Destinada a dominar Dois Alfas

Destinada a dominar Dois Alfas

last updateLast Updated : 2026-08-30
By:  AneteSalvatoreUpdated just now
Language: Portuguese
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Sinopse Lavinia sempre soube que seu destino era complicado. Portadora de um tumor cerebral e de uma loba adormecida que nunca despertou, ela nunca imaginou ser a verdadeira companheira de um Alfa. Mas o laço estava lá e o Alfa o rejeitou. Ele a descartou sem hesitar. Disse que sentia muito, mas que já tinha uma Luna forte, saudável e digna do seu lado. Lavinia engoliu a dor e se preparou para desaparecer. Só que o destino não a deixou ir embora tão facilmente. Durante um ataque de um membro de uma alcateia rival, o Alfa foi alvo de um tiro. A Luna que ele escolheu não fez nada. Em vez de protegê-lo, ela simplesmente fugiu. Foi Lavinia a rejeitada, a doente, a que ele havia descartado  quem se jogou na frente dele. A bala atravessou o corpo dela no lugar do dele. O Alfa ficou em choque. Confuso. Irritado. Como a mulher que ele rejeitou por ser “fraca” foi a única a se sacrificar por ele, enquanto a que ele escolheu como Luna apenas correu para salvar a própria pele? Lavinia fugiu do hospital e da cidade, carregando a rejeição, a dor e a certeza de que nunca mais o veria. Mas o Alfa não conseguiu esquecê-la. Agora, obcecado e furioso consigo mesmo   e especialmente com a Luna que falhou com ele , ele está determinado a encontrá-la, mesmo que isso signifique confrontar tudo o que pensava saber sobre força, lealdade e destino. Porque, no final, o homem que a rejeitou descobriu tarde demais: a mulher que ele descartou foi a única que realmente o protegeu.

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Chapter 1

eu te rejeitou

Capítulo 1

Lavínia Marke

A esperança era a única coisa que ainda me mantinha de pé. E ela estava morrendo junto comigo.

Cada batida irregular do meu coração era um lembrete cruel: o tumor dentro do meu crânio crescia. Lento. Insaciável. Às noites eu acordava com o gosto de metal na boca e a certeza de que, em breve, nem mesmo a dor restaria, só o silêncio. A loba dentro de mim dormia há meses, sufocada pela doença. Sem ela, eu era apenas uma casca.

Mas ainda restava uma última aposta. O laço.

Eu acreditava, com a teimosia desesperada de quem não tem mais nada, que quando Ravi Darke finalmente me visse, quando o fio elétrico do companheiro saltasse entre nós, algo mudaria. Que o poder dele seria forte o bastante pra expulsar a morte que já sussurrava no meu ouvido todas as noites.

Eu estava errada.

A mansão dos Lobos Negros cheirava a poder e expectativa. O ar era denso, carregado de feromônios de dezenas de lobos, e cada olho da matilha se cravou em mim quando cruzei o salão. Eu sentia o peso desses olhares como facas. Minhas pernas tremiam. A dor atrás dos olhos latejava com cada passo.

E então eu o vi.

Ravi Darke. Alfa supremo. CEO da Darke Pharma. O homem de coração de pedra que eu carregava no peito como uma sentença.

Ele me olhou de cima a baixo. Não houve choque. Não houve reconhecimento. Só frieza absoluta. Seus olhos cinzentos me dissecavam como se eu fosse um problema logístico, não uma pessoa.

— Você realmente teve a coragem de aparecer aqui? — A voz dele cortou o ar, baixa e afiada. — Doente. Fraca. Com a loba adormecida… e ainda acha que tem algum direito sobre mim?

Antes que eu conseguisse responder, ele estendeu o braço e puxou Inês para junto do corpo.

Minha prima. A mesma que cresceu ao meu lado. A mesma que tinha tudo o que a doença me roubou: saúde, beleza impecável, a atenção dele.

Ravi passou o braço na cintura dela com posse. O gesto era deliberado. Público. Uma declaração.

Inês ergueu o olhar para mim. O sorriso que nasceu em seus lábios era veneno puro disfarçado de doçura.

— Olha só para ela, Ravi… — disse, a voz melosa e alta o bastante para que todos ouvissem. — Querendo me tomar você? Que coitadinha… Toda doente, toda quebrada, achando que um laço patético ia mudar alguma coisa.

Risos. Primeiro baixos. Depois mais altos. Alguns bateram palmas debochadas. O som me atingiu como t***s no rosto. O calor da vergonha subiu pelo meu pescoço mais forte do que o tumor latejando dentro da minha cabeça. As lágrimas ardiam, mas eu as engoli. Não na frente deles. Não na frente dela.

— Por favor… — minha voz saiu rouca, quebrada. — O laço… eu sei que você sente. Ele pode me curar. Só me dê uma chance…

Ravi me encarou sem um pingo de emoção. O braço ainda firmemente envolto na cintura de Inês.

— Chance? — repetiu, a boca se curvando num sorriso frio. — Eu não tenho tempo para carregar peso morto. Inês é forte. Saudável. Capaz de ficar ao meu lado e me dar herdeiros. Você é só um fardo.

Ele deu um passo à frente. A voz saiu mais baixa, mais definitiva:

— Eu te rejeito como minha companheira. Agora sumam da minha frente.

As palavras dele entraram em mim como uma lâmina.

Não foi só rejeição. Foi algo físico. Brutal. O laço, ou o que restava dele, se estilhaçou dentro do meu peito com uma dor tão aguda que me dobrou o corpo. O ar sumiu. Meus joelhos fraquejaram. E no mesmo segundo, o tumor respondeu. A dor na cabeça explodiu, latejando com força selvagem, como se quisesse me rasgar por dentro. Pontos pretos dançaram na minha visão. O gosto de metal voltou à boca, mais forte do que nunca.

O laço… não se formou. Ou talvez se tenha formado e morrido no mesmo segundo, arrancando um pedaço de mim junto.

Eu quase caí ali mesmo.

Foi nesse instante que o mundo desacelerou.

Um homem de terno escuro surgiu entre a multidão. Alguém que não pertencia à matilha. Seus olhos brilhavam com ódio frio. Na mão direita, um revólver de cano curto. A mira apontava diretamente para as costas desprotegidas de Ravi.

Ninguém se mexeu.

Nenhum dos homens dele. Nenhum dos lobos da matilha. Ninguém.

Inês viu a arma. Seus olhos se arregalaram. Em vez de gritar, em vez de se jogar na frente dele, ela deu um passo para trás. Depois outro. E correu. Fugiu como uma covarde, sumindo entre os convidados sem olhar para trás.

Meu corpo se moveu antes que eu pensasse.

A dor da rejeição ainda queimava no peito. O tumor latejava como se quisesse explodir. O sangue parecia gelado nas veias. Mas uma certeza cruel me atingiu com a força de um trovão:

Eu vou morrer de qualquer forma. Não tenho mais nada a perder.

— RAVI!

O grito rasgou minha garganta. Eu me lancei com as últimas forças que ainda restavam no meu corpo frágil e colei o peito nas costas largas dele no mesmo segundo em que o estampido ecoou pelo salão.

A bala de prata atravessou minha carne com um calor branco, cegante, insuportável. O impacto me empurrou contra ele. Meu corpo tremeu, fraquejou, e eu deslizei para baixo, caindo de joelhos e depois de lado aos pés dele. O gosto metálico invadiu minha boca. O ar sumiu dos pulmões. O fogo se espalhou do peito para cada nervo do corpo, queimando, dilacerando, roubando o que restava de mim.

Gritos. Confusão. O cheiro metálico do meu próprio sangue se misturando ao ar carregado de feromônios e medo.

Ravi sentiu o peso, o impacto, o calor úmido escorrendo pela camisa. Por um segundo ele ficou imóvel, tentando entender o que tinha acabado de acontecer. Então se virou.

Seus olhos se arregalaram de puro choque quando me encontrou no chão, o vestido já encharcado de vermelho escuro, o sangue dela manchando as mãos e a camisa dele. Por um instante ele ficou paralisado. No segundo seguinte, estava ajoelhado ao meu lado, as mãos grandes e quentes virando meu corpo com um cuidado quase desesperado, pressionando o ferimento.

— Por que…? — a voz dele saiu rouca, quebrada, quase irreconhecível. — Por que você fez isso? Eu te rejeitei… na frente de todos…

Eu abri a boca. O sangue escorria pelo canto dos lábios. Cada respiração era uma agonia afiada. Mas precisei falar. Precisei que ele soubesse.

— Porque… eu não tenho mais nada a perder — sussurrei. Minha visão já começava a escurecer nas bordas. — E porque… eu ainda…

As palavras morreram na minha garganta.

A escuridão me engoliu.

A última coisa que ouvi antes de sumir completamente foi a voz de Ravi, baixa e perigosa, ordenando:

— Levem ela para o hospital. Agora. E se alguém deixar ela morrer… vai responder diretamente a mim.

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