FAZER LOGIN༺ Maribel Varrozzini ༻
Ainda estava segurando as sacolas em minhas mãos, sem saber o que fazer. Não acredito que aquele homem me deixou nessa situação embaraçosa! Era só o que faltava: os funcionários do hotel pensarem que estou dando confiança aos clientes. Daqui a pouco, vão estar me chamando de algo que não sou, e eu não quero causar essa impressão no meu emprego. Se eu devolver os presentes, com certeza ele falará com o senhor Matarazzo, e não posso arrumar mais confusão e acabar perdendo meu emprego.Percebo que ele comprou quatro pares de sapatos e não sei como adivinhou o tamanho dos meus pés. Depois, darei uma olhada nos calçados. Cíntia, que está ao meu lado, comenta de maneira maliciosa, sem esconder sua curiosidade.— Nossa, amiga, esse homem realmente cismou com você, já está até ganhando presentes dele! Só eu que não tenho a sorte de encontrar um gringo tão bonito assim!— Não diga besteiras, Cíntia! Ele apenas me concedeu uma gentileza, pois foi o culpado de eu quebrar o meu sapato. Ele buzinou bem na hora em que eu estava tentando tirar um pouco da sujeira que se encontrava no meu uniforme. Acabei tropeçando e quebrando meu salto alto, tive até que tirar os dois para poder colocar para que ele ficasse como uma sandália. Veja! — apontei para os meus pés, e ela observou, concordando.— Realmente, mas ele foi gentil em te dar logo quatro pares, né, amiga? Nossa, ele é um coroa muito gato, pelo amor de Deus! Maribel, tenho certeza de que ele quer te chamar para sair. Não recuse, pois eu, no seu lugar, não pensaria duas vezes em aceitar um convite dele!Revirei os olhos com aquele comentário nojento de Cíntia, que sempre estava de olho em algum estrangeiro que lhe desse moral. Sua vontade era casar com um gringo e acreditava que ele atiraria dali para viver uma vida de princesa. Então, apenas respondi, colocando as sacolas embaixo do balcão.— Não seja ridícula, Cíntia! Ele apenas me fez uma gentileza, você realmente acha que um homem tão importante vai me chamar para sair?— Ah, Maribel! Mas você tem que deixar de ser tão negativa! Você é muito bonita, com certeza ele ainda vai te convidar para jantar. Depois você me fala se estou errada... — bati com a flanela no ombro dela e respondi rindo.— Larga de falar besteira e vai levar o pedido para o chefe de cozinha do quarto 226!Ela apenas riu e se afastou. Cíntia não era uma má pessoa, mas às vezes falava cada coisa sem noção. Eu não quero me envolver com outro estrangeiro. Já tive um grande aprendizado do que aconteceu da última vez. Bryan me enganou apenas para me levar para a cama, e não vou me iludir com esse novo gringo que ultimamente vem jogando seu charme para cima de mim. Não posso ser uma idiota pela segunda vez. Além disso, preciso pensar no meu filho. Nem tenho cabeça para homem algum nesse momento.Decidi continuar minhas funções até dar o horário de eu sair. Hoje é meu plantão e provavelmente terei que deixar meu posto às 7:00 e retornar às 16:00 da tarde. A noite passou bem rápida, como sempre novos clientes chegavam, faziam check-in, pediam suas chaves, diziam o número do seu quarto e entravam no elevador. Alguns me cumprimentavam, outros empinavam o nariz. Essa gente rica tem um ar esnobe que às vezes me dá nojo.Após umas duas horas da manhã, Cíntia ficou na recepção e fiz uma pausa para comer algo. Estou pensativa enquanto me alimento na ala dos funcionários. Não consigo deixar de pensar em Bryan. Será que ele lembra de mim quando vai dormir, ou foi apenas uma paixão de férias ou uma conquista de momento? Eu não consigo acreditar que ele foi tão canalha de fazer isso comigo. Nós tínhamos uma conexão perfeita! Por incrível que pareça, uma lembrança de meses atrás surge em minha mente."Flashback"Estou caminhando ao lado de Bryan na praia enquanto ele aproxima seu rosto dos meus cabelos, um hábito que ele costuma fazer desde que me conheceu. Ele afirma que sou muito cheirosa, e nós sentamos em um dos quiosques para tomar uma água de coco. Ele me olha com um sorriso bobo e confessa:— Você é tão bonita! Não me canso de admirar a sua beleza, Maribel...— Você é um bobo, Bryan! Aposto que fala isso para todas, não é mesmo? — ele sorri me observando e responde antes de levar o canudo à sua boca novamente.— Na verdade, não, Maribel! Você é a única mulher que elogio pela primeira vez.— Você é um fofo! Sabe, cada vez que estou com você, admiro o homem maravilhoso que você é... não é como a maioria dos outros, que estão sempre tentando alguma coisa safada comigo! — Bryan, então, me puxa para um beijo e quando me solta responde:— Você é diferente das mulheres que já conheci, Maribel. É inocente e isso me fascina e me apaixona.Apenas sorrio com aquela confissão dele, e então ele me puxa para mais um beijo. Sentir sua boca na minha é maravilhoso, nunca me senti tão amada e segura nos braços desse homem. Eu queria acreditar que o destino o mandou para mim, e que ele era o meu príncipe encantado!"Flashback off"Sinto meu rosto ser banhado pelas lágrimas, mal percebi que estou chorando. Um dos funcionários da cozinha, Henrique, se aproxima preocupado, me olhando. Ele é um rapaz bastante doce e alegre, o braço direito do chefe do restaurante.— Maribel, você está bem? Aconteceu alguma coisa? Está passando mal, é isso?— Não é nada, Henrique. Apenas estou passando por um momento difícil. Bom, eu já terminei meu lanche. Com licença! — me levanto da mesa, já limpando meu rosto, e saio rapidamente. Mas ele diz:— Espera, Maribel! Você parece que não está bem. Quer conversar? Eu posso te ajudar!— Desculpe, Henrique! Mas ninguém pode me ajudar com isso. Com licença!Saio rapidamente da ala dos funcionários. A verdade é que ninguém poderia me ajudar com a burrada que fiz na minha vida. Estava pagando um preço alto por ter me entregado a um homem que eu pensava que me amava. Decido sair para fora do hotel para pegar um ar, pois estou precisando. Olhar para as ondas do mar em frente ao hotel me acalma!Sento-me em um dos bancos, pensativa, e como se o destino gostasse de me pregar peças novamente, ouço a voz daquele homem.— Com os pensamentos perdidos, Maribel? Percebo também que está com os olhos vermelhos. Andou chorando?— E se for? O que tem a ver com isso? Não é da sua conta! Afinal, cara, qual é a sua comigo? Eu já disse que não estou disponível! — limpo minhas lágrimas, me recompondo, e ele se senta ao meu lado, respondendo.— Me desculpe, eu não queria ser um intrometido. Só queria lhe ajudar e entender pelo que está passando, pois você parece que está sofrendo muito!— Você também não pode me ajudar com os meus problemas! Eu só estou pagando pelos meus erros. Deveria ter pensado muito antes de ter feito toda a burrada que conduzi há alguns meses! — Vincenzo não esconde a curiosidade e me questiona.— Olha, eu sei que não é da minha conta se você vai me responder sim ou não, mas eu queria entender. Porque você é uma moça tão bonita, contudo parece que carrega uma grande tristeza com você!— E por quê? Você quer saber a minha história, senhor Vincenzo? Acredito que sou apenas uma funcionária passageira pela sua vida. Por que faz tanta questão de saber? — olho seriamente para ele, que se levanta com as mãos no bolso e responde.— Eu não sei explicar. Acontece que sinto uma conexão tão forte com você, uma vontade de lhe proteger de toda a dor do mundo, principalmente quando olho para esses seus olhos verdes, tão tristonhos!Não consigo me conter e desabo em lágrimas. Parece que preciso fazer isso, como se aguentar tudo estivesse me sufocando! Vincenzo se aproxima e me abraça, passando a mão nas minhas costas, como se fosse um bom ouvinte. Novamente limpo minhas lágrimas e respondo:— Sou uma desgraçada que acabou com a minha vida! Me entreguei a um cafajeste que dizia que me amava e, no fim, só me usou e me deixou com uma criança no ventre. E meu pai, quando soube da minha gravidez, me expulsou de casa. Tive que interromper meus estudos. Eu odeio esse homem com todas as minhas forças. Ele só desgraçou a minha vida.— Nossa, Maribel! Não acredito que ainda existem homens dessa espécie! Eu realmente tenho nojo de pessoas assim. Você não merecia passar por isso. Parece ser uma moça que tem um futuro promissor! — me levanto, limpando as minhas lágrimas, pois não posso ficar com o meu rosto inchado para atender os clientes, e respondo:— Eu vou dar a volta por cima! Não sei como, mas irei me recuperar. Agora só peço que não comente nada com o dono do hotel! Tentarei esconder essa gravidez o máximo que eu puder, até que me mandem embora. Por isso, não quero me envolver com outro homem. Já tive experiência suficiente para me ferrar, e não passarei por isso uma segunda vez. Agora, me dê licença, preciso voltar para o meu local de trabalho.Ele não comenta mais nada, apenas me encara, compreendendo meu tormento. Parece que confessar aquilo a ele foi como tirar um peso das minhas costas. Eu realmente precisava desabafar com alguém. Estava agradecida de Vincenzo estar ali naquele momento. Parecia que esse homem me trazia uma paz inexplicável, como se entendesse pelo que eu estava passando.༺ Maribel Varrozzinni ༻Seis anos se passaram desde que minha vida mudou para sempre. Finalmente, havia terminado a faculdade de medicina e estava prestes a concluir minha residência médica. Era um sonho que persegui há tanto tempo, e agora, com meu filho de sete anos ao meu lado, sentia que tudo valia a pena.A gravidez de Mary, que já estou com cinco meses, era a cereja do bolo em nossa família. A expectativa por sua chegada era palpável, e todos na família a aguardavam com carinho. Meu coração se enchia de amor toda vez que olhava para Bryan e via como ele estava ansioso para ser pai novamente. Nossa vida juntos seguia feliz, e as lembranças da lua de mel ainda aqueciam meu coração, mesmo que agora estivéssemos imersos nas responsabilidades do dia a dia.Minha amiga Pérola também havia encontrado sua felicidade. Casou-se com Vincenzo três anos atrás, o que pegou a todos de surpresa. Nunca soube que eles tinham uma conexão tão forte, mas ver a alegria dela ao lado dele era gratifica
༺ Maribel Varrozzinni ༻Depois de todo o prazer que compartilhamos, levantamos e decidimos tomar o café da manhã juntos. A mesa do hotel estava repleta de frutas frescas, pães e sucos. Sinto uma leveza dentro de mim, como se os momentos turbulentos dos últimos dias estivessem, finalmente, ficando para trás. Bryan me olhava com aquele sorriso de canto, tranquilo, e por um instante, a sensação de normalidade tomou conta de mim.Após o café, resolvemos explorar um pouco mais as Ilhas Malvinas. Coloquei uma roupa leve, o vento soprava suavemente, e o cheiro de mar estava em todo lugar. Caminhamos lado a lado pela praia, onde a areia branca contrastava com o azul cristalino do oceano. As águas eram tão limpas que podíamos ver os peixes nadando perto da superfície, e ao longe, alguns pássaros sobrevoavam as rochas. As ondas quebravam suavemente, quase como um murmúrio, convidando-nos a mergulhar nesse cenário de calmaria.— Parece um sonho, não é? — perguntei, observando o horizonte.Bryan
Continuação…༺ Bryan Fernandes ༻Aproximei-me de Maribel, beijando-a intensamente, e logo deixei meus lábios descerem para seu pescoço, sentindo o leve estremecer de seu corpo. Ela soltou um suspiro baixo, quase como se estivesse se entregando por completo. Me afastei apenas o suficiente para tirar sua camisola branca, revelando sua pele delicada, voltei a explorar com beijos. Comecei pelo seu pescoço, depois descendo lentamente até seus seios.— Ah… — ela gemeu baixinho quando mordisquei um de seus seios, estimulando seus mamilos com minha língua.Continuei descendo, minha boca traçando um caminho pela sua barriga, até chegar ao seu abdômen. Ela estava ofegante, os olhos semicerrados, enquanto minha boca explorava cada parte de seu corpo. Quando cheguei à sua intimidade, afastei sua calcinha para o lado, a expondo para mim. Sem hesitar, comecei a chupá-la, explorando com a minha língua de forma lenta e deliberada, ouvindo os gemidos cada vez mais altos que escapavam de seus lábios.—
༺ Bryan Fernandes ༻Chegamos às Ilhas Malvinas, mas não era bem o que esperava para a lua de mel. Fizemos o check-in no hotel, e enquanto Maribel tentava descansar, eu não conseguia relaxar. As últimas 24 horas foram um turbilhão. A imagem de Esther completamente fora de si, gritando e se descontrolando, ainda estava vívida na minha mente. Maribel também parecia distante, o estresse daquela noite ainda a afetando.Caminhei até a janela e abri as cortinas. O oceano se estendia à minha frente, com as ondas calmas batendo nas rochas. Era uma vista incrível, mas minha mente estava a mil. Não conseguia parar de pensar no que poderia ter acontecido se aquilo tivesse continuado. Esther não estava bem, isso era claro.Meu celular vibrou, tirando-me dos pensamentos. Olhei para a tela e vi que era uma mensagem do meu pai.“Já resolvi tudo com Esther. Ela está internada. Receberá o tratamento que precisa.”Fiquei paralisado por um momento. Internada? Não esperava por isso. Esther sempre foi a re
༺ Vincenzo Fernandes ༻Na manhã seguinte, acordei mais cedo do que de costume. O peso da decisão que tomaria ainda me mantinha acordado. Peguei o telefone e liguei para um amigo de longa data, dono de uma clínica particular. Expliquei o caso de Esther em detalhes, desde o episódio violento até o comportamento descontrolado. Ele ouviu com paciência e, sem hesitar, concordou que o caso dela era grave.— Ela precisa de internação, Vincenzo — ele disse. — O comportamento dela sugere um desequilíbrio emocional sério. Talvez algo relacionado a traumas ou até algo mais profundo.Percebi que ele estava certo. Combinamos que ele viria às nove da manhã, trazendo enfermeiros para aplicar o sedativo necessário e levá-la à clínica. Não seria fácil, mas não havia outra saída.Ainda pensativo, senti Pérola se mexer ao meu lado, acordando. Ela se virou, me abraçando, com um sorriso suave no rosto. Vestia uma das minhas camisas moletom, que parecia um vestido nela.— Bom dia… — ela murmurou, com a voz
༺ Vincenzo Fernandes ༻Estava ao lado de Pérola, conversando com um amigo da família sobre negócios, quando notei Maribel passar rapidamente em direção ao banheiro. Logo em seguida, vi Esther, com aquele olhar que eu conhecia bem, o olhar de quem estava prestes a causar problemas. Pedi licença ao convidado e decidir ir ver o que essa garota aprontará.— Preciso ir até lá — murmurei, já me afastando.— O que aconteceu? — perguntou Pérola, preocupada.— Vi Esther seguir Maribel para o banheiro. Isso só pode dar em briga. Você conhece bem a minha filha.Os olhos de Pérola se arregalaram, e ela assentiu rapidamente.— É melhor irmos antes que algo aconteça.Concordei, o coração acelerado enquanto caminhamos. Não havia como saber o que Esther era capaz de fazer quando estava dominada por sua inveja e raiva. Ao abrir a porta do banheiro, me deparei com a cena que nunca queria ter visto: Maribel estava encurralada, com os olhos arregalados de medo, e Esther estava com uma arma apontada para







