LOGINA pergunta de Valentina ficou suspensa no ar, ninguém respondeu imediatamente e aquele silêncio foi mais cruel do que qualquer palavra. Porque, naquele momento, ela percebeu que talvez nunca tivesse conhecido realmente ninguém, nem seu pai, nem sua mãe, nem a própria história.A mulher diante dela, aquela que deveria ser uma desconhecida, mas carregava o título mais importante da sua vida, aproximou-se lentamente.- O nome dele era Gabriel Moreau.Valentina franziu a testa.- Moreau?A mãe assentiu.- Sim.- Então por que ele era chamado de meu pai?A mulher respirou fundo, parecia doloroso explicar.- Porque ele foi o homem que escolheu cuidar de você.A resposta não trouxe conforto, pelo contrário, aumentou a confusão.- Escolheu?A voz de Valentina tremeu.- O que isso significa?Dante permaneceu em silêncio próximo à porta, mas ela percebeu. Ele sabia daq
Por alguns segundos, Valentina acreditou que estava sonhando, não havia outra explicação, porque a mulher diante dela não poderia existir, era impossível.Durante vinte anos, aquela pessoa tinha vivido apenas nas fotografias antigas, nas histórias incompletas do pai e nas lembranças vagas de uma infância que ela mal conseguia recuperar, aquela mulher pertencia a um passado doloroso, mas agora estava ali na sua frente, respirando, olhando para ela, chamando-a de filha.Valentina permaneceu parada no corredor, incapaz de dar um único passo, sua mente tentava negar aquilo, tentava encontrar alguma explicação lógica. Talvez fosse alguém parecido, talvez fosse uma armadilha, talvez fosse mais uma mentira, mas então a mulher aproximou-se da luz e Valentina viu os detalhes que nunca esqueceu, os olhos, o formato do rosto, a pequena marca próxima ao queixo que aparecia em todas as fotografias. Era ela, sua mãe.- Não...A palavra saiu como um su
A sala ficou completamente silenciosa, o tipo de silêncio que não era ausência de som, era presença de algo pesado demais para ser dito. Valentina continuava olhando para a tela do computador, incapaz de desviar os olhos, a voz da sua mãe ainda ecoava na sua cabeça."Se você está vendo isto, significa que eu não consegui voltar para você."Cada palavra parecia abrir uma ferida antiga, uma ferida que ela nem sabia que existia, mas não era apenas a voz dela que a tinha abalado, era o homem ao lado dela.O homem que aparecia na gravação, que olhava diretamente para a câmera como se soubesse exatamente quem assistiria àquela mensagem anos depois.Dante, ele havia reconhecido antes dela, a reação dele tinha sido imediata. Um segundo antes estava completamente controlado, no segundo seguinte, estava de pé, tenso, como alguém que acabara de ver algo impossível.Valentina virou-se lentamente para ele.- Quem é ele?Dante não res
Durante alguns segundos, Valentina esqueceu como respirar, a fotografia continuava caída no chão da sala do cofre, mas parecia pesar toneladas. Era apenas um pedaço de papel, uma imagem antiga, alguns rostos congelados no tempo, mas para ela, aquilo acabava de destruir tudo o que acreditava saber sobre a própria vida. Sua mãe estava morta, sempre esteve. Desde que Valentina tinha memória, aquela era a única certeza que carregava, sua mãe havia morrido quando ela era pequena. Era uma história repetida tantas vezes que deixou de ser uma lembrança e tornou-se uma verdade absoluta. Uma doença, uma morte rápida, um funeral, um túmulo, uma ausência que a acompanhou durante toda a infância. Mas aquela mulher na fotografia... Aquela mulher sorrindo ao lado de seu pai e Dante Moretti...Era ela. Era impossível não reconhecer, mesmo depois de tantos anos, mesmo depois de uma fotografia envelhecida. Valentina conhecia aquele rosto, conhecia aquele olhar, conhecia aquele sorriso. Era o
Por alguns segundos, Valentina não conseguiu reagir, a frase de Dante ficou presa na sua mente, repetindo-se de forma cruel.Alguém acabou de invadir o banco.Era impossível, não podia ser coincidência, não depois de tudo. Primeiro a morte do pai, depois a carta, depois a invasão da mansão.Agora o banco, o lugar onde, supostamente, estava guardado algo que poderia explicar tudo, algo que poderia revelar por que seu pai morrera. E, de alguma forma, alguém sempre parecia chegar antes dela.Sempre.Ela olhou para Dante, pela primeira vez desde que o conhecera, não havia apenas raiva no seu olhar, havia medo por ela, mas pela verdade que parecia estar cada vez mais próxima.- Como eles sabem? - perguntou.Dante guardou o telefone no bolso.- Essa é a pergunta certa.- Não estou perguntando isso.- Então qual é?Ela aproximou-se.- Como eles sabem que eu descobri o cofre?O silêncio entre eles respondeu antes das palavras, Dante ficou imóvel, Valentina percebeu. Ele sabia, talvez não dê t
A frase de Marco permaneceu suspensa no ar, por um instante, ninguém falou, ninguém se moveu.O escritório parecia ter mergulhado numa espécie de silêncio irreal, Valentina continuava segurando a pequena chave dourada enquanto observava os dois homens à sua frente.Primeiro Marco.Depois Dante.Depois Marco novamente.Os dois pareciam ter acabado de ver um fantasma e aquilo não fazia qualquer sentido. Até aquele momento, ela acreditava que o objecto encontrado entre os pertences do pai era apenas uma peça importante de algum segredo.Agora percebia que era muito mais do que isso.Muito mais. Porque homens como Dante Moretti não se abalavam facilmente, pelo menos era essa a impressão que ele transmitia.Durante a invasão da mansão, durante os disparos, durante a ameaça dos sequestradores, seu rosto permanecera praticamente inalterado, mas a simples visão daquela chave havia provocado uma reação.Pequena, quase imperceptível, mas ainda assim, uma reação e isso era suficiente para desper







