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A Luna que fez ALFAS se ajoelharem - Escolhida pelo Supremo
A Luna que fez ALFAS se ajoelharem - Escolhida pelo Supremo
Author: Sila Reis

Prólogo

Author: Sila Reis
last update Petsa ng paglalathala: 2026-09-10 10:14:26

A chuva caía com força sobre o Bosque de Elaris, transformando a estrada estreita em uma faixa escura de lama. Os faróis do carro parado entre as árvores estavam apagados. Apenas uma pequena luz interna iluminava o rosto tenso da mulher ao volante.

Maëlys olhou para o relógio pela quarta vez.

2h17.

Ela deveria ter chegado havia quase meia hora.

Pegou o celular no banco do passageiro. Nenhuma mensagem. Nenhuma ligação. Tentou novamente. Chamou uma vez, duas. A chamada caiu.

— Droga...

Um barulho vindo da floresta fez Maëlys erguer a cabeça. Por alguns segundos, ouviu apenas a chuva batendo contra o teto do carro. Depois vieram passos apressados. Ela abriu a porta.

— Elara?

Uma mulher surgiu entre as árvores. Estava descalça, com o vestido comprido rasgado na altura dos joelhos e manchas de sangue espalhadas pelo tecido claro. Os cabelos molhados grudavam em seu rosto. Nos braços, apertado contra o peito e protegido por uma manta, havia um bebê. Maëlys correu até ela.

— Meu Deus! O que fizeram com você?

— Não temos tempo.

— Você está sangrando.

— Pegue-a.

Maëlys olhou para a criança.

— Não.

— Pegue minha filha!

O grito assustou o bebê, que começou a chorar.

Elara imediatamente baixou a voz.

— Está tudo bem, meu amor. Mamãe está aqui.

Ela beijou a testa da menina e fechou os olhos por alguns segundos. Maëlys conhecia aquela mulher havia anos. Já a vira enfrentar Alfas, membros do Conselho e homens que poderiam destruir famílias inteiras com uma ordem. Nunca a tinha visto com medo. Naquela noite, Elara estava apavorada.

— Entre no carro, Maëlys insistiu. Vamos embora juntas.

Elara balançou a cabeça.

— Eles estão me seguindo.

— Então venha comigo.

— Se eu entrar nesse carro, eles encontrarão nós três.

Maëlys empalideceu.

— Três?

Elara olhou para ela. A compreensão veio imediatamente.

— Não.

— Você prometeu.

— Eu prometi ajudar. Não prometi abandonar você aqui para morrer.

— E eu não estou pedindo que me abandone. Estou pedindo que salve minha filha.

Um uivo atravessou a floresta, distante. Mas não o bastante. As duas se entreolharam. Elara abriu a manta e retirou do pescoço da criança uma corrente muito fina. Na ponta havia um pequeno pingente prateado, formado por uma lua cercada por sete pequenas marcas. Maëlys tocou o objeto.

— Você não deveria estar carregando isso.

— Ninguém sabe que está comigo.

— Se encontrarem...

— Não encontrarão.

Ela colocou o pingente na mão de Maëlys e fechou seus dedos sobre ele.

— Esconda.

Outro uivo. Dessa vez mais próximo. Maëlys segurou o braço dela.

— Quem está vindo?

Elara não respondeu.

— É o Conselho?

Silêncio.

— Elara!

— Existem coisas que você estará mais segura sem saber.

— E como vou protegê-la sem saber de quem?

Elara olhou para a filha.

— De todos.

Maëlys sentiu um arrepio. A criança parara de chorar. Seus olhos estavam abertos. Por um instante, Maëlys teve a impressão de que havia um brilho estranho nas pequenas íris.

— Os olhos dela...

Elara cobriu rapidamente o rosto da menina.

— O selo ainda está se estabilizando.

— Você realmente fez isso?

— Era a única maneira.

Maëlys conhecia histórias sobre selos de sangue, mas acreditava que fossem práticas abandonadas havia gerações.

— Ela é apenas um bebê.

— Justamente por isso.

Elara respirou fundo e fez uma careta de dor.

— Enquanto o selo permanecer intacto, ninguém sentirá o que existe dentro dela. A loba crescerá como qualquer outra. Talvez até pareça mais fraca do que as demais.

— Por quanto tempo?

— Eu não sei.

— Como assim não sabe?

— Um selo como esse deveria durar a vida inteira.

A resposta não tranquilizou Maëlys.

— Deveria?

Elara hesitou.

— Existe uma maneira de quebrá-lo.

— Qual?

— Um rompimento suficientemente forte no vínculo da loba.

Maëlys franziu a testa.

— Que vínculo?

— Não importa agora.

— Importa se eu vou criar essa menina!

Elara segurou o rosto da amiga.

— Então crie.

Maëlys ficou imóvel.

— Dê a ela uma infância normal. Escola. Amigos. Uma família. Deixe que reclame das coisas pequenas e acredite que o maior problema do mundo é uma prova difícil ou um coração partido.

Uma lágrima se misturou à chuva no rosto de Elara.

— Deixe minha filha viver antes que descubram quem ela é.

— Você vai voltar para buscá-la.

Elara não respondeu.

— Diga que vai.

— Se eu puder.

— Não foi isso que perguntei.

Um ruído de motor surgiu ao longe. Elara se virou imediatamente. Luzes atravessaram as árvores.

— Eles chegaram.

Maëlys sentiu o coração disparar.

— Entre no carro!

Elara colocou a criança nos braços dela. Maëlys tentou devolvê-la.

— Não faça isso comigo.

— O nome dela será Elowen.

A bebê se mexeu entre as duas.

— Elowen Veyra.

Maëlys arregalou os olhos.

— Você não pode dar esse sobrenome a ela.

— É o nome dela.

— É também uma sentença de morte se alguém descobrir o que significa.

— Hoje, quase ninguém lembra.

— Alguns lembram.

— Então ensine minha filha a nunca ter vergonha dele.

As luzes se aproximavam. Elara retirou uma pequena bolsa presa sob o vestido e entregou à amiga.

— Documentos. Dinheiro. Uma nova identidade para você. Tudo está preparado.

— Você planejou isso.

— Desde que descobri que estava grávida.

Maëlys olhou para ela, chocada.

— Há quanto tempo sabia que isso aconteceria?

— Eu sabia que poderia acontecer.

Outro uivo ecoou. Agora havia mais de um. Elara abriu a porta traseira do carro.

— Coloque-a na cadeirinha.

Maëlys obedeceu com as mãos trêmulas. Prendeu o bebê e ajeitou a manta ao redor de seu corpo. Quando voltou a olhar para Elara, ela já estava alguns passos distante.

— Espere!

Elara parou.

— O que vou dizer quando ela perguntar pela mãe?

A pergunta pareceu atingi-la mais profundamente do que qualquer ferimento.

— Diga que eu a amei.

— Isso não será suficiente.

— Eu sei.

— Ela vai querer saber por que você a deixou.

Elara respirou fundo.

— Então diga a verdade.

— Qual delas?

Os olhos da mulher adquiriram um brilho prateado.

— Que eu não a abandonei. Eu a escolhi.

Maëlys começou a chorar.

Elara aproximou-se uma última vez da porta traseira. A menina estava acordada. Ela colocou dois dedos sobre a testa da filha.

— Um dia alguém tentará dizer quem você deve ser. Talvez tentem escolher quem você deve amar, onde deve viver e a quem deve obedecer.

A bebê fechou os dedos ao redor de um dos dedos da mãe. Elara quase perdeu a coragem.

Quase.

— Quando esse dia chegar, espero que você seja mais forte do que eu fui.

Uma lágrima caiu sobre a manta.

— E nunca se ajoelhe apenas porque disseram que nasceu para isso.

Os faróis apareceram no início da estrada.

Elara soltou a mão da filha.

— Vá!

Maëlys entrou no carro.

— Elara!

— VÁ!

Ela ligou o motor. A bebê começou a chorar.

Maëlys acelerou. Pelo retrovisor, viu Elara permanecer no meio da estrada enquanto três veículos pretos surgiam atrás dela. Depois fez a curva. A floresta engoliu tudo. Minutos mais tarde, um uivo tão poderoso atravessou Elaris que Maëlys precisou lutar para manter o carro na estrada. Elowen parou de chorar. Maëlys olhou para ela pelo espelho. Por um segundo, os olhos da criança brilharam em um tom impossível. Então voltaram ao normal. Maëlys apertou o volante.

— Ninguém vai descobrir, prometeu. Ninguém.

Debaixo da manta, uma pequena marca em forma de lua apareceu no peito de Elowen. Brilhou e desapareceu. Durante vinte e quatro anos, o selo permaneceu intacto. Até a noite em que Elowen Veyra descobriu que o homem que amava era seu companheiro destinado.

E ele a rejeitou diante de toda a alcateia.

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