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A LUZ DOS OLHOS DE MAKSIM

Author: Dirtsa Aijem
last update publish date: 2026-07-26 05:11:03

~ALESSIA~

Eu não entendia como eu, uma pessoa acostumada a acordar cedo, havia despertado tão tarde. O sol já estava alto no céu, e a única resposta que consegui encontrar para aquilo era que eu estava exausta por causa da viagem e de tudo o que havia acontecido no dia anterior.

Permaneci deitada por mais alguns segundos, olhando para o teto, deixando minha mente se adaptar àquela nova realidade que eu havia escolhido sem hesitar e me perguntando como faria para alcançar meu objetivo.

Já não se tratava de fazer Maksim Volkov se apaixonar por mim, mas de domar aquela besta bruta. Porque, depois de conhecê-lo pessoalmente e da forma como ele havia me tratado, era nisso que ele havia se transformado para mim.

Uma besta bruta que precisava ser domada, domesticada e educada.

A pergunta seguinte que passou pela minha cabeça não foi se eu havia feito a coisa certa.

Foi se aquele stronzo havia voltado para casa.

Se voltou... a que horas? Porque eu não ouvi nada, a menos que tenha dormido como uma pedra, o que era perfeitamente possível.

Soltei o ar suavemente, irritada comigo mesma por estar pensando naquilo, e afastei os lençóis.

Não fazia sentido perder tempo com perguntas que não teriam resposta imediata.

Levantei-me e fui para o banheiro, cuidando do básico com movimentos automáticos, tentando manter a mente em branco enquanto me arrumava e escolhia o que vestir entre as minhas coisas.

Quando fiquei pronta, olhei para o espelho por um segundo a mais do que o necessário, não para conferir minha aparência, mas para me lembrar exatamente de onde eu estava e do motivo.

Não havia volta.

Saí do quarto e caminhei lentamente pelo corredor do segundo andar, observando cada detalhe ao meu redor.

A casa era exatamente o que eu esperava de alguém como Maksim: moderna, impecável, exagerada sem ser vulgar. Tudo estava em seu devido lugar, tudo transmitia ordem, controle... e uma ausência de vida quase inquietante. Não havia vozes, nem passos, nem o menor som que indicasse que mais alguém habitava aquele espaço.

Aquela quietude era tão absoluta que, por um instante, tive a absurda sensação de estar sozinha no mundo.

Desci a escada com a mesma calma, percorrendo o primeiro andar com o olhar, esperando encontrar algum sinal de atividade. Não havia nada. Nem um empregado, nem um guarda à vista, nem sequer o ruído distante de alguém se movendo. Apenas silêncio.

Eu não sabia exatamente para onde ir, mas a sala de jantar parecia uma opção lógica.

Então atravessei o hall de entrada, passando por uma enorme sala de estar, elegante, perfeitamente decorada, mas tão intacta que parecia jamais ter sido usada. Continuei andando, passei diante de uma porta fechada que, imaginei, levava a um escritório e, por fim, encontrei a sala de jantar.

Era desproporcional.

Uma mesa enorme, projetada para acomodar dezenas de pessoas, ocupava o centro do ambiente, cercada por cadeiras perfeitamente alinhadas.

Parei por um instante, observando o espaço, perguntando-me se alguém mais morava ali além dele e dos empregados... ou se ele simplesmente gostava de excessos e ostentação.

Foi então que ouvi um barulho atrás de mim.

Virei-me e encontrei uma mulher na entrada. Uma empregada. Sua presença foi tão silenciosa quanto todo o resto daquela casa. Sorri para ela por pura cortesia, e ela retribuiu o gesto.

— Olá — cumprimentei.

Ela respondeu em russo, com uma leve inclinação de cabeça.

Franzi a testa.

— Você fala inglês?

A mulher pareceu confusa por um segundo antes de balançar a cabeça negativamente. Hesitou por um instante e depois, com um forte sotaque, disse em um inglês precário:

— Só russo.

Estalei a língua suavemente, mais irritada comigo mesma do que com ela. Eu deveria ter aprendido o idioma antes de me meter nessa história. Era um erro básico.

A mulher levantou a mão, fazendo um gesto para que eu esperasse. Assenti, supondo que ela iria buscar alguém que pudesse se comunicar comigo. Ela se virou e saiu apressada, deixando-me sozinha outra vez naquele espaço grande demais.

Fiquei parada, sem me mover, deixando que o silêncio voltasse a se instalar. Cerca de um minuto se passou quando um som diferente chamou minha atenção. Não foi o barulho em si, mas algo mais sutil... uma voz feminina falando um inglês perfeito.

Virei a cabeça na direção de onde vinha a voz e caminhei até a porta de vidro que dava para o lado de fora, esperando encontrar alguma outra funcionária. Mas o que vi foi algo completamente diferente.

Uma mulher estava deitada em uma espreguiçadeira ao lado da piscina, tomando sol como se nada no mundo fosse capaz de perturbá-la.

Ela usava um maiô que deixava pouco para a imaginação, sua pele de leite contrastava com o rico tom chocolate de seus cabelos, longos, ondulados, caindo naturalmente sobre os ombros até a cintura.

E do corpo dela nem se fala. Era... impressionante.

Parecia uma daquelas supermodelos do catálogo da Victoria's Secret.

E foi exatamente isso que me fez cerrar a mandíbula.

A raiva me atravessou de repente, rápida, limpa, sem nuances. Porque a primeira coisa em que pensei não foi em quem ela era, mas no que fazia ali. E a resposta mais óbvia não me agradou nem um pouco.

Aquela besta bruta não estava nem aí para o casamento.

Ele havia trazido outra mulher para dentro de casa. Ou pior... ela já morava ali.

Não hesitei.

Abri a porta de vidro e saí para o jardim, caminhando decidida em direção à piscina. Cada passo que eu dava reforçava a conclusão a que havia chegado e, quando fiquei perto o suficiente, a mulher notou minha presença.

Ela se apoiou em um dos cotovelos com elegância, tirou os óculos de sol e me encarou com impressionantes olhos de um azul vibrante.

Sorriu.

— Olá — disse naturalmente.

Parei diante dela, cruzando os braços.

— Olá — respondi, franzindo a testa. — Quem é você?

Seu sorriso se alargou, como se a pergunta lhe parecesse divertida.

— Bem, digamos que eu sou a luz dos olhos de Maksim.

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