INICIAR SESIÓNCapítulo 108Manuela Rossi MontenegroDepois de uma lista de vitaminas e alguns remédios, estávamos reunidos no salão do hotel, brincando e vibrando com a boa-nova.Todos estavam felizes demais, mas minha mãe ainda estava com medo do que os outros poderiam pensar ou falar sobre ela.— Aquele quarto no rancho do Texas vai ter que ser renovado.— Verdade, papai. Mas confesso que, com o bebê, vai ser muito mais difícil imaginar vocês morando tão longe. Vou acabar com sua fortuna em viagens.— Nem que viajasse todos os dias, minha filha. Depois que sua mãe me deixou, o que eu fiz da vida foi fazer dinheiro. Foram vinte e cinco anos fazendo dinheiro, e ele continua dobrando diariamente. Você vai ter que se esforçar muito e ainda assim não vai conseguir acabar com ele.Cheguei a ficar entalada.Eu realmente nunca tinha parado para olhar quanto meu pai tinha. Até porque os números mudavam diariamente. E não era apenas dinheiro. Havia propriedades, investimentos e o ramo de gado leiteiro, que
Capítulo 107Manuela Rossi MontenegroQuero um vestido que eu bata o olho e diga: é ele. Não quero ter dúvidas. Por isso está sendo tão difícil...Depois de deixar tudo no hotel, saímos eu, Ellen e minha mãe.Aqui tinha bastante loja desse gênero, exatamente por causa dos casamentos relâmpagos.Minha mãe estava melhor, mas ficava reclamando que estava com fome o tempo todo.O que nos fazia rir, porque, por cada lugar de comida que passávamos, ela comia alguma coisa.— Essa é a última loja. Estou cansada já. Depois daqui vamos jantar.Falei resmungando, já estava triste por não gostar de nada, quando vi o vestido mais perfeito que eu poderia usar no meu grande dia.Era modelo sereia, com decote coração, feito de cetim com um leve brilho.Eu queria um chapéu branco e botas texanas.Assim que o vesti, já fiquei emocionada.Ele caiu como uma luva. Parecia que tinha sido desenhado especialmente para o meu corpo.Minha mãe chorou muito quando me viu vestida. E olha que eu nem estava pronta
Capítulo 106Manuela Rossi MontenegroAcordei naquela manhã ao lado de Marcos e, por alguns segundos, fiquei apenas olhando para ele.Era estranho pensar que, depois de tudo o que havíamos vivido, finalmente estávamos ali.Miami.E, naquela noite, Las Vegas.Amanhã eu me casaria com o homem que amo.Depois de tomarmos banho e nos arrumarmos, descemos para o café da manhã.Ellen e Gael já estavam à mesa com meus pais. Assim que me aproximei, percebi que os dois trocavam olhares cúmplices. Eles estavam prontos para contar aos meus pais.Nós sentamos e logo minha mãe olhou pra eles com estranheza, Ellen quieta sempre era estranho.— O que foi? Aconteceu alguma coisa?Ellen olhou para Gael e sorriu.— Temos uma coisa para contar.— Que cara é essa? Agora fiquei preocupada.Gael segurou a mão dela.— Ontem, no jantar, eu fiz uma pergunta para a Ellen.Ellen levantou a mão, mostrando o anel.— E eu aceitei.Minha mãe ficou alguns segundos olhando para o anel antes de abrir um sorriso enorme
Capítulo 105Manuela Rossi MontenegroFizemos conexão em São Paulo e agora estamos na última, em Miami. Vamos ficar aqui hoje e embarcamos para Las Vegas somente amanhã à noite.Já era nosso plano inicial. Eu queria muito conhecer Miami, mas minha mãe está estranha. Mesmo dizendo que é apenas cansaço, estou preocupada.— O hotel que reservamos é aqui perto. Vamos tomar um banho e depois sair para dar uma explorada.— Acho que vou descansar um pouco, mas vocês podem aproveitar. Amanhã eu prometo que acompanho vocês.Minha mãe falou aquilo, me deixando ainda mais preocupada.— E para com essa carinha. Não é nada, só estou cansada.— Não seria melhor levar ela ao hospital, pai?— Não, nem começa. Só preciso descansar. Vocês são jovens, vão aproveitar.Depois que chegamos ao hotel, descobrimos que os três quartos ficavam no mesmo andar.Eu e Marcos tomamos banho e descemos para esperar Ellen e Gael no bar do hotel.— O que você acha que está acontecendo com a minha mãe?— Acho que ela est
Capítulo 104Marcos GoulartFiquei com Manuela nos meus braços durante a noite, como se, a qualquer segundo, ela pudesse escapar entre os meus dedos. A sensação de impotência era horrível demais.Eu sabia, entendia que a culpa era de Olívia, que ela havia feito aquilo, mas eu não consegui impedir. E, por mais coisas erradas que ela tivesse feito, ainda era um ser humano. Perturbado, perdido, capaz de tomar decisões terríveis, mas ainda assim um ser humano.Aquilo também me fez perceber ainda mais o quanto a vida era um sopro. Que não podíamos passar a existência inteira esperando pelo momento certo para viver nossos sonhos.O dia estava quase amanhecendo quando tirei Manuela devagar dos meus braços e fui até o meu quarto. Ajustei as últimas coisas que faltavam para a nossa viagem e desci atrás do cheiro de café que já havia tomado conta da casa.— Bom dia, pai. Bom dia, Helena.— Bom dia, meu filho. Como está? Conseguiu dormir?— Quase nada. Minha cabeça não desliga.— Foi muito trist
Capítulo 103Manuela Rossi MontenegroMeus pais assinaram os papéis do casamento na sala de casa.Os comes e bebes que haviam sido preparados para a festa agora pareciam apenas objetos perdidos no contexto daquele dia. Ninguém tinha cabeça para comemorar.A polícia estava ali, colhendo depoimentos e tentando entender exatamente o que havia acontecido.Marcos permanecia ao meu lado, ainda em choque. Pedi que Ellen e Gael fossem até o hospital para buscar notícias e nos manter informados.Enquanto isso, ficamos esperando que o local fosse periciado e que tudo fosse esclarecido.O delegado terminou de fazer algumas anotações e nos encarou.— Eu imagino que estejam todos muito abalados, mas vocês não tiveram culpa de nada. Ela estava em surto. Vocês souberam o que ela fez com o pai?— Não. Não tínhamos contato há muito tempo. Ela esteve aqui alguns dias atrás, mas mal passou do portão.O delegado assentiu.— Antes de vir para cá, ela brigou com o pai porque ele estava controlando o pouco







