INICIAR SESIÓNNo fim, eu realmente precisava esperar, mas isso não significava que eu ficaria sem fazer nada. Desci para o escritório de Ryan, um pequeno cômodo nos fundos da cabana. Uma mesa pequena com folhas e material de escrita faziam a fachada de escritor dele parecer autêntica, e um armário no fundo com diversos livros tornava o ambiente aconchegante. Eu adorava o fato dele aumentar continuamente essa coleção por minha causa, adorava os poemas que ele escrevia e principalmente nossos momentos, em que ele se dedicava a lê-los para mim.
Sondei visualmente cada uma das estantes, selecionando os livros úteis. Se ele me abandonasse e me forçasse a uma jornada precoce, eu precisaria ter memorizado tudo o que pudesse ser útil. Geografia e mapas, biologia, química, física, e mesmo questões sobre plantas; tudo era conhecimento, e conhecimento era a chave para a sobrevivência. Mesmo sem um lobo, eu precisava fazê-lo, com o meu próprio poder!
Minha capacidade de decorar cada palavra para sempre, apenas por colocar o olho nas páginas podia ser considerado um dom raro, mas a capacidade de compreendê-las eu considerava ainda mais importante. Eu não tive muita oportunidade de estudo no orfanato, então precisava me esforçar muito mais se quisesse ser mais inteligente.
Sem perceber, vi-me adormecendo sobre o livro, sendo acordada ao som de batidas persistentes na porta. O medo se apoderou de mim, quando pensei na possibilidade da senhora Ilda ter vindo me buscar. O ambiente estava escuro, indicando que era noite. Pensei que talvez devesse simplesmente fingir que não tinha ouvido nada e ficar escondida na escuridão deste cômodo.
— Ryan, abra a porta! É urgente! Ryan! — Uma voz feminina chamava de forma persistente, alcançando-me. Quem é que fosse, gritava muito alto, parecendo desesperada. A contragosto, forcei-me a ficar de pé e caminhei silenciosamente para a parte frontal da casa.
Tal chamado logo se tornou um lamento, e pensei que talvez eu devesse abrir a porta e dizer àquela estranha que Ryan não estava, que passaria os próximos dias na cidade. Dei alguns passos em direção à porta, mas então meu corpo estremeceu. Os dedos finos e pálidos da minha pequena mão tremiam, a ansiedade aos poucos entrando e me consumindo. Agachei-me no chão, tampei meus ouvidos e recusei-me a ouvir. Não queria abrir, não queria encarar quem quer que estivesse ali.
Um silvo agudo soou momentos depois, o som do vento atravessando as canaletas externas do telhado. O tempo parecia ter escurecido ainda mais, enquanto uma tempestade de neve se aproximava, afugentando a estranha presença.
Incapaz de me mover, permaneci agachada, chorando silenciosamente, ansiando por uma presença que me dissesse que estava tudo bem, que eu estava segura agora. Apenas senti alívio ao perceber a neve caindo, cobrindo completamente a visão do mundo exterior. O vento cessou e o frio tornou-se um tipo de silêncio reconfortante.
Respirando e expirando profundamente diversas vezes, levantei-me e aproximei-me das cortinas, abrindo uma greta e mirando o exterior em estado de alerta. Não havia sinais de presença próximos. Inesperadamente, meus olhos captaram um cesto próximo à entrada, e perguntei-me o motivo daquela mulher ter deixado tal objeto ali.
Tentei varrer a área visualmente mais uma vez. Assim, tive a certeza de que se abrisse a porta para checar, ninguém me veria, uma vez que a densa neve que caía e a escuridão da noite impediriam olhares de longo alcance.
Com muito cuidado, destranquei a porta e abri uma greta. Após puxar a cesta para dentro cautelosamente, tornei a trancá-la. Suspirei aliviada quando percebi que não havia armadilhas e carreguei o cesto até a sala, acendendo a lareira antes de abri-la e checar seu conteúdo. Dentro, um cachecol vermelho e uma variedade de alimentos frescos. Eu não teria tido coragem de retirar nada, se não fosse uma carta no topo com a letra de Ryan, que dizia:
"Eu posso não estar por perto, mas continuarei de olho em você. Considere esses itens um presente por ter me ouvido e não ter aberto a porta. Até que eu volte, não importa quem seja, ou o que diga, não confie em ninguém."
Em menos de um segundo, meia dúzia de homens vestidos de branco invadiu a casa. Correntes envolveram os pescoços dos lobos que imobilizavam Lionel e os decapitaram no mesmo movimento. Tudo aconteceu rápido demais para que meus olhos acompanhassem. Em meio ao caos, uma presença feroz atravessou o espaço e decepou o braço de Raiden que empunhava a lâmina, arrancando dele um grito de dor.A figura então se colocou à minha frente, apontando a espada para o pescoço do inimigo. O que mais me chamou a atenção foi o símbolo do brasão imperial gravado em sua armadura.Meu coração pareceu saltar do peito quando ergui o olhar e encontrei um rosto familiar.— Que bom que cheguei a tempo, alteza — disse Vitor, examinando-me rapidamente, como se quisesse se certificar de que eu estava mesmo bem.Aquelas palavras simples trouxeram um alívio tão profundo que meu corpo pareceu, enfim, se lembrar de como respirar. Assenti em agradecimento e me apressei até Lionel, preocupada demais para pensar em qualq
Apesar de surpreso, Raiden firmou a espada em sua mão. Agora que havia chegado tão longe, não havia mais como recuar. — Ninguém me enviou. Eu vim porque quis — rebateu, encarando Lionel com ódio. — Um órfão miserável, de sangue impuro como você, recebendo tanta atenção do alfa? Você não merece. Não sei como consegue lutar assim, mas não tem chance. E não se preocupe, não vou deixar você morrer antes de ver aquela vadia despedaçada. Vai ser um prazer provar a mesma carne que o alfa provou.— Seu rato imundo — rosnou Lionel, avançando contra Raiden.Ao mesmo tempo, os lobos que antes apenas o cercavam decidiram atacar. Por mais rápido e forte que fosse, Lionel não conseguia escapar de todas as garras e golpes que vinham de todos os lados. O inimigo era implacável.Fiquei paralisada, o coração disparado enquanto minha mente buscava uma forma de ajudá-lo. Pensei em atacá-los à distância com minha magia de gelo, mas temia acertar Lionel no processo. Se congelasse o chão para desestabiliza
Bloqueadores gama, um tipo de tecnologia cuja existência eu desconhecia até pouco tempo atrás. Minha primeira percepção desse recurso ocorreu no hotel da ilha onde os Lobos do Inverno operam. A maioria dos hotéis de lá os possuía, impedindo qualquer conexão telepática nas proximidades. Eu só descobri isso há poucos dias, mas, como vinha tendo bastante tempo para conversar com Lionel durante os treinos, acabei saciando minha curiosidade sobre muitas coisas.Tudo o que aconteceu naquela ilha passou a fazer sentido depois que soube disso. O mais intrigante era que esse tipo de recurso era comercializado exclusivamente pela companhia Lobos do Inverno. Provavelmente importado, aquele objeto estava longe do alcance de pessoas comuns. Isso só podia significar que os atacantes tinham grande influência ou alguém poderoso agindo por trás deles.Quando Lionel ordenou que eu fosse para o esconderijo, não retruquei. Se permanecesse por perto, limitaria seus movimentos e acabaria atrapalhando. Se q
Mesmo com as lágrimas embaçando minha visão, procurei o olhar dele e encontrei não fúria, mas desespero. Seu semblante, quase sempre frio comigo, realmente vacilou. Sua respiração estava intensa, e seus lábios se moviam ligeiramente, como se quisesse dizer algo.— Não vou me arrepender de ter te afastado — declarou.Em seguida, tirou a mão da minha boca e apoiou ambas na parede atrás de mim. Seu rosto estava tão próximo ao meu que eu podia sentir sua respiração tocar minha pele. Mesmo afirmando que não se arrependia, havia um traço de culpa em seu semblante. Como era possível alguém se culpar e, ainda assim, não se arrepender? O que ele escondia de mim?— Você pode me odiar, e tem todo o direito, mas jamais vai se livrar de mim enquanto viver. Como sente tanta repulsa por mim e sempre me acusa de te forçar, a partir de hoje não vou te obrigar a fazer aquilo se não quiser. Em troca, deverá acatar minhas regras com obediência, ou retirarei essa promessa. Em algum momento, você ainda se
O primeiro dia no que podia ser chamado de uma prisão aberta foi como um raio de sol depois de uma tempestade. Após verificarmos as condições da casa e dos arredores, percebemos que, embora estivesse situada em zona urbana, era relativamente isolada, cercada por outras construções menores e abandonadas. Era difícil entender por que Oliver escolhera justamente aquele lugar, mas o fato é que aquilo nos concedia muito mais liberdade sem que parecesse estarmos fazendo algo suspeito.Depois de conversar com Lionel sobre como encenaríamos aquele teatro e sobre o que ele poderia dizer a Oliver, fiz um pedido sério. Eu não podia mais permanecer ociosa, e livros não me ajudariam a sobreviver naquela situação.— Por favor, quero que me treine.Sentia que precisava melhorar meu condicionamento físico e adquirir habilidades práticas reais. Sem minha loba e tendo de esconder meus poderes, tudo o que me restava era apostar no aprimoramento das minhas habilidades medíocres, algo que eu estava determ
Dito isso, Lionel sacou uma chave velha e abriu a porta daquela casa, deixando-me surpresa.— A casa é sua? — perguntei, espiando o interior antes de entrar.Embora a fachada externa fosse desleixada, a parte interna estava limpa e tinha um aspecto aconchegante. Diferente da mansão de Oliver, não havia luxos e extravagâncias, mas todo o essencial para se ter o conforto mínimo podia ser visto.— Não, essa casa pertence ao alfa — respondeu, fechando a porta logo após adentrarmos. Olhei-o, desconcertada, esperando por respostas.— Isso faz parte da conversa que tive com ele. Imagino que ele a tenha adquirido recentemente, já que não houve tempo de reformar. Quanto ao que há aqui dentro, ainda não conheço. Temos que descobrir juntos, mas vejo isso como algo bom — disse ele, soltando um riso divertido. — Você é realmente genial, alteza.— Sou, é? — perguntei, animada. Parecia que notícias boas vinham por aí.— Sim. Oliver ficou encurralado por sua causa. Quando entrei para conversar com el







