Renascida Antes do Apocalipse: Meu Ex-Marido Implorará...

Renascida Antes do Apocalipse: Meu Ex-Marido Implorará...

last updateLast Updated : 2026-10-22
By:  Rosana LyraUpdated just now
Language: Portuguese
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Evelyn morreu implorando por ajuda ao homem que jurou amá-la. Quando o mundo foi engolido pelo gelo, seu marido escolheu salvar a amante e a abandonou para morrer. Sozinha, traída e esquecida, Evelyn fechou os olhos desejando apenas uma coisa: nunca ter conhecido aquele homem. Mas o destino decidiu ouvi-la. Ao despertar, Evelyn descobre que voltou noventa dias antes do apocalipse. Seu marido ainda finge amá-la, a amante continua sorrindo em seu rosto e ninguém imagina que o mundo está prestes a acabar. Dessa vez, porém, Evelyn não será a esposa ingênua que sacrificou tudo por amor. Ela tem dinheiro, conhece o futuro e sabe exatamente quem merece sua confiança. Enquanto todos continuam vivendo normalmente, Evelyn começa a preparar sua vingança e sua sobrevivência. Mas seus planos mudam quando um bilionário misterioso aparece oferecendo uma aliança perigosa. Como ele sabe que o fim está chegando? E por que parece conhecê-la tão bem? Quando o apocalipse começar, seu ex-marido descobrirá que a mulher que deixou morrer é sua única esperança. Mas Evelyn não pretende salvá-lo novamente.

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Chapter 1

Capítulo 1 - Meu Marido Me Deixou Morrer

Havia quarenta e sete dias que a neve não parava de cair. O mundo que Evelyn conhecia havia desaparecido debaixo de uma camada de gelo.

As ruas de Nova York estavam desertas, os prédios não tinham energia e milhares de pessoas haviam morrido tentando encontrar um lugar aquecido.

O vento era tão forte que parecia querer arrancar as portas do antigo depósito de alimentos onde ela estava escondida.

Evelyn tinha vinte e oito anos, mas, naquele momento, parecia muito mais velha. Seus lábios estavam rachados, os dedos machucados e a febre fazia seu corpo tremer mesmo debaixo de três casacos.

Havia dois dias que não conseguia comer direito. Ainda assim, continuava separando pequenas porções de alimento para Adrian, seu marido, e Vanessa, a mulher que ele apresentou como uma amiga necessitada.

— Adrian, encontrei mais duas latas de sopa naquela prateleira. Podemos dividir uma hoje e guardar a outra para amanhã — Evelyn explicou, apoiando a mão na parede para não cair. — Também precisamos procurar mais cobertores. Vanessa está reclamando do frio desde ontem, e acho que minha febre está piorando.

Adrian nem sequer levantou os olhos. Estava ocupado examinando as chaves de um veículo de resgate abandonado que haviam encontrado atrás do depósito.

O tanque ainda tinha combustível, e o rádio indicava a existência de uma instalação aquecida a algumas horas dali. Pela primeira vez em semanas, Evelyn sentiu esperança. Talvez conseguissem sobreviver àquela tempestade interminável.

— O carro funciona? — ela perguntou, aproximando-se com dificuldade. — Meu Deus, Adrian, se conseguirmos chegar àquela instalação, talvez encontremos médicos. Não estou conseguindo respirar direito desde ontem. Podemos levar nossas coisas e sair antes que a estrada fique completamente bloqueada.

— Funciona. Vou colocar os suprimentos no porta-malas — Adrian respondeu, guardando as chaves no bolso. — Vista seu casaco e não fique andando por aí. Você mal consegue ficar de pé.

Evelyn interpretou aquelas palavras como preocupação. Durante quatro anos de casamento, aprendeu a encontrar carinho até mesmo nas respostas frias do marido.

Por isso, reuniu as poucas forças que ainda possuía e começou a organizar as mochilas. Quando saiu do depósito, encontrou Adrian colocando caixas no veículo, enquanto Vanessa já estava acomodada no banco do passageiro.

— Adrian, o que você está fazendo? Precisamos levar as caixas menores também. Se chegarmos ao abrigo sem comida, não teremos como negociar nossa entrada — Evelyn explicou, segurando uma mochila contra o peito. — Posso colocar algumas coisas no colo. Não precisamos abandonar tudo que conseguimos guardar.

Adrian fechou o porta-malas sem olhar para ela.

— Não vamos levar todas as caixas, Evelyn. O combustível é limitado e precisamos diminuir o peso. Já coloquei o necessário no carro.

— Tudo bem. Então deixe algumas aqui. Eu posso ficar com a mochila no colo, e Vanessa pode segurar os medicamentos. Precisamos sair logo porque estou começando a sentir minhas pernas dormentes.

Vanessa soltou uma risada desagradável.

— Você ainda não entendeu, Evelyn? Não existe lugar para três pessoas. O veículo tem apenas dois assentos seguros, e não vamos arriscar nossas vidas tentando acomodar alguém onde não existe proteção.

Evelyn olhou para o marido, esperando que ele corrigisse aquela crueldade. Adrian permaneceu imóvel, com uma das mãos apoiada na porta do motorista.

O silêncio começou a assustá-la mais do que a tempestade. Ela deu um passo na direção dele, sentindo o gelo atravessar suas botas molhadas.

— Adrian, diga alguma coisa. Vanessa está falando como se eu fosse ficar aqui. Você sabe que não podemos fazer isso. Estou doente, não temos mais aquecimento e a comida está acabando. Precisamos encontrar outra solução.

Ele finalmente a encarou.

— Vanessa vem comigo. Você está fraca demais, Evelyn. Vai atrasar nossa viagem e consumir os poucos medicamentos que restaram. Não posso colocar nossas vidas em risco porque você não consegue acompanhar o ritmo.

Evelyn sentiu o peito apertar. Durante alguns segundos, procurou no rosto dele algum sinal de brincadeira, arrependimento ou vergonha. Não encontrou nada.

Apenas a expressão impaciente de um homem que parecia estar perdendo tempo com uma desconhecida. Ela segurou a manga do casaco dele, desesperada.

— Eu vendi minha casa para comprar nossos primeiros suprimentos. Entreguei minhas economias para você construir aquele abrigo que nunca ficou pronto. Quando ficou doente, passei três noites acordada cuidando de você. Adrian, eu fiz tudo que podia para manter nós três vivos. Nunca abandonei você.

Ele retirou a mão dela com força.

— E eu nunca pedi que fizesse tudo isso. Você sempre quis resolver tudo sozinha, Evelyn. Não pode usar suas escolhas para me obrigar a morrer aqui com você.

Aquelas palavras fizeram Evelyn recuar. Ela conhecia aquele homem desde os vinte e três anos. Lembrava-se do primeiro encontro, das flores que ele enviava ao escritório e da maneira como segurou suas mãos durante o casamento.

Adrian prometeu protegê-la nos dias bons e ruins. Agora parecia incomodado porque ela ainda estava viva. Vanessa abaixou a janela.

— Querido, precisamos ir. Você prometeu que, quando encontrássemos um lugar seguro, finalmente ficaríamos juntos sem precisar esconder nosso relacionamento. Não vai mudar de ideia justamente agora, vai?

Evelyn virou lentamente a cabeça. O sorriso de Vanessa desapareceu quando percebeu que havia revelado demais.

Adrian fechou os olhos por um instante, irritado, mas não tentou negar. O coração de Evelyn começou a bater tão depressa que ela precisou apoiar a mão no carro.

— Há quanto tempo? — perguntou, com a voz quebrada. — Há quanto tempo você dorme com ela enquanto eu faço de tudo para manter nós três vivos?

Adrian soltou um suspiro.

— Dois anos, Evelyn. Estamos juntos há dois anos. Você estava tão ocupada tentando ser a esposa perfeita que nunca percebeu. Não vou continuar fingindo um casamento que já acabou para mim.

As lágrimas escorreram pelo rosto dela. Dois anos. Durante dois anos, preparou jantares, organizou aniversários e defendeu Vanessa quando outras pessoas questionavam sua amizade.

Havia dividido sua casa, seu dinheiro e seus últimos alimentos com a mulher que dormia com seu marido. Entretanto, naquele momento, a traição deixou de ser sua maior preocupação. Evelyn queria continuar respirando.

— Eu não vou pedir que você me ame. Nem vou pedir que escolha nosso casamento. Só não me deixe morrer aqui, Adrian. Por favor, podemos procurar outro carro ou esperar até encontrarmos ajuda. Estou com febre. Não vou sobreviver sozinha.

Adrian entrou no veículo e fechou a porta. Vanessa observou Evelyn pela janela, sem demonstrar qualquer pena.

— Você sempre foi boa em cuidar dos outros, Evelyn. Agora vai precisar aprender a cuidar de si mesma. Espero que encontre alguma coisa útil naquele depósito.

O motor começou a fazer barulho. Evelyn tentou alcançar a maçaneta, mas suas pernas falharam. Ela caiu de joelhos na neve, sentindo uma dor terrível nas mãos machucadas.

Gritou o nome de Adrian uma vez, depois outra, até sua garganta arder. O veículo se afastou lentamente, desaparecendo atrás de uma cortina branca.

Sozinha, Evelyn levou vários minutos para conseguir se levantar. Arrastou-se até o depósito, encontrou uma manta velha e se acomodou perto de uma parede.

O frio parecia entrar diretamente em seus ossos. Ela tentou esfregar as mãos, mas já não sentia os dedos. Pensou na casa que vendeu, nos sonhos que abandonou e em todas as vezes que confundiu sacrifício com amor.

A febre tornou suas lembranças confusas. Viu novamente Adrian colocando uma aliança em seu dedo, prometendo nunca deixá-la sozinha. Lembrou-se de Vanessa abraçando-a no aniversário e chamando-a de irmã.

Evelyn chorou até não ter mais forças. Finalmente compreendeu que não estava morrendo apenas por causa da tempestade. Estava morrendo porque confiou sua vida às pessoas erradas.

— Se eu pudesse voltar... Se tivesse apenas mais uma oportunidade, nunca mais deixaria aquele homem destruir minha vida — sussurrou, apertando a manta contra o peito. — Eu queria ter vivido por mim. Queria ter sido feliz sem precisar implorar pelo amor de ninguém.

Seu coração começou a bater mais devagar. Evelyn fechou os olhos, incapaz de continuar lutando contra o sono. A última coisa que ouviu foi o vento atingindo as portas do depósito.

Depois, tudo ficou silencioso. Não havia mais dor, frio ou lágrimas. Apenas uma escuridão profunda, onde nenhuma promessa poderia alcançá-la.

Então, inesperadamente, Evelyn abriu os olhos.

Não havia neve. Seu corpo estava aquecido, envolvido por lençóis macios. Ela vestia um pijama de seda, e a luz do sol atravessava as cortinas de seu quarto. Antes que conseguisse compreender o que estava acontecendo, uma voz conhecida surgiu do banheiro.

— Evelyn, querida, você viu meu relógio? Estou atrasado para uma reunião e não consigo encontrar aquela maldita coisa!

Era Adrian.

E ele deveria estar morto para ela.

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