LOGINQuando o amor te destrói, talvez tudo o que reste seja secar as lágrimas, juntar os pedaços e seguir em frente. E, quem sabe, dar uma nova chance à vida. Durante cinco anos, Laura viveu em um casamento conturbado, acreditando que conhecia o homem ao seu lado. Até que descobertas terríveis fizeram seu mundo desmoronar. Traição. Falsidade. Dor. Violência. Tudo aquilo que um dia chamou de amor deixou apenas cicatrizes. Determinada a recomeçar, Laura parte para Londres em busca de uma nova vida. O que ela não esperava era encontrar, um homem capaz de despertar sentimentos que ela acreditava ter enterrado para sempre. Um poderoso CEO, conhecido por todos como O Homem de Gelo. Frio, reservado e aparentemente incapaz de demonstrar sentimentos, ele deveria ser a última pessoa capaz de fazê-la acreditar novamente no amor. Mas, entre olhares, desejos, descobertas e sentimentos inesperados, Laura começa a perceber que talvez o amor verdadeiro não machuque. Talvez o amor também possa ser cuidado. Respeito. Proteção. E, pela primeira vez em muito tempo, Laura se permite sonhar novamente. Mas será que ela conseguirá deixar o passado para trás e dar uma nova chance ao amor? Ou as cicatrizes do passado serão fortes demais para permitir que ela seja feliz? Descubra em Inverno em Londres.
View More― Que diabos eu estou fazendo aqui?
A pergunta escapa dos meus lábios em um sussurro enquanto encaro meu próprio reflexo no espelho. ― Onde é que eu estava com a cabeça quando resolvi aceitar cobrir esse evento? Hoje começa a semana de moda mais conhecida do país: a São Paulo Fashion Week. E, para completar o meu desespero, hoje também será o meu primeiro trabalho como modelo. Tecnicamente, não sou exatamente uma modelo. Tenho um blog de moda há cerca de três anos e, desde então, faço trabalhos para diversas marcas, participo de campanhas, fotografo looks e apareço em eventos. Já estou acostumada com câmeras, flashes e pessoas me observando. Mas nunca desfilei. Muito menos em uma passarela como aquela. Ali estavam alguns dos maiores nomes da moda nacional e internacional, além de jornalistas, influenciadores, empresários e uma quantidade assustadora de pessoas que pareciam saber exatamente o que estavam fazendo. E eu? Eu só queria descobrir como não cair do salto. Entrei nesse mundo pouco depois do meu casamento. Precisava ocupar a cabeça, principalmente porque Guilherme nunca gostou muito da ideia de eu passar o dia inteiro fora de casa. Segundo ele, eu ficava "batendo pernas por aí". Ele é meio antiquado. Eu sei. O mais engraçado é que temos praticamente a mesma idade. Mas, apesar de tudo, acabei me tornando muito boa no que faço. Meu blog cresceu rapidamente, conquistei milhares de seguidores e algumas marcas começaram a me procurar. É claro que minha posição social ajudou. Não vou fingir que não. Ter acesso a determinadas roupas, lugares e eventos facilita bastante quando você trabalha com moda. Mas eu também me esforcei para construir alguma coisa que fosse realmente minha. Pelo menos é o que gosto de pensar. Hoje cheguei mais cedo ao evento justamente para mostrar um pouco dos bastidores aos meus seguidores. Só não esperava que acabaria participando do desfile. Uma das modelos torceu o tornozelo poucas horas antes de entrar na passarela. Eu estava ao lado de Robert, o organizador do evento e também um grande amigo meu, quando ele olhou para mim. E tomou uma decisão. Por mim. ― Laura vai no lugar dela. Até hoje não sei se ele estava brincando. Só sei que, quando percebi, já estava sendo maquiada e vestida. Agora estou diante do espelho, pronta para entrar na passarela, enquanto Maria, responsável pelos últimos ajustes do figurino, tenta fazer alguma coisa para que eu não pareça estar usando um saco de batatas. ― Laura, fica tranquila. Você vai arrasar. Olho novamente para o espelho. Não tenho tanta certeza. Estou usando um macacão cinza de mangas com tiras e calça flare. Maria está ajustando a barra e prendendo a costura para que nada se solte durante o desfile. O problema é que a roupa definitivamente não foi feita para alguém com meus um metro e sessenta e cinco. Provavelmente a modelo original tem seus um metro e oitenta. Eu pareço uma criança usando a roupa da mãe. Para tentar compensar, colocaram um cinto da mesma cor na minha cintura. Por cima, uma camisa que, sinceramente, não sei nem como descrever. Há escritas BURBERRY nas duas partes da gola e também na barra, além de alguns detalhes amarelos espalhados pelo tecido. E a maquiagem... Meu Deus. É roxa. Estou tão estranha que talvez "horrível" seja uma definição mais adequada. Ainda bem que o estilista não consegue ler pensamentos. ― Laura, gostou da roupa? ― Maria pergunta, toda entusiasmada. ― Claro! É linda. Minto com um sorriso. ― Ótimo! Ela é sua. Então, querida, vamos começar em dez minutos. Você será a quinta a entrar. Vai até o final da passarela, vira para o público e depois volta. Serão duas trocas de roupa. Você vai desfilar três vezes e, na última, entra junto com o estilista. Eu estarei aqui para ajudar no que precisar. Alguma dúvida? Levanto a mão timidamente. ― Sim. ― Pode perguntar. ― Posso desistir? Maria começa a rir. ― Você é hilária. E não, não pode. Ela fala com tanta tranquilidade que parece estar me mandando tomar um café, e não entrar em uma das passarelas mais importantes do país. ― Pessoal! Cinco minutos! Todos em suas posições! Um rapaz aparece na porta, avisando que está na hora de nos prepararmos. Meu coração começa a bater tão forte que tenho certeza de que todos conseguem ouvir. Meu Deus. E se eu cair? E se meu salto prender? E se eu esquecer para onde tenho que ir? E se eu simplesmente travar no meio da passarela? Nunca fiquei tão nervosa assim. Nem no meu casamento. E olha que, naquele dia, meu noivo resolveu se atrasar. Cinco minutos antes da cerimônia, para ser mais exata. Eu já estava entrando em pânico e quase decidida a cancelar tudo quando ele finalmente apareceu. A desculpa? Trabalho. É isso que dá quando você se casa com um empresário. ― Laura! A voz do rapaz me tira dos pensamentos. ― É a sua vez. Vai lá e arrasa nesse salto, gata. Ele termina de ajeitar meu figurino. ― Não tem mistério. Escolhe um ponto para olhar, caminha até ele, respira e volta. Não olha para a plateia. Só para o ponto. Assinto. ― Tá lindíssima. Agora vai, garota! Ele me dá um pequeno empurrão em direção à entrada. Dou um passo. Olho para o público. E travo. Centenas de pessoas estão olhando para mim. Luzes. Câmeras. Fotógrafos. Gente conversando. Meu Deus. ― Laura... vai. A voz do rapaz chega baixinha aos meus ouvidos. ― Agora. Respiro fundo. Procuro um ponto qualquer para fixar o olhar. No final da passarela há uma luz forte iluminando as iniciais SPFW. É para lá que eu vou. Um passo. Depois outro. Não olha para ninguém. Só para a luz. Vai, Laura. Você consegue. Enquanto caminho, penso que isso é muito parecido com morrer. Só que de salto alto. Chego ao final da passarela. Viro. E volto sem olhar para absolutamente ninguém. Dessa vez, meu ponto de referência é o rapaz que me mandou entrar. Nem sei o nome dele. Quando finalmente chego até ele, a tensão desaparece de uma vez. Dou um pulo em seus braços. ― Eu acabei de desfilar na SPFW! Ele começa a rir. ― Sim! Agora você está mundialmente famosa, gata! ― Meu Deus! Rio, ainda tentando recuperar o fôlego. ― Agora vai trocar de roupa e corre para cá. Você entra logo atrás da próxima modelo. ― Laura! Maria me chama novamente. Corro para a troca de roupa. Dessa vez, o look é algo que eu realmente usaria. Um conjunto dourado, com blazer estilo terninho e calça de alfaiataria no mesmo tom, ambos cobertos por pedrarias. Para completar, um scarpin dourado. Olho para mim mesma no espelho. Agora sim. ― Esse eu gostei. Maria sorri. ― Eu sabia. O desfile termina e, por alguns segundos, fico parada nos bastidores tentando entender o que acabou de acontecer. Eu realmente desfilei. Na São Paulo Fashion Week. Pego meu celular. A tela está praticamente lotada de notificações. Centenas de mensagens. Ligações da minha mãe. Do meu pai. Da Clara, é claro. Mas nenhuma do Guilherme. Olho para o celular por alguns segundos. Ele já deve saber. Decido ligar. No quarto toque, ele atende. ― Alô? Oi, meu amor. A voz dele é fria. ― Oi. ― Você está ocupado? ― Sempre estou ocupado, Laura. Reviro os olhos. ― Eu queria te contar uma coisa que aconteceu hoje. ― Então fala. Estou no meio de uma reunião. ― Ah... claro. Respiro fundo. ― Eu vim cobrir aquele evento que tinha comentado com você. A São Paulo Fashion Week. E uma modelo acabou se machucando. O Robert me viu e me chamou para desfilar no lugar dela. Faço uma pausa, sorrindo sem perceber. ― E eu aceitei. Eu desfilei, Guilherme! Foi incrível. Eu estou tão feliz. Do outro lado, silêncio. Então ele responde: ― Você ligou no meio de uma reunião importante para contar que estava brincando de desfile de moda? Meu sorriso desaparece. ― Não é brincadeira. Foi uma oportunidade e... ― Você não deveria estar preparando o jantar? Fico em silêncio. ― Desculpa, é que eu... ― Sempre cheia de desculpas, não é, Laura? Fecho os olhos por um instante. Tem gente passando ao meu redor. Não posso chorar. Não aqui. ― Amor, nós temos a Joana. E, além disso, eu liguei para saber se você gostaria de vir comemorar comigo e com o pessoal do evento. Tem muita gente importante aqui. Achei que seria bom para a sua imagem e... ― Laura, sabe o que seria bom para a minha imagem? A voz dele fica ainda mais dura. ― Ter uma esposa que comparece. Que não fique o tempo inteiro grudada no celular ou brincando com alguma porcaria de internet, trocando de roupa para tirar foto. Meu peito aperta. ― Seria bom se você cuidasse dos afazeres da casa. Foi para isso que eu arrumei uma esposa, e não para ficar batendo perna por aí e torrando todo o meu dinheiro em shopping. Engulo em seco. Não quero que ele perceba o quanto aquelas palavras me machucaram. ― Amor... Minha voz sai baixa. ― Então eu vou para casa ajudar a Joana a preparar... ― Não vou chegar a tempo para o jantar. Não me espere. ― Mas, você... ― Mais nada, Laura. Tenho uma reunião para terminar e preciso correr atrás do prejuízo que você causou me ligando. Meu coração dispara. ― Mas que preju... A ligação cai. Fico olhando para a tela do celular. Ele desligou. Simplesmente desligou. ― Filho da mãe... Respiro fundo e aperto o aparelho entre os dedos. ― Que ódio. Minha voz sai quase em um sussurro. ― Laura Mantovani? Levanto os olhos. Um homem está parado à minha frente. E, pelo jeito como ele me encara, tenho a sensação de que aquela conversa está prestes a mudar completamente o rumo da minha vida.Ficamos em silêncio por alguns minutos.Cada um com seu copo, perdido nos próprios pensamentos.Pelo que eu conseguia perceber, Jamie também parecia estar na fossa. Talvez por motivos completamente diferentes dos meus, mas havia alguma coisa naquele olhar que denunciava que ele também carregava os próprios problemas.— Você poderia trazer outra, por favor? — pedi, acenando para o garçom.Já havia tomado umas cinco doses e, ainda assim, não sentia nada.A dor continuava ali.Intacta.Correndo pelo meu peito como se tivesse encontrado um lugar para morar.Jamie virou-se para mim, um pouco intrigado. Apoiou os cotovelos no balcão e pressionou os dedos contra os lábios, observando-me em silêncio.Só então consegui reparar melhor nele.Seus olhos eram de um azul tão escuro que, sob a iluminação baixa do bar, quase pareciam cinzentos. A boca pequena, bem desenhada e rosada, contrastava com a barba po
Olho pela janela enquanto o carro de Guilherme arranca e desaparece pela rua.Assim que entro em casa, subo para tomar um banho enquanto Joana prepara meu café.Joana é um amor de pessoa. É como uma mãe para mim. Tem dois filhos, ambos casados, e é viúva. Atualmente, tem um namorado que vem buscá-la todos os dias.Quando não fica para me fazer companhia, vai embora no fim do expediente. Mas já houve noites em que ela ficou comigo até de madrugada, me consolando porque meu marido havia dormido fora.Ela sabe de muita coisa.Talvez até mais do que deveria.Hoje é o último dia da Semana de Moda e, como só participei do primeiro dia, resolvo ir. Quero aproveitar para conseguir algum conteúdo para o blog.Robert não gostou nem um pouco quando falei que não iria desfilar nos quatro dias.Dei a ele a mesma desculpa que dei a David: uma viagem de última hora.Ele acreditou.Afinal, quando se
Ouvir aquelas palavras vindas de Guilherme me deixou extasiada.Jamais imaginei que voltaria a ouvi-las.Talvez ele realmente tivesse se arrependido.Mas isso não apagava o fato de que ele havia me traído. Muitas e muitas vezes. Eu não sabia desde quando, nem quantas mulheres haviam passado pela vida dele.E, pior do que tudo isso, ele havia me agredido.Ainda assim...Depois de tanto tempo, ele estava ali, diante de mim.Meu homem.Meu esposo.O homem que um dia havia me olhado como se eu fosse a única mulher no mundo.E, naquele momento, ele estava novamente sendo gentil. Delicado. Atencioso.Ah, como eu havia esperado por aquilo.Por aquele olhar.Por aquele carinho.Por ouvir sua voz dizendo que me amava.Não como uma estranha com quem havia se casado para alcançar seus objetivos.Mas como sua mulher.Eu me perco em se
⚠️ ALERTA DE CONTEÚDO: este capítulo contém violência doméstica.― Então, no dia seguinte, quando acordei, você estava dormindo tranquilamente. Como um bebê.Minha voz sai baixa.― Fiquei uns quinze minutos olhando para você dormir.Guilherme permanece imóvel.― E sabe o que eu fiz? Me culpei.Ele franze levemente a testa.― Me culpei por não ser uma boa esposa. Por não ser boa o suficiente na cama a ponto de você preferir procurar outras mulheres na rua em vez de ficar comigo.Faço uma pausa.― Me culpei por não ser a Júlia.O nome parece atingir Guilherme em cheio.Ele franze o cenho e desvia os olhos para o chão, como se alguém tivesse acabado de cravar uma faca em seu peito.Júlia.A ex-namorada dele.― Laur...― Eu ainda não terminei.Ele se cala.― Foi quando eu vi.Engulo em seco.― Não um. Vários.Meu olhar encontra o dele.― Chupões. Entre as suas tatuagens.A expressão de Guilherme muda.― Foi naquele momento que eu parei de me culpar.Minha voz fica mais firme.― E decidi d












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