登入Dalva não resistiu e riu abertamente, provocando um rosnado de raiva de Lídia.
— Não me provoque, Dalva! — Ou o quê? Vai puxar meus cabelos e me obrigar a rolar no chão com você, como faz com as outras fêmeas? — provocou-a Dalva. — Você não parou com isso, Lídia? — perguntou Noah. — São elas que me provocam. — É isso que você quer fazer comigo? Acho bom, então, eu comer mais mingau. — disse Lorena, provocando mais risadas de Dalva, que, imediatamente, serviu mais mingau a ela. — Nossa, como você come. Deve estar faminta, mesmo. — comentou Lidia, observando melhor a fêmea ousada. Viu que estava muito magra, com os cabelos maltratados, unhas quebradas como se tivesse passado anos fazendo limpeza de casa. Suas roupas estavam puídas e encardidas e teve pena. — Quer que eu cuide dela, Alfa? Posso ser sua Pigmalião. — Não há necessidade, do jeito que te conheço, você tentará humilhá-la, fingindo estar ajudando. Dalva fará isso. Por agora, quero que avise na Alcateia que estou com uma hóspede e não quero visitas. — Nossa, que marra… — Também não quero mais você aqui, entendeu? Lídia não gostou, mas resolveu ficar quieta, até descobrir o que estava acontecendo. O Alfa saiu, mas ela ficou e perguntou: — Quem é ela, Dalva? Por quê está tão maltratada? — É irmã do novo Beta, o Lucas, que está preso por a ocultar de todos. — Oh, não, não pode ser, a deusa não faria isso comigo. — sussurrou Lídia, mas Dalva e Lorena escutaram com sua audição lupina. Lidia saiu do jeito que chegou, como um furacão. — O que será que está acontecendo? — Ela é companheira do meu irmão, mas não aceita. Eu também não aceitaria. — Você é danadinha. Tem uma aparência frágil, mas sabe muito bem se defender. Só não entendo porque você não se defendeu do seu irmão. — Eu não tinha minha loba e ele não deixava eu comer e me batia muito, me mantendo sempre fraca. — Que horror, como ele pôde fazer isso com a própria irmã? — Era a prática do Alfa de nossa Antiga Alcateia. Humanos, fêmeas e ômegas só serviam para trabalhos caseiros e pesados. — Aqui não é assim, você será muito bem tratada e pelo que ouço, minha tropa de choque já está chegando. Termine logo. — Tropa de choque? — Sim, chamei algumas fêmeas especialistas em transformação, que vão cuidar muito bem de você. Lorena não disse que podia cuidar de si mesma. Bastaria um estalar de dedos e estaria novinha em folha, mas denunciaria sua magia, então ficou quieta, recebendo o que lhe era dado. Logo, quatro fêmeas entraram pela porta da cozinha e chegaram à sala de jantar. Antes mesmo de cumprimentarem Dalva, olharam para Lorena e lamentaram sua aparência tão desgastada. — Pobrezinha, bem que você falou, Dalva, que era um super trabalho. — disse a cabeleireira Leila. — Olha essas unhas? Parece que nunca viram uma manicure. — disse Cássia, a manicure. — Olhando as sobrancelhas, fico imaginando como está a floresta lá embaixo… — disse Dirce, a depiladora, provocando riso em todas. Dalva apresentou todas a Lorena e levou-as para um quarto na ala oeste da mansão, no primeiro andar, que era reservado para esse tratamento. O Alfa achou bom, ter um local especial para quando dava suas festas e os convidados ficavam hospedados na mansão, assim suas companheiras tinham onde se arrumar. — Que comecem os trabalhos! O dia foi cheio para Lorena e trabalhoso para a equipe da “reforma”, mas valeu a pena. A transformação foi um sucesso: os cabelos receberam um novo corte, hidratação e modelagem, caindo ondulados, pelas costas. As unhas foram manicuradas e pintadas. Todo o corpo foi depilado, sobrancelhas desenhadas e por fim, recebeu um banho medicinal com esfoliação e uma boa massagem, que deixou sua pele branca, sedosa e macia. No meio da tarde, chegaram várias araras com roupas de todos os tipos e modelos e Lorena pode escolher o que mais gostava e lhe era confortável. Todas admiraram o resultado do trabalho conjunto e aplaudiram o que viam. — Você está linda, querida! Agora, ninguém mais ousará te humilhar. — disse Dalva. — Pelo visto, Lídia já passou por aqui…— comentou Dirce, que conhecia bem a peste. — Você conhece a peça. — respondeu Dalva. — Talvez você possa nos dizer quem é ela, finalmente, Dalva. — questionou Cássia, a manicure. — Sou a irmã mais nova do Beta Lucas. — respondeu Lorena, no lugar de Dalva. Todas arregalaram bem os olhos e escancararam as bocas, de surpresa. Nenhuma emitiu som algum, estarrecidas com o estado em que estava a pobre garota. Agora, era uma mulher linda, apesar de ainda muito magra, e ficaram sem entender a atitude do Beta. — Mas porque ele a tratou tão mal? — Eu não me transformei quando fiz 16 anos. Então ele pensou que eu era uma Ômega e na nossa antiga Alcateia, as ômegas só servem para ser criadas da família. — Justificou o irmão, não querendo incentivar a maledicência. — Que crueldade… Todas estavam a comentar sobre a maldade do Beta Lucas, então Dalva às informou que ele estava devidamente preso e seria punido pelo que fez a irmã. — O Alfa ficou furioso por Lorena não ter sido apresentada. Ela foi encontrada na floresta, tão desnutrida e ferida, que foi tomada como uma desgarrada e quase foi morta pelos nossos guardas. — Se eles conseguissem matar, pois ouvi dizer que encontraram uma Alfa. Será a companheira de Noah? — conjecturou Leila. Dalva se preocupou com o excesso de falação e tratou de dispensar toda a equipe, agradecendo a todas e dando uma cesta de produtos de presente para cada uma. — O trabalho está encerrado e muito bem feito, vamos nos dispersar e continuar nosso dia que ainda não terminou. Muito obrigada meninas, o trabalho de vocês com certeza será percebido e bem pago. Todas se despediram e Lorena foi até a porta, levá-las, acenando e percebendo que outras pessoas estavam por perto e olhavam para ela, admirados. — Venha comer, Lorena, você precisa fortalecer seu corpo, para sua loba poder correr à vontade. — Tenho que fazer uma coisa esta noite, Dalva. Você pode preparar um lanche para eu comer depois, posso correr o risco de passar mal, se comer antes.O CovemDois anos depois, Alcácer convocou todos os bruxos para o Coven, a reunião do conselho com todos o clã dos bruxos. O local que escolheram foi o estádio que Heili construiu em sua Alcateia.Bruxos e bruxas viajaram, alguns de vassouras, outros de motos voadoras ou terrestres. Os feiticeiros, como Alcaer, Soraya, Ramón e a própria Heili, abriram portais e todos puderam ir.Essas reuniões sempre aconteciam de madrugada, assim não eram vistos pelos humanos e conforme foram chegando, buscavam por lugares onde ficassem o mais ocultos possível. Sempre se escondendo dos que os perseguiam para matar.Quando chegou a horaarvada por Alcaer, todos estavam presentes e Alcaer iniciou a reunião:“ Atenção, todos. Este couve em especial foi marcado para narrar os acontecimentos dos últimos anos todos conhecem a história que transmitir a todas as aldeias. Tomei algumas decisões e vou passar para todos, quero que possam se manifestar caso não concordem. Vou apresentar-lhes agora, a nossa mais
Mas Lucil estava bem acordada e seu pó anestésico já estava pronto. Esperaria dar meia noite e a lua cheia estar plena no céu, para iniciar a retirada do sangue e conjurar o feitiço. Colocou cada coisa em seu lugar, inclusive os filhotes, cada qual em uma maca, com o cateter, tubo e pote para extração do sangue ao seu lado. Uma brisa soprou a nuca de Lorena e ela se arrepiou, sentindo o coração pular uma batida. Ao mesmo tempo, cinco bruxas pousaram em suas vassouras. Nithrá trazia alguém com ela e Lorena correu até elas. — Que bom que chegaram, sou Lorena. — A loba bruxa? É um prazer conhecê-la. Sou Nithrá, a companheira de Alcaer e essa é Lara, a Loba Vermelha. Lorena olhou para Lara, emocionada. Ninguém que visse Lara e conhecesse Leonora, diria que não eram parentes. Ela era quase perfeitamente a imagem da tataravó. — É um prazer, realmente, conhecer uma prima, mas creio que não temos tempo de esclarecer isso agora, acredito que Lucil tirará o sangue dos filhotes a meia n
Alguns guardas voltaram e comunicaram que em determinado ponto da floresta, eles se perdiam e não conseguiam entrar. Norman percebeu que havia ali uma barreira de bruxaria e mentalmente, avisou o Alfa e a Luna. Noah ficou desesperado com a notícia e correu de volta para a sede da sua Alcateia. No caminho, estranhou um som longínquo em sua mente, continuou deixando Hulk correr e abriu a comunicação com suas filhas. Genevive e Jéssica estavam juntas e Genevive falava com ele: “ Papá, papá, buxa má pega nós. Salva Nevive e Jessi. ““ Estamos indo, quem mais está com vocês? ““ Imãos, pimos, Cacá (a filha de Dalva) e otas da queche .”“ Está bem, querida. Se a bruxa quiser fazer algum mal para vocês, brinquem de esconde-esconde.”“ Tá bem, papá. “Eles fecharam a comunicação e Hulk continuou correndo. Chegaram à fronteira da floresta e encontraram Normam esperando.— Onde estão Lorena e Ananias? — Eles estavam desfazendo a bruxaria maligna que Lúcil colocou na Alcateia e disseram que v
Levou a poção para a área externa, riscou um grande pentagrama no chão, colocou as velas de incenso nas pontas da estrela e posicionou-se no centro, onde recitou o feitiço e jogou a poção sobre sua cabeça, vagarosamente. O pentagrama incendiou, as velas aumentaram suas chamas e seu corpo aqueceu de tal forma que parecia que ia incendiar. Um cheiro nojento saiu do seu corpo e evaporou-se no ar. Quando tudo terminou, ela sentiu que estava de posse de suas energias novamente. — Então, era um feitiço de manipulação da mente e do corpo, isso significa que ela está por perto.“ Exatamente, Lorena. Nós também estávamos fracas e por isso não conseguimos falar com você. Foi necessário que se abrisse uma brecha e pudéssemos voltar a nos comunicar. “ Disse Nox.Lorena deixou Nox sair e ela passou por uma sombra, saindo próxima à cabana de Ananias. Ela sabia que o bruxo estava em sua cabana, preparando alguma coisa e por isso foi direto até ele para limparem a Alcateia.Bateu na porta e entrou
O ex-corvo olhou para a pessoa a sua frente e franzindo a testa, perguntou:— Gráá…quem é você?— Sou o seu filho, Tony, papei.Afastando as mãos do suposto filho de seus ombros. Moveu negativamente a cabeça e rejeitou-o.— Não pode ser! Meu filho não é mais velho do que eu, meu filho… gráh… é pequeno.Alcaer se aproximou e explicou a situação para o macho que perdeu a noção do tempo:— Ele ficou muito tempo na forma de corvo e perdeu a noção da realidade, e do tempo que passou, precisamos ter paciência e relatar, aos poucos, o que ele perdeu durante os anos passados.— Bruxos, magia, poder… cansei…já sabemos o que a bruxa queria e o que fez. Precisamos limpar tudo e decidir o que faremos com esses Alfas traíras. — disse Noah, cheio de ouvir sobre tanta coisa ruim. Aquela do corvo ser humano foi o fim da picada.Ninguém estranhava mais os ataques céticos do Alfa e ele sempre tinha razão.— Você tem razão, Noah. Hilia e eu assumimos daqui. Se você permitir, vamos sabatiná-los. Mant
Leonora baixou os olhos, constrangida, mas pediu para iniciar os relatos, já que era a mais antiga. — Esperava por isso, percebi que o conteúdo das cartas te lembraram de algo. — disse Lorena. Leonora intuiu que foi a magia das suas descendentes que compartilharam seus pensamentos com Lorena. — Vou te devolver essas fofoqueiras o mais rápido possível, vou só concluir o meu assunto com Lucil e partir para conhecer meu único descendente. — Comece a falar, Leonora, estou sem paciência. — ordenou Alcaer, com sua autoridade de Supremo. — Está bem, está bem. Eu não sabia exatamente o que Lucil queria, mas ela falava o tempo todo sobre um tesouro. Sobre tomar posse da terra e mandar em tudo, mas não conseguiu por causa de Armand. — Como assim? Como ela pretendia tomar as terras e mandar em tudo? — perguntou Noah. — Primeiro, vocês precisam saber que quem começou a guerra entre Lobisomens e bruxos vem desde a criação. Existem várias histórias contando como os lobisomens surgiram,







