— Não seremos complacentes com a senhorita da próxima vez — lembrou Pyro.
Orin percebeu que aquela era a primeira vez em que eles concordavam com algo sem discutir.
O silêncio que se seguiu mostrou que até eles mesmos estavam levemente apreensivos por terem alcançado um consenso tão rápido.
— Mas... esta erva só nasce por aqui agora — tentou Orin, a angústia voltando a apertar seu peito.
Pyro apenas deu de ombros, indiferente.
— Isso não é da nossa conta.
— E a guerra? — ela tentou novamente, buscando uma última conexão.
Desta vez, foi Corvus quem respondeu, com sua voz profunda e direta.
— Temos a nossa própria guerra para nos preocupar. Não nos envolveremos na de vocês.
Eles discutiram brevemente mais uma vez, mas o veredito final foi mantido. A jovem humana tinha que partir.
Expulsa do território deles, Orin iniciou o caminho de volta para casa, sentindo-se revoltada e confusa.
Ao anoitecer, ela finalmente voltou a vila. E entrou em sua modesta casa de pedras e barro, com telhado de palha e galhos secos.
Marcel, seu pai e o ancião da vila, a abraçou com força assim que ela cruzou a soleira.
— Onde você estava?
— Estava colhendo ervas, papai — respondeu Orin com um sorriso doce, amostrando o cesto e ignorando as leves dores para não deixá-lo preocupado.
— O dia todo? E por que está tão suja? Caiu na lama?
Orin corou, colocando uma mecha de seu cabelo ruivo, que havia se desprendido da trança, atrás da orelha.
— É que tive um pouco de dificuldade para encontrar estas, já que estão se acabando em Cilia.
Seu pai suspirou, o semblante carregado de preocupação.
— Volte cedo da próxima vez.
Orin concordou amavelmente, olhando ao redor e dando por falta de sua irmãzinha de treze anos.
— E Rosa?
— Já está dormindo. Hoje o dia foi bem cansativo com as crianças da vila.
Orin sorriu, compreensiva, enquanto seu pai a ajudava a acomodar o cesto de ervas.
Poucos minutos depois, deitada sobre peles macias que cheiravam a orvalho, Orin encarava o teto alto, mas sua mente ainda estava presa na clareira destruída de mais cedo. Ela fechava os olhos e o espetáculo recomeçava em suas pálpebras.
Primeiro, veio o calor. Ela ainda sentia o rastro das chamas de Pyro, aquele ruivo insolente que parecia ter o sol correndo nas veias. Depois, o calafrio gélido de Dior; ela tocou o próprio pulso, onde a água dele a curara. Ele era um mistério cortante, uma beleza que afastava e atraía como o abismo do mar mais revolto.
Um suspiro trêmulo escapou de seus lábios ao lembrar de Tork. Ele a chamara de "estúpida", mas a força bruta daqueles músculos de ébano dele tinham uma intensidade que a fazia se sentir pequena e estranha.
E havia Alaric... com aquele sorriso galanteador. Ele a olhara como se ela fosse um tesouro, raro e especial. Por fim, tinha Corvus, o loiro das chamas negras, o silêncio e a pressão de estar perto dele pesava mais do que as palavras de todos os outros.
— Dragões... — sussurrou ela para a escuridão, a voz falhando. — Eles não são mitos. São reais. E são tão reais, que sua beleza chega ser um insulto.
Orin se resignou e encolheu, sentindo o coração bater descompassado. Ela fora buscar ervas para salvar sua vila e seu pai, mas agora, sentia que quem precisava ser salva de um incêndio interno era ela mesma.
Entre o medo de ser uma guerra que batia em sua porta e o fascínio por aqueles cinco rostos esculturais, o sono finalmente a reivindicou, mas seus sonhos, pela primeira vez, não tinham os monstros usuais, apenas os belos homens dragão que conhecera.
Após mais alguns minutos de explicações, discussão e reclamações, Orin se impôs.— Já que estão todos aqui, vamos resolver isso agora.Ela arrancou um fio de seu próprio cabelo ruivo e o colocou sobre a superfície cristalina do espelho, nas mãos do patriarca Élfico. Em seguida, olhou para cada um de seus machos com uma firmeza que os fez estremecer. Um por um, eles se aproximaram.Dior foi o primeiro e colocou um de seus fios azul-marinho no espero. Nada.Alaric foi o seguinte e colocou um fio negro. Nada.Pyro, Tork e Corvus também tentaram. E o espelho permanecia inerte, os fios parados como se o espelho nem mágico fosse.— Esse troço deve estar quebrado — resmungou Pyro.- Ou nenhum de nós é o pai. – Rebateu Alaric lançando um olhar provocante para Killian.Killian contev
Serena encarou Wess com o lábio tremulo, antes de lançar um olhar sobre cada um de seus parceiros, a fazendo surtar quando seu olhar encontra o de Apollo, que era sua única salvação no meio destes loucos.— Até você Apollo?! — Serena gritou, indignada, ao ver o dragão mais sério e mudo dar um sorriso de lado, fazendo seu queixo cair.— Ora, você começou a provocação, agora aguenta. — Draco riu, aproximando-se. — Se você gosta tanto assim de nos ver lutar por você, quem somos nós para negar esse prazer?— Ei! Parem já com isso! Eu não quis dizer isso! — Ela começou a surtar, o rosto ficando vermelho de vergonha enquanto eles a cercavam com olhares predadores e flertes cada vez mais abertos.— Então... — Dart sussurrou, inclinando-se perto do ouvido dela. — Quem te
“- Não é possível que ele seja borracha fraca” - Orin pensou, surpresa, enquanto seus olhos desciam pelo corpo dele. - “Com esse corpão e com esse pau enorme?”Ela percebeu o quanto ele estava magoado consigo mesmo quando ele tentou se afastar, os ombros caídos em um sinal de derrota silenciosa. Ele parecia estar se perguntando se ela o abandonaria ali mesmo, se o rejeitaria por aquela falha em seu momento de glória.— Killian — ela sussurrou, segurando o rosto dele com as duas mãos e forçando-o a olhá-la. O brilho de angústia nos olhos azuis dele partiu o coração dela. — Ei, olhe para mim. Eu não vou a lugar nenhum.Ela acariciou suas bochechas, tranquilizando-o com um sorriso doce.— Eu entendo... você esperou muito e ficou muitos anos sozinho. E por isso está ansioso. Além disso sou mais humana q
Mais dois dias se arrastaram, completando um ciclo de doze noites de incerteza para os seis Reis Dragonianos de Solária. Killian entrou no quarto silencioso para render Dior, que, fiel ao seu apelido de morto-vivo, estava afundado no colchão ao lado da fêmea, os olhos opacos e a postura de quem não sabia o que era um descanso real há muito tempo.Killian não se aproximou de imediato; manteve-se encostado no batente da porta, observando a cena com uma mistura de respeito e aquela pontada de inveja e rivalidade que nunca morria em seu peito.Dior sentiu a presença do novo companheiro, bocejou, um som arrastado, e saiu da cama com movimentos pesados, quase automáticos. Assim como ele, todos os Reis carregavam olheiras profundas e uma tensão constante nos ombros; a preocupação com a amada adormecida havia drenado até o último resquício de vaidade deles.Fisicamente, Orin
Killian suspirou e um rubor raro tingiu a pele alva de suas bochechas. Ele recolheu suas garras, sentindo o coração martelar, e flexionou os dedos para eliminar a tensão antes de se unir a eles e cercar Orin.A Rainha, porém, os observava de cima com uma frieza gélida. Ela ergueu uma barreira de magia invisível, vibrante que chiava como eletricidade para mantê-los afastados.Dior foi o primeiro a forçar caminho. Cada passo era um suplício; a magia dela queimava sua pele e esmagava seus ossos, mas ele continuou, absorvendo a dor que o poder dela infligia.— Orin, a guerra acabou. Nos perdoe por não cumprir com nossa promessa. — ele disse, a voz firme apesar do sofrimento.— É, senhorita Orin — Corvus manifestou-se logo atrás, enfrentando a pressão esmagadora. — Perdoe-nos, estávamos enlouquecendo sem você.— Ach&
Orin pousou, meio cambaleante por ainda estar se adaptando a sua nova fisionomia, e o som de suas garras bateram contra a pedra da praça, soando como o martelo de um juiz em um tribunal silencioso.Ela ignorava o alarme que vinha de seus parceiros, ignorava a dor dilacerante em seu corpo. Seus olhos verdes, agora brilhando de puro poder, piscavam entre o verde e o branco, travando-se nos seus parceiros e em Killian, e o ar entre eles pareceu faiscar com uma tensão que prometia mudar o destino de todos ali presentes.E foi ai que Orin viu que aquele homem frio, que a sequestrou, ameaçou e que seus maridos tanto odiavam escondia um brilho de admiração devota só para ela. Killian a olhava como se ela fosse um fruto proibido, uma visão que ele não tinha o direito de contemplar, mas da qual não conseguia desviar.— Killian — a voz dela soou profunda, carregada pelo eco de sua forma dragoniana.