INICIAR SESIÓNSebastian
Sábado à noite sempre foi o mesmo tipo de caos previsível.
Luzes fortes, música alta, bebidas caras e pessoas tentando impressionar umas às outras.
A boate estava lotada quando entrei com meus amigos.
Um dos lugares mais famosos da cidade. Exatamente o tipo de lugar onde pessoas com dinheiro gostavam de aparecer para serem vistas.
— Finalmente!
Ryan gritou por cima da música quando me viu.
— Achei que você ia furar de novo.
— Eu trabalho, diferente de você .
Respondi, pegando o copo que ele me oferecia.
Ele riu.
— Você trabalha demais.
Talvez.
Mas noites como aquela existiam exatamente para isso.
Para desligar o cérebro por algumas horas.
Nos acomodamos no camarote reservado enquanto a música eletrônica fazia o chão vibrar sob nossos pés.
Mulheres já estavam olhando na nossa direção.
Sempre estavam.
Dinheiro e status tinham esse efeito.
— Aquela ali está te encarando faz cinco minutos .
Ryan comentou, inclinando a cabeça discretamente.
Segui o olhar dele.
Uma ruiva.
Alta.
Vestido preto colado ao corpo.
Ela realmente era linda.
E estava claramente me olhando.
Tomei um gole do uísque.
Normal.
Nada fora do comum.
Mas então percebi outra coisa.
Um cara alguns metros atrás dela também estava olhando.
Não para mim.
Para ela.
Com interesse óbvio.
Foi quando sorri.
— Vou pegar outra bebida.
Disse casualmente, levantando.
Ryan ergueu uma sobrancelha, já entendendo.
Caminhei pela pista com calma, passando pelas pessoas dançando até parar atrás da ruiva.
Ela percebeu minha presença antes mesmo de eu falar.
Virou-se lentamente.
Os olhos dela se iluminaram ao me reconhecer.
Claro que sim.
Inclinei a cabeça levemente e disse algo perto do ouvido dela, apenas o suficiente para que ninguém mais escutasse.
— Você parece entediada.
Ela riu.
— Talvez.
— Eu posso resolver isso.
Não precisei dizer mais nada.
Quando ela pegou minha mão e me deixou guiá-la para fora da pista, percebi o olhar irritado do cara que a observava antes.
E foi exatamente naquele momento que meu interesse aumentou.
Não por ela.
Mas pela vitória.
Eu sabia exatamente o que estava fazendo.
Sempre soube.
Desde Cassandra, eu nunca mais confundi desejo com sentimento.
Se eu queria algo…
Eu simplesmente pegava.
A ruiva riu durante todo o caminho até meu carro.
— Você sempre sequestra mulheres de boates assim?
— Só as interessantes.
Ela sorriu satisfeita com a resposta.
Meu apartamento estava silencioso quando entramos.
A cidade brilhava pelas enormes janelas da sala.
Ela caminhou até a varanda como se já estivesse confortável ali.
— Uau.
Dsse olhando a vista.
— Isso é incrível.
Aproximei-me por trás dela.
— Eu sei.
Ela virou-se lentamente.
E me beijou.
O beijo começou leve.
Mas rapidamente ficou mais intenso.
As mãos dela subiram pelo meu pescoço enquanto as minhas desciam pela cintura dela.
O vestido preto caiu no chão minutos depois.
E logo tudo se transformou em movimento, calor e respiração pesada.
As horas seguintes passaram como sempre passavam.
Beijos.
Corpos.
Desejo.
Nada além disso.
Ela era bonita.
Muito bonita.
Mas não era isso que me mantinha interessado.
Era o simples fato de que eu podia tê-la.
Que eu escolhi… e ela veio.
No meio da madrugada, enquanto ela dormia ao meu lado, pensei brevemente no cara da boate.
Provavelmente ele ainda estava lá.
Provavelmente imaginando como teria sido a noite com ela.
Sorri levemente.
Porque eu sabia exatamente como tinha sido.
De manhã, a luz do sol atravessava as cortinas quando ouvi movimento ao meu lado.
A ruiva estava se vestindo.
Ela olhou para mim com um pequeno sorriso.
— Eu deveria ir.
Eu apenas murmurei algo ininteligível, ainda meio adormecido.
Ela esperou alguns segundos.
Talvez esperando mais alguma coisa.
Quando percebeu que eu não ia dizer nada, tentou novamente.
— Eu adorei a noite.
Eu apenas virei um pouco na cama.
Ainda sonolento.
— Hm.
Silêncio.
Ela pegou a bolsa.
— Bem… tchau então.
A porta do apartamento se fechou alguns segundos depois.
Eu continuei dormindo.
Quando finalmente acordei de verdade, horas depois, fui direto para o banho.
A água quente ajudou a clarear minha cabeça.
Quando saí do banheiro, meu celular estava vibrando sobre a mesa.
Daniel Carter.
Atendi.
— Espero que você esteja pronto para ler bastante.
Ele disse.
— Isso é um bom sinal?
— Eu consegui bastante coisa.
Peguei uma toalha e passei pelo cabelo.
— O que você descobriu?
— Estou enviando tudo para o seu e-mail agora.
Meu celular apitou no mesmo instante.
— Começa pelo básico.
Ele continuou.
— Olivia Parker. Vinte e dois anos. Mora em um apartamento pequeno na zona mais barata da cidade.
Abri o e-mail.
Uma foto dela estava anexada.
Era realmente ela.
— O pai morreu dois anos atrás.
Daniel continuou.
— Pneumonia severa.
Minha atenção aumentou.
— A mãe morreu quando a irmã nasceu.
Rolei a tela.
Mais informações.
Endereço.
Trabalhos.
Histórico.
— Ela trabalha principalmente como diarista. Vários empregos pequenos.
Meu olhar parou em outro detalhe.
Chloe Parker – irmã – 18 anos.
Daniel continuou falando.
— Agora vem a parte interessante.
— Qual?
— Dívidas.
Senti meu corpo ficar mais atento.
— O pai deixou contas médicas grandes.
Ele explicou.
— Mas não é só isso.
Rolei mais um pouco.
Meu olhar encontrou uma linha específica.
Dívida com pessoas não identificadas – relacionada à irmã.
— A irmã dela tem problemas com drogas .
Daniel disse.
— Pelo que consegui descobrir, ela se meteu com as pessoas erradas.
Apoiei o cotovelo na mesa.
— Quanto?
— Aproximadamente quinze mil dólares.
Silêncio.
Olhei novamente para a foto de Olivia no arquivo.
Ela parecia tão diferente naquele dia na rua.
Chorando.
Perdida.
Agora eu sabia por quê.
— Sebastian?
Daniel chamou.
— Sim.
— Por que exatamente você queria saber sobre essa garota?
Observei a foto mais alguns segundos.
O rosto.
Os olhos.
A semelhança impossível.
— Porque...
Respondi calmamente.
— Acho que ela pode ser muito interessante.
E pela primeira vez desde que comecei a ler o relatório…
uma ideia começou a se formar na minha cabeça.
Eu mal consegui dormir.Passei a noite acordando, olhando para a Chloe naquela cama de hospital. Conferindo se ela ainda estava ali. Se ainda estava respirando. Eu sentia que ainda tinha tempo... mas que ele estava acabando.Na manhã seguinte, o médico deu a alta. Repouso absoluto. Voltamos para casa e ela apagou na mesma hora. Exausta. Frágil.E eu fiquei ali. Sentada ao lado dela, com o celular na mão. Esperando. Como se aquilo fosse mudar o mundo.E então, ele atendeu.A voz dele ainda me causava aquele efeito estranho. Calma, firme, sob controle.— Senhor Hale… você ainda tem interesse nos meus serviços?Houve um silêncio. Um segundo que durou uma eternidade.— Tenho, sim.Meu coração disparou. Prendi a respiração sem notar.— Ótimo — ele continuou. — Podemos conversar hoje à tarde. Às quatro. Não se preocupe com transporte, vou mandar um motorista buscar você. Me mande o endereço.— Certo.Passei o endereço, anotei o horário e a ligação caiu. Simples assim. Mas nada dentro de mim
OliviaO ar aqui fora estava extremamente pesado. Ou talvez fosse apenas eu, sentindo o peso de cada degrau enquanto descia. Cada passo parecia carregar o peso da decisão que eu havia acabado de tomar.Aquela chance. Aquela oportunidade.Fechei os olhos por um instante, sentindo a cabeça latejar.— Idiota…Murmurei para mim mesma.Mas eu sabia que não era falta de inteligência. Eu não podia simplesmente virar as costas e deixar Chloe enfrentar tudo sozinha. Não depois de tudo o que vivemos. Não depois das promessas que fiz. Ainda assim… doía profundamente dizer não.Coloquei a mão na bolsa e senti o papel entre os dedos. O cartão. Parei no meio da calçada e o retirei. Sebastian Hale. O nome parecia imponente, impresso em letras elegantes. Fiquei observando por alguns instantes, refletindo.“Excelente salário.” A voz dele ainda ecoava na minha mente.Apertei o cartão na mão, guardei-o novamente na bolsa e continuei andando. Eu não tinha escolha. No meu mundo, nunca temos.O restante do
OliviaEu estava nervosa. Muito mais do que na primeira entrevista. E isso não fazia sentido… porque, dessa vez, eu tinha uma chance real. Ou pelo menos… era o que eu achava. Assim que entrei naquela sala enorme, senti como se estivesse em outro mundo.Tudo ali era grande demais. Elegante demais. Caro demais. E eu…Pequena demais.— Sente-se.A voz dele me fez estremecer por dentro. Grave. Firme. Difícil de ignorar.— S-sim, senhor.Sentei-me rapidamente, com cuidado, tentando não fazer nenhum movimento errado. Minhas mãos estavam frias. Eu as entrelacei sobre o colo para esconder o leve tremor.— Eu disse que tinha uma proposta para você.Meu coração acelerou. Era isso. Era o momento. Respirei fundo e me adiantei antes que o silêncio me engolisse.— Eu estou disposta a dar o meu melhor, senhor.Falei rápido demais.— Sempre trabalhei com limpeza, sei me adaptar, posso aprender o que for necessário…Meu Deus, eu estava falando demais. Mas eu precisava daquele trabalho. Precisava mesmo.
SebastianEla parecia nervosa. Dava para ver em cada pequeno gesto. Nos dedos entrelaçados. Na forma como evitava olhar diretamente para mim por muito tempo. Na respiração levemente irregular. Eu observei tudo em silêncio por alguns segundos… apenas absorvendo.— Sente-se.Pedi, apontando para a cadeira à minha frente.Ela obedeceu imediatamente. Claro que obedeceu. A forma como se acomodou, com cuidado, como se tivesse medo de errar até no jeito de sentar… me fez prestar ainda mais atenção. Interessante. Apoiei os braços na mesa, mantendo o olhar fixo nela.— Eu disse que tinha uma proposta para você.Deixei o silêncio se alongar. Propositalmente. Eu gostava de ver o que as pessoas faziam quando não sabiam o que esperar. E Olivia…Ela tentou preencher aquele espaço.— Eu… eu estou disposta a dar o meu melhor, senhor ...Disse rapidamente.— Sempre trabalhei com limpeza, sei me adaptar, posso aprender o que for necessário…Quase interrompi. Quase. Mas deixei que ela terminasse. E, por
OliviaEu ainda estava sorrindo quando terminei o trabalho naquele dia. Era estranho. Fazia tanto tempo que eu não me sentia assim… leve.Enquanto passava o pano na última superfície da casa enorme, minha mente só conseguia voltar para a mensagem.A empresa.A nova chance.A possibilidade de finalmente sair daquele buraco. Respirei fundo, tentando conter a ansiedade que crescia dentro de mim.— Amanhã…Murmurei baixinho.A dona da casa nem percebeu quando me despedi. Saí dali com passos mais rápidos do que o normal, quase como se meu corpo não conseguisse acompanhar a velocidade dos meus pensamentos. No caminho de volta, parei em um mercadinho simples.Comprei algumas coisas diferentes.Nada caro.Mas melhor do que o de sempre.Hoje merecia. Nós merecíamos. Quando cheguei em casa, Chloe estava sentada no sofá, mexendo no celular. Ela levantou o olhar assim que me viu.— Demorou…Fechei a porta atrás de mim, já sentindo o sorriso voltar.— Eu tenho uma coisa pra te contar.Ela franziu
SebastianEu já tinha tomado decisões importantes em poucos segundos antes.Mas aquilo…Aquilo não era apenas uma decisão. Era um impulso calculado. Desde o momento em que Daniel Carter me enviou o relatório, algo tinha mudado.Eu li uma vez. Depois outra. E mais uma.Como se cada detalhe fosse necessário para montar um quebra-cabeça que eu ainda não entendia completamente.Olivia Parker.22 anos.Diarista.Endereço simples.Irmã viciada.Dívida: quinze mil dólares.Passei o dedo pela tela do celular, ampliando a foto dela. A mesma expressão. Os mesmos olhos. A mesma sensação estranha que tive quando a vi pela primeira vez na rua.Encostei na cadeira do escritório, soltando um suspiro lento. Eu poderia ter qualquer mulher. Sempre pude. Dinheiro resolvia tudo. Status resolvia o resto. Mas nenhuma daquelas mulheres… Nenhuma delas tinha me feito parar.Pensar. Voltar. Mas ela tinha.E isso me incomodava mais do que deveria. Fechei o arquivo por um momento e passei a mão pelo queixo.— Int







