INICIAR SESIÓNBrittany caminhava pela sala da mansão, de um lado para o outro o som dos saltos ecoando frio contra o piso branco. O rosto estava pálido, os olhos marejados — mas não era só tristeza, era de medo.
Maris a esperava sentada em uma das poltronas, impecável, folheando uma revista como se o caos da filha fosse um detalhe sem importância. — Ele me mandou sair, mãe. — Brittany rompeu o silêncio, a voz trêmula. — Ou melhor, o médico. Disse que eu estava prejudicando a recuperação dele. Maris levantou o olhar, serena. — E o que mais aconteceu? — Ele disse que não está noivo de mim. — Brittany respirou fundo, o lábio tremendo. — Pode até ter perdido parte da memória, mas essa certeza ele tem, disse que nós terminamos há quase um ano, que nunca pediu minha mão e que o anel nem pertence a família dele. Maris fechou a revista devagar e cruzou as pernas. — E você deixou transparecer que está mentindo? — Não! — Brittany respondeu rápido. — Mas, mãe, ele vai lembrar, o neuro disse que as memórias recentes podem voltar a qualquer momento. O que vou fazer quando ele se lembrar e descobrir que tudo isso é tudo mentira? Maris deu um meio sorriso, frio e calculado. — Então trate de não deixar que se lembre pelo menos, não agora. — E como faria isso? — Brittany ergueu a voz, desesperada. — Ele não quer me ver, fui expulsa do quarto, o médico proibiu o meu contato direto! — Pois então, minha filha — disse Maris, levantando-se devagar, ajeitando o casaco como se fosse para uma reunião importante —, você vai precisar ser inteligente. Essa é a hora de usar o que aprendeu comigo. — Mãe, ele vai descobrir— Brittany murmurou, o medo nítido nos olhos. — Quando ele lembrar, tudo isso vai acabar. — Só se você deixar — retrucou Maris, a voz cortante. — Enquanto ele não lembrar, você é a noiva, a mulher que esperou dois meses ao lado dele, a heroína e injustiçada. Faça com que todos acreditem nisso, principalmente os pais dele. Brittany respirou fundo, mas a voz saiu baixa, quase um sussurro: — E quando a verdade vier à tona? Maris se inclinou levemente e respondeu, com frieza: — A verdade, minha querida, é apenas uma versão bem contada. Brittany limpou as lágrimas apressadamente com as costas da mão. — Mãe, o médico disse que ele não pode ser forçado a lembrar, que a memória vai voltar sozinha. Maris cruzou os braços, impassível. — Então não o force, se faça presente, mesmo que não possa entrar no apartamento onde ele está, mantenha-se próxima, ligue para a mãe dele, pergunte pela recuperação, envie flores, mensagens, demonstre preocupação. — E se não quiserem que eu vá? — Brittany perguntou, aflita. — Vá mesmo assim, — Maris respondeu com frieza. —vá ao hospital, converse com o neuro, pergunte o que pode fazer para não prejudicá-lo. Mostre-se preocupada, sensata, constante, esse é o papel de uma noiva dedicada. Brittany balançou a cabeça, enxugando o rosto. — Ele não lembra que esteve em Silver Spring. Maris arqueou uma sobrancelha. — O que quer dizer com isso? — Que ele esqueceu completamente — Brittany respondeu, a voz tremendo. —que ele não lembra da viagem a Silver Spring, então não lembra daquela moça. Maris franziu o cenho. — Que moça? Brittany hesitou por um instante, mordendo o lábio antes de confessar: — Aquela que eu atendi o telefone, depois do acidente, lembra, mãe? Te contei a mulher que ligou para Ele o contato estava salvo como , “Ash amor”. Maris ficou em silêncio por um momento, avaliando. — Então é isso — murmurou por fim. — Ele deixou alguém em Silver Spring. Brittany assentiu, o olhar perdido. — Mesmo quando nós nos relacionamos, ele nunca me chamou assim, sempre foi “Brittany”. Seco, e distante. Maris estreitou os olhos. — Então use isso a seu favor, se ele não lembra, ninguém precisa saber o que aconteceu em Silver Spring. Brittany engoliu em seco. — Posso até ter dito àquela mulher, no telefone, que eu era a noiva dele, mas ele nunca vai saber disso. E agora, eu não sei o que vai acontecer quando ele descobrir. Maris se aproximou e pousou as mãos sobre os ombros da filha. — Quando ele descobrir, minha filha, você já terá feito todos acreditarem que o amor de vocês é real. E, quando muitos acreditam, até uma mentira ganha força de verdade. Brittany baixou o olhar, tomada por um silêncio pesado. No fundo, uma voz insistente ecoava dentro dela: Mas e se ele se lembrar da mulher?Christian e BriannaChristian, o pai de Ashley, surpreendia a todos com sua vitalidade. Desde que vencera o linfoma, nunca mais tivera recaídas. Ao lado de Brianna, sua companheira leal, tornara-se um homem sereno, dedicado aos filhos e aos netos. O olhar antes carregado de dores agora refletia esperança e ternura.Samuel e Mihael, os gêmeos, já estavam com dezessete anos e haviam ingressado na universidade. Mesmo assim, optaram por não morar no campus.— Não queremos ficar longe de casa. — disseram ao pai e à madrasta. — Queremos ir e voltar todos os dias.Christian, conhecendo bem as limitações e as sensibilidades dos filhos, não discutiu. Apenas providenciou um carro para que pudessem se locomover com segurança.— Vocês têm responsabilidade, eu confio em vocês. — disse ao entregar-lhes as chaves.Os dois, protetores ao extremo, não desgrudavam da irmã Ashley nem dos sobrinhos. Faziam questão de estar presentes em cada aniversá
Dois anos haviam se passado desde o dia em que Paul e Elise saíram da maternidade com os pequenos Paul e Elisha nos braços. O tempo voara como um sopro, preenchido com noites insones, risadas infantis, passos vacilantes que viraram corridas pela casa, e palavras balbuciadas que agora já se transformavam em frases completas.Naquela manhã de verão em Silver Spring, a família se reunia na fazenda dos pais de Elise para celebrar o aniversário de dois anos dos gêmeos. Balões enfeitavam o caramanchão, mesas estavam cobertas com toalhas coloridas e as risadas das crianças ecoavam pelo jardim.Elise, com a barriga arredondada pela nova gravidez, observava tudo com um sorriso sereno. Paul estava ao seu lado, segurando Elisha pela mão enquanto o pequeno Paul corria atrás dos primos.— Dois anos, amor. — Elise murmurou, acariciando a própria barriga. — Parece que foi ontem que estávamos na maternidade.Paul a abraçou pela cintura, pousando o queix
Três meses haviam passado desde a revelação do ultrassom. A vida corria tranquila, pontuada de pequenas alegrias que enchiam os dias de Elise e Paul.A barriga de Elise já despontava, firme e linda, denunciando os quatro meses de gestação. Quando caminhava pelos jardins da nova casa, Paul não se cansava de admirar a cena: ela sorrindo, acariciando o ventre, como se já conversasse com os filhos.— Não cabe em mim essa felicidade, Elise. — dizia ele, quase todos os dias, enquanto se aproximava para abraçá-la por trás. — É como se o mundo tivesse finalmente encontrado o seu eixo.Ela ria, encostando a cabeça no ombro dele.— E pensar que tudo começou na nossa primeira noite de amor…Paul beijava-lhe os cabelos, com a certeza de que jamais conhecera paz maior.A casa em que viviam agora ficava próxima da propriedade dos pais dele, ampla e arejada, com um jardim verdejante que parecia feito sob medida para crianças. Paul já
Depois de saírem da clínica, ainda com as imagens do ultrassom nas mãos, Elise parecia pensativa. Paul, atento, percebeu logo.— O que foi, amor? — perguntou, acariciando a mão dela enquanto dirigia.Ela suspirou fundo, olhando para a janela.— Eu estava pensando em fazer como a Ashley. Guardar as células-tronco dos nossos bebês. Nunca sabemos o dia de amanhã… e depois de tudo o que aconteceu com o pai dela, eu acho que é uma segurança.Paul virou-se, surpreso, mas ao mesmo tempo tocado.— Você tem razão, Elise. — respondeu firme. — É um gesto de amor e de responsabilidade. Vamos guardar sim.Ela sorriu, aliviada.— Obrigada, amor. Quero que nossos filhos tenham todas as chances possíveis de saúde.Paul apertou-lhe os dedos com ternura.— Eles terão. Porque você pensa em tudo.No caminho de volta, Elise se animou, como se tivesse uma centelha nova de energia.— Nesse final de
O avião tocou suavemente a pista no arquipélago das Maldivas. Elise, com a testa encostada na janela, deixou escapar um suspiro encantado ao ver as águas azul-turquesa cintilando sob o sol. Cada ilha parecia uma joia no meio do oceano.Paul, ao lado dela, observava mais a expressão da esposa do que a paisagem. Ele sorria, satisfeito, porque sabia que não era apenas uma viagem: era o início de uma nova vida.— Então… gostou da vista, senhora minha esposa? — perguntou, brincalhão, entrelaçando os dedos nos dela.Ela riu, desviando o olhar para ele.— Gostar? Eu estou apaixonada. Mas não pelas Maldivas. Por você, Paul.Ele apertou a mão dela, emocionado, e sussurrou:— Eu nunca me senti tão feliz na minha vida quanto agora.O chalé reservado para eles ficava sobre a água, isolado do restante do resort. Era como um refúgio particular. Do deque de madeira, podiam ver os peixes coloridos nadando no recife logo abaixo
A Festa do CoraçãoO pároco e o juiz já tinham declarado Paul e Elise marido e mulher. O beijo deles ainda parecia reverberar no ar quando os aplausos cessaram e os pais de Ashley se levantaram, emocionados. Os avós também se juntaram a eles, abrindo os braços em direção ao casal.— Agora — disse o pai de Ashley, com a voz firme e alegre — vamos celebrar a felicidade desse casal que hoje se forma diante de Deus e diante de todos nós.Houve uma salva de palmas calorosa, e alguns convidados assobiaram em brincadeira, aumentando a alegria do momento.Elise, ainda de mãos dadas com Paul, sorriu com malícia suave.— Eu não quero demorar muito — disse, rindo, com as bochechas coradas. — Quero cortar logo o bolo e dançar, porque eu esperei demais por isso.A sinceridade arrancou gargalhadas de todos. Ashley riu alto, segurando a barriga e abanando a mão:— Isso mesmo, prima! Vamos logo para a festa, porque até eu estou ansiosa







