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Capítulo 3

Author: Echo
Alguns dias depois, a ligação do tio Dante chegou exatamente no horário esperado.

— Carmen Rodriguez. Vinte e quatro anos, imigrante do México. Mudou-se para uma vila à beira-mar em Malibu há três meses, avaliada em oitocentos e cinquenta mil. Ontem, às duas da tarde, Vincent estava com ela no St. Mary’s para uma consulta pré-natal.

— O que mais?

— Consegui imagens das câmeras de segurança. Vincent colocou o colar de diamantes nela com as próprias mãos, no estacionamento do hospital. Eles também se beijaram por dezessete minutos.

Desliguei e olhei para Vincent, ainda profundamente adormecido. Ele parecia tão inocente, tão confiável.

— Isabella? Acordou cedo hoje. — Disse ele, estendendo a mão em minha direção.

Me afastei dele.

— Vou à academia. Tenho um almoço de negócios importante hoje.

— Com quem?

— Com uma amiga. — Respondi, enquanto me vestia.

— Vou fazer seu macarrão favorito para o jantar hoje à noite.

Vincent sorriu.

— Eu me casei com a esposa perfeita.

Duas horas depois, eu estava na área VIP do salão Lafey, o melhor lugar da cidade para ficar por dentro das fofocas da alta sociedade.

— Isabella! Quanto tempo! — Exclamou Sarah Wagner, a esposa do prefeito, enquanto se aproximava.

— Sarah, você está maravilhosa.

— Obrigada. A propósito, ouvi dizer que a boate do Vincent está indo muito bem.

— Está indo razoavelmente. — Respondi, fingindo indiferença.

— Ele anda tão ocupado ultimamente.

— Bem, é bom que um homem seja ambicioso. Mas, Isabella, há uma coisa… não sei se devo dizer—

Levantei os olhos para ela.

— Vi o Vincent na Cartier com uma garota muito jovem. Eles pareciam bastante próximos. Eu até pensei em ir cumprimentá-los, mas—

— Ah, não se preocupe com isso. Provavelmente é uma nova funcionária. O Vincent comentou que estava treinando alguém para um cargo de gerência.

Sarah parecia querer dizer mais alguma coisa, mas acabou deixando o assunto de lado.

Às três da tarde, o tio Dante me enviou um arquivo de áudio.

A voz de Carmen soava límpida:

— O Vincent diz que aquela velha megera da Isabella não o entende nem um pouco. Ela é entediante e fria na cama. Nem sequer consegue lhe dar um filho.

A amiga dela soou hesitante:

— Sério? Mas a Isabella Marconi é uma princesa da máfia. A família dela é poderosa.

— E daí? — Zombou Carmen.

— Estou grávida do filho dele, ela não. A criança é tudo. O Vincent disse que, assim que o bebê nascer, vai se divorciar dela. Aí eu serei a verdadeira senhora Romano e ainda vou ficar com uma parte da fortuna da família Marconi.

— O Vincent realmente disse isso?

— Claro! Olha esse colar de diamantes. Vale três milhões. Ele disse que isso prova o quanto eu significo para ele. Aquela velha entediante nunca poderia competir comigo.

Desliguei a gravação e respirei fundo três vezes.

Em seguida, liguei para o consigliere do meu pai.

— Tio Dante, mudei de ideia. Não vou mais esperar.

— O que você quer dizer?

— Começa hoje à noite. Quero ver o mundo inteiro dele desmoronar.

— Tem certeza? Depois que começarmos, não há volta.

Olhei para meu reflexo no espelho. Por três anos, desempenhei o papel da esposa dócil e compreensiva. Mas não havia nada de dócil no sangue que corria em minhas veias.

— Tenho certeza. Avise todos os nossos parceiros. Vincent Romano não está mais sob a proteção dos Marconi.

— Entendido. Mais alguma coisa?

— Diga ao meu pai que a filha dele está voltando para casa.

Depois de desligar, saí do salão. O sol estava se pondo, lançando um brilho dourado sobre a cidade.

Mas, para algumas pessoas, a noite estava apenas começando.

E seria uma noite muito longa.

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