LOGINNa enfermaria, Alexander jazia sobre a cama de pedra, com o rosto pálido como papel.Lyla evitou o olhar dele e falou com solenidade:— O veneno de prata corroeu o seu lobo interior. Ele se foi. E nunca mais vai voltar.Ele já tinha sido o orgulho da alcateia, um governante capaz de rasgar a própria noite. Naquele instante, não passava de uma casca vazia, despojada da própria alma.Alexander fechou os olhos de dor, mas uma única figura insistia em aparecer em sua mente.Não era seu pai, que naquele momento estava soterrado sob a pressão do conselho. Não era Lyla, que tinha acabado de anunciar uma sentença cruel. E muito menos Stella, que praticamente tinha arrancado sua alma com aquela adaga.Era eu."Se ao menos eu tivesse olhado para ela mais uma vez naquela época... Se ao menos eu não tivesse tomado a espera e o amor dela como algo garantido. Se, quando fiquei preso entre Stella e a responsabilidade, eu tivesse escolhido caminhar até ela mais cedo..."Infelizmente, nenhum ar
A notícia se espalhou rapidamente por toda a alcateia.Alexander tinha sido envenenado por um veneno de prata que atingiu diretamente o seu lobo interior.Seu lobo soltou um último uivo antes de desaparecer por completo.No salão do conselho da alcateia, os gritos dos anciãos quase levantaram o teto.— Ele perdeu o lobo!O ancião-chefe bateu a bengala no chão, com a voz ardendo de fúria.— Ele não será mais o nosso Alfa!Os guardas arrastaram Stella para dentro. As roupas dela ainda estavam manchadas com o sangue de Alexander, e seus cabelos, desgrenhados, se colavam ao rosto.— Eu não fiz nada de errado! — declarou ela, sustentando o olhar condenatório dos anciãos.— Expulsem-na da alcateia! Ela nunca mais poderá pôr os pés aqui!A sentença fria caiu sobre ela sem hesitação. Dois lobisomens fortes a arrastaram para fora do salão do conselho.A luz do sol fez Stella semicerrar os olhos, mas ela ainda virou a cabeça para olhar na direção da enfermaria, onde jazia o lobisomem
Alexander correu de volta para a enfermaria da alcateia em completo desespero, apenas para encontrar Stella sentada ali, perfeitamente bem. Tirando o fato de estar um pouco pálida, ela parecia normal.— Você mentiu para mim?A raiva de Alexander explodiu no mesmo instante. Ele se virou, pronto para ir embora.Stella avançou de repente e se agarrou a ele, com lágrimas escorrendo pelo rosto.— Eu só queria te ver! Por que você está sendo tão cruel comigo? Você prometeu que formaria um vínculo de companheiros comigo! Então por que está voltando atrás?Ele tentou se desvencilhar dela.— Eu nunca disse uma coisa dessas!— Disse, sim! — Ela gritou de forma estridente. — A própria Willow me contou! Ela disse que você faria uma cerimônia de acasalamento comigo, por minha causa e por causa do meu filhote!Alexander ficou atordoado.— Willow disse isso para você? Aquilo foi só uma bobagem dita quando eu estava bêbado! Não era pra levar a sério!Ele tentou se soltar, sem prestar atenção
Naquele domingo, eu estava treinando com Hunter quando um grito familiar ecoou do lado de fora do salão.Quando ergui os olhos, dei de cara com o olhar ardente de Alexander. A expressão dele era um emaranhado caótico de alívio, arrependimento e uma culpa sufocante.— Finalmente encontrei você — ele murmurou, com a voz rouca e áspera.Olhei para ele com frieza.— O que você está fazendo aqui?— Lolo, me escuta. Acho que você entendeu tudo errado. Eu não sabia que você também estava no pântano. Se eu soubesse, eu nunca teria... — A voz de Alexander foi sumindo aos poucos, quase se desfazendo no ar.— Você não sabia porque seus olhos só conseguiam enxergar ela — respondi com calma.— Não, não foi isso. Me perdoa, Lolo. Eu não devia ter ignorado você naquele período. Eu errei por não ter valorizado você.Ele deu um passo à frente, com a voz cada vez mais apressada.— Lolo, nós estávamos juntos. Por que você negou isso? Por que está me tratando desse jeito? Por favor, me dá outra c
A vida na Academia Northmoon era dura, cortante e implacável.Treinos, aulas e descanso preenchiam cada instante do dia de forma sufocante. Quando a noite chegava, eu estava tão exausta que adormecia no exato momento em que a cabeça tocava o travesseiro.As lembranças da alcateia foram se apagando desse jeito, aos poucos, espalhadas e enterradas sob o vento seco e a neve de Northmoon.Na terceira semana do semestre, uma nevasca repentina interrompeu todos os treinos ao ar livre. Do lado de fora da janela, o mundo inteiro tinha virado um caos branco e rugente.Minha colega de quarto, Elise Clawford, tirou do armário um cantil de couro como se estivesse puxando um tesouro secreto.Ela piscou para mim e explicou:— Cerveja Frostwolf autêntica. Eu entrei com isso escondido. Vamos comemorar por termos sobrevivido a essas duas primeiras semanas brutais!O líquido âmbar balançou dentro dos copos de madeira, carregando um aroma intenso de resina de pinheiro e neve. Tomei pequenos goles.
Alexander não respondeu. Ele agarrou Christopher e o arrastou para fora, correndo mais uma vez até a minha cabana. Revirou tudo como um louco, abrindo cada gaveta com brutalidade.Antes, lá dentro ficavam o cachecol de aniversário que eu tinha tricotado para ele, as munhequeiras que costurei com pele de fera e tantas outras coisas que eu mesma fiz à mão.Naquela época, ele só tinha lançado um olhar distraído para tudo aquilo antes de fechar a gaveta de volta.— Deixa isso aqui por enquanto. Não vai pegar bem se os outros virem.Mas naquele momento, as gavetas estavam vazias.— Onde estão as coisas? — Ele murmurou, passando os dedos pelo fundo vazio da madeira. — Ela guardava tudo aqui.De repente, ele se virou para Christopher, que estava encostado na porta.A voz de Alexander tremia quando ele disse:— Eu juro que ela guardava tudo! O cachecol, as munhequeiras e tudo o que ela fez para… — As palavras morreram em sua garganta no instante em que percebeu que eu tinha destruído e







