LOGINFicamos em silêncio.Os três. Parados naquele estúdio, cercados por ecos de uma traição que eu nunca teria imaginado.E, de repente, eu senti algo que não sentia há muito tempo.Não raiva.Não tristeza.Vazio.Um vazio absoluto, completo, que engoliu tudo.Porque, naquele momento, eu percebi que Vivian nunca me amou. E que Dominik, meu próprio irmão, era capaz de me apunhalar pelas costas sem pensar duas vezes.E que eu estava prestes a me casar com uma mulher que me traía com o meu sangue.---Virei-me e saí do estúdio.— Dante! — Vivian correu atrás de mim. — Dante, espera!Não esperei.— Dante, por favor! A cerimônia! Os convidados!Parei no meio do corredor.— Você ainda quer se casar?— Sim! — Ela agarrou meu braço. — Sim, eu quero. Dante, eu te amo. Isso foi um erro. Um erro horrível. Mas eu te amo.Olhei para ela.O vestido de noiva estava amassado. O cabelo, desfeito. A maquiagem, borrada. Ela parecia exatamente o que era: uma mulher que tinha acabado de ser pega em flagrante.
DanteEu não deveria ter contado a ela.Essa foi a primeira coisa que pensei quando as palavras saíram da minha boca. "Não." Eu não deveria ter dito aquilo. Não para Bianca. Não naquele momento. Não no dia do meu casamento.Mas as palavras já estavam no ar, e não havia como recolhê-las.Bianca ficou parada por um longo momento, os olhos castanhos fixos em mim, a boca levemente entreaberta. Eu podia ver o conflito no rosto dela — a vontade de dizer algo, o medo de dizer a coisa errada, a compaixão que ela tentava esconder atrás da postura profissional.— Você não quer se casar — repetiu ela, mais para si mesma do que para mim.— Não.— Então por que está aqui?Boa pergunta.Por que eu estava ali?Porque Franco me pressionou. Porque os acionistas estavam inquietos. Porque meu pai teria resolvido em uma semana. Porque Vivian esperava há três anos. Porque o mundo inteiro esperava que Dante Moretti fizesse a coisa certa.Nenhuma dessas respostas era boa o suficiente.— Porque eu não sei di
---Dante, por sua vez, estava ausente.Não fisicamente — ele estava lá, em todas as reuniões, em todos os jantares, em todos os eventos. Mas sua mente parecia estar em outro lugar. Ele sorria quando era esperado, acenava quando era necessário, dizia as palavras certas nas horas certas.Mas eu o conhecia agora.Eu sabia ler os sinais.O jeito como ele olhava para o vazio durante os brindes.O jeito como ele segurava a mão de Vivian sem realmente segurar.O jeito como ele desaparecia por alguns minutos, no meio das reuniões, e voltava com o rosto mais fechado do que antes.Ele não queria aquele casamento.Eu tinha certeza disso.Mas, por algum motivo, ele estava indo em frente mesmo assim.---A semana do casamento chegou rápido demais.A cerimônia seria em uma propriedade dos Whitmore em Palm Beach, um lugar que parecia saído de um filme — jardins intermináveis, árvores centenárias, um altar de mármore branco construído especialmente para a ocasião. Trezentos convidados. Imprensa cont
BiancaTrês semanas.Esse foi o tempo que Dante me deu antes de me convocar de volta ao trabalho.Três semanas que passei trancada no apartamento, cuidando de Carlos, que voltou do cativeiro magro, silencioso e com um olhar que eu nunca tinha visto antes. Ele não falava sobre o que tinha acontecido em Opa-Locka. Não perguntava sobre o dinheiro. Não fazia nada além de dormir, comer e ficar sentado no sofá encarando a parede.Eu não sabia o que fazer com ele.Não sabia o que fazer comigo.O dinheiro que eu tinha roubado — cinco mil e duzentos dólares — foi devolvido ao Moretti Group na manhã seguinte à minha conversa com Dante. Não porque ele tivesse pedido. Não porque alguém tivesse me obrigado. Mas porque eu não conseguia viver com aquilo. Transferi cada centavo de volta, usando as mesmas credenciais, e depois passei a noite inteira acordada, esperando que a polícia batesse na minha porta.Ninguém bateu.Dante não me ligou.Não mandou mensagem.Não fez nada.E, no fim da terceira sema
---A semana do casamento chegou rápido demais.A cerimônia seria em uma propriedade dos Whitmore em Palm Beach, um lugar que parecia saído de um filme — jardins intermináveis, árvores centenárias, um altar de mármore branco construído especialmente para a ocasião. Trezentos convidados. Imprensa controlada. Segurança reforçada.E eu, no meio de tudo, correndo de um lado para o outro, resolvendo problemas que apareciam a cada minuto.O florista atrasou.O coral desafinou.O vestido de uma das damas de honra rasgou.A tia Eleanor queria uma mesa diferente.O tio Harold não queria discursar.O fotógrafo precisava de mais tempo.O bolo chegou com a cor errada.O padre perdeu a voz.E Vivian, em cima de tudo, com o celular na mão e a paciência no fim, exigindo que cada detalhe fosse corrigido imediatamente.— Bianca, o coral! Não pode ser esse coral. Eu pedi o outro coral.— O outro coral cancelou em cima da hora, Vivian. Este é o melhor que conseguimos.— Melhor? Isso é um desastre. Você
BiancaTrês semanas.Esse foi o tempo que Dante me deu antes de me convocar de volta ao trabalho.Três semanas que passei trancada no apartamento, cuidando de Carlos, que voltou do cativeiro magro, silencioso e com um olhar que eu nunca tinha visto antes. Ele não falava sobre o que tinha acontecido em Opa-Locka. Não perguntava sobre o dinheiro. Não fazia nada além de dormir, comer e ficar sentado no sofá encarando a parede.Eu não sabia o que fazer com ele.Não sabia o que fazer comigo.O dinheiro que eu tinha roubado — cinco mil e duzentos dólares — foi devolvido ao Moretti Group na manhã seguinte à minha conversa com Dante. Não porque ele tivesse pedido. Não porque alguém tivesse me obrigado. Mas porque eu não conseguia viver com aquilo. Transferi cada centavo de volta, usando as mesmas credenciais, e depois passei a noite inteira acordada, esperando que a polícia batesse na minha porta.Ninguém bateu.Dante não me ligou.Não mandou mensagem.Não fez nada.E, no fim da terceira sema







