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CAPÍTULO 7

Autor: Meteoro
Na manhã seguinte, Lucas se jogou nos braços de Isabela, fazendo manha.

— Mamãe, a minha escolinha organizou uma viagem de estudo. Os pais têm que ir junto. Eu e o papai podemos ir?

Então era isso que Olívia tinha chamado de compensação de Caetano para ela.

Isabela baixou a cabeça.

O filho, enquanto falava com ela, ainda fazia caretas para Olívia.

Depois de falar, Lucas não esqueceu de esfregar o rosto no rosto dela, todo carinhoso.

Isabela passou as mãos pelo rosto do filho.

Esse era o filho dela. Tirando a boca, que puxava ao pai, em todo o resto havia a marca dela.

Se Caetano tinha traído por buscar estímulo, então por quê Lucas fazia isso?

Naquela época, ela não via nada.

Toda vez que ouvia o médico do pré-natal descrever o bebê, ela imaginava em silêncio como ele seria quando nascesse.

Por não enxergar, durante a gravidez, cada movimento dela era mais cuidadoso do que o de qualquer outra gestante.

Chegou ao ponto de, para evitar qualquer acidente, abrir mão até do mínimo de dignidade. Até para ir ao banheiro precisava de uma empregada ao lado, com medo de tropeçar ou se machucar.

E, mesmo depois de todo o esforço, o menino que ela tinha dado à luz agora chamava uma amante de mãe pelas costas dela.

Se não fosse o rosto de Lucas, tão parecido com o dela, Isabela chegaria a suspeitar que o filho tinha sido trocado.

Lucas finalmente percebeu o silêncio dela e se deu ao trabalho de olhar para o rosto dela.

— Mamãe?

Caetano também entrou na conversa:

— Ler não substitui sair por aí e ver o mundo. E essa atividade de estudo é algo que a escolinha organizou para todo mundo ir junto. Se não fosse por causa dos seus olhos, a gente não teria coragem de te deixar sozinha em casa.

Eles tinham encontrado um motivo que ela jamais recusaria.

Por isso, Caetano já falava com confiança, mandando a secretária comprar as passagens.

Aquilo que ele chamava de pedir opinião não passava de um aviso.

Isabela ouviu o destino.

Era uma vila europeia que ela sempre quis conhecer antes de perder a visão.

— Não tem problema. Vão vocês.

Antes de sair, Caetano reuniu todas as empregadas e passou instruções, uma por uma, sobre como cuidar de Isabela.

— Antes de dormir, coloquem um copo de água na mesa de cabeceira da Isabela. Garantam que ela não vai sentir sede à noite.

— Todo dia, acompanhem a Isabela para dar uma volta no jardim. Ela precisa se exercitar.

— Mirtilos e essas frutas que ela tem que comer todo dia, deem na boca dela. Com o garfo, ela pode acabar se machucando.

...

Caetano ficou falando por meia hora, como se estivesse fechando um contrato de bilhões.

Só então ele se inclinou e deu um beijo nela:

— Eu e o Lucas vamos. Se acontecer qualquer coisa, me liga. Eu volto na hora.

— A viagem não vai ser longa. A gente volta a tempo de te acompanhar nas consultas dos olhos.

Lucas também segurou a mão dela.

— Mamãe, eu vou te trazer um presente.

Isabela ficou parada diante da janela de vidro, vendo Caetano com o braço em volta de Olívia e a outra mão segurando a de Lucas.

Pareciam mesmo uma família feliz de três.

Ela ignorou o olhar de pena das empregadas e voltou para o quarto.

Lá fora, parecia que eles estavam se divertindo muito.

Caetano, que antes, num único dia de trabalho na empresa, ligava para ela dez vezes, não entrou em contato uma única vez.

Lucas, provavelmente, também já a tinha deixado para trás.

Quem não parava era Olívia, que fazia questão de se exibir para ela várias vezes por dia.

"Hoje, diante do padre, na igreja, o Caetano me beijou e disse que me ama."

"Seu filhinho fica me chamando de mamãe o tempo todo. No hotel, todo mundo diz que somos uma família feliz de três."

"Eu já estou grávida e mesmo assim o Caetano não me deixa em paz. Acabaram todas as camisinhas do quarto, ele teve que sair para comprar mais um monte."

Cada palavra servia para mostrar o quanto Caetano a amava.

Mas as mensagens de Olívia já não despertavam mais nada em Isabela.

Ela estava esperando.

Esperando o dia combinado para ir embora.

Faltava pouco.
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