LOGINLucas fitou o Alfa, completamente perplexo. Não sabia que havia um ritual. Na sua antiga Alcateia, nunca percebeu ou foi ensinado sobre isso. Simplesmente se reuniam, uivavam para a lua e a transformação acontecia.
— Eu não sabia, deixei Lorena em casa, para se transformar sozinha… O Alfa rosnou e não aguentou mais. — Guardas! — Sim, Alfa! — Levem-no para a cela, tranquem e que fique lá até eu decidir o que farei com ele. Quanto ao seu grupinho de amigos, fiquem na linha ou vou cortar suas cabeças. Agora saiam. Depois que todos saíram, com Lucas gritando impropérios, sentindo-se injustiçado, levantou-se e colocou Lorena de pé, longe dele. Tinha demonstrado cuidado com ela, apenas para que todos vissem e Lucas respondesse o que ele queria saber. Mas agora, queria distância daquela coisinha mirrada, que não se parecia em nada com uma Luna poderosa como deveria ser. — Venha comer! — O que fará comigo, Alfa. — Ainda não sei. Por hora, quero que coma e descanse, para melhorar dessa fraqueza. Sentou-se ele na cabeceira e ela permaneceu de pé, como fazia sempre, para servir seu irmão. Ele percebeu e olhou para ela de testa franzida. — O que está esperando, sente-se. — Posso? Noah irritou-se, rangendo os dentes, ao ver o que Lucas fez com a própria irmã, mas Lorena entendeu que ele estava com raiva dela. Sentou-se, rapidamente, em uma cadeira na lateral da mesa, mas a duas cadeiras de distância dele. — Bom dia, Alfa! — cumprimentou Dalva, entrando com um bule de café quente na mão — Quem é esta jovem fêmea? — É isso, uma jovem fêmea que encontrei sozinha na floresta. Cuide bem dela, parece que passou muitas privações nos últimos tempos. — Sim, Alfa. Dalva era uma fêmea com mais idade, sem ser velha e mantinha sua aparência jovial. Como a governanta, serviu a xícara do Alfa e foi até Lorena, servindo sua xícara também. Desconfiou que ela era a irmã que o Beta Lucas estava procurando, pois ouviu um pouco da conversa que tiveram. — Bom dia, querida. Meu nome é Dalva, sou a governanta desta casa e vou cuidar muito bem de você. — Obrigada, me chamo Lorena. De repente, um furacão em forma de mulher entrou na sala e se jogou no colo do Alfa, devorando sua boca com um beijo apaixonado. Lorena, ao ver a ousadia da outra, tentou se controlar, mas sua loba rosnou em desagrado e em um segundo, a fêmea ousada foi atirada longe, caindo no chão. Dalva não disse nada, mas ouviu nitidamente o rosnado da loba de Lorena e ficou desconfiada. Estaria ali, naquela figura mirrada e desnutrida, a companheira do Alfa? Pelo visto, ela não era nada fraca, mas ficou quieta, já que o rosnado foi baixo e a jovem nem se mexeu. — O que foi isso? — perguntou a fêmea de voz esganiçada — você me empurrou, amor? Não gostou de me ver? — perguntou ela, levantando-se e se aproximando devagar, do Alfa, já que não queria levar outro tombo. — Não fui eu que te empurrei, nem tive tempo de te ver para dizer que não gostei, pois estou com visita. Já falei para você não ser tão invasiva. — Bom dia, Lídia. Esta é Lorena. Já tomou café? — falou Dalva. Lídia aproximou-se de Lorena, sem ligar para Dalva e perguntou: — Quem é você, coisinha? — Sou Lorena, não coisinha e você, quem é? — perguntou Lorena, muito docemente. — Olha como ela é marrenta… cuidado como fala comigo, coisinha, sou sua Luna, meu nome é Lí… Conforme falava, a voz de Lídia ia ficando cada vez mais esganiçada, até que ela começou a cacarejar e não falou mais. Dalva tentava disfarçar o riso, até que colocou a mão na boca para o conter. Noah não foi tão discreto e soltou uma enorme gargalhada. — O que está acontecendo com você, hoje, Lídia? Ela cacarejou no lugar de responder. — Pare de brincadeiras, Lídia, sente-se e beba um pouco de café quente, vai aliviar sua garganta. — sugeriu Dalva, servindo uma xícara de café quente para ela. Lidia perdeu toda sua ousadia, sentou-se ao lado do Alfa e tomou vários goles de café. Essa foi a deixa para Lorena encerrar o seu feitiço e começar a comer tranquilamente. Noah não tirava os olhos de Lorena, analisando os seus gestos e sua boca, para ver se falava alguma coisa, na tentativa de descobrir se era ela que estava fazendo aquilo com Lídia. — Melhorou, Lídia? — perguntou ele, olhando para Lorena. — Eu…parece que sim. — respondeu ela, sorrindo de alivio. Noah não viu nenhum gesto ou murmuração vindos de Lorena e relaxou. Aquela fêmea era uma incógnita para ele. — Quem é ela, amor? Noah não gostou de ser chamado de amor, por Lídia, já não tinha apreciado o beijo e a forma dela entrar se jogando em seus braços, pois agora que encontrou sua companheira, seu lobo rejeitava qualquer outra fêmea. — Não sou seu amor, Lídia. Meu lobo está sentindo falta de nossa companheira e está rejeitando qualquer outra que se aproxime. — Mas eu pensei que… — Eu nunca te iludi, foi sempre você que se atirou sobre mim e é melhor parar com isso. Se seu companheiro aparecer, também não vai gostar. Noah notou um meio sorriso no rosto de Lorena e pensou: “ Então ela sabe…como? “ — Você não respondeu quem é ela. — tentou Lídia, mudar de assunto, para não revelar que já encontrou seu companheiro e que ele é um idiota. — Encontrei-a na floresta, nesta madrugada. — Ah, tá. Pensei que essa coisinha era sua companheira, seria bem hilário. — Por quê? — perguntou Lorena, surpreendendo a todos. Dalva colocou um pote com mingau de aveia diante da jovem, que já havia devorado o fundo de um prato com ovos mexidos, linguiças e bacon. — Você é bem abusada, garota! — respondeu Lídia. — Não xingue minha convidada. — brigou o Alfa. — Mas Noah, ela é muito ridícula! Como pode pensar que tem condições de ser uma Luna? — Por quê não posso? Você acha que sou fraca, feia, burra, ou será que você não me aceita por quê a Luna não é você?O CovemDois anos depois, Alcácer convocou todos os bruxos para o Coven, a reunião do conselho com todos o clã dos bruxos. O local que escolheram foi o estádio que Heili construiu em sua Alcateia.Bruxos e bruxas viajaram, alguns de vassouras, outros de motos voadoras ou terrestres. Os feiticeiros, como Alcaer, Soraya, Ramón e a própria Heili, abriram portais e todos puderam ir.Essas reuniões sempre aconteciam de madrugada, assim não eram vistos pelos humanos e conforme foram chegando, buscavam por lugares onde ficassem o mais ocultos possível. Sempre se escondendo dos que os perseguiam para matar.Quando chegou a horaarvada por Alcaer, todos estavam presentes e Alcaer iniciou a reunião:“ Atenção, todos. Este couve em especial foi marcado para narrar os acontecimentos dos últimos anos todos conhecem a história que transmitir a todas as aldeias. Tomei algumas decisões e vou passar para todos, quero que possam se manifestar caso não concordem. Vou apresentar-lhes agora, a nossa mais
Mas Lucil estava bem acordada e seu pó anestésico já estava pronto. Esperaria dar meia noite e a lua cheia estar plena no céu, para iniciar a retirada do sangue e conjurar o feitiço. Colocou cada coisa em seu lugar, inclusive os filhotes, cada qual em uma maca, com o cateter, tubo e pote para extração do sangue ao seu lado. Uma brisa soprou a nuca de Lorena e ela se arrepiou, sentindo o coração pular uma batida. Ao mesmo tempo, cinco bruxas pousaram em suas vassouras. Nithrá trazia alguém com ela e Lorena correu até elas. — Que bom que chegaram, sou Lorena. — A loba bruxa? É um prazer conhecê-la. Sou Nithrá, a companheira de Alcaer e essa é Lara, a Loba Vermelha. Lorena olhou para Lara, emocionada. Ninguém que visse Lara e conhecesse Leonora, diria que não eram parentes. Ela era quase perfeitamente a imagem da tataravó. — É um prazer, realmente, conhecer uma prima, mas creio que não temos tempo de esclarecer isso agora, acredito que Lucil tirará o sangue dos filhotes a meia n
Alguns guardas voltaram e comunicaram que em determinado ponto da floresta, eles se perdiam e não conseguiam entrar. Norman percebeu que havia ali uma barreira de bruxaria e mentalmente, avisou o Alfa e a Luna. Noah ficou desesperado com a notícia e correu de volta para a sede da sua Alcateia. No caminho, estranhou um som longínquo em sua mente, continuou deixando Hulk correr e abriu a comunicação com suas filhas. Genevive e Jéssica estavam juntas e Genevive falava com ele: “ Papá, papá, buxa má pega nós. Salva Nevive e Jessi. ““ Estamos indo, quem mais está com vocês? ““ Imãos, pimos, Cacá (a filha de Dalva) e otas da queche .”“ Está bem, querida. Se a bruxa quiser fazer algum mal para vocês, brinquem de esconde-esconde.”“ Tá bem, papá. “Eles fecharam a comunicação e Hulk continuou correndo. Chegaram à fronteira da floresta e encontraram Normam esperando.— Onde estão Lorena e Ananias? — Eles estavam desfazendo a bruxaria maligna que Lúcil colocou na Alcateia e disseram que v
Levou a poção para a área externa, riscou um grande pentagrama no chão, colocou as velas de incenso nas pontas da estrela e posicionou-se no centro, onde recitou o feitiço e jogou a poção sobre sua cabeça, vagarosamente. O pentagrama incendiou, as velas aumentaram suas chamas e seu corpo aqueceu de tal forma que parecia que ia incendiar. Um cheiro nojento saiu do seu corpo e evaporou-se no ar. Quando tudo terminou, ela sentiu que estava de posse de suas energias novamente. — Então, era um feitiço de manipulação da mente e do corpo, isso significa que ela está por perto.“ Exatamente, Lorena. Nós também estávamos fracas e por isso não conseguimos falar com você. Foi necessário que se abrisse uma brecha e pudéssemos voltar a nos comunicar. “ Disse Nox.Lorena deixou Nox sair e ela passou por uma sombra, saindo próxima à cabana de Ananias. Ela sabia que o bruxo estava em sua cabana, preparando alguma coisa e por isso foi direto até ele para limparem a Alcateia.Bateu na porta e entrou
O ex-corvo olhou para a pessoa a sua frente e franzindo a testa, perguntou:— Gráá…quem é você?— Sou o seu filho, Tony, papei.Afastando as mãos do suposto filho de seus ombros. Moveu negativamente a cabeça e rejeitou-o.— Não pode ser! Meu filho não é mais velho do que eu, meu filho… gráh… é pequeno.Alcaer se aproximou e explicou a situação para o macho que perdeu a noção do tempo:— Ele ficou muito tempo na forma de corvo e perdeu a noção da realidade, e do tempo que passou, precisamos ter paciência e relatar, aos poucos, o que ele perdeu durante os anos passados.— Bruxos, magia, poder… cansei…já sabemos o que a bruxa queria e o que fez. Precisamos limpar tudo e decidir o que faremos com esses Alfas traíras. — disse Noah, cheio de ouvir sobre tanta coisa ruim. Aquela do corvo ser humano foi o fim da picada.Ninguém estranhava mais os ataques céticos do Alfa e ele sempre tinha razão.— Você tem razão, Noah. Hilia e eu assumimos daqui. Se você permitir, vamos sabatiná-los. Mant
Leonora baixou os olhos, constrangida, mas pediu para iniciar os relatos, já que era a mais antiga. — Esperava por isso, percebi que o conteúdo das cartas te lembraram de algo. — disse Lorena. Leonora intuiu que foi a magia das suas descendentes que compartilharam seus pensamentos com Lorena. — Vou te devolver essas fofoqueiras o mais rápido possível, vou só concluir o meu assunto com Lucil e partir para conhecer meu único descendente. — Comece a falar, Leonora, estou sem paciência. — ordenou Alcaer, com sua autoridade de Supremo. — Está bem, está bem. Eu não sabia exatamente o que Lucil queria, mas ela falava o tempo todo sobre um tesouro. Sobre tomar posse da terra e mandar em tudo, mas não conseguiu por causa de Armand. — Como assim? Como ela pretendia tomar as terras e mandar em tudo? — perguntou Noah. — Primeiro, vocês precisam saber que quem começou a guerra entre Lobisomens e bruxos vem desde a criação. Existem várias histórias contando como os lobisomens surgiram,







