LOGINVeraA noite cai sobre a Fazenda Magalhães. Estou aqui, sentada na varanda, com a presença incômoda da beata abelhuda por ordens expressas do Padre.De repente ouço o barulho dos pneus do carro. É o motorista trazendo o meu homem! JAo avistar Jerônimo em sua cadeira de rodas, eu me derreto todinha num sorriso largo e radiante. Jerônimo desliza com a cadeira até a varanda, exalando aquele charme caipira e perigoso que só ele tem. Ele para bem diante de mim e, com a postura de cavalheiro, pega a minha mão com delicadeza e deposita um beijo suave.A beata solta um suspiro de encanto. Ela nos observa, achando que o nosso noivado é o exemplo máximo da pureza cristã. Mal sabe ela o fogo debaixo desta minha saia!— Boa noite, minha Florzinha... — diz Jerônimo, olhando bem no fundo dos meus olhos com um brilho malicioso.— Boa noite, meu amor! Que saudade... — respondo, sentindo minhas bochechas esquentarem.Sem perder o ritmo, Jerônimo se inclina um pouco para o lado, alcança duas
Ora, ora! No hotel, a Operação Sentinela do padre ganha mais um dia dramático: nada de rala e rola e muita judiação.A beata Alfa é uma vigilante das mais terríveis e já notou o que andamos fazendo. Qualquer descuido rola uns amassos escondidos na recepção. Por isso, a velhota muda de estratégia e se mete entre mim e o meu lindo para impedir qualquer vestígio de "mão boba".Mas ela não contava com a minha sagacidade! Numa boa conversa de boteco com meus contatos da esquina, descubro o ponto fraco da mulher: pipoca. Nada melhor, portanto, do que colocar em prática a minha infalível estratégia de "cinema em casa".Seguindo o meu plano à risca, Jackson simula o convite em tom casual:— Lê, que tal a gente assistir a um filminho? Tem um bem massa que tô a fim de ver!— Ah, que máximo, Bebê! — respondo, entrando na encenação. — Vou só chamar minha mãe para tomar conta da recepção e a gente vai assistir. Ali atrás tem uma salinha de entretenimento perfeita.Ao escutar isso, a beat
DiegoNa volta para casa, logo após me despedir de Janaína, percebo uma moto estacionada perto da varanda. Fico imediatamente em alerta.Em seguida, escuto passos apressados e reconheço de quem são.— Graças a Deus que chegou, Diego! — diz mamãe, com a voz falhando de preocupação.— O que aconteceu, mãe?Ela se aproxima mais e sussurra, olhando para trás:— Gláucia tá aí te esperando lá na sala.A notícia me deixa completamente perplexo. Que diabo essa mulher quer?— Tá... Vou falar com ela.— Quer que eu fique por perto? Desde que chegou Gláucia está o tempo todo grudada no celular, com uma cara péssima.— Não se preocupe, mãe. Eu me resolvo com ela.Entro na sala a passos firmes e avisto Gláucia sentada no sofá, de pernas cruzadas e exibindo um sorriso irônico.Com voz melosa e arrastada, ela segue as palavras com lentidão, quase cantando:— Oi, meu garanhão! Estava com tanta saudade... — E, levantando-se de forma ensaiada, vai falando: — Nós precisamos conversar!Arre
Janaína A solução encontrada por Diego me deixa orgulhosa e não me contenho: dou um passo à frente e o abraço comovida, afundando o rosto em seu pescoço por alguns segundos.A tarde, que começou num clima de luto, transforma-se rapidamente num momento de leveza e descontração. — Diego... tu não existe, garotão — murmura a cafetina, abrindo um sorriso largo. Ela ergue o copo de cerveja num brinde solene. — Às minhas meninas e aos novos começos!As garotas do cabaré estão exultantes com a notícia da oportunidade que terão no novo hotel. Entre risos, suspiros de alívio e abraços apertados em Lili e Diego, a energia do salão muda completamente. E o ponto alto da cena é o Sacristão. Menos preocupado agora com a língua do povo, ele conversa abertamente com cada uma das garotas.— O importante, minhas filhas, é a intenção do coração e o trabalho digno! — prega ele, enquanto aceita um copo de guaraná oferecido por uma das meninas.Diego me olha de lado e pisca, prendendo o riso dia
À tarde, saímos novamente: eu, Janaína e o Sacristão. Nosso itinerário nos leva direto ao Cabaré da Lili.Como de costume, o Sacristão vem resmungando todo o caminho. Ao chegarmos em frente ao estabelecimento, ele empaca. Finca os calcanhares no chão.— Daqui eu não passo! — protesta, cruzando os braços e balançando a cabeça energicamente. — Entrar nesse cabaré em plena luz do dia é pedir para queimar no mármore do inferno!Cruzo meus olhos com os de Janaína e engulo a vontade de gargalhar. Não sou malvado a ponto de fazê-lo abandonar a missão religiosa, mas meu lado irônico se antecipa. Suspiro alto e faço uma cara compreensiva:— Ah, entendo. O que vão comentar? E os jornais? Já pensou na manchete: SACRISTÃO EM ATIVIDADE SUSPEITA NO CABARÉ?Janaína cobre a boca com a mão, morrendo de rir por dentro. O Sacristão titubeia:— Bem... não se trata disso... O padre confia em mim...— É, mas lembra o que andavam falando do Diego, antes de descobrirem que ele apenas ajudava as menina
JanaínaO Sacristão ora baixinho e olha pela janela do carro como se estivesse atravessando o próprio vale de sombras. O Diego, ao meu lado, mal consegue segurar o riso, trocando olhares cúmplices comigo pelo retrovisor a cada novo suspiro dramático do nosso "guardião celestial".Estico o pescoço para fora da janela e entendo o comportamento do acólito. Bastou ele ler o letreiro para a cor sumir completamente do seu rosto.A placa ostenta em letras garrafais e neon chamativo o nome do local: ACADEMIA BUMBA NA NUCA! (com o desenho estilizado de um búfalo sarado ao lado).— Misericórdia Divina... — o Sacristão balbuciou, fazendo o sinal da cruz três vezes seguidas. — Que tipo de nome de perdição é esse?! O Diego cai na gargalhada, apoiando os braços no volante.— Calma, Sacristão! É só uma homenagem à força do nosso búfalo do Marajó e ao ritmo do Carimbó! — disse o Diego, se divertindo horrores com o desespero do rapaz. — O dono quis juntar a pegada do treino de força com a ener







