LOGIN~ARTEM~—Não vale se esconder atrás do sofá!—Vale, sim!A voz de Emiliano saiu abafada de algum lugar da sala, e precisei conter um sorriso enquanto fingia não saber exatamente onde ele estava.O apartamento cheirava a pimenta, coentro, cebola, cominho e alguma coisa que Mina havia colocado para cozinhar fazia um tempo, e da cozinha vinham o barulho dos utensílios, o som das gavetas abrindo e fechando e uma ou outra advertência para que Emiliano tomasse cuidado e não quebrasse nada.Antes, teria me incomodado ter tanto barulho ao meu redor. Eu gostava do silêncio, de ter cada coisa em seu lugar e de voltar para um lugar onde ninguém perguntasse nada nem interrompesse meus pensamentos. Agora havia brinquedos espalhados por todos os cômodos, um menino rindo e gritando pelos corredores, uma mulher ocupando minha cozinha como se sempre tivesse pertencido àquele lugar e a casa inteira cheirando a comida mexicana.O estranho era que eu já não me lembrava por que havia gostado tanto do silê
~MINA~Acordei devagar, ainda meio enroscada nos lençóis, com aquele cansaço agradável que uma noite intensa demais deixa e uma sensação de tranquilidade que demorei alguns segundos para identificar.O quarto estava na penumbra e, por um instante, minha cabeça quis me levar diretamente à manhã seguinte ao nosso casamento, quando acordei sozinha na cama de Artem e ele já havia ido embora. Dessa vez, não.Artem continuava ali, deitado ao meu lado, de lado, com o rosto relaxado e uma das mãos envolvendo minha cintura.Dormindo, ele parecia diferente. Menos intimidador. Menos mafioso. Quase normal, se é que alguém podia chamar de normal um homem enorme, tatuado e capaz de matar alguém sem piscar.Fiquei observando-o por mais tempo do que deveria, percorrendo com o olhar a linha de sua mandíbula, os cabelos um pouco bagunçados e aquela expressão tranquila que raramente mostrava quando estava acordado.Sorri porque a diferença entre aquela manhã e a anterior era absurda.Na primeira vez, eu
~MINA~ Suas mãos foram até a parte inferior das minhas costas, abaixando o zíper do meu vestido bem devagar, deixando-o cair aos meus pés. Eu estava nua diante dele, exceto pela minha calcinha de renda. A tensão era deliciosamente insuportável; cada segundo que passava me fazia desejá-lo ainda mais. E ele sabia disso; estava demorando de propósito. Seus dedos traçaram a curva dos meus quadris antes de enganchar o polegar na cintura da minha calcinha e puxá-la para baixo. —Linda —ele murmurou contra meus lábios, seu corpo era uma parede dura de músculos contra o meu. Ele desabotoou as calças, empurrando-as para baixo junto com a cueca, tudo em um movimento apressado. Sua ereção se liberou e eu suspirei ao vê-la, ereta e orgulhosa diante de mim. Era linda de uma forma que beirava o pecaminoso. Finalmente, ele estava de pé diante de mim, completamente nu. Seu corpo, como sempre, era tentador. Mas era a maneira como ele me olhava que realmente me derretia. Suas mãos caíram
~MINA~Artem me deu mais, erguendo-me contra seu corpo, saboreando-me, saboreando a lateral do meu pescoço, bem onde sabia que me deixaria louca. Minhas pernas se envolveram ao redor dele, apertadas. Suas mãos se enredaram em meus cabelos.Senti que estava começando a perder a cabeça.Enquanto nossas bocas continuavam se devorando com uma fome voraz, Artem me levou até seu quarto, exatamente como eu havia pedido antes.Assim que abriu a porta e entrou, ele me prendeu contra a parede mais próxima. Seus olhos escureceram e faiscaram de pura luxúria quando deslizou as mãos por baixo da saia do meu vestido de verão, acariciando minhas coxas e alcançando a parte da frente da minha calcinha, úmida de desejo de tê-lo dentro de mim e senti-lo novamente.Ele soltou um grunhido animalesco e enterrou o rosto no meu pescoço, lambendo-o e chupando-o, ao mesmo tempo que dois de seus dedos abriam caminho por dentro da minha calcinha e acariciavam meu sexo.Joguei a cabeça para trás, deixando escapar
~MINA~Soltei uma risadinha.—Essa última parte foi culpa sua.—Não mude de assunto.Estreitei os olhos e fiz um gesto com a mão para que continuasse. Eu queria. Não, precisava que aquele güero cabeça-dura continuasse declarando o que sentia e o que queria.—Então continue —exigi.Seus lábios se curvaram discretamente.—Não quero que o nosso relacionamento seja ir para a cama uma noite e depois fingir que nada aconteceu. Também não quero continuar contando os meses até o divórcio chegar, como se fosse algo que estou esperando.Aquilo me atingiu com mais força do que eu esperava.—Eu também não.Artem me observou.—Também não o quê?—Também não quero nada disso. —Respirei fundo—. Eu também gosto de você, güero. Muito. E não quero continuar fingindo que você é apenas o homem com quem fiz um acordo porque precisava de proteção. Faz tempo que deixou de ser apenas isso.Alguma coisa mudou em sua expressão, uma espécie de alívio que ele tentou esconder tarde demais.—Então fomos dois idiota
~MINA~Terminei de colocar Emiliano na cama e caminhei até a porta, perguntando-me se Artem estaria lá fora, na sala, ou se teria encontrado alguma desculpa para fugir de mim.As coisas entre nós haviam melhorado consideravelmente depois do incidente com a pimenta na comida dele e daquela conversa que tivemos, mas parecia que ainda existia certo desconforto entre nós e já não conseguíamos nos tratar com a mesma naturalidade de antes.Eu sabia muito bem qual era o motivo de me sentir desconfortável com ele: era porque queria mais, queria repetir nossa noite de núpcias e que aquele pinche russo me desfizesse entre suas mãos, mas ele não me dava nenhum maldito sinal de que queria satisfazer meus desejos.Quando cheguei à porta, segurei a maçaneta e, antes de girá-la, respirei fundo para criar coragem.Finalmente abri a porta e saí, sem saber se queria encontrá-lo ou não.Pinche madre.Lá estava o güero, sentado em uma das poltronas da sala e, não sei por quê, parecia estar me esperando.







