LOGINNa manhã seguinte àquela confissão inesperada, Sarah saiu do quarto e espiou a sala de estar com extrema cautela. Encontrou Vinícius na bancada da cozinha, preparando café e terminando de montar a mesa do café da manhã com uma tranquilidade que a deixava desconcertada. "Foi ele quem disse todas aquelas coisas absurdas, mas fui eu quem passou a noite inteira rolando na cama sem conseguir pregar os olhos.", pensou ela, sentindo o coração acelerar.Ela precisou respirar fundo algumas vezes antes de criar coragem para entrar de vez no cômodo. Vinícius ergueu o olhar, observando-a puxar a cadeira e se sentar sem demonstrar muita reação. Em seguida, ele deslizou um prato com torradas, ovos fritos e algumas frutas frescas para a frente dela.— Eu só sei preparar o básico na cozinha. A funcionária responsável pela casa só começa a trabalhar amanhã. — Comentou ele, quebrando o silêncio com a sua voz grave.— Vocês contrataram mesmo alguém para cuidar de tudo? — Perguntou Sarah, surpresa com a
— Eu não levo o menor jeito para gestão empresarial. Além do mais, eu sou uma pessoa que gosta de viver livre, sem amarras. Jamais conseguiria assumir um cargo de liderança. — Recusou Luana, balançando a cabeça.Ricardo soltou uma risada suave e segurou a mão dela com firmeza.— Não tem problema. Você não precisa aprender nada disso, eu cuido dos negócios da empresa. A sua única obrigação é fazer aquilo que te faz feliz.Luana abriu a boca para responder, mas o toque do celular a interrompeu. Era uma chamada de Vinícius....Enquanto isso, na antiga casa, a escuridão já havia tomado conta do céu. Vinícius olhou para o relógio em seu pulso, incomodado com a demora de Sarah. Ela já havia saído do alojamento estudantil e não estava com Luana. Onde aquela garota poderia ter se metido a uma hora dessas? A lembrança do vulto que vinha mais cedo perto do portão invadiu a sua mente, fazendo-o franzir a testa. Após alguns segundos de hesitação, ele pegou as chaves do carro e saiu em busca del
Ao retornar da nova casa de Luana, Sarah avistou o carro de Sérgio estacionado perto do portão logo que se aproximou da entrada. Sérgio e Vinícius caminhavam para fora da residência, imersos em uma conversa.— A sua irmã foi embora mesmo? Então isso quer dizer que agora a casa é só sua e daquela garota... — Provocou Sérgio, exibindo um sorriso malicioso.Vinícius lançou um olhar de repreensão para ele.— Pode ir tirando essas ideias absurdas da cabeça.Sérgio agitou as mãos no ar, tentando se justificar com uma risada.— Calma, cara, eu só estava brincando!Sarah, que estava prestes a entrar no quintal, recuou por puro instinto e se escondeu atrás do muro. Quando se deu conta do que havia feito, sentiu o rosto queimar de vergonha. "Por que eu estou me escondendo? Não é como se eu estivesse apaixonada por ele!", pensou ela, repreendendo a si mesma.Decidida a acabar com aquela situação ridícula, ela respirou fundo e fez menção de dar um passo à frente, mas as palavras seguintes de Sérg
Assim que retornaram para casa, Sarah pegou a imagem do ultrassom das mãos de Luana e deu um grito de empolgação.— Gêmeos! Eu não acredito! Você é muito eficiente, amiga! Resolveu a meta de ter dois filhos de uma vez só, sem precisar passar por tudo de novo.— Eu confesso que ainda estou em estado de choque, foi uma surpresa e tanto. — Comentou Luana, abaixando o olhar e acariciando a barriga com ternura. — Mas e se os dois puxarem a energia do pai e forem umas pestinhas? O que eu faço?Sarah se sentou ao lado dela no sofá, esbanjando otimismo.— Fica tranquila. O senhor Ricardo é completamente apaixonado por você. Tenho certeza de que ele vai ser um pai babão e vai educar essas crianças muito bem.— O meu medo é que eles herdem a personalidade dele. Aí sim eu estarei perdida.As duas trocaram um olhar cúmplice e caíram na risada.Sarah captou a mensagem nas entrelinhas.— Olha, se for um menino, tomara que puxe a sua doçura. Mas se for uma menina, ter a personalidade do pai não seria
Danilo conhecia o próprio filho melhor do que ninguém. Nos últimos anos, ele havia perdido as contas de quantas moças tentara apresentar ao rapaz. Todas eram filhas de famílias tradicionais, donas de currículos impecáveis e de uma beleza inquestionável.O problema era que o filho tinha um nível de exigência beirando o absurdo. Ele avaliava cada detalhe, encontrava defeitos onde não existiam e, no fim das contas, nunca ficava satisfeito com nenhuma das pretendentes.Depois de tantas tentativas frustradas, Danilo simplesmente jogou a toalha e decidiu lavar as mãos em relação ao casamento do filho. Afinal de contas, não era ele quem corria o risco de ficar solteiro para o resto da vida!Luana soltou uma risada leve do outro lado da linha.— Vai saber, pai... De repente, o Vinícius acaba se encantando justo pela garota que eu vou apresentar.— É mesmo? — A voz de Danilo ganhou um tom de curiosidade genuína. — E de qual família essa moça vem? O que ela faz da vida?— Ela estuda artes e tamb
Milena olhou para Luana e disse:— Parece que o sue morotista chegou. Eu vou indo nessa, até amanhã!— Até amanhã. — Luana se despediu, acenando com a cabeça.Com a partida da colega, Luana caminhou em direção ao veículo escuro. Sebastião se apressou em abrir a porta traseira, fazendo um gesto educado para que ela entrasse.— Como você adivinhou que eu estaria por aqui a esta hora? — Indagou Luana assim que se acomodou no banco de couro, virando o rosto para encarar Ricardo.Ricardo guardou o celular no bolso do paletó com a sua habitual elegância.— O pessoal do instituto me avisou.— Você foi até lá me procurar? — Perguntou ela, surpresa.— E o que mais eu faria? — Retrucou ele, num tom suave. Ricardo cobriu a mão dela com a sua, entrelaçando os dedos num aperto reconfortante, e a puxou para repousar sobre o próprio peito. — Você tem se matado de trabalhar nesses últimos dias. Deve estar exausta, não é?Luana piscou, pega de surpresa por aquela demonstração de afeto tão vulnerável.







