INICIAR SESIÓNJady sempre acreditou que havia nascido para sofrer. Órfã desde o nascimento e criada como uma simples serva no castelo da poderosa Alcateia da Lua de Prata, ela cresceu sendo humilhada, desprezada e tratada como uma maldição. A única luz em sua vida sempre foi Orion Kingsley, o herdeiro da alcateia. Entre encontros secretos, promessas sussurradas ao luar e um amor proibido, ele jurou que faria dela sua Luna assim que assumisse o posto de Alfa, mas promessas podem ser quebradas. Pressionado pelo Conselho das Doze Alcateias e pela própria família, Orion escolhe o dever em vez do amor e rejeita Jady para se casar com outra mulher. Grávida, traída e completamente destruída, Jady foge sem revelar que carrega a filha do homem que despedaçou seu coração. Quando acredita ter perdido tudo, ela descobre que sua vida inteira foi construída sobre uma mentira. Seu verdadeiro pai é o lendário Alfa da Casa Lakis, governante da misteriosa Lua Negra, a mais antiga e temida das doze alcateias. Anos depois, Jady retorna muito diferente da criada humilhada que um dia foi. Agora ela é a herdeira da Casa Lakis, uma Alfa poderosa, respeitada por todo o Reino Velado e mãe de Raika, uma menina cuja existência pode mudar o destino de todas as alcateias. Ao reencontrar a mulher que perdeu, Orion percebe que o maior castigo de sua vida não foi vê-la partir... Foi descobrir tarde demais que ela levou consigo o maior presente que ele jamais poderia imaginar: sua filha. Enquanto antigas conspirações ressurgem, fragmentos de um poder ancestral desaparecem e uma guerra ameaça destruir os Doze Domínios Lunares, Orion precisará lutar para proteger seu povo, mas conquistar novamente o coração da mulher que ele rejeitou será uma batalha muito mais difícil.
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O sino tocou antes do amanhecer, cortando o silêncio como uma lâmina enferrujada. Ainda estava escuro. A neve caía fina e constante lá fora, cobrindo os jardins impecáveis da Lua de Prata. Dentro do quartinho apertado das criadas, o frio entrava pelas frestas da madeira como se quisesse nos matar devagar. — Criadas! Levantem-se! — a voz rouca da governanta ecoou pelo corredor. Eu ouvi o barulho de corpos mexendo. O ranger das camas velhas. Os passos apressados, mas eu não me movi. Meus músculos doíam tanto que parecia que alguém tinha me espancado durante o sono. Ontem eu havia limpado o salão principal até depois da meia-noite porque “a Luna Eleonor queria o chão brilhando para a visita importante”. A porta do nosso quarto se abriu com violência. Eu nem precisei abrir os olhos para saber quem era. Seraphine. Senti o cheiro dela antes mesmo de vê-la: perfume caro de rosas e algo podre por baixo, como veneno disfarçado. Não ouvi palavras. Só o som de metal arrastando no chão, então veio o choque. Um balde inteiro de água gelada caiu sobre mim como uma avalanche. A água estava tão fria que queimou minha pele. Meu corpo deu um solavanco violento, o ar fugiu dos meus pulmões e eu acordei gritando, tossindo, com o coração prestes a explodir. — Levanta, vadia — disse Seraphine com a voz doce, quase carinhosa. — Ou quer que eu jogue outro? Eu me levantei cambaleando, encharcada, tremendo tanto que meus dentes batiam. A camisola fina grudava no corpo como uma segunda pele gelada. As outras criadas olhavam para o chão. Nenhuma ousava me ajudar. Elas sabiam que, se fizessem isso, seriam as próximas. Seraphine deu um passo para trás, admirando seu trabalho. Seus lábios pintados de vermelho se curvaram num sorriso satisfeito. — Olha só o que você fez… Ainda está molhando meu chão, sua porca, limpa isso, agora. Eu peguei o pano velho que ela chutou na minha direção. Ajoelhei-me no chão de pedra gelado, ainda molhada, e comecei a esfregar, cada movimento fazia minhas mãos rachadas arderem. O frio entrava pelos ossos. Lágrimas de raiva queimavam meus olhos, mas eu não deixei cair. Não na frente dela. Seraphine ficou me observando por longos minutos, como quem assiste um animal se humilhando. — Você nasceu para isso, vadia, para servir, para limpar a sujeira dos que realmente importam. — Ela inclinou a cabeça. — Às vezes eu me pergunto se você é tão feia e inútil porque sua mãe era uma puta qualquer que abriu as pernas para o primeiro lobo que apareceu. Eu cerrei os dentes com tanta força que senti gosto de sangue. Quando terminei de secar o chão, ela me mandou limpar o castelo inteiro ainda molhada. Os corredores intermináveis, as escadas, os banheiros. As mãos começaram a sangrar de verdade depois da terceira hora. O sangue misturava com a água suja no balde. Ninguém ligava, ninguém oferecia um pano limpo ou um chá quente. Quando o café da manhã dos nobres terminou, nós, as criadas, fomos finalmente comer o que sobrou. Só restavam migalhas, um pedaço de pão duro, um pouco de sopa fria com gordura solidificada. Eu estava faminta, mal sentei no banco quando Seraphine passou novamente, acompanhada de duas lobas que riam baixinho. Ela parou na minha frente. Olhou para o meu prato com nojo. Então, com um sorriso angelical, pegou o pedaço de pão da minha mão e jogou no chão, bem na frente dos cães de caça da família Kingsley. Os animais devoraram em segundos. — Você pode esperar até o jantar — disse ela, olhando nos meus olhos. — Se é que vai sobrar alguma coisa. Cachorros comem primeiro, sabia? Eles são mais úteis que você. O silêncio no refeitório das criadas era ensurdecedor. Eu levantei o olhar lentamente e encarei Seraphine. Meu corpo tremia de frio, fome e raiva contida. — Eu sirvo porque preciso — falei, a voz baixa, mas firme. — Não porque você vale mais do que eu, senhorita Seraphine. Um dia… você vai descobrir isso da pior forma. Por um segundo, algo brilhou nos olhos dela. Surpresa, raiva ou medo? Depois ela riu alto, jogando a cabeça para trás. — Sonha, ratinha. Enquanto Orion não te escolher, você continuará sendo exatamente o que é: nada. Ela virou as costas e saiu, deixando o eco da risada pelo corredor. Eu fiquei olhando para o prato vazio, o estômago roncando, o corpo dolorido e gelado, mas dentro do peito, algo queimava mais forte que o frio, ódio e uma promessa silenciosa.JadyAs semanas se transformaram em meses.Raika crescia rápido, já sustentava melhor o pescoço, abria os olhos com mais frequência e sorria quando me reconhecia, seus cabelos escuros estavam mais densos, e às vezes eu jurava ver o mesmo brilho azul-gelo do meu pai quando a luz batia neles de certo ângulo. Eu a carregava quase o tempo todo. O peso quente dela contra o peito se tornou a coisa mais natural do mundo.Isaac se aproximava aos poucos.No começo eram apenas olhares prolongados nos corredores. Depois, ele começou a aparecer com mais frequência perto de nós, oferecia ajudar a carregar o berço quando eu mudava de aposento. Perguntava, em voz baixa, se Raika havia dormido bem. Nunca ultrapassava limites, mas sua presença se tornou constante. Seus olhos escuros me seguiam com uma intensidade quieta que eu fingia não notar… embora Zara, dentro de mim, se agitasse levemente toda vez que ele estava perto.Nury se tornou ainda mais presente.Ela não era apenas a governanta, era
JadyO final da gravidez chegou sem aviso, as dores começaram de madrugada, profundas, ritmadas, inevitáveis. Nury foi a primeira a entrar no quarto, seguida de Yanka. Logo atrás vieram as criadas que mais cuidavam de mim: Sienna, Maelis e Filipa. A curandeira da Lua Negra, uma mulher de cabelos brancos chamada Elderin, chegou pouco depois com sua bolsa de ervas e instrumentos simples. O parto seria natural, como todos os da Casa Lakis.Meu pai não saiu do meu lado.Vernon segurou minha mão durante cada contração. Eu gritava, suava, tremia, mas ele permanecia firme, a voz baixa e constante:— Estou aqui, filha. Você consegue.As horas se arrastaram, a dor era avassaladora. Yanka apertava minha outra mão. Nury enxugava meu rosto. As criadas se moviam em silêncio, trocando panos quentes, preparando água, sussurrando palavras de incentivo. E então, depois de uma última onda de dor que pareceu rasgar o mundo, Elderin anunciou com calma:— É uma menina.O choro fino e poderoso pree
JadyOs meses avançaram como a névoa: sem pressa, mas sem parar.Minha barriga já era impossível de esconder, redonda, firme, viva. O bebê se mexia com frequência, a princípio só como borboletas, depois com chutes claros que faziam Vernon sorrir toda vez que eu colocava a mão dele sobre o tecido do vestido.Ele nunca cansava daquilo, dizia que cada movimento era uma prova de que a Deusa realmente havia nos abençoado duas vezes.A Lua Negra se adaptou a mim, e eu a ela.Yanka agora me acompanhava em caminhadas leves pelos pátios, sempre atenta para que eu não me cansasse demais. Nury organizava tudo: consultas com a curandeira, roupas novas a cada mudança do corpo, chá de ervas à noite para ajudar no sono. As criadas haviam deixado de me tratar apenas com respeito formal, havia carinho genuíno em seus gestos.Isaac, silencioso como sempre, aparecia com mais frequência nos corredores quando eu passava, inclinando a cabeça em cumprimento. Randal me atualizava sobre questões menores d
JadyO tempo na Lua Negra não passava como nos outros lugares.Ele deslizava, suave e silencioso, como a própria névoa que nunca abandonava completamente o território. Os dias eram cinzentos, mas nunca pesados. Havia uma modernidade discreta por baixo da antiguidade: sistemas de aquecimento invisíveis nas paredes de pedra, luzes que se ajustavam automaticamente, veículos blindados escondidos em garagens subterrâneas, e ainda assim… tudo mantinha a alma antiga.O castelo era ao mesmo tempo fortaleza ancestral e lar contemporâneo.Os meses foram se acumulando.No início, eu ainda andava pelos corredores como se estivesse visitando. Depois, comecei a reconhecer cada sombra, cada cheiro, cada som. Meu pai, Vernon Lakis, se tornou presença constante, não apenas como Alfa, como pai. Ele me contava histórias da família enquanto caminhávamos pelos salões repletos de quadros, retratos de Alfas antigos com olhos azul-gelo iguais aos dele. Lobas de expressão severa, cenas de coronations sob






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