Share

Capitulo 2

Author: Anny Lago
last update Petsa ng paglalathala: 2026-09-30 03:26:50

Rebecca Rossi

O aroma da lasanha preenche a cozinha inteira. O cheiro está de dar água na boca e, enquanto ponho a mesa, dois pares de olhos verdes a rondam com uma curiosidade genuína e infantil.

Certo, eu meio que intimei meu chefe e suas sobrinhas a ficarem para o almoço. Thomas estava com uma cara tão cansada que deu até dó.

Por falar em Thomas, ele está há quase uma hora parado na entrada da cozinha, de braços cruzados e olhar analítico, encarando-me como se tentasse descobrir se eu envenenei a comida.

Tudo bem que ele é um babaca como chefe e no escritório nós vivemos em pé de guerra. Mas aqui é diferente... Aí você se pergunta: como? É simples, tem crianças envolvidas. Eu não enveneno crianças, e tampouco vou perder meu almoço para me vingar do meu chefe pelas minhas duas semanas de sono mal dormido.

— Senhorita Becca? — uma das gêmeas me chama. A de vestido roxo, com aqueles enormes olhos verdes encarando-me com curiosidade. — A gente também pode comer na mesa?

Pisco algumas vezes com o pedido inusitado. Volto meu olhar para Thomas, que as encara com os olhos semicerrados, como quem se prepara para a próxima bomba.

— Claro que sim, meninas — respondo com suavidade. — Por que eu não deixaria vocês comerem na mesa?

— O moço não deixa a gente comer na mesa — diz a outra, de vestido rosa, movendo as mãos como se estivesse nervosa. — Ele disse que só pessoas podem comer à mesa, e a gente é dois monstrinhos...

— AVA MITCHELL! — A voz de Thomas ecoa carregada de um misto de desespero e repreensão.

As duas se encaram antes de caírem na risada, enquanto Thomas parece prestes a ter um treco no meio da minha cozinha.

— Expliquem à senhorita Ross por que vocês não comem na mesa, monstrinhas — Thomas diz, cruzando os braços e encarando as gêmeas.

Elas se encaram, trocam aquele olhar cúmplice e, em seguida, saem correndo para a sala, deixando-me na companhia dele.

— Eu vou querer ouvir essa história? — pergunto, terminando de arrumar os pratos e encarando-o com as sobrancelhas arqueadas.

— Elas não podem comer à mesa de jantar porque não há mais mesa de jantar, senhorita Ross — Thomas diz com a maior naturalidade do mundo. — A senhorita se surpreenderia com o estrago que um martelo faz em um tampo de vidro.

Meus olhos se arregalam de espanto instantaneamente. Levo alguns segundos para tentar assimilar aquelas palavras.

— Certo, eu preciso de vinho. — Me afasto, indo em direção à despensa.

Entro em busca de uma das minhas garrafas de vinho. Sim, garrafas. Tenho uma pequena coleção; nada muito caro, mas o suficiente para me deixar bêbada quando preciso.

Tipo em reuniões de família onde a minha tia Cátia faz aquela torta de pêssego terrível e os cães que ela chama de filhos tentam destruir meu jardim inteiro. Ah, sim, também tem os dias em que eu só quero encher a cara depois de um dia de trabalho exaustivo, com Thomas cobrando relatórios como um carrasco medieval.

Pego uma das garrafas e, quando me viro para voltar à cozinha, quase tenho um treco do coração ao encontrar Thomas bloqueando a saída.

— O que está fazendo? — pergunto, encarando-o.

— Ajudando — ele responde, como se fosse óbvio.

— Não pedi sua ajuda, senhor Mitchell.

— Eu o empurro levemente, passando por ele em direção à cozinha, e ouço seus passos me seguindo.

— Quanto você quer para cuidar delas por dois dias? — As palavras dele me fazem parar o que estou fazendo e encará-lo como quem vê algo desconhecido.

— Como é?

— Faz exatas três semanas que eu consegui a tutela delas, senhorita Ross, e eu estou exausto — ele diz, desabando em uma das cadeiras. — Você trabalha para mim há mais de cinco anos, conhece a minha rotina, e ainda assim eu posso afirmar que nunca estive tão exausto quanto agora.

— Com todo o respeito, senhor Mitchell, mas se o senhor não tinha disponibilidade ou disposição para cuidar delas, então por que...

— Eu sou a única família que elas têm. Era isso, ou iriam para o sistema de adoção — ele interrompe, e consigo sentir a sinceridade em suas palavras. — Meu cunhado era órfão, meus pais faleceram há muito tempo, elas só têm a mim... Bem, existem, sim, alguns parentes, como o irmão do meu pai e a esposa dele.

— Porém...?

— Ele não se importa com o bem-estar delas, e sim com a herança. Afinal de contas, a parte da Dahlia na empresa passa a ser delas quando chegarem à maioridade.

— Mas, até lá, o tutor legal fica responsável pela gestão dos bens... — completo, puxando uma das cadeiras e me sentando de frente para ele. — Já ouvi falar de histórias parecidas. Eu entendo seu cansaço, senhor Mitchell, mas... eu não levo jeito com crianças.

— Você leva, sim...

— Não, eu não levo... quer dizer, eu cuido das minhas sobrinhas de vez em quando. Mas isso é diferente.— rebato. — Eu mal consigo lidar com os surtos do Zeus, imagine com...

— Dez mil dólares, senhorita Ross.

— Senhor Mitchell, isso não faz o menor sentido. Quero dizer, o senhor poderia simplesmente contratar uma babá para elas — digo com toda a paciência do mundo, como alguém lidando com uma situação claramente inusitada.

— Não sei como fazer isso...

Respiro fundo, encarando a figura do meu chefe à minha frente e me perguntando internamente qual de nós dois enlouqueceu primeiro.

— Dez mil dólares — digo com firmeza. — Fico com elas o fim de semana, e na segunda-feira o senhor vai começar a entrevistar candidatas para a vaga de babá.

O alívio que vejo nos olhos do homem à minha frente dificilmente poderia ser explicado.

— Fechado — ele concorda, imediatamente. — E sobre o Duke...

— Leve-o antes que eu o mande para um abrigo — respondo, incisiva. — Meus vizinhos chamaram a polícia cinco vezes nas últimas três semanas. Tudo porque o seu cachorro fica gritando sem motivo e eles acham que eu estou maltratando alguém.

Thomas me encara com um meio sorriso nos lábios, e isso me faz revirar os olhos.

— Você tem um Malinois em casa e está reclamando de um buldogue francês? — ele pergunta, o sarcasmo estampado nas palavras.

— A diferença é que meus vizinhos já estão acostumados com o meu demônio da Tasmânia — digo, levantando-me para servir as duas taças de vinho. — Eu fico com as suas sobrinhas, mas o seu cachorro precisa ir.

Ele balança a cabeça em sinal negativo, como se eu fosse a louca da história por preferir duas crianças endemoniadas — na visão dele — ao seu precioso cão cantor de ópera.

Naquela mesma noite, Thomas traz as meninas de volta, com mochilas e lanches.

Sem dúvida, são os dez mil dólares mais fáceis da minha vida.

Patuloy na basahin ang aklat na ito nang libre
I-scan ang code upang i-download ang App

Pinakabagong kabanata

  • A Familia Inesperada do Bilionario   Capitulo 5

    Rebecca Ross. Segunda-feira. A querida chegou arrombando a porta como se fosse a polícia cumprindo um mandado de busca e apreensão. Eu tinha tido uma noite de sono magnífica, perfeitamente tranquila... isto é, até as quatro da manhã, quando Zeus decidiu por livre e espontânea vontade que claramente gostaria de acrescentar uma passagem mais prática para o andar de baixo.Que escada, que nada.O plano do meu querido pastor-malinois era muito mais ousado: cavar um buraco no chão do meu quarto para descer direto para a cozinha.Eu não deixei, é claro. Ele ficou profundamente frustrado e começou a uivar para a vizinhança inteira. E lá fomos nós caminhar às quatro e meia da madrugada, porque a culpa, no fundo, é toda minha; eu sabia perfeitamente que não era fácil ter um cão dessa raça, mas quis mesmo assim.Em fim, o puro caos.O relógio na tela do meu computador marca cerca de 10h28 da manhã quando as portas do elevador executivo finalmente se abrem. A figura de Thomas Mitchell surge na

  • A Familia Inesperada do Bilionario   Capitulo 4

    Thomas Mitchell. O sábado e o domingo passaram mais rápido do que eu gostaria de admitir. Consegui descansar o suficiente para recuperar as energias, fui à academia apenas para espairecer a mente sufocada pela rotina, dormi um pouco e até saí no sábado à noite com Philipe, um amigo de longa data que sempre sabia onde encontrar os melhores lugares.Fomos a uma boate badalada no centro da cidade, e era exatamente disso que eu precisava para desligar o cérebro: música eletrônica pulsante, álcool de boa qualidade e mulheres atraentes para elevar meu ânimo. É óbvio que não perdi a oportunidade — caso contrário, não me chamaria Thomas Mitchell —, e saí de lá acompanhado.Fomos para um motel e, antes de ir embora nesta manhã, fiz questão de deixar a conta inteiramente paga; afinal de contas, posso ter meus defeitos, mas não sou nenhum cafajeste.Saí de lá antes que ela acordasse. Não me lembrava do seu nome e nem me preocupei em perguntar. Era apenas uma transa rápida e nada mais do que iss

  • A Familia Inesperada do Bilionario   Capitulo 3

    Thomas Mitchell.Entro em minha cobertura na companhia de Duke e a primeira coisa que me atinge é o silêncio absoluto que me espera. Sem música infantil tocando em loop infinito na TV, sem os passos acelerados pelos corredores e sem o coro frenético de "moço, ela pegou a minha boneca!" ou "moço, a água da pia tá caindo no chão!".Porque sim, a dupla de monstrinhos conseguiu a proeza de entupir a pia do banheiro social usando rolos inteiros de papel higiênico, transformando o piso de mármore em um pequeno lago artificial em questão de minutos.A verdade é que, no último mês, a minha vida resolveu virar de ponta-cabeça e eu simplesmente não faço ideia de como fazê-la voltar para os trilhos. Fazia oito anos que eu e minha irmã não nos falávamos. Oito longos anos de um silêncio cavado no dia do funeral dos nossos pais.Um maldito mal-entendido — mesclado com orgulho e teimosia de ambas as partes — fez com que eu passasse quase uma década longe da vida de Dahlia. E agora que o destino deci

  • A Familia Inesperada do Bilionario   Capitulo 2

    Rebecca RossiO aroma da lasanha preenche a cozinha inteira. O cheiro está de dar água na boca e, enquanto ponho a mesa, dois pares de olhos verdes a rondam com uma curiosidade genuína e infantil.Certo, eu meio que intimei meu chefe e suas sobrinhas a ficarem para o almoço. Thomas estava com uma cara tão cansada que deu até dó.Por falar em Thomas, ele está há quase uma hora parado na entrada da cozinha, de braços cruzados e olhar analítico, encarando-me como se tentasse descobrir se eu envenenei a comida.Tudo bem que ele é um babaca como chefe e no escritório nós vivemos em pé de guerra. Mas aqui é diferente... Aí você se pergunta: como? É simples, tem crianças envolvidas. Eu não enveneno crianças, e tampouco vou perder meu almoço para me vingar do meu chefe pelas minhas duas semanas de sono mal dormido.— Senhorita Becca? — uma das gêmeas me chama. A de vestido roxo, com aqueles enormes olhos verdes encarando-me com curiosidade. — A gente também pode comer na mesa?Pisco algumas v

  • A Familia Inesperada do Bilionario   Capitulo 1

    Rebecca Ross.iA policial feminina à minha frente me encara com o semblante de quem já passou por aquela situação inúmeras vezes. O tédio é notável em sua face enquanto ela inspeciona o ambiente da minha sala de estar.— É a quinta denúncia apenas em apenas duas semanas, senhorita Rossi. Seus vizinhos apontam que existe uma criança e um animal sofrendo maus-tratos neste endereço — diz ela, mantendo o tom profissional, mesmo que sua expressão denuncie que preferia estar em qualquer outro lugar do mundo que não fosse a minha sala.— Eu se quer tenho filho, policial Rivera — respondo, sentindo o desespero crescer dentro de mim. — Cachorro sim. Tenho o Zeus, que está em algum lugar do quintal destruindo o gramado, e também estou cuidando temporariamente do Duke, o buldogue francês do meu chefe. Mas não existe criança nenhuma aqui. Posso mostrar as câmeras, e o restante da casa caso seja necessário.A policial Rivera me encara por alguns segundos, como se decidisse se aquilo realmente é ne

Higit pang Kabanata
Galugarin at basahin ang magagandang nobela
Libreng basahin ang magagandang nobela sa GoodNovel app. I-download ang mga librong gusto mo at basahin kahit saan at anumang oras.
Libreng basahin ang mga aklat sa app
I-scan ang code para mabasa sa App
DMCA.com Protection Status