FAZER LOGINNa palma do homem de pele morena, a terra começou a se condensar em uma massa de energia vibrante e bruta, enquanto na do jovem de cabelos azuis, redemoinhos de água surgiram, prontos para o ataque.
Eles pareciam dispostos a recomeçar a destruição ali mesmo, tratando a vida de Orin como se fosse um mero detalhe em meio a uma briga sem sentido.
Com tanta discussão, Orin sentia a agonia crescer em seu peito.
Aquela disputa acalorada sobre ela, como se sua existência não passasse de um estorvo, a sufocava.
Decidida a não ser apenas uma espectadora da própria morte, ela resolveu se pronunciar ao ver que eles iriam acabar se atacando, usando seus poderes novamente.
Enquanto lutava para manter os olhos abertos, Orin foi reconhecendo cada um dos dragões pelas habilidades que pulsavam em suas mãos.
O Dragão Vermelho, que lançava as chamas, era o homem ruivo de uma beleza impressionante, com cabelos longos e olhos verdes que transbordavam elegância e orgulho.
O Dragão Verde, que comandava o vento e que a acertara, era o jovem de tranças longas; ele tinha um jeito galante e gentil, mas carregava um olhar que parecia capaz de manipular o próprio ar. Ele parecia estar gostando de ver o circo pegar fogo.
O Dragão Azul, que fazia a água dançar ao seu redor em arcos perfeitos, era o jovem de cabelo azul com uma cicatriz marcante sobre o olho azulado, mantendo-se frio, silencioso e envolto em mistério, enquanto debochava do outro Dragão.
O Dragão Marrom, era o que fazia a terra sob seus pés se mover enquanto pedras flutuavam ao seu redor, era o jovem de pele de ébano e cabelos trançados; e parecia ser o mais novo entre eles, visivelmente impulsivo e estressado com cada palavra dita.
E para finalizar essas beldades, tinha o jovem de cabelos loiros e com uma cicatriz sobre um dos olhos azuis, que era o Dragão Negro. Este sustentava chamas negras nas mãos como se não fossem nada, mantendo uma postura honrada e direta, apesar do olhar puro que disfarçava o fato de aparentemente ser o mais velho entre eles.
Orin os encarou um a um, sentindo o peso de cada presença enquanto reunia coragem para interrompê-los.
Era um mais lindo do que o outro, mais um mais esquentado do que o outro, mesmo os que mais pareciam tranquilos.
“-OK, isso foi longe demais!”
— Humana para dragões gatos... olá?
Orin tentou, mas eles continuaram a discutir, ignorando-a como se ela fosse apenas parte da paisagem.
— Tá, tá, tá... a humana não deveria estar aqui, eu já entendi! — Ela tentou novamente, mas sua voz suave era facilmente abafada pelo tom alto e autoritário com que eles falavam uns com os outros.
— Vocês querem mesmo matar a humana aqui, né? — Orin suspirou, sentindo a irritação borbulhar antes de finalmente elevar sua voz melodiosa em um grito que cortou o ar. — Ok! Já chega dessa briga de testosterona!
O silêncio caiu de repente. Eles pararam de discutir e, finalmente, a perceberam. Cinco pares de olhos poderosos se voltaram para ela, e os poderes que ainda brilhavam em suas mãos não foram desfeitos.
Todos a encaram como seres superiores que eram, e a altura imponente de cada um não ajudava Orin a se sentir menos pequena perto daqueles gigantes.
Inconscientemente, em um movimento coordenado e intimidador, os cinco lindos gigantes viraram seus poderes na direção da pequena ruiva.
Orin arregalou os olhos esverdeados, erguendo as mãos em rendição imediata.
O homem ruivo, o Dragão Vermelho, ergueu uma sobrancelha, um sorriso divertido brincando em seus lábios elegantes.
— Que mulher insolente — comentou ele, com seu habitual orgulho.
— Extremamente imprudente, devo acrescentar — expôs o de cabelo azul, o Dragão Azul, mantendo sua expressão estoica e misteriosa.
— Ela não teme a morte? — questionou o loiro, o Dragão Negro, com sua voz profunda e calma, sendo direto como sempre.
O jovem de pele ébano, o Dragão Marrom, soltou uma gargalhada curta e explosiva, achando graça da audácia dela.
— Não! É somente uma humana estúpida!
— Mas a humana estúpida é resistente e tem mais garra do que vocês! — provocou o de longas tranças, o Dragão Verde, abrindo um sorriso malicioso e galante enquanto media Orin da cabeça aos pés.
Todos eram tão lindos que era praticamente impossível para Orin não se sentir mexida por cada um deles. Mesmo diante do perigo, a beleza deles era hipnotizante.
Porém, o encanto quebrou quando eles voltaram a rosnar uns para os outros, fazendo Orin revirar os olhos, já sem paciência.
“- Meu Deus, são piores do que crianças.”
Ela os encarava preocupada antes de respirar fundo, quando Uma nova onda de tontura a atingiu, e ela precisou se recostar no tronco áspero da árvore atrás de si, tentando disfarçar a fraqueza para não parecer ainda mais vulnerável diante daquelas feras briguentas.
— Vocês estão brincando, né? — soltou ela, a voz carregada de incredulidade.
— O que disse? - O homem de cabelo azul a encarou friamente, a voz saindo como um sussurro gélido.
O gesto foi acompanhado por todos os outros homens dragões, que voltaram suas atenções raivosas para ela. O peso daqueles cinco olhares predadores sobre si fez um arrepio violento percorrer sua pele, o instinto de sobrevivência gritando que ela estava pisando em terreno perigoso.
Sem se deixar intimidar, Orin respondeu, sustentando o olhar deles enquanto se mantinha firme.
— Vocês estão me chamando de estúpida e imprudente, mas os estúpidos e imprudentes são vocês mesmos.
Eles a fuzilaram com o olhar, uma pressão esmagadora vinda de cinco direções diferentes, mas ela não recuou nem por um centímetro.
Uma leve vertigem a atingiu, o mundo ameaçando girar sob seus pés, mas Orin a mascarou com uma expressão de puro aço. Manteve-se ereta e determinada, abrindo os braços para enfatizar o caos.
— Olhem ao redor!
O silêncio que se seguiu foi absoluto. Eles a encaravam, as chamas e energias ainda pulsando em suas mãos.
— Vocês estão destruindo tudo com seus poderes, brigando à toa! — continuou ela, a voz subindo de tom. — Vocês não são todos dragões? Por que lutar entre si desse jeito?
O impacto das palavras dela pareceu penetrar suas arrogâncias, um por um.
Cada um deles desviou o olhar de Orin para observar, finalmente, a extensão da própria fúria.
Boa parte da floresta ao redor estava em ruínas; árvores centenárias jaziam queimadas até o cerne ou haviam sido completamente obliteradas, restando apenas crateras e cinzas onde antes havia vida.
— Vocês perderam a razão ou o quê?
Eles voltaram a atenção para a pequena e bela mulher, encarando-a com um misto de surpresa e uma curiosidade crescente. Era como se estivessem, finalmente, enxergando a presença dela ali.
— Até parece que vocês, humanos, são melhores — comentou o homem de pele ébano, cruzando os braços com impaciência. O movimento brusco fez seus músculos saltarem, evidenciando a força bruta que o Dragão Marrom mal conseguia conter em sua forma humana.
Orin bufou, irritada. Ela tinha plena consciência de que os humanos realmente não eram melhores; conhecia bem as falhas de sua própria espécie. No entanto, não aceitaria aquele deboche.
— Não! Os humanos também brigam estupidamente e sem um motivo que preste — rebateu ela, firme. — Mas nem todos são assim, então não generalize.
Todos recolheram seus poderes de imediato, mas não desviaram os olhos dela nem por um segundo.
— Você não tem medo de nós? — o loiro questionou com uma paciência que parecia quase perigosa.
Orin sentiu o coração disparar, mas em vez de recuar, ela sorriu de forma maliciosa antes de provocá-los.
— Eu não sei se deveria... já que vocês estão claramente mais ocupados brigando entre si por aqui.
Embora mantivesse a pose, ela sentiu o rosto esquentar, corando nervosa sob a atenção daquelas cinco beldades.
“- Além do mais, vocês são lindos pra caramba. Mas vocês não precisam saber disso” - pensou ela, guardando o elogio para si enquanto tentava não se perder naqueles olhares.
O homem de tranças longas soltou uma gargalhada genuinamente divertida, o som ecoando pela clareira destruída.
— Ela é ousada!
— Ou é somente estúpida — ralhou o de cabelo azul, mantendo sua expressão estoica e gélida.
Orin o fuzilou com o olhar, já sentindo a paciência esgotar. Estava cansada de ser ofendida por homens que, até poucos minutos atrás, agiam como crianças destrutivas.
O dragão loiro cruzou os braços, um movimento que fez seus músculos bem delineados saltarem sob a pele.
— Como se chama, humana?
— Orin. Eu me chamo Orin! E não "estúpida" ou qualquer outro adjetivo que estão usando para me definir! — ela rebateu irritada.
Mas eles permaneceram indiferentes à sua fúria. E o loiro continuou com sua voz profunda e calma.
— Lady Orin, este território é propriedade dos dragões. E você, como humana, não deveria estar aqui.
Após mais alguns minutos de explicações, discussão e reclamações, Orin se impôs.— Já que estão todos aqui, vamos resolver isso agora.Ela arrancou um fio de seu próprio cabelo ruivo e o colocou sobre a superfície cristalina do espelho, nas mãos do patriarca Élfico. Em seguida, olhou para cada um de seus machos com uma firmeza que os fez estremecer. Um por um, eles se aproximaram.Dior foi o primeiro e colocou um de seus fios azul-marinho no espero. Nada.Alaric foi o seguinte e colocou um fio negro. Nada.Pyro, Tork e Corvus também tentaram. E o espelho permanecia inerte, os fios parados como se o espelho nem mágico fosse.— Esse troço deve estar quebrado — resmungou Pyro.- Ou nenhum de nós é o pai. – Rebateu Alaric lançando um olhar provocante para Killian.Killian contev
Serena encarou Wess com o lábio tremulo, antes de lançar um olhar sobre cada um de seus parceiros, a fazendo surtar quando seu olhar encontra o de Apollo, que era sua única salvação no meio destes loucos.— Até você Apollo?! — Serena gritou, indignada, ao ver o dragão mais sério e mudo dar um sorriso de lado, fazendo seu queixo cair.— Ora, você começou a provocação, agora aguenta. — Draco riu, aproximando-se. — Se você gosta tanto assim de nos ver lutar por você, quem somos nós para negar esse prazer?— Ei! Parem já com isso! Eu não quis dizer isso! — Ela começou a surtar, o rosto ficando vermelho de vergonha enquanto eles a cercavam com olhares predadores e flertes cada vez mais abertos.— Então... — Dart sussurrou, inclinando-se perto do ouvido dela. — Quem te
“- Não é possível que ele seja borracha fraca” - Orin pensou, surpresa, enquanto seus olhos desciam pelo corpo dele. - “Com esse corpão e com esse pau enorme?”Ela percebeu o quanto ele estava magoado consigo mesmo quando ele tentou se afastar, os ombros caídos em um sinal de derrota silenciosa. Ele parecia estar se perguntando se ela o abandonaria ali mesmo, se o rejeitaria por aquela falha em seu momento de glória.— Killian — ela sussurrou, segurando o rosto dele com as duas mãos e forçando-o a olhá-la. O brilho de angústia nos olhos azuis dele partiu o coração dela. — Ei, olhe para mim. Eu não vou a lugar nenhum.Ela acariciou suas bochechas, tranquilizando-o com um sorriso doce.— Eu entendo... você esperou muito e ficou muitos anos sozinho. E por isso está ansioso. Além disso sou mais humana q
Mais dois dias se arrastaram, completando um ciclo de doze noites de incerteza para os seis Reis Dragonianos de Solária. Killian entrou no quarto silencioso para render Dior, que, fiel ao seu apelido de morto-vivo, estava afundado no colchão ao lado da fêmea, os olhos opacos e a postura de quem não sabia o que era um descanso real há muito tempo.Killian não se aproximou de imediato; manteve-se encostado no batente da porta, observando a cena com uma mistura de respeito e aquela pontada de inveja e rivalidade que nunca morria em seu peito.Dior sentiu a presença do novo companheiro, bocejou, um som arrastado, e saiu da cama com movimentos pesados, quase automáticos. Assim como ele, todos os Reis carregavam olheiras profundas e uma tensão constante nos ombros; a preocupação com a amada adormecida havia drenado até o último resquício de vaidade deles.Fisicamente, Orin
Killian suspirou e um rubor raro tingiu a pele alva de suas bochechas. Ele recolheu suas garras, sentindo o coração martelar, e flexionou os dedos para eliminar a tensão antes de se unir a eles e cercar Orin.A Rainha, porém, os observava de cima com uma frieza gélida. Ela ergueu uma barreira de magia invisível, vibrante que chiava como eletricidade para mantê-los afastados.Dior foi o primeiro a forçar caminho. Cada passo era um suplício; a magia dela queimava sua pele e esmagava seus ossos, mas ele continuou, absorvendo a dor que o poder dela infligia.— Orin, a guerra acabou. Nos perdoe por não cumprir com nossa promessa. — ele disse, a voz firme apesar do sofrimento.— É, senhorita Orin — Corvus manifestou-se logo atrás, enfrentando a pressão esmagadora. — Perdoe-nos, estávamos enlouquecendo sem você.— Ach&
Orin pousou, meio cambaleante por ainda estar se adaptando a sua nova fisionomia, e o som de suas garras bateram contra a pedra da praça, soando como o martelo de um juiz em um tribunal silencioso.Ela ignorava o alarme que vinha de seus parceiros, ignorava a dor dilacerante em seu corpo. Seus olhos verdes, agora brilhando de puro poder, piscavam entre o verde e o branco, travando-se nos seus parceiros e em Killian, e o ar entre eles pareceu faiscar com uma tensão que prometia mudar o destino de todos ali presentes.E foi ai que Orin viu que aquele homem frio, que a sequestrou, ameaçou e que seus maridos tanto odiavam escondia um brilho de admiração devota só para ela. Killian a olhava como se ela fosse um fruto proibido, uma visão que ele não tinha o direito de contemplar, mas da qual não conseguia desviar.— Killian — a voz dela soou profunda, carregada pelo eco de sua forma dragoniana.