LOGINAs portas da sala de conferências se escancararam e Carmen entrou cambaleando. O rosto estava pálido, os olhos cheios de lágrimas e fúria. Ela segurava com força um relatório médico.— Isabella! Sua monstra! — Gritou, a voz quebrada pelo desespero. — Como você pôde fazer isso comigo?!Vincent a encarou, em choque.— Carmen? Como você…?— O relatório genético! — Carmen atirou os papéis no chão. — Eu fui ao hospital, Vincent! O relatório era falso! Foi forjado! Não há nada de errado com o nosso bebê!A sala mergulhou num silêncio mortal.Virei-me para ela, um sorriso lento e frio se abrindo em meu rosto.— Parece que você finalmente juntou as peças.— Foi você! — Carmen apontou para mim com o dedo trêmulo. — Você falsificou o relatório! Você enganou o Vincent de propósito!— Isso mesmo. — Admiti, sem o menor sinal de culpa. — Foi tudo uma encenação. Um teste para ver que tipo de homem o Vincent realmente é.Vincent olhava de mim para ela, horrorizado.— Isabella… você… isso
A sala de jantar estava iluminada apenas por velas, impregnada com o cheiro do jantar que Vincent preparara com tanto cuidado. Ele vestia seu melhor terno, com um sorriso patético e suplicante colado no rosto. Ninguém diria que era o mesmo desgraçado frio que havia virado as costas para o próprio filho apenas no dia anterior.— Isabella, meu amor. — Disse ele, puxando a cadeira para mim, usando de falso cavalheirismo. — Acho que precisamos conversar.Sentei-me, observando-o ajeitar a mesa. O idiota realmente achava que ainda estava no controle, que a crise tinha passado.— Você parece satisfeito consigo mesmo, Vincent. — Comentei, dando um pequeno gole no vinho. Minha voz saiu firme.— Claro. Porque finalmente podemos recomeçar. — Ele se sentou à minha frente, um brilho calculista nos olhos. — Isabella, preciso ser sincero com você. Sobre a Carmen… eu admito, ela me confundiu. Um homem às vezes se deixa levar por algo novo, sabe?— Algo novo? — Repeti, um sorriso frio tocando me
— Um teste de paternidade? Por quê? — A voz do Vincent saiu trêmula.— Já que você está questionando a paternidade da criança, vamos deixar a ciência resolver isso. — Disse eu, conduzindo Carmen até o sofá. — É o melhor para todos.Enxugando as lágrimas, Carmen assentiu.— Eu concordo. Vou provar que esse bebê é do Vincent!Vincent abriu a boca para protestar, mas logo a fechou. Recusar o teste naquele momento só o faria parecer ainda mais culpado.O doutor Martinez chegou rapidamente com seus equipamentos.— Vou precisar de sangue e amostra com cotonete oral de vocês dois. — Explicou. — Os resultados estarão prontos amanhã.Durante todo o procedimento, Vincent estava uma verdadeira pilha de nervos. Ele sabia que o bebê era dele, o que significava que toda a sua encenação estava prestes a ser exposta como uma mentira.— Você parece tenso, Vincent. — Comentei, entregando-lhe um copo d’água. — Se o bebê não fosse seu, isso não seria uma coisa boa?— Eu só não gosto de todo es
Hotel Quatro Estações, suíte presidencial.Carmen chegou pontualmente, usando um vestido rosa de grávida que pouco escondia a barriga já bem evidente. Parecia nervosa, mexendo sem parar na bolsa de grife apoiada no colo.— Por favor, sente-se. — Disse eu, apontando para o sofá à minha frente.— Senhora Romano, obrigada por concordar em me ver.— Pode me chamar de Isabella. Afinal, nós compartilhamos o mesmo homem, não é?Toda a coragem que ela exibira diante da amiga havia desaparecido. O rosto ficou vermelho.— Eu sei que isso é complicado, mas eu amo o Vincent, e ele me ama. Nosso bebê é fruto desse amor.— Amor? — Deixei escapar uma risada suave. — Carmen, você tem alguma ideia do que aconteceu ontem nos cassinos do Vincent?Ela balançou a cabeça, negando.— Ele perdeu toda a proteção. Todo o financiamento. O negócio dele está prestes a falir. Provavelmente, ele nem vai conseguir manter aquela vila em Malibu.A cor sumiu do rosto de Carmen.— Isso é impossível. O Vincent
— Isabella, o que está acontecendo?Vincent entrou porta adentro, o rosto tomado pelo pânico. O cabelo estava despenteado e a camisa amassada, como se tivesse corrido o caminho inteiro até em casa.— O que você quer dizer? — Perguntei, calmamente cortando tomates para fazer o macarrão favorito dele.— Meus cassinos… toda a minha proteção sumiu. A família Torrino retirou a segurança. Os Benedetti cortaram o financiamento. Até meus contatos no governo estão me ignorando. — Ele agarrou meu braço. — Isso não pode ser coincidência.— Talvez seja apenas um realinhamento de negócios. —Respondi, acariciando seu rosto. — Não se preocupe. Os homens do meu pai ainda vão protegê-lo. Eu sempre estarei do seu lado.Um lampejo de esperança surgiu nos olhos de Vincent.— Sério? Você pode falar com seu pai por mim? Eu juro que não fiz nada para desrespeitar a família.— Claro, querido. — Engoli a náusea que subia pela garganta e beijei sua bochecha. — Somos marido e mulher. Sempre fico do seu
Alguns dias depois, a ligação do tio Dante chegou exatamente no horário esperado.— Carmen Rodriguez. Vinte e quatro anos, imigrante do México. Mudou-se para uma vila à beira-mar em Malibu há três meses, avaliada em oitocentos e cinquenta mil. Ontem, às duas da tarde, Vincent estava com ela no St. Mary’s para uma consulta pré-natal.— O que mais?— Consegui imagens das câmeras de segurança. Vincent colocou o colar de diamantes nela com as próprias mãos, no estacionamento do hospital. Eles também se beijaram por dezessete minutos.Desliguei e olhei para Vincent, ainda profundamente adormecido. Ele parecia tão inocente, tão confiável.— Isabella? Acordou cedo hoje. — Disse ele, estendendo a mão em minha direção.Me afastei dele.— Vou à academia. Tenho um almoço de negócios importante hoje.— Com quem?— Com uma amiga. — Respondi, enquanto me vestia. — Vou fazer seu macarrão favorito para o jantar hoje à noite.Vincent sorriu.— Eu me casei com a esposa perfeita.Duas horas