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Capítulo 77

last update Data de publicação: 2025-09-09 03:34:54

Mikhail Vasiliev

O silêncio depois dos tiros era pior do que o barulho. Um silêncio pesado, cheio de poeira, de cheiro de pólvora. Minha respiração saía acelerada, e por um instante parecia que todos ao redor estavam sem entender o que tinha acabado de acontecer.

— Protejam a minha mãe! — gritei, a voz firme, mesmo que por dentro eu sentisse o chão escapar. Dois homens correram até a cadeira de rodas, formando um escudo ao redor dela. Vi que ela tremia, assustada, mas estava viva. Era isso que
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    Alena PetrovaSemanas depois…Eu nunca imaginei que uma cena pudesse se repetir com tanto significado. Semanas atrás, eu estava diante de um espelho, assustada, insegura, sem saber se merecia estar ali. Agora, estou no mesmo lugar, mas tudo era diferente. O reflexo que me encarava no espelho vestia o mesmo tipo de vestido, mas desta vez eu carregava no olhar uma certeza que antes não existia: estava prestes a me casar com o homem da minha vida.Passei a ponta dos dedos pelo tecido branco que descia em ondas suaves até o chão. O vestido era um sonho que parecia ter sido tecido com as próprias mãos do destino. A renda delicada formava desenhos de flores e arabescos, como se cada ponto tivesse sido feito para mim. O decote era discreto, mas realçava o suficiente para me fazer sentir bonita, confiante, sem excessos. A saia fluida balançava levemente cada vez que eu me movia, como se respirasse junto comigo.Meus olhos, involuntariamente, caíram para as mãos que repousavam na altura do meu

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    Alena PetrovaEu não sabia o que pensar. Juro que, por um segundo, cheguei a acreditar que minha visão estava pregando uma peça em mim. Mas não. Era ele. Em carne, osso e com aquele maldito sorriso presunçoso que me fazia perder o ar.Mikhail estava ali.Minha mãe, que até então observava a cena, tão tranquila quanto ele, levantou devagar, como se tivesse compreendido algo que nem eu mesma conseguia. — Com licença, eu vou deixá-los a sós. — Disse. E eu ainda tive a ligeira impressão de vê-la dando uma piscadela para Mikhail.Eu fiquei sem reação. Apenas pigarreei, tentando engolir a avalanche de emoções que se chocava dentro de mim, e soltei a primeira coisa que me veio à cabeça:— O que você quer?Ele ergueu uma sobrancelha, quase divertido com a minha hostilidade.— Apenas conversar.A risada escapou da minha garganta antes que eu pudesse impedir. Irônica, quase amarga.— Conversar? É engraçado você dizer isso, Mikhail, porque foi exatamente o que eu tentei fazer. E adivinha? Você

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    Alena PetrovaEu sempre gostei de livrarias. Mesmo não tendo visitado muitas durante os anos em que estive no convento. Talvez porque nelas eu pudesse fingir, mesmo que por algumas horas, que minha vida era tão simples quanto escolher um novo romance para ler e me perder em suas páginas. Estava sentada em uma cafeteria aconchegante no centro da cidade, com um livro aberto diante de mim e o aroma de café fresco preenchendo o ar. Era um daqueles dias comuns, banais, em que nada parecia fora do lugar.Ou pelo menos deveria ser.Eu já tinha lido a mesma frase três vezes, quando uma sombra se projetou sobre minha mesa. Levantei os olhos e vi uma garçonete sorridente, segurando um copo de café fumegante.— Aqui está. — Ela disse, depositando-o na mesa.Franzi a testa, confusa.— Eu… eu não pedi isso.A garota apoiou a bandeja no quadril e se inclinou levemente, como se estivesse prestes a me contar um segredo.— Eu sei. — respondeu com um brilho divertido nos olhos. — Só estou cumprindo ord

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    Mikhail Vasiliev O corredor parecia mais longo do que nunca. Cada passo que eu dava me deixava mais ansioso, como se o coração fosse explodir dentro do peito. Eu estava cansado de tanto silêncio, cansado da distância que criei entre mim e Alena. Por mais magoado que estivesse, eu ainda a amava. Era isso que me impulsionava, o que me fazia chegar mais rápido ao quarto que dividíamos.A maçaneta deslizou na minha mão e eu empurrei a porta devagar. O cheiro doce do perfume dela estava no ar, e por um segundo, me permiti acreditar que a veria ali, deitada, não no quarto onde disse que sua mãe deveria ser colocada. Talvez fingindo que dormia, ou sentada na cama. Mas a ilusão durou pouco.O quarto estava arrumado demais. Arrumado e… vazio.Meus olhos correram rápido pelas prateleiras, pela penteadeira, pelo espaço ao lado do guarda-roupa. As roupas que sempre chamavam minha atenção não estavam mais lá. A mala que ela mantinha guardada debaixo da cama também não. Cada detalhe gritava a ausê

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    Alena PetrovaEu e minha mãe deixamos para trás aquele galpão e todas as memórias que grudavam nas paredes como poeira velha. Não foi fácil, mas havia um certo alívio em respirar o ar de outro lugar, mesmo que o peito ainda doesse.Decidimos nos mudar e encontramos uma casinha simples na cidade vizinha. Nada luxuoso, mas tinha uma varanda pequena que pegava sol de manhã, e eu me apaixonei pelo barulho suave das folhas batendo na janela. Minha mãe passava horas sentada ali, como se cada raio de sol fosse um remédio para curar as cicatrizes invisíveis que ela carregava.No começo, ela parecia frágil, como se qualquer vento mais forte pudesse derrubá-la. Mas, pouco a pouco, vi aquela mulher que eu sempre admirei voltar a respirar fundo, cozinhar, até arriscar cantarolar enquanto mexia uma panela. E eu sabia o quanto isso significava. Numa dessas manhãs, quando o cheiro de café fresco enchia a cozinha, minha mãe me chamou para sentar. A expressão dela era séria, mas havia uma calma que e

  • A Freira Inocente Leiloada Pelo Mafioso   Capítulo 87

    Alena PetrovaEntrei no quarto devagar, com medo de acordá-la. Mamãe já estava deitada, o rosto sereno, mas os olhos abriam e fechavam como se lutassem contra o cansaço. Olga ajeitava os lençóis com aquele cuidado de quem já havia feito aquilo mil vezes, mas ainda assim tratava cada movimento como único.— Está tudo bem, senhorita Alena? — foi só quando Olga perguntou que me dei conta de que chorei em silêncio, pois senti meu rosto molhado.Respirei fundo e enxuguei o rosto, piscando algumas vezes e forçando um sorriso.— Está sim, Olga. — ela claramente não pareceu acreditar muito, mas também não insistiu no assunto. — Está mais confortável agora? — perguntei baixinho à minha mãe.Ela apenas sorriu, cansada, e fechou os olhos. Sentei na beira da cama e segurei sua mão. A pele estava fria. Passei o polegar devagar pelas veias que desenhavam seu braço, como se esse gesto pudesse ancorá-la aqui comigo.Olga saiu em silêncio, deixando-nos sozinhas. Mas eu sabia que se precisasse, a qualq

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