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Capítulo 4

作者: Eternity
Um estranho da festa me levou para o Hospital St. Anne.

A Família Lucchese controlava o lugar, mas, quando a enfermeira me empurrou para a sala de emergência, ela estava quase vazia.

Ela fez três ligações.

A cada uma delas, seu rosto ficava mais pálido.

— O cirurgião de trauma e a chefe da obstetrícia foram chamados para o último andar. A senhorita Serena ficou assustada, então o Don quer um exame completo nela.

O sangue escorria da minha perna e manchava os lençóis.

Uma dor apertava a parte baixa do meu ventre, repetidamente.

Segurei o pulso da enfermeira.

— Não deixe ninguém descobrir que estou grávida. Salve meu bebê.

Ela congelou por um instante.

Depois assentiu, os olhos avermelhados.

Antes de apagar, achei que ouvi a voz de Damian no fim do corredor.

— Onde ela está?

Alguém respondeu:

— Senhor, a senhorita Serena ainda está esperando por você.

Os passos dele pararam por um segundo.

Depois se afastaram.

Quando acordei, dois dias haviam se passado.

A enfermeira me contou que, se eu tivesse chegado dez minutos depois, o bebê teria morrido.

Não havia chamadas perdidas de Damian.

Nenhuma mensagem.

Nem sequer uma pergunta.

Só duas novas notificações me aguardavam no aplicativo criptografado.

A primeira era um vídeo.

Na garagem, Serena abria minha caixa de presente, removia a pulseira de rubis e a substituía pela bala ensanguentada e pelo cartão preto.

Depois, inclinava-se para perto de um guarda dos Lucchese e lhe dava uma ordem.

Quando a festa mergulhou no caos, aquele mesmo guarda me atingia deliberadamente com o ombro.

O segundo arquivo era uma investigação.

Cinco anos atrás, Serena não fugiu porque tinha medo do casamento.

Ela roubou o livro-caixa da família Vega e fugiu com o herdeiro de uma família rival.

Agora, estava grávida do filho daquele homem, abandonada e de volta a Nova York porque precisava do nome de Damian para encobrir o escândalo.

A última mensagem dizia:

O jato particular está pronto. Passaporte, nova identidade e contas offshore estão preparados. Dê a ordem, e você parte no dia do casamento.

Respondi:

Como planejado.

Naquela noite, Serena me enviou um convite.

Noivo: Damian Lucchese

Noiva: Serena Vega

No verso, com sua caligrafia elegante, ela escreveu:

— Eve, Damian me prometeu o casamento mais grandioso de Nova York. Você precisa vir. Depois de ficar escondida como Sra. Lucchese por cinco anos, deveria ver com os próprios olhos qual mulher ele realmente não consegue abandonar.

Li aquilo uma única vez.

E joguei no lixo.

Ela não fazia ideia de que, desde o momento em que morri naquela tempestade de neve, eu havia parado de esperar que Damian olhasse para trás.

No dia seguinte, Damian apareceu.

Ele ficou ao lado da minha cama, leves linhas vermelhas marcando seus olhos, como se não dormisse havia dias.

Mesmo assim, a primeira coisa que disse foi:

— Você ainda não vai pedir desculpas para Serena?

Olhei para ele em silêncio.

— Ela ficou aterrorizada, disse ele. — Os médicos disseram que ela não pode lidar com mais estresse. Ela é sua irmã. É tão difícil abaixar a cabeça uma vez?

— Então o casamento é meu pedido de desculpas? — perguntei.

— Não é um casamento de verdade. É só uma encenação. Algo digno para ela se apoiar. Você ainda é minha esposa. Isso não vai mudar.

Quase ri.

A assinatura dele já estava nos papéis do divórcio.

Ele apenas ainda não sabia disso.

Por fim, pareceu lembrar que eu estava ferida.

Suas sobrancelhas se franziram.

— Como está sua perna?

— Bem.

— Você sempre faz isso. Está machucada e diz que está bem. Sofre uma injustiça e diz que está bem. Eve, afinal, o que diabos você quer de mim?

Na minha vida passada, eu queria que ele me assumisse.

Que me defendesse diante dos meus pais.

Que me escolhesse em vez de Serena ao menos uma vez.

Agora…

Eu não queria mais nada.

— Você não precisa fazer nada, respondi.

— Apenas apareça no casamento. Quando a cerimônia acabar, farei Serena sair da casa. Seu lugar não vai mudar.

— Tudo bem.

Ele congelou, como se todas as palavras de conforto que havia preparado tivessem ficado presas na garganta.

O subchefe bateu à porta.

— Senhor, a senhorita Serena desmaiou durante a prova do vestido.

Damian se levantou imediatamente.

— Eve, não me decepcione de novo.

A porta se fechou.

Abri o chat criptografado.

[Venha me buscar no heliporto de North Hill no dia do casamento.]

A resposta veio imediatamente:

[Confirmado.]

No dia do casamento, a neve cobria a capela particular de São Miguel.

Serena caminhava em direção ao altar usando um vestido inestimável, segurando o braço do meu pai.

Damian estava diante do padre, com o broche prateado do lobo preso ao peito.

Seu rosto estava mais frio do que a tempestade do lado de fora.

Eu me sentei na última fileira, a mais próxima da saída.

Enquanto o padre começava os votos, abaixei o olhar para o celular.

O ponto azul que marcava o helicóptero já estava parado em North Hill.

Meu pai colocou a mão de Serena na de Damian.

— Estou lhe entregando minha filha mais preciosa.

Damian não a segurou de imediato.

Seu olhar percorreu os convidados e, de repente, pousou sobre mim.

Como se ele finalmente tivesse notado o quão silenciosa eu estivera o dia inteiro.

— Damian? — Serena sussurrou.

Levantei-me e saí pela porta lateral.

O vento do lado de fora era brutal.

Desci os velhos degraus de pedra em direção ao heliporto.

Atrás de mim, outro helicóptero rugiu sobre a capela.

Envelopes pretos começaram a cair do céu, como uma versão grotesca da neve.

Dentro de cada envelope havia:

Uma cópia da página assinada do divórcio.

Capturas de tela de Serena trocando a caixa do presente.

E provas de que ela havia ordenado ao guarda que me machucasse.

A capela explodiu em caos.

Desliguei a transmissão.

Um helicóptero cinza-prateado me esperava na neve, as hélices já girando.

Meu advogado estava ao lado da porta aberta e estendeu a mão.

— Senhora, está na hora de partir.

Entrei.

Antes que a porta se fechasse, olhei uma última vez para a capela.

Serena segurava a mão de Damian.

A voz do padre se despedaçava no vento.

— Damian Lucchese, você aceita…

O helicóptero decolou.

O rugido das hélices engoliu qualquer resposta que ele pudesse ter dado.

De qualquer forma…

Eu não queria ouvi-la.

Abaixei a cabeça e coloquei a mão sobre a barriga.

Na minha vida passada, morri em uma noite de neve enquanto eles corriam para o reencontro perfeito.

Nesta vida…

Eu levaria meu filho comigo e voaria rumo a um amanhecer que pertencia apenas a nós.

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