Inicio / Romance / A Dupla Vida Da Babá / Capitulo 2 - Lorena

Compartir

Capitulo 2 - Lorena

Autor: Ane Santos
last update Fecha de publicación: 2025-03-17 03:08:20

Dia seguinte

"Do outro lado da cidade...

NARRADOR

Alexandre batia os dedos nervosamente na mesa, a caneta rolando entre eles. A cada batida, um suspiro curto escapava de seus lábios tensos. Ele se levantou, a cadeira raspando no chão, e começou a juntar suas coisas com movimentos bruscos.

— Maria, não se preocupe. Chego em breve. — murmurou, o peso da irritação evidente em sua voz. — Karine!! — A secretária surgiu em segundos, como se estivesse esperando por aquele chamado.

— Sim, senhor? — perguntou ela, os olhos atentos a qualquer sinal de sua impaciência.

— Cancele todas as minhas reuniões e peça ao motorista para me esperar no saguão. Vou para casa. — A secretária saiu, deixando-o sozinho com sua frustração. — Lorena... você não tem jeito.

Uma hora depois…

Alexandre abriu a porta e seus olhos pousaram na babá de sua filha, um quadro de tinta colorida sobre um vestido branco. Lorena, estava ali perto, com um sorriso travesso nos lábios, observando a cena com uma mistura de malícia e satisfação.

— Eu não aguento mais!! — gritou a babá, a voz carregada de exaustão. — Só quero meu pagamento para sumir dessa… praga! — Lorena mostrou a língua para a babá, desafiando.

— Vamos até meu escritório. — Alexandre ordenou, a voz firme, mas com um tremor quase imperceptível. — E você, mocinha, pode me esperar em seu quarto.

Alexandre entra no escritório, fechando a porta com força. A babá o segue, os olhos cheios de uma mistura de medo e raiva. Lorena, por sua vez, fica parada na porta do seu quarto, observando tudo com curiosidade.

— Sente-se. — Alexandre aponta para uma cadeira em frente à sua grande mesa. Ele se senta, a cabeça apoiada nas mãos, o cansaço estampado em seu rosto.

A babá hesita por um momento, antes de se sentar. O silêncio que se instala é pesado, interrompido apenas pelo tique-taque do relógio na parede. O ar está carregado de tensão.

— Então, conte-me tudo. — Alexandre diz finalmente, sua voz rouca. — O que aconteceu?

A babá nervosamente começa a explicar o ocorrido, descrevendo a tarde caótica com Lorena, repleta de travessuras e desobediência. Ela conta como tentou controlar a situação, mas foi em vão. A cada palavra, a raiva de Alexandre parece crescer, misturada com uma profunda exaustão.

Ele escuta atentamente, sem interromper, até que a babá termina sua história. Um longo silêncio se segue, quebrado apenas pelo som da respiração ofegante da babá.

— Eu entendo, — diz Alexandre, sua voz baixa e calma— Mas não podemos continuar assim. Precisamos encontrar uma solução.

Ele pega uma caneta e um bloco, começando a escrever um cheque. Entrega-o à babá, que o pega com mãos trêmulas.

— Aqui está seu pagamento, — diz ele, sua voz ainda calma, mas com um tom de decisão final. — Agradeço seu trabalho, mas acho melhor que você procure outro emprego.

A babá, surpresa com a rapidez da situação, pega o cheque, sem palavras. Ela se levanta, e sai do escritório, sem olhar para trás. Alexandre fica sozinho, o silêncio do escritório agora é ainda mais pesado, carregado com a sensação de derrota e a iminente necessidade de encontrar uma nova babá para Lorena. Ele olha para a porta do quarto da filha, um suspiro pesado escapando de seus lábios. A batalha ainda não acabou.

A porta do quarto de Lorena se abriu e a menina surgiu, os olhos curiosos e inquisitivos. Ela usava um vestido rosa e lindo laço no cabelo. sem entender o que acabara de acontecer entre seu pai e a babá, Lorena se apressa para encontrar o pai.

— Papai? — ela perguntou, sua voz suave quebrando o silêncio.

Alexandre se virou, forçando um sorriso. Era difícil, mas ele tinha que ser forte por ela. Lorena era o seu mundo, o seu porto seguro em meio à tempestade.

— Oi, meu amor. — ele disse, aproximando-se dela. — Tudo bem?

Lorena hesitou por um momento, antes de responder.

— A babá foi embora. — ela disse, sua voz quase um sussurro.

Alexandre se ajoelhou, ficando na altura dela.

— Sim, meu amor. Mas não se preocupe, tudo vai ficar bem. Vamos encontrar outra babá, uma que seja perfeita para você. E enquanto isso, eu vou cuidar de você.

Ele abraçou Lorena, sentindo seu corpo pequeno e frágil contra o seu. O abraço era um refúgio, um momento de paz em meio ao caos. Ele precisava ser forte, não só por ele, mas principalmente por sua filha. A responsabilidade era imensa, mas ele estava determinado a superá-la. Ele tinha que encontrar uma solução, não apenas para o problema da babá, mas para todos os problemas que pareciam se acumular em sua vida. A jornada seria longa.

Alexandre levou Lorena até a brinquedoteca e ficou a observando de longe.

— Senhor? — A empregada interrompeu seus devaneios, trazendo-o de volta à realidade. — Está tudo bem? — perguntou, entregando-lhe uma xícara de café.

— Depois do acidente de Luana, tudo mudou — ele suspirou, lembrando-se de tudo o que aconteceu. A lembrança do acidente o atingiu como um soco no estômago. A imagem da ambulância, os flashes das câmeras, a angústia nos rostos de sua mãe e irmãos ... tudo voltou com a força de um pesadelo . Lorena brincava distraída. Ele a observava, procurando em seus traços inocentes um pouco de esperança, um sinal de que a vida poderia, de alguma forma, voltar ao normal. Mas o vazio que sentia era imenso. O café esfriou em suas mãos, sem que ele sequer o tocasse. A empregada, discreta, esperava pacientemente por um sinal, uma palavra, qualquer coisa que o tirasse daquele estado de torpor. Ele precisava se recompor, por Lorena, por sua família. Mas como? Onde encontrar a força para reconstruir o que o acidente havia destruído? A resposta, ele sabia, não estava na brinquedoteca, nem no café frio em suas mãos.

— Se me permite, eu posso indicar alguém. ela é de confiança...

Continúa leyendo este libro gratis
Escanea el código para descargar la App

Último capítulo

  • A Dupla Vida Da Babá    capítulo 67 - O Alvorecer de uma Nova Era

    A recuperação do Sr. António foi lenta, mas cada pequeno passo era celebrado como uma grande vitória na Mansão Bittencourt. O jardim, que outrora fora palco de intrigas, transformara-se agora num refúgio de cura.Dois meses após o infarto, o Sr. jack estava sentado na sua poltrona favorita no terraço, com uma manta sobre as pernas e Cecília a brincar aos seus pés. O sol da tarde era suave quando um carro familiar estacionou.Lídia desceu, trazendo o pequeno Pedro pela mão. Ao contrário das visitas formais do passado, ela entrou com uma cesta de frutas e um sorriso leve.— Como está o nosso guerreiro hoje? — perguntou Lídia, aproximando-se de António com um carinho que ninguém, anos atrás, imaginaria ser possível.— Cada dia mais forte, minha filha — respondeu António, estendendo a mão para o pequeno Pedro. — Venha aqui, rapazinho. Vamos ver se ainda te lembras como se move o cavalo no tabuleiro.Lia apareceu com uma bandeja de chá e abraçou Lídia. A cumplicidade entre as duas era agor

  • A Dupla Vida Da Babá    capítulo 66- O Limiar do Adeus

    O hospital que antes fora um lugar de chantagens e medo para Lia, agora se tornava o palco de uma vigília silenciosa e desesperada. No corredor da Unidade de Terapia Intensiva (UTI), o relógio na parede parecia marcar cada segundo com uma martelada no coração de Lia. Ela estava sentada com as mãos entrelaçadas, os olhos vermelhos e fixos na porta dupla de metal. Alexandre apareceu vindo do café, trazendo dois copos de papel. Ele se sentou ao lado dela, em silêncio, e colocou a mão sobre o ombro da esposa. — O Dr. Arnaldo saiu? — ele perguntou em um sussurro. — Ainda não — Lia respondeu, a voz rouca. — O infarto foi extenso, Alexandre. O médico disse que a obstrução era quase total. Se não estivéssemos ali, no momento exato em que ele começou a passar mal... se não fosse pelas manobras... ele não teria chegado vivo ao hospital. Ela cobriu o rosto com as mãos, os ombros tremendo. O peso dos últimos anos parecia ter desabado sobre ela naquele momento. Ela tinha enfrentado Clarice,

  • A Dupla Vida Da Babá    capítulo 65- O Acerto de Contas e a Sombra do Destino

    O ar dentro da Penitenciária Feminina de Segurança Máxima era pesado, impregnado com o cheiro de desinfetante barato e o som constante de metal batendo contra metal. Lídia caminhava pelo corredor de concreto com uma postura que não carregava mais a arrogância de antes, mas uma dignidade recém-descoberta. Ela não usava joias, apenas uma aliança simples de ouro fosco e um vestido de algodão que começava a marcar a suave curvatura de seu ventre. Ao chegar ao parlatório, ela viu a figura sentada do outro lado do vidro blindado. Clarice parecia uma sombra do que um dia fora. O cabelo antes impecável agora era um cinza opaco, preso em um rabo de cavalo descuidado. O uniforme laranja da prisão parecia grande demais para seu corpo, que definhara sob o peso da amargura. Mas os olhos... os olhos ainda guardavam o mesmo veneno de uma serpente encurralada. Clarice pegou o interfone assim que Lídia se sentou. — Veio ver o meu estado, Lídia? — A voz de Clarice veio pelo aparelho, rouca e carre

  • A Dupla Vida Da Babá    capítulo 64- O florescer

    Três Anos Depois O jardim da mansão, que antes era cenário de segredos e passos temerosos, agora ressoava com o som mais puro que existe: gargalhadas de crianças. O sol da tarde de primavera banhava o gramado, onde Lorena, agora com nove anos, corria atrás de uma pequena figura de cabelos cacheados e olhos brilhantes. — Cuidado, Cecília! — Lia exclamou, rindo, enquanto observava a filha de dois anos tropeçar nos próprios pés de tanta empolgação. Lia estava radiante. A palidez dos tempos de sofrimento fora substituída por um brilho de serenidade. Ela agora administrava uma fundação de apoio a famílias de pacientes em estado crítico, usando a fortuna dos Bittencourt para o bem que sempre sonhou fazer. Alexandre aproximou-se por trás, envolvendo a cintura de Lia com os braços e repousando o queixo em seu ombro. — Ela tem a sua teimosia — ele sussurrou, observando Cecília tentar escalar um banco de jardim. — E os seus olhos — Lia rebateu, virando-se para dar um selinho no marid

  • A Dupla Vida Da Babá    Capítulo 63 - O Sol Após a Tempestade

    O tribunal esvaziou-se entre sussurros e flashes de fotógrafos que tentavam captar a queda da "Rainha da Sociedade". Clarice saíra algemada, mas o silêncio que ficou para trás não era de vazio, era de paz.Horas depois, na mansão que já não parecia mais uma prisão, Lídia esperava por Alexandre e Lia no escritório. Ela já tinha as malas prontas perto da porta. O bebê Pedro dormia no carrinho ao seu lado.Quando eles entraram, Lídia levantou-se. Não havia mais a arrogância de uma Bittencourt, apenas a exaustão de quem finalmente parou de mentir.— Eu assinei — disse ela, apontando para os papéis do divórcio e da guarda sobre a mesa. — Lorena fica com você, Alexandre. Ela precisa de estabilidade, e eu sei que a Lia vai dar a ela o amor que eu, em toda a minha confusão, não soube dar.Ela caminhou até Lia e, pela primeira vez, estendeu a mão sem segundas intenções.— Obrigada por não ter desistido de mim, mesmo quando eu era o seu pior pesadelo. Salve o seu pai, Lia. Ele tem sorte de ter

  • A Dupla Vida Da Babá    Capítulo 62 - O Veredito da Verdade

    O Fórum Central estava impregnado de uma tensão sufocante. No banco dos réus, Alexandre mantinha a coluna ereta, mas seus olhos queimavam em direção a Clarice, que ocupava a primeira fila da plateia com um sorriso de vitória silenciosa.O Juiz de Direito, Dr. Menezes, bateu o martelo.— Sra. Lídia Bittencourt, queira se aproximar para o seu depoimento.Lídia caminhou até o púlpito. Ela estava pálida, com as mãos escondidas sob a mesa para ocultar o tremor. Clarice a encarava com um olhar de "lembre-se do Jacob", um aviso de morte disfarçado de preocupação maternal.— Sra. Bittencourt — começou o promotor. — Confirma que, na noite do incidente, o seu marido, Alexandre Bittencourt, a agrediu fisicamente, resultando nas lesões documentadas no laudo médico?Lídia abriu a boca. O silêncio na sala era tão denso que se podia ouvir a respiração de Alexandre.— Não — a voz de Lídia saiu fraca, mas audível.Clarice endireitou as costas, os olhos faiscando.— Repita, por favor — solicitou o juiz

Más capítulos
Explora y lee buenas novelas gratis
Acceso gratuito a una gran cantidad de buenas novelas en la app GoodNovel. Descarga los libros que te gusten y léelos donde y cuando quieras.
Lee libros gratis en la app
ESCANEA EL CÓDIGO PARA LEER EN LA APP
DMCA.com Protection Status