MasukAo ouvir aquelas palavras, Sarah abriu um sorriso contido, os olhos baixos transparecendo uma doçura serena. Ao longo dos anos, ela havia ganhado diversas joias de pretendentes, mas esses presentes sempre pareciam transações calculadas. Se a peça fosse cara demais, os homens hesitavam. Se fosse barata, temiam a rejeição. No fim, acabavam escolhendo qualquer tendência do momento, sem que ninguém jamais dedicasse tempo real para entender o gosto dela. O presente de Vinícius, embora também fosse uma joia, carregava um peso diferente, deixando claro o cuidado e a dedicação por trás daquela escolha para selar o compromisso.Recordando-se de um detalhe, ela umedeceu os lábios antes de falar:— Olha, confesso que não tenho nada para te entregar agora, mas... Antes que o rapaz pudesse processar a fala, Sarah se inclinou e depositou um beijo suave em sua bochecha. Vinícius paralisou de imediato. O olhar sempre tão sereno foi tomado por um turbilhão de emoções, e uma alegria indescritível co
O dia de trabalho se estendeu até o fim da tarde. Foi naquele horário que Luana recebeu uma mensagem de Sarah, convidando-a para ir à sua casa. Acreditando se tratar de alguma emergência, ela se apressou em chegar ao condomínio. Contudo, assim que abriu a porta da residência, ficou paralisada com a cena diante dos seus olhos.A sala de estar estava toda decorada com luzes e enfeites, criando uma atmosfera festiva e acolhedora. No centro do cômodo, uma longa mesa exibia um banquete farto, repleto de pratos variados que misturavam a culinária oriental e ocidental.— O que significa tudo isso? — Indagou Luana, ainda processando a surpresa.Sarah, que terminava de ajeitar as taças e os talheres sobre a toalha, abriu um sorriso largo.— Estamos preparando uma comemoração para você, oras!— Para mim? — A confusão estava estampada no rosto de Luana. — Por acaso hoje é alguma data comemorativa e eu esqueci?Vinícius surgiu da cozinha segurando uma travessa fumegante e se juntou à conversa.— E
A decepção durou apenas uma fração de segundo. Logo em seguida, Liliane recompôs a postura, forçando um sorriso amigável.— Você está de folga hoje? — Perguntou ela, tentando disfarçar a frustração.Matias acomodou o buquê de flores na mesa de cabeceira e se sentou na poltrona de acompanhante antes de concordar com um aceno.— O laboratório está bem tranquilo hoje, então o professor Valentino me liberou mais cedo.A simples menção do nome de Valentino foi o suficiente para acender um brilho de esperança no olhar da garota. No entanto, ao notar a hesitação no rosto do colega, que parecia buscar as palavras certas, ela compreendeu a realidade de imediato. Talvez por puro orgulho, para não demonstrar fraqueza na frente de outra pessoa, ela soltou um riso anasalado, carregado de autodepreciação.— Deixe pra lá. Mesmo que ele soubesse que estou internada, não daria a mínima pra o que acontece comigo.— E como você está se sentindo agora? — Indagou o rapaz, mudando de assunto.— Estou ótima,
O corpo de Liliane enrijeceu. Ela estacou no lugar, incapaz de dar mais um passo.Aquelas palavras duras serviram como um balde de água fria, trazendo-lhe um pingo de lucidez. A verdade é que ela não estava embriagada de verdade. O álcool era apenas uma desculpa esfarrapada para justificar o seu comportamento irracional e tentar chamar a atenção do homem que amava. Mas parecia que ninguém compreendia a sua dor.— Você não entende nada. — Murmurou ela, com a voz embargada. Virando-se devagar, caminhou até Matias e puxou a bolsa e o celular das mãos dele. — De qualquer forma, obrigada por ter me aturado durante todos esses dias.— Liliane, espere... — O rapaz tentou argumentar.— Eu já disse que não estou bêbada. Posso muito bem voltar sozinha. — Ela tirou um lenço umedecido da bolsa, limpou o batom borrado e os restos de maquiagem do rosto, e caminhou até a beira da avenida para sinalizar a um táxi que se aproximava.Matias acompanhou o carro se distanciar com o olhar. Os seus punhos se
— Para ser sincera, eu já tinha percebido as intenções do meu irmão há muito tempo. — Luana a interrompeu, exibindo um sorriso radiante. — Agora que as coisas se ajeitaram de forma tão natural, nem precisei bancar o cupido. Estou feliz demais com tudo isso!Sarah piscou, ainda um pouco atordoada com a situação.— Por que estou com a sensação de que caí numa armadilha armada por vocês dois?— Ah, mas agora é tarde demais para pular fora do barco. — Luana se aproximou, parando ao lado dela. — Sem contar que o meu pai já aprovou você!A revelação fez Sarah paralisar, pega de surpresa.— Quando foi que você contou isso para o nosso pai? — Vinícius franziu a testa, visivelmente confuso.— Eu só estava sondando o terreno para ver a reação dele, ora. Afinal, eu já tinha prometido que levaria a minha futura cunhada para conhecê-lo!— Mas... isso não é precipitado demais? — Sarah gaguejou. "Conhecer a família? Nós acabamos de assumir o que sentimos um pelo outro e já vamos dar um passo tão gra
Assim que chegaram à porta do lavabo, Sarah fez um gesto educado e se virou para retornar à sala. No entanto, a voz de Josiane a fez parar no meio do caminho. Sarah olhou por cima do ombro com uma expressão serena, como se já esperasse por aquele confronto.— Você está apaixonada pelo Vinícius, não está? — Disparou Josiane, sem rodeios. Sem dar tempo para que Sarah respondesse, ela continuou o seu ataque. — Eu me encantei por ele desde a primeira vez que o vi. O Sérgio me confirmou que ele não tem namorada. Como vocês dois não assumiram nada, eu tenho todo o direito de lutar por ele. O caminho está livre para mim, concorda?Sarah abaixou os olhos por um breve momento, ponderando as palavras. Quando voltou a encarar a rival, havia uma determinação silenciosa no seu olhar.— É claro que você tem o direito de tentar a sua sorte. — Ela fez uma pausa calculada, deixando o suspense no ar. — Mas saiba que eu não vou abrir mão dele para você.O sorriso presunçoso de Josiane desapareceu na mesm







