Se connecter---A semana do casamento chegou rápido demais.A cerimônia seria em uma propriedade dos Whitmore em Palm Beach, um lugar que parecia saído de um filme — jardins intermináveis, árvores centenárias, um altar de mármore branco construído especialmente para a ocasião. Trezentos convidados. Imprensa controlada. Segurança reforçada.E eu, no meio de tudo, correndo de um lado para o outro, resolvendo problemas que apareciam a cada minuto.O florista atrasou.O coral desafinou.O vestido de uma das damas de honra rasgou.A tia Eleanor queria uma mesa diferente.O tio Harold não queria discursar.O fotógrafo precisava de mais tempo.O bolo chegou com a cor errada.O padre perdeu a voz.E Vivian, em cima de tudo, com o celular na mão e a paciência no fim, exigindo que cada detalhe fosse corrigido imediatamente.— Bianca, o coral! Não pode ser esse coral. Eu pedi o outro coral.— O outro coral cancelou em cima da hora, Vivian. Este é o melhor que conseguimos.— Melhor? Isso é um desastre. Você
BiancaTrês semanas.Esse foi o tempo que Dante me deu antes de me convocar de volta ao trabalho.Três semanas que passei trancada no apartamento, cuidando de Carlos, que voltou do cativeiro magro, silencioso e com um olhar que eu nunca tinha visto antes. Ele não falava sobre o que tinha acontecido em Opa-Locka. Não perguntava sobre o dinheiro. Não fazia nada além de dormir, comer e ficar sentado no sofá encarando a parede.Eu não sabia o que fazer com ele.Não sabia o que fazer comigo.O dinheiro que eu tinha roubado — cinco mil e duzentos dólares — foi devolvido ao Moretti Group na manhã seguinte à minha conversa com Dante. Não porque ele tivesse pedido. Não porque alguém tivesse me obrigado. Mas porque eu não conseguia viver com aquilo. Transferi cada centavo de volta, usando as mesmas credenciais, e depois passei a noite inteira acordada, esperando que a polícia batesse na minha porta.Ninguém bateu.Dante não me ligou.Não mandou mensagem.Não fez nada.E, no fim da terceira sema
Fechei a porta atrás dela.E fiquei ali, sozinho, sentindo o peso do que tinha acabado de fazer.Eu não deveria ter feito aquilo.Eu deveria tê-la demitido na hora. Deveria ter chamado a polícia. Deveria ter protegido minha empresa, meu nome, meu patrimônio.Mas não fiz.Porque havia algo em Bianca Rossi que me impedia de agir com a frieza que eu sempre tinha.E isso me assustava mais do que qualquer roubo.---Passei o resto do dia distraído.Cancelei as reuniões da tarde. Deixei e-mails sem resposta. Fiquei sentado no escritório, encarando a parede, tentando entender o que estava acontecendo comigo.Amanda entrou duas vezes para perguntar se eu precisava de alguma coisa. Nas duas vezes, disse não.Às cinco da tarde, peguei o carro e dirigi até a casa de Vivian.Ela tinha voltado de Nova York naquela manhã. Ainda não nos tínhamos falado desde a discussão da noite anterior — a discussão sobre a lista de convidados, os parentes que não podiam ser convidados, os lugares na mesa, as core
Dante O telefone tocou às seis e quarenta da manhã. Eu estava acordado há vinte minutos, sentado na beira da cama, encarando o cinza do amanhecer pela janela do quarto. A casa estava silenciosa. Dominik ainda dormia no andar de baixo, e Vivian tinha partido para Nova York na noite anterior, depois de mais uma discussão sobre a lista de convidados que eu não tinha paciência para ter. A tela do telefone brilhava com um nome que eu não esperava. Departamento Financeiro. Às seis e quarenta da manhã. Aquilo não era normal. — Dante Moretti. — Senhor Moretti, desculpe ligar tão cedo. — Era a voz de Ricardo, o diretor financeiro, tensa de um jeito que eu raramente ouvia nele. — Temos um problema. — Que tipo de problema? — Uma transferência não autorizada. Sentei-me mais ereto. — Quanto? — Cinco mil e duzentos dólares. Pisquei. Cinco mil e duzentos dólares. Para uma empresa do tamanho do Moretti Group, aquilo era troco. Era o valor de um jantar de negócios. Era o
Ele não estava preocupado comigo. Estava preocupado com o trabalho. Com a eficiência. Com o desempenho.— Compreendo, senhor. Mas posso assegurar que meu desempenho não será afetado.— Já foi afetado.— Foi um erro. Não vai acontecer de novo.— Bianca.— Senhor, com todo o respeito, minha vida pessoal não é da sua conta.A frase saiu antes que eu pudesse me conter.Dante ficou em silêncio.E, por um segundo, eu vi algo mudar nos olhos dele. Algo que não era frieza nem desprezo. Algo que se parecia com... surpresa? Admiração?— Você tem razão — disse ele finalmente, a voz mais baixa. — Sua vida pessoal não é da minha conta.— Obrigada, senhor.— Mas se você precisar de ajuda... profissional... estou aqui.Aquilo era o mais perto de gentileza que ele tinha chegado comigo.— Obrigada.— Pode ir.Saí do escritório com as pernas tremendo.E, pela primeira vez em dias, senti algo além de desespero.Senti... medo.---Naquela noite, cheguei em casa e encontrei o apartamento silencioso.Sem C
BiancaPassei o domingo inteiro trancada no quarto.Carlos tinha ficado no galpão de Opa-Locka. Eu não sabia se estava comendo, se estava dormindo, se estava levando socorro ou se estava levando pancada. Não sabia nada. E a ignorância era pior do que qualquer certeza. A ignorância me corroía por dentro como ácido, me fazia imaginar cenários que eu não conseguia suportar.Tentei ligar para o número que tinham me passado.Ninguém atendeu.Mandei mensagem.Ninguém respondeu.Fechei o telefone e o joguei no outro lado da cama, sentindo o desespero crescer a cada hora que passava. Eu tinha duas semanas. Duas semanas para arranjar cinco mil dólares que eu não tinha, para salvar um irmão que tinha cavado a própria cova, para fingir que minha vida não estava desmoronando.Segunda-feira chegou como um carrasco.Acordei antes do despertador, o corpo dolorido de tanto ficar encolhida na mesma posição, os olhos inchados de chorar. Tomei banho, vesti a melhor roupa que tinha e me olhei no espelho.







