INICIAR SESIÓNBRENT TURNER
Remexi-me na cama e despertei com a claridade no quarto. Abri um olho e vi as cortinas abertas. A luz do sol invadia o ambiente e me recepcionava em mais um dia de domingo.
— Cacete... — Murmurei ao ver os lençóis bagunçados ao meu lado.
O espaço no colchão estava vazio.
Sentei-me na cama e percebi que ainda tinha a máscara posicionada em meu rosto. Eu estava tão envolvido que acatei essa bobagem. Ao retirar a peça, uma dor de cabeça intensa me atingiu. Esse era o resultado por ter bebido mais copos de uísque do que deveria.
As minhas costas ardiam, mas o meu sorriso discreto era de profunda satisfação.
Ontem foi diferente. Foi melhor do que todas as outras vezes, com qualquer outra mulher. Foi memorável. Experimentei sensações totalmente novas e inesperadas. Não imaginei que a nossa conexão sexual pudesse se tornar tão intensa de um modo tão repentino.
— Morgana? — Chamei-a.
Silêncio absoluto.
Parecia que eu estava sozinho, mas isso não faz o menor sentido. Este quarto foi reservado para ela, e eu a trouxe até aqui. Por que não ficou?
— Morgana, seria interessante se você se apressasse e aparecesse — insisti. — Você sabe que eu odeio esperar.
Nada.
Levantei-me da cama, vesti a minha cueca e a procurei por todo o quarto. Além da sua ausência, o local estava vazio de pertences seus. O que aconteceu?
Confuso, caminhei até a minha calça e peguei o meu celular.
— Descarregado — bufei, impaciente.
Eu preciso entender o que está acontecendo aqui. Morgana simplesmente desapareceu, evaporou.
— Isso está estranho... — Sussurrei, reflexivo, enquanto recolocava as minhas roupas e me preparava para deixar o quarto. — Ela nunca se comportou desse jeito.
Nem como ontem, nem como hoje. Morgana nunca pareceu tão ousada e sexy como ontem, também nunca sumiu sem deixar rastros como hoje.
Fui até o meu quarto com o objetivo de obter respostas. Coloquei o meu celular para carregar e durante a minha espera, tive que lidar com os flashes da noite anterior invadindo a minha mente. O arrepio veio forte e atingiu todo o meu corpo. Eu ainda podia sentir os seus lábios em contato com os meus.
Assim que o aparelho ligou e eu o desbloqueei, a primeira coisa que vi foi a enorme quantidade de mensagens recebidas e ligações não atendidas.
— Todas de Morgana — conferi cada notificação. — O que diabos aconteceu?
“Onde você está?”
“Brent, você me deixou plantada aqui.”
“Eu não sou como as outras, e você sabe disso.”
Não demorei a compreender o que pode ter acontecido.
Travei a mandíbula e prendi a respiração, tenso. O meu corpo inteiro ficou dormente.
Isso parece surreal demais.
“Sei que pedidos de desculpas não fazem parte do seu vocabulário, principalmente com subordinados, mas espero que você faça algo a respeito. Por que me deixou sozinha no único evento que poderíamos ter aproveitado juntos sem levantar suspeitas?”
A sua última mensagem chegou há dez minutos.
— Puta que pariu... — Saiu em um sussurro rouco. — O que eu fiz?
Ou melhor, com quem eu fiz?
Com quem eu passei a noite?
Com quem eu fiz sexo?
A minha respiração estava irregular, ofegante.
Estou atordoado, abalado.
Não consegui sustentar o meu corpo com as minhas próprias pernas e tive que me sentar na cama perfeitamente arrumada do meu quarto. Era aqui que eu deveria ter passado a noite, porém, ao invés disso, compartilhei a cama com uma desconhecida.
— Quem era ela? — Engoli em seco, atônito.
Me custava muito acreditar que me enganei de um modo tão filho da puta assim. Será que eu perceberia se tivesse prestado mais atenção? Será que a bebida me atrapalhou tanto a esse ponto? Será que eu me senti tão atraído por ver aquela mulher radiante e sedutora dançando que não fui capaz de raciocinar?
— Mas ela usava a mesma máscara que Morgana me disse que usaria — recordei. — Usava, sim.
Eu havia recebido uma foto para facilitar o reconhecimento. Vasculhei a minha galeria e encontrei a fotografia. Reconheci a peça de imediato. Era a mesma. Exatamente a mesma. Igual. Idêntica.
E eu confiei cem por cento nisso quando a vi na minha frente.
Fiquei tão enfeitiçado pelo seu modo de dançar, pela sua confiança e pelo seu sorriso que não me permiti duvidar um segundo sequer de que não se tratava de quem eu imaginava.
— Ela se passou por Morgana, veio comigo para o hotel, me deu uma noite inesquecível e foi embora como se nunca tivesse existido — falei baixo, absorto em meus pensamentos. — Que mulher é essa?
Suspirei ao reviver trechos da madrugada na minha memória. Lembro dos seus lábios carnudos, da sua pele macia como veludo, do seu beijo fervoroso de quem deseja aproveitar o presente ao máximo, da sua entrega a mim, dos seus gemidos...
— Não — fechei os olhos com força, impedindo-me de continuar. — Eu tenho que seguir em frente como se isso não tivesse acontecido.
Levantei-me e, inquieto, circulei pelo quarto.
Fui até a pia do banheiro e joguei água no meu rosto. A água fria em contato com a minha pele quente me relaxou um pouco. Estou confuso em relação a essa mulher misteriosa e o que ela representou para mim ontem.
Foi uma experiência nova, uma conexão que nunca senti antes.
E eu não estaria exagerando se dissesse que foi a melhor que tive até hoje.
— Não revelamos as nossas identidades um ao outro, isso significa que ela jamais saberá quem eu sou — prossegui, tentando afastar da minha mente as lembranças da noite anterior. — Estou seguro. Os meus planos não serão atrapalhados por esse deslize.
“Quero você ao meu lado.”Essa simples frase ecoou repetidas vezes na minha cabeça e me desconcertou completamente. O modo como Brent falou, o seu tom de exigência, a sua escolha de palavras indicando uma ordem incontestável... Tudo me deixou zonza.— Aqui — ele apontou para a cadeira ao seu lado direito.A voz levemente rouca, profunda e melodiosa, me paralisou e eriçou todos os pelos do meu corpo. Eu não conseguia reagir, não conseguia sair do lugar.Brent aguardou pacientemente, mantendo a nossa intensa troca de olhares.A minha respiração era ruidosa.— Algum problema, senhora Turner? — A pergunta de Helga reverberou pela sala de jantar.A sua intromissão me despertou do transe daqueles brilhantes olhos verdes.— Não, nenhum — forcei um sorriso e tentei pensar rápido em uma resposta mais convincente. — Estava provocando o senhor Turner fingindo que me sentaria aqui — apontei para a cadeira à minha frente.A governanta sorriu.Brent ergueu as sobrancelhas e saiu do seu assento.Aco
IRINA TURNEREu saía do banheiro distraidamente quando fui surpreendida pela presença de Brent na porta do quarto. O meu corpo inteiro ficou dormente, os meus lábios ressecaram, as minhas mãos suaram, os meus olhos se arregalaram.Sob a intensidade do seu olhar, a minha pele se arrepiou.— Eu... Eu pensei que... — Engoli em seco, constrangida. — Pensei que você não chegaria agora.Silêncio.Um silêncio terrível.Envergonhada, peguei o cobertor da cama e enrolei ao redor do meu corpo. Brent acompanhava cada movimento.— Te falei que chegaria às sete — o seu tom sério, cortante, me fez estremecer. — São sete e dez da noite.— Ah... — Suspirei. — Desculpe, eu...— Você me pede desculpas desde ontem — interrompeu-me. — Já chega, não é? — A sua mandíbula travada e os seus lábios pressionados me inquietaram.Ele é tão lindo, tão viril, tão atraente.As pontas dos seus cabelos roçando o colarinho da camisa branca eram um charme à parte.— Certo.— Vou tomar um banho — anunciou, avançando em
— A minha aliança? — A voz de Irina surgiu carregada de confusão.Fiquei calado e desviei a atenção para o meu celular.— Não acredito... — Ela murmurou no minuto seguinte.— Você perdeu a sua aliança, Irina? — Não alterei a voz, não me exaltei.Isso é muito grave.Em menos de vinte e quatro horas, Irina Collins me dava todos os indícios de que é uma mulher desastrada; o que é péssimo para os meus planos envolvendo usá-la para demonstrar estabilidade perante os acionistas.— Eu... — Ela fez uma breve pausa. — Eu acho que... Acho que sim... Não sei... — O seu desespero era evidente. — Não lembro.Encarei-a fixamente, analisando-a.O seu nervosismo deixou o seu rosto pálido.— Um erro muito sério — falei baixo. — A sua parte no acordo envolve exibir a aliança como símbolo da nossa paixão e compromisso.Percebi que as suas mãos estavam trêmulas, mas não me detive.— O seu primeiro dia como minha esposa parece já revelar o desastre desse acordo — mantive o tom calmo, porém munido de um ata
BRENT TURNEREu ainda tentava processar o que aconteceu desde que entramos nesta casa quando tive que lidar com a resposta atravessada de Irina à minha proposta. Ela aceitou, ótimo, mas parecia que havia algo por trás.Será que ficou chateada com a minha confirmação de que fiz tudo aquilo para que Helga visse?Não era cem por cento verdade, porém optei por me preservar e manter as coisas em seus devidos lugares. Irina não precisa saber que me comovi por vê-la tentar subir a escada com o pé machucado. O restante foi, sim, planejado. Eu só não imaginava que ela iria cair sobre mim e melhorar a encenação.Tê-la nos meus braços, deitada, com o rosto rente ao meu, sentir os jatos de ar da sua respiração e admirar tão de perto os seus olhos castanhos me proporcionou uma sensação estranha, algo que não conheço.Me sinto confuso sobre muitos pontos e isso me irrita.Odeio não compreender o que acontece comigo e ao meu redor.— Isto aqui pertence à sua família — Irina abriu as mãos fechadas e m
Brent foi derrubado por mim como um pino de boliche. Naquele momento, ele estava deitado no chão enquanto tinha o meu corpo sobre o seu.— O que você está fazen... — Turner se calou, porém manteve o cenho franzido.Escutamos passos no corredor.E, para piorar mais um pouco, a porta do quarto estava entreaberta.— Céus... Alguém está vindo... — Sussurrei, dez vezes mais envergonhada do que antes. — Desculpa, eu vou sair daqui.Apoiei uma das mãos ao lado do seu tronco e iria sustentar o meu corpo quando os seus braços prenderam a minha cintura e me mantiveram grudada a ele. O seu aperto era firme, impossível de desfazer.A sua respiração estava sincronizada com a minha.Os nossos narizes roçavam um no outro.Os nossos olhos estabeleceram uma conexão profunda que arrepiou o meu corpo inteiro mais uma vez naquela noite.— O que...Eu iria perguntar o que Brent planejava com aquilo, mas fui interrompida por seus lábios em um selinho. Um contato forte, decidido, sem cerimônias.O meu coraçã
IRINA TURNERCada nova palavra e ação de Brent Turner me faziam ter a certeza de que eu sempre estive correta sobre a sua arrogância e grosseria. Não acertei absolutamente nada sobre a sua aparência, mas cravei o seu comportamento.— Descer? — Franzi o cenho, confusa.Olhei ao redor e me deparei com uma propriedade gigante e iluminada. O motorista surgiu em meu campo de visão e abriu a porta para que eu desembarcasse. Mesmo receosa, aceitei o suporte da sua mão e desci do veículo.— Bem-vindos, senhora e senhor Turner! — Uma mulher nos recebeu com um sorriso largo.Ela estava na companhia de outras pessoas uniformizadas, o que me fez pensar que provavelmente todos eram funcionários da casa. Eles estavam organizados em um corredor em frente à porta principal, uma formação quase militar.— Vamos — Brent estendeu o braço para que o segurasse. — Sorria.Assim fiz.Caminhamos lado a lado e cumprimentamos as pessoas ali presentes. No fim do corredor, a mulher nos esperava com um sorriso gent







