LOGINCapítulo 22 — Controle-se, Montalbán
152 Epílogo — O sobrenome escolhidoA festa havia acabado, mas o eco ainda ressoava.A casa que haviam escolhido para passar a primeira noite como marido e mulher não era uma mansão, não era um hotel cinco estrelas, não era nada ostentoso. Era uma casinha à beira-mar, isolada, com o som constante das ondas como única companhia.Camila estava descalça, com os cabelos soltos, o vestido já trocado por algo mais confortável, mas ainda com aquele brilho nos olhos que não se apaga quando uma mulher compreende que cruzou uma linha importante em sua vida.Tony estava sentado na beirada da cama, desabotoando a camisa com uma calma que parecia estudada.—Não consigo acreditar que já está feito —murmurou ela.Tony ergueu o olhar.—O casamento ou a festa?—Tudo.Camila caminhou até a janela e olhou para o mar escuro.—É estranho.Tony se levantou e se aproximou por trás.—Estranho no bom sentido ou estranho do tipo “o que eu fiz”?Camila sorriu.—Estranho do tipo “isso é real”.Tony apoiou o queix
Capítulo 151 — Os votosNarrador:Tony foi o primeiro.Ele respirou fundo. Olhou para Camila. Sorriu com aquele sorriso que não era arrogante, mas vulnerável.—Quando te conheci… achei que fosses um problema.Houve risadas suaves.—Éramos insuportável, orgulhosa, rebelde e perigosamente honesta. E com uma mão esquerda invejável.Camila ergueu uma sobrancelha.Tony continuou, e o sorriso se desfez na ponta dos lábios.—Eu não sabia que você também era a melhor coisa que ia me acontecer.Silêncio.—Eu não era feito para isso. —ele tocou o peito—. Para entregar o coração. Para ficar, para prometer.Ele engoliu em seco.—Eu era o tipo de pessoa que fugia com o corpo antes que a alma se comprometesse.As pessoas ouviam sem respirar.—E então você chegou… com seus medos, com seu temperamento, com aquele jeito de olhar como se o mundo tivesse te decepcionado muitas vezes.Tony olhou para as próprias mãos, como se tivesse dificuldade em dizer aquilo.—Você me olhou como se eu também pudesse te
Capítulo 150 —Eu te escolhoNarrador:A manhã não chegou como um dia normal.Chegou como chegam as coisas que mudam a vida: sem pedir permissão, com uma calma estranha, quase suspeita, como se o mundo tivesse ficado sério pela primeira vez em muito tempo.Camila abriu os olhos antes que qualquer alarme tocasse. Não porque estivesse descansada. Porque não conseguia dormir. Seu corpo estava tenso e o coração batia entre galope e ameaça, como se seu próprio peito fosse uma sala de espera.Tony dormia ao seu lado com uma calma indecente, como se casar fosse um trâmite burocrático e não o evento em que a vida de uma mulher está em jogo sem sangue, mas com tudo o mais: identidade, medo, esperança, o ridículo de se sentir vulnerável diante de pessoas que olham para você com carinho.Camila o observou por um tempo.Aquele homem tinha sido seu refúgio e sua tempestade. Sua pior decisão e seu melhor acerto. O tipo de homem que podia dizer uma brutalidade com um sorriso… e, no minuto seguinte, pr
Capítulo 149 — A ferida do orgulhoNarrador:A mansão de Luigi sempre tinha um ar de teatro italiano, mesmo quando ninguém estava atuando.Valeria foi a primeira a abrir os braços quando os viu entrar.— Finalmente! — exclamou ela, olhando para Camila com um sorriso radiante. — Já estava na hora.Camila riu, ainda um pouco nervosa pelo encontro com Natalia, mas mais aliviada.Tony foi direto ao ponto.—Vamos nos casar.Valeria soltou um gritinho e abraçou Camila primeiro, depois Tony.—Eu sabia que isso ia acontecer! Eu sabia!Luigi apareceu por trás, com aquele sorriso de canto que parecia permanente.—Bem, então fico feliz por ter te obrigado a escolher.Camila piscou.—Obrigado a escolher?Tony virou a cabeça para Luigi.—Você precisava dizer isso? Se não, não conseguiria morrer em paz, não é?Luigi soltou uma gargalhada.—É uma piada, pessoal, relaxem.Valeria revirou os olhos.—Não dê atenção a ele. Ele está feliz e, quando está feliz, fala bobagens.A conversa derivou para o casa
Capítulo 148 — A mulher que não era a vilãNarrador:Camila não tinha dormido. Não era insônia, era pura ansiedade.Quando Tony acordou e esticou o braço, encontrou o lado da cama vazio e frio. Ele franziu a testa. Sentou-se, ouviu o silêncio do apartamento e foi até a cozinha.Ele a encontrou lá.Descalça, com o cabelo preso de qualquer jeito. Diante de uma bancada que parecia ter sofrido um ataque de supermercado.Havia panquecas, ovos, frutas cortadas, dois tipos de suco, café acabado de fazer, torradas, potes de geléia abertos.Comida demais para duas pessoas.Tony encostou o ombro na moldura da porta.—Você está bem?Camila se virou com um sorriso rápido demais.—Sim. Claro.Ele a olhou por alguns segundos.—Por que não acredito em você?Ela suspirou.—É problema seu se acredita ou não.Tony a observou, estudando-a; obviamente, ela não estava bem.—Vou tomar banho.Camila o observou desaparecer pelo corredor.Quando ele saiu, o vapor ainda flutuava ao seu redor. E ela continuava c
Capítulo 147 — As traições não se esquecemNarrador:A calma após o amor sempre trazia clareza.Camila estava deitada contra o peito de Tony quando ele falou, sem rodeios, com aquela voz grave que usava quando algo o incomodava profundamente.—Tenho algo pendente.Ela ergueu a cabeça.—O que é?Tony não a olhou imediatamente. Ele olhava para o teto, mas sua mandíbula estava tensa.—Falar e resolver a questão da Eloísa.O nome caiu como uma sombra sobre o quarto.Camila se sentou lentamente.—O que você vai fazer?Tony virou a cabeça e olhou para ela. Seus olhos não tinham ternura agora. Tinham fogo.—Ela me traiu.Camila não desviou o olhar.—Sim.—E quando alguém me trai… paga com sangue.O silêncio tornou-se pesado.Camila sentiu o peito apertar-se. Não por medo dele, mas por saber que ele falava sério.—Tony…—Não —ele a interrompeu, levantando-se da cama—. Não me peça para pensar nisso com frieza. Aquela mulher me traiu. Me empurrou direto para uma emboscada que ia me custar a vida







