INICIAR SESIÓNEu estava andando de um lado para o outro na sala de casa com os nervos à flor da pele, enquanto o relógio na parede parecia zombar de mim, marcando cada segundo que Leon demorava pra voltar. Onde raios aquele idiota tinha se metido? Ele só precisava ir até a fazenda, medir o dedo da garota para aliança e voltar. Não era pra levar a tarde inteira com minha noiva!
Noiva. A palavra ecoava nos meus ouvidos como uma piada de mau gosto, algo que não fazia sentido. Eu, Kaian Hawkings, alfa da alcatéia Greyclaw, casado? Ainda mais com uma humana? Era contra tudo o que eu acreditava, contra o juramento que fiz a mim mesmo anos atrás: nunca me prender a ninguém, nunca correr o risco de perder outra pessoa como perdi meus pais.
Relacionamentos eram fraqueza, era estupidez criar laços que podiam ser cortados sem o menor aviso deixando apenas dor. Por isso eu mantinha as coisas simples, noites sem compromisso, corpos sem nomes. Mas por causa daquelas malditas terras, eu estava preso a Alina Lancaster.
Eu podia sentir o cheiro dela ainda, aquele maldito perfume que grudou em mim desde que a toquei. A lembrança da cintura dela sob minhas mãos, da eletricidade que me atravessou, me deixava inquieto.
Mas eu não deveria me sentir assim, ela era uma humana, uma lembrança viva dos monstros que mataram meus pais, que caçam meu povo. Mesmo que Alina não tivesse culpa, ela era da mesma espécie. E eu não podia me deixar levar, não podia permitir que ela fosse mais do que um meio para um fim.
As terras dos Lancaster valiam qualquer sacrifício, até mesmo esse casamento ridículo. Mas fazer um humana minha luna? Ela nunca seria minha luna de verdade.
A porta da sala se abriu com um rangido e Leon entrou, me tirando dos meus pensamentos confusos quando vi a expressão séria. Meus sentidos ficaram em alerta na hora. Leon não era de fazer cara de paisagem, sempre tinha um sorriso idiota ou uma piada pronta.
— E aí, conseguiu a medida da aliança? — perguntei, tentando soar desinteressado, mas minha voz saiu mais tensa do que eu queria. Eu precisava saber como tinha sido e o que havia acontecido para ele estar com aquela cara. Não que eu me importasse. Era só... curiosidade.
— Sim, consegui. — Leon respondeu, jogando a fita de medir sobre a mesa com a marcação. — Mas sério você deveria ter ido fazer isso, cara.
— Não começa com isso, Leon — Minha paciência já estava no limite com aquela coisa toda de casamento. — Você quis ir, por mim não teria aliança nenhuma e ponto final.
Ele riu, mas não era o riso leve de sempre. Havia algo nos olhos dele, uma provocação que me fez cerrar os dentes.
— Não estou reclamando de ter passado um tempo com a sua garota. Estou falando que você ia gostar de ver o que eu vi.
As palavras dele acenderam um fogo no meu peito, despertando uma raiva que subiu tão rápido quase me cegando.
— Que porra você viu? — grunhi, dando um passo à frente, minhas mãos se fechando em punhos enquanto o pensamento de Leon olhando para Alina de um jeito que não devia, me fez ver vermelho. Se ele estava rondando ela, tentando alguma coisa… eu ia matá-lo!
Leon ergueu as mãos com aquele sorriso irritante voltando.
— Calma, alfa. Não estou tentando nada com a sua noiva. Que tipo de homem eu seria se tentasse roubá-la depois que você brigou com o conselho por ela? — ele perguntou me irritando com o ar de espertinho que sempre gostava de usar quando me irritava. — Mas nem todos os homens respeitam a noiva de alguém, sabia?
— Que merda você está falando, Leon. Diga de uma vez e pare de rodeios como uma mocinha! — Minha voz saiu como um rosnado, e o dedo que apontei pra ele não deixava margem para brincadeira. Leon estava me testando, e eu não estava no clima para joguinhos.
Ele gargalhou desviando de mim e se jogando no sofá como se fosse dono do lugar, confortável demais para o meu gosto.
— Um dos peões da fazenda está atrás dela. Quando cheguei, eles estavam brigando feio porque o cara quer ela.
— O quê? — O som que saiu de mim foi mais animal do que humano, um rosnado baixo que fez as paredes tremer.
— No meu entender ele gosta dela, mas não sabe como dizer isso então foi um babaca insinuando que ela é pouca coisa para alguém como você se interessar se não fosse pelas terras.
Minha visão escureceu nas bordas, e eu senti meus punhos apertarem com tanta força que as juntas estalaram. A ideia de outro homem se aproximando dela, falando que a queria, fez meu sangue ferver.
— Não perguntei isso, perguntei quem é o filha da puta? — rosnei avançando contra ele. — Fale logo Leon, eu sou a porra do seu alfa!
— Trabalha na fazenda, assim como o pai dele. Pelas fotos nas redes, ele e Alina são amigos há anos. — Ele fez uma pausa, saboreando o momento. — James Williams, esse é nome do seu concorrente.
O quarto estava cheio de vozes, sussurros que pareciam vir de muito longe, como se o mundo inteiro tivesse se reduzido ao som da minha respiração pesada e ao pulsar constante das contrações que atravessavam meu corpo. Eu sentia cada onda chegar antes mesmo dela se manifestar por completo: primeiro um aperto profundo na base da coluna, depois um calor que se espalhava como fogo líquido pelas costas e descia até as coxas, forçando-me a arquear as costas e morder o lábio para não gritar logo de cara.A dor era imensa, mas não era só dor, havia algo vivo dentro dela, uma presença que me lembrava que eu não estava sozinha naquele momento. Meu filho estava chegando!O medo apertava meus peito sempre que eu tentava imaginar como ele seria, não tínhamos ideia de como a mistura de humano e lobo funcionaria. Mas mesmo com a incerteza e com o corpo tremendo de exaustão, eu sentia uma felicidade tão grande e tão crua que me impulsionava a continuar.A curandeira entrou apressada, o rosto calmo ap
— Você não vai ficar com ele! Não vai estragar o nome da nossa família assim! Eu te mato antes!Queria ter acabado com a mãe de Alina há muito tempo, e não porque ela matou meus pais, destruiu incontáveis vidas e continuava a fazer isso como se não fosse nada. Eu queria matá-la pela forma como ela falou de Alina, como falou do nosso filho, por ter ousado drogar minha companheira.Meu sangue fervia e se não fosse por Alina mole em meus braços, eu teria avançado direto para ela e arrancado seu coração do peito.Minha garota fechou os olhos com as últimas palavras da mãe, esperando o pior, mas eu já estava à sua frente, protegendo seu corpo com o meu, como um escudo. Não deixaria que nada acontecesse com ela, por mim Alina estaria presa bem longe dali, em segurança e não no meio daquele caos.Eu senti o impacto do tiro acertar meu peito, e então outro em meu braço quando me virei de frente para Alina. Os olhos dela se arregalaram enquanto eu sorria vendo as íris lindas focadas em mim. Po
Ela andou em minha direção com a mesma altivez que eu me lembrava, como se o mundo fosse o seu palco e ela o dominasse com facilidade. Vendo aquela mulher assim depois de tudo o que ouvi nas últimas semanas, me fazia pensar como eu não havia notado quem ela era de verdade? Podia até ser uma criança, mas como nunca notei que ela era alguém ruim?— Você se tornou mesmo uma mulher linda, é mais bela ainda pessoalmente. — ela disse se aproximando. — Tirando essa barriga.— E você envelheceu. — praticamente cuspi as palavras, recuando um pouco enquanto já sentindo a raiva começar a reacender dentro de mim, mas eu precisava me conter e ganhar tempo para os outros, não podia estragar tudo agora.— Ora vamos Alina, dê um abraço na sua mãezinha. — ela disse estendendo os braços na minha direção. — Não nos vemos há tantos anos e vai me negar um abraço?— Não nos vemos porque você foi embora, não finja que é por qualquer outro motivo. Você escolheu nos abandonar, escolheu me deixar no meio da no
Ele parecia ensandecido, como se estivesse prestes a perder a cabeça, me apertando contra seu corpo, os dedos afundando em minha carne enquanto ele devorava minha boca, roubando meu fôlego e me forçando a desviar em buscar de ar.— Kaian… — eu deveria pará-lo, mas quando começávamos assim era uma verdadeira luta interna para me render.— Eu vou te algemar em casa se for preciso — ele grunhiu arrastando os lábios por meu pescoço, enquanto suas mãos agarravam meus pulsos, prendendo-os atrás de minhas costas. — Não vai a lugar nenhum.Aquelas palavras foram o bastante para ativar um alerta em minha mente, ajudando a me tirar daquele transe que seu toque me colocava.Eu não podia deixar que ele estragasse todo o plano, muito menos me impedisse de olhar no rosto da minha mãe enquanto a confrontava por tudo o que me fez passar, tudo o que fez meu pai sofrer sozinho e todo mal que continuava a causar.Sem pensar duas vezes empurrei os ombros dele com uma força que até me surpreendeu, forçando
Assim que entrei na sala o rosto de Kaian se virou, como se sentisse meu cheiro antes mesmo que eu abrisse a boca.— Não me diga que iam começar sem mim! — falei atraindo os olhares.— Olha só pra você! — Elara exclamou se levantando e vindo na minha direção. — Nem acredito que está mesmo carregando um filhote de lobo aí dentro.Ela me abraçou rapidamente e tocou minha barriga com algo que quase parecia devoção.— É claro que ela está carregando um filhote, ela sempre mostrou ter mais colhões do que muitos lobos por aqui. — Garrick empurrou a mulher à minha frente e envolveu os braços em minhas costas, me apertando com um pouco de força além do necessário.— Bom te ver de volta, Alina. — Varak apertou meu ombro antes que Garrick tivesse a chance de me soltar. Varak abriu um sorriso de deboche e olhou de volta pra a mesa. — Seu marido estava quase nos enlouquecendo.— Já chega, parem de sufocar minha mulher. — Kaian chegou empurrando a todos até conseguir segurar minha mão e me puxar d
— Você está com uma cara diferente nos últimos dias. — Sara disse me fazendo erguer o rosto e encontrá-la parada na entrada da cozinha.— E você está precisando de sol, quanto tempo pretende ficar trancada dentro dessa casa? — ela não me deu uma resposta, mas eu sabia que ela ainda não estava pronta para sair, especialmente com todos os lobos lá fora. — Vem tomar café, vai ser bom ter você de companhia hoje.Um pequeno sorriso se abriu nos lábios e ela andou, se servindo de pão, ovos e bacon, antes de se sentar à minha frente.— Onde está seu maridão que parece estar sempre um passo atrás de você?— Não tenho ideia, acordei e ele havia sumido da cama, só havia um bilhete dizendo que voltava logo. E não o chame assim, ainda estamos separados.Sara deixou uma risada inesperada e espontânea escapar, ecoando na cozinha de uma forma que aqueceu meu coração. Não tinha visto ela sorrir nas duas semanas desde que chegamos a alcatéia.— Separados? — ela perguntou tentando conter o riso. — Estã







