INICIAR SESIÓNEu encarava James como se ele estivesse ficando maluco. Nós crescemos juntos e ele tinha se tornado um grande amigo, me emprestando o ombro amigo sempre que eu queria chorar, aparecendo na minha janela à meia noite em todos os meus aniversários só para ser o primeiro a me entregar um presente.
James nunca tentou nada comigo, nós nunca sequer demos um beijo, e não é porque ele era tímido, sua fama corria na cidade e eu conhecia bem a fila de mulheres que ele já tinha levado pra cama. E agora ele estava perguntando porque eu não me casaria com ele?
— Do que você está falando? — Questionou cruzando os braços e indo me sentar na cadeira de balanço na varanda.
— Se queria se casar porque não falou comigo? — ele insistiu fazendo minhas sobrancelhas franzir em confusão. — Porque nunca me disse que queria algo assim?
— Nós somos amigos, acha mesmo que se eu estivesse procurando um marido não teria te dito?
Ele tirou o boné e andou em minha direção, se sentando ao meu lado com os olhos focados em meu rosto, me olhando com uma expressão de preocupação que não combinava com ele.
— Então é pelo seu pai? Quer agradar a ele? — James se moveu na cadeira esticando a mão e agarrando meu pulso com firmeza. — Vamos nos casar então. Não precisa se casar com aquele monstro que você nem conhece. Eu faço isso por você.
As palavras dele me atingiram de um jeito que fez meu estômago revirar e eu puxei minha mão de volta rapidamente. Ele estava dizendo como se pudesse se sacrificar e casar comigo, como se fosse um favor que fazia.
— Meu pai escolheu Kaian e não vou contrariá-lo! — afirmei sentindo a raiva crescer. Ao menos com Kaian era uma troca e não um favor, ele recebia as terras e eu a felicidade do meu pai e ponto final.
— Você conhece caras como ele, o homem tem uma longa linha de mulheres só esperando para cair em sua cama. Não vê que ele só te quer para pegar as terras do seu pai?
Me levantei em um salto sentindo meu sangue ferver de raiva com aquela merda que ele estava falando. Eu podia não ser as mulheres que ele estava acostumado, mas não era horrível para que agisse assim.
— Acho melhor você ir embora, James. Eu tenho que arrumar tudo, afinal me caso em dois dias!
— Vai mesmo fazer essa estupidez? — ele semicerrou os olhos me encarando como se quisesse enxergar minha alma e eu cruzei os braços, tentando me proteger da tempestade que vi em seus olhos. — Aquele lobisomem nunca vai te amar, nem mesmo vai se importar com você depois que tiver as terras.
Um sabor amargo encheu minha boca enquanto um peso se formava sobre meu peito, tornando difícil de respirar.
James nunca tinha agido assim comigo, nunca tinha sido tão mal, nem mesmo quando éramos crianças e seu pai o trazia junto quando vinha trabalhar. Ele era engraçado e doce, corríamos juntos por toda a fazenda, brincamos e choramos nossas perdas. Porque logo hoje, quando tudo em minha vida ficou confuso, ele tinha que agir como um babaca?
— Algum problema aqui? — A voz grossa nos fez virar no mesmo instante, enquanto um homem forte alto, com cabelos longos no pescoço, pele clara e olhos castanhos, se aproximou.
Eu já tinha visto ele algumas vezes com o pessoal da reserva, isso só podia significar que também era um lobisomem. James fechou a cara e retorceu os lábios, parecendo prestes a enfrentar o homem.
— Não, nenhum problema. — intervi antes que os dois brigassem, porque se os boatos eram verdadeiros, James estaria morto em um segundo.
James apenas bateu o boné na palma da mão me dando uma última olhada antes de marchar pra longe.
— Se quiser posso dar um jeito no esquentadinho. — meus olhos se arregalaram com a facilidade dele em dizer aquilo, como se não fosse nada demais. — Sou Leon, braço direito e melhor amigo de Kaian.
— Sou Alina… — respondi estendendo minha mão e ele a encarou por um momento antes de apertar abrindo um sorriso grande.
— Eu sei quem você é, vim aqui com a missão de medir esse dedinho pro meu amigo colocar uma aliança nele daqui dois dias. — Leo disse pegando minha mão esquerda e rodeando o dedo com uma fita.
Ele parecia contente com aquilo, não como se estivesse um amigo sendo forçado a se casar. Leon parecia quase estar se divertindo como um…
— Então você é o padrinho?
Os olhos castanhos se ergueram para meu rosto enquanto ele dava de ombros.
— Se não nossa cultura existisse padrinhos, sim, eu seria um padrinho e cá entre nós seria o melhor. — ele sussurrou a última parte me arrancando um sorriso e pela primeira vez no dia eu me senti leve. — Sou a pessoa que você pode perguntar qualquer coisa sobre Kaian, acho que ninguém o conhece melhor do que eu.
Meu coração disparou no peito com a ideia de saber mais sobre o homem com quem me casaria em dois dias e eu não resisti.
— Me conte sobre ele, do que ele gosta e… o que ele pensa desse casamento. — talvez eu me arrependesse da última pergunta, mas não pude evitar, Kaian tinha saído tão rápido da minha casa que nem me deu tempo de conversar.
— Kaian não é uma pessoa fácil, ele é sério e calado. Não gosta de se abrir com ninguém, mas ele é o mais leal que já conheci em toda a minha vida. — Leon falou com o tom ficando mais sério, assim como os olhos até que o sorriso se desfez. — Quando era pequeno ele e os pais haviam saído para caçar, mas se depararam com humanos, caçadores, que mataram os seus pais enquanto eles tentavam protegê-lo. Kaian ficou muitos dias perdido na mata até que outros saíssem para procurar por eles. Meu amigo era só um menino de quatro anos, uma criança que viu os pais serem assassinados e apesar da força de alfa que tinha dentro dele, ainda não podia se transformar em lobo.
Eu levei as mãos a boca sentindo meu coração se partir com o horror do que ele tinha dito, meus olhos se encherem de lágrimas enquanto a imagem de um menininho perdido e assustado preenchia minha mente.
— Meu Deus! Nem… nem imagino o quanto ele deve ter sofrido.
— Ele sofreu demais, mesmo sendo criado por meus pais depois disso, ele nunca conseguiu se abrir e voltar a ser uma criança normal. — a testa dele se franziu e os olhos ficaram distantes, como se estivesse revivendo o passado em sua mente. — Kaian se fechou em um casulo e nunca mais saiu.
— Sinto muito, eu sinto muito por ele. — murmurei sentindo um desejo insano de querer abraçá-lo e consolá-lo de alguma forma.
— Agora ao menos você já sabe que ele pode ser rude, mas não é algo pessoal, apenas… ódio pelos humanos em geral.
— Está me dizendo que meu futuro marido já me odeia?
O quarto estava cheio de vozes, sussurros que pareciam vir de muito longe, como se o mundo inteiro tivesse se reduzido ao som da minha respiração pesada e ao pulsar constante das contrações que atravessavam meu corpo. Eu sentia cada onda chegar antes mesmo dela se manifestar por completo: primeiro um aperto profundo na base da coluna, depois um calor que se espalhava como fogo líquido pelas costas e descia até as coxas, forçando-me a arquear as costas e morder o lábio para não gritar logo de cara.A dor era imensa, mas não era só dor, havia algo vivo dentro dela, uma presença que me lembrava que eu não estava sozinha naquele momento. Meu filho estava chegando!O medo apertava meus peito sempre que eu tentava imaginar como ele seria, não tínhamos ideia de como a mistura de humano e lobo funcionaria. Mas mesmo com a incerteza e com o corpo tremendo de exaustão, eu sentia uma felicidade tão grande e tão crua que me impulsionava a continuar.A curandeira entrou apressada, o rosto calmo ap
— Você não vai ficar com ele! Não vai estragar o nome da nossa família assim! Eu te mato antes!Queria ter acabado com a mãe de Alina há muito tempo, e não porque ela matou meus pais, destruiu incontáveis vidas e continuava a fazer isso como se não fosse nada. Eu queria matá-la pela forma como ela falou de Alina, como falou do nosso filho, por ter ousado drogar minha companheira.Meu sangue fervia e se não fosse por Alina mole em meus braços, eu teria avançado direto para ela e arrancado seu coração do peito.Minha garota fechou os olhos com as últimas palavras da mãe, esperando o pior, mas eu já estava à sua frente, protegendo seu corpo com o meu, como um escudo. Não deixaria que nada acontecesse com ela, por mim Alina estaria presa bem longe dali, em segurança e não no meio daquele caos.Eu senti o impacto do tiro acertar meu peito, e então outro em meu braço quando me virei de frente para Alina. Os olhos dela se arregalaram enquanto eu sorria vendo as íris lindas focadas em mim. Po
Ela andou em minha direção com a mesma altivez que eu me lembrava, como se o mundo fosse o seu palco e ela o dominasse com facilidade. Vendo aquela mulher assim depois de tudo o que ouvi nas últimas semanas, me fazia pensar como eu não havia notado quem ela era de verdade? Podia até ser uma criança, mas como nunca notei que ela era alguém ruim?— Você se tornou mesmo uma mulher linda, é mais bela ainda pessoalmente. — ela disse se aproximando. — Tirando essa barriga.— E você envelheceu. — praticamente cuspi as palavras, recuando um pouco enquanto já sentindo a raiva começar a reacender dentro de mim, mas eu precisava me conter e ganhar tempo para os outros, não podia estragar tudo agora.— Ora vamos Alina, dê um abraço na sua mãezinha. — ela disse estendendo os braços na minha direção. — Não nos vemos há tantos anos e vai me negar um abraço?— Não nos vemos porque você foi embora, não finja que é por qualquer outro motivo. Você escolheu nos abandonar, escolheu me deixar no meio da no
Ele parecia ensandecido, como se estivesse prestes a perder a cabeça, me apertando contra seu corpo, os dedos afundando em minha carne enquanto ele devorava minha boca, roubando meu fôlego e me forçando a desviar em buscar de ar.— Kaian… — eu deveria pará-lo, mas quando começávamos assim era uma verdadeira luta interna para me render.— Eu vou te algemar em casa se for preciso — ele grunhiu arrastando os lábios por meu pescoço, enquanto suas mãos agarravam meus pulsos, prendendo-os atrás de minhas costas. — Não vai a lugar nenhum.Aquelas palavras foram o bastante para ativar um alerta em minha mente, ajudando a me tirar daquele transe que seu toque me colocava.Eu não podia deixar que ele estragasse todo o plano, muito menos me impedisse de olhar no rosto da minha mãe enquanto a confrontava por tudo o que me fez passar, tudo o que fez meu pai sofrer sozinho e todo mal que continuava a causar.Sem pensar duas vezes empurrei os ombros dele com uma força que até me surpreendeu, forçando
Assim que entrei na sala o rosto de Kaian se virou, como se sentisse meu cheiro antes mesmo que eu abrisse a boca.— Não me diga que iam começar sem mim! — falei atraindo os olhares.— Olha só pra você! — Elara exclamou se levantando e vindo na minha direção. — Nem acredito que está mesmo carregando um filhote de lobo aí dentro.Ela me abraçou rapidamente e tocou minha barriga com algo que quase parecia devoção.— É claro que ela está carregando um filhote, ela sempre mostrou ter mais colhões do que muitos lobos por aqui. — Garrick empurrou a mulher à minha frente e envolveu os braços em minhas costas, me apertando com um pouco de força além do necessário.— Bom te ver de volta, Alina. — Varak apertou meu ombro antes que Garrick tivesse a chance de me soltar. Varak abriu um sorriso de deboche e olhou de volta pra a mesa. — Seu marido estava quase nos enlouquecendo.— Já chega, parem de sufocar minha mulher. — Kaian chegou empurrando a todos até conseguir segurar minha mão e me puxar d
— Você está com uma cara diferente nos últimos dias. — Sara disse me fazendo erguer o rosto e encontrá-la parada na entrada da cozinha.— E você está precisando de sol, quanto tempo pretende ficar trancada dentro dessa casa? — ela não me deu uma resposta, mas eu sabia que ela ainda não estava pronta para sair, especialmente com todos os lobos lá fora. — Vem tomar café, vai ser bom ter você de companhia hoje.Um pequeno sorriso se abriu nos lábios e ela andou, se servindo de pão, ovos e bacon, antes de se sentar à minha frente.— Onde está seu maridão que parece estar sempre um passo atrás de você?— Não tenho ideia, acordei e ele havia sumido da cama, só havia um bilhete dizendo que voltava logo. E não o chame assim, ainda estamos separados.Sara deixou uma risada inesperada e espontânea escapar, ecoando na cozinha de uma forma que aqueceu meu coração. Não tinha visto ela sorrir nas duas semanas desde que chegamos a alcatéia.— Separados? — ela perguntou tentando conter o riso. — Estã







