LOGINDepois do segundo beijo, nenhum dos dois sentiu vontade de sair dali.Jean não sugeriu outro lugar. Não houve pressa, nem mudança de cenário. Era como se aquele espaço — silencioso, fechado ao mundo, iluminado apenas por luz baixa e pelo reflexo do vidro — tivesse sido criado exatamente para aquele instante.Ele passou o braço ao redor da cintura de Sophie e a puxou para perto, encostando a testa na dela.— Fique — disse apenas.E ela ficou.A adega parecia ainda mais silenciosa agora, como se o tempo tivesse se recolhido por respeito. Jean serviu mais vinho, mas logo as taças foram esquecidas sobre a mesa. Sophie sentou-se no sofá de couro escuro encostado à parede de pedra, e Jean ajoelhou-se diante dela por um instante, apenas para observar seu rosto, como quem grava uma imagem que não quer perder.— Você tem noção do efeito que causa? — ele perguntou, a voz baixa, quase contida.Sophie respirou fundo.— Não… e talvez seja melhor assim.O sorriso dele foi lento, carregado de intenç
Sophie caminhou pela rua estreita que serpenteava entre os chalets, seguindo as instruções que Jean havia enviado. A noite caía suave sobre Chamonix, tingindo os telhados de um azul profundo. Ela respirou fundo; o ar frio fazia suas mãos tremerem — não apenas pelo inverno.Quando finalmente chegou ao endereço, estranhou. Não era um restaurante, nem um café. Parecia uma antiga adega, discreta, com apenas uma lanterna iluminando a porta de madeira escura.Ela entrou.O ambiente estava silencioso e acolhedor. Uma mesa apenas. Uma. No centro da sala. E Jean estava ali, de pé, com um sorriso quase tímido… mas não o mesmo sorriso de sempre. Havia algo novo nele — uma confiança tranquila, quase perigosa.— Pensei que teria mais gente — ela disse, num meio riso.Jean se aproximou devagar, como quem não quer assustar um pássaro raro.— Para você? Nunca.Sophie sentiu um arrepio que não veio do frio.— Você não é uma mulher para se levar a lugares barulhentos ou coletivos — ele continuou, puxan
Era dia claro em Chamonix, e o céu azul límpido refletia nos Alpes ainda salpicados de neve. Sophie caminhava lentamente pela rua pacata, sentindo o frio suave da manhã em sua pele. O movimento discreto da cidade contrastava com a sua inquietação.Quando chegou diante do portão da casa misteriosa, o coração bateu mais forte. À luz do sol, a fachada parecia ainda mais inóspita. Portas fechadas, cortinas pesadas bloqueando qualquer indício de vida, o jardim malcuidado apesar do valor da propriedade. Tudo transmitia uma estranha sensação de abandono — e, ainda assim, ela tinha certeza de que havia movimento ali dentro.O vento da montanha passava pelas frestas das janelas, provocando pequenos estalos nas madeiras e estremecendo as venezianas. A rua estava quase vazia, apenas uma bicicleta encostada na esquina e um gato atravessando preguiçosamente a calçada.E pensar que tantas vezes acreditei ouvir a música vindo daqui… — refletiu Sophie, apertando o cachecol contra o peito. — Mas como?
Após um dia tenso e uma noite difícil após a discussão com Alain,Sophie decide ir relaxare vai até um restaurante mais distante e onde teria mais privacidade,a noite a chamava para beber um pouco sozinha enquanto decidia sobreseus próximos dias que teriam que ser decisivos sobre seu trabalho e sua vida de forma definitiva.Sophie já estava na terceira taça de vinho quando percebeu que sua mente continuava girando em círculos, incapaz de encontrar respostas. O restaurante era mais movimentado que o habitual para aquela noite, e o burburinho das mesas se misturava ao som discreto de um piano ao fundo.Foi então que a conversa na mesa ao lado começou a se destacar, como se as palavras fossem cuidadosamente escolhidas para atravessar o ar e alcançá-la. Um grupo de cinco pessoas — três homens e duas mulheres — fumavam, riam alto e se revezavam nas histórias, entre goles de vinho e pratos já esquecidos.— O comércio de Chamonix está mudando muito — dizia um homem de cabelo grisalho, ace
O tempo parecia não passar dentro do chalé. Sophie andava de um lado para o outro, os pensamentos agitados como folhas ao vento.A conversa com o homem naquela manhã ecoava como um sussurro persistente em sua mente. O rosto dele, as palavras escolhidas, a menção ao nome de Alain, ainda que superficial... Tudo deixava nela um rastro de incerteza.Será que Alain sabia?Será que tudo aquilo era real? Ou parte de algo mais cruel do que ela imaginava?Ela suspirou, tentando se convencer de que estava sendo paranoica. Mas a ansiedade era teimosa. Sentia-se inquieta, como se o chão sob seus pés não fosse mais firme.O tempo corria devagar até que...Três batidas suaves na porta.O coração de Sophie acelerou. Ela sabia. Sentiu.Era ele.Abriu a porta devagar, e lá estava Alain — com o mesmo sorriso caloroso de sempre. Os olhos claros brilharam ao vê-la, e num gesto natural e urgente, ele a puxou para um beijo demorado, com gosto de saudade.Sophie correspondeu... mas algo dentro dela não perm
Sophie acorda sentindo saudade de passear pela cidade, ir à padaria e ao mercado, tentando manter os pensamentos longe dos problemas... Mas sua energia positiva dura pouco.Enquanto faz compras, ela percebe que está sendo seguida por um homem. Ele entra nos mesmos corredores e disfarça muito mal. Ao se aproximar do setor de floricultura, Sophie o observa procurando por ela com o olhar. Fingindo não notar, ela permanece ali, esperando que ele se aproxime. Quando ele finalmente a encara, sorri e acena com a cabeça, como se estivesse cumprimentando-a.Sophie olha em volta, desconfiada, à procura de um segurança. Nesse momento, ele diz:— Não tenha medo, senhorita. Eu queria justamente falar com você...Ela estranha.— Comigo?— Sim. Sou um bom profissional e quis ser notado hoje.— Estou confusa...— Imagino. Mas já faz algum tempo que quero falar com você.Mil pensamentos invadem a mente de Sophie. Quem seria aquele homem, afinal?— Se você aceitar, podemos tomar um café. Com todo respe







