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Capítulo 3

Author: Anna Smith
Segui sozinha pela estrada que saía do portão, enquanto as pessoas de Marcus ainda riam às minhas costas.

O vento levou as suas vozes para longe, mas aquele som fez-me lembrar de outra multidão, dentro da Fortaleza Blackthorn.

Há quatro anos, eu estivera diante do altar da Deusa dos Dragões, vestida de branco cerimonial, esperando que Marcus selasse o nosso vínculo de dragão.

Em vez disso, ele simplesmente soltou a minha mão.

— Sinto muito, Sienna — disse ele, diante de todos os presentes. — Escolhi Clara.

Clara saiu do meio da multidão, com uma das mãos apoiada sobre a leve saliência do seu ventre.

— Clara carrega em si o sangue puro de um antigo clã de dragões — continuou ele. — Tendo-a ao meu lado, o meu direito ao título de senhor ficará garantido.

— Além disso, ela espera o meu herdeiro: uma criança de linhagem pura.

Sussurros percorreram todo o templo. Alguns sentiram pena de mim, outros riram, e a maioria apenas observou, aliviada por ser outra pessoa a passar por aquela humilhação.

Marcus aproximou-se e abaixou a voz, de forma que só eu pudesse ouvir.

— Espere por mim durante um ano. Assim que a minha posição como Senhor Blackthorn estiver consolidada, darei um lugar a você. Com o tempo, o título de Senhora Blackthorn ainda será seu.

Ele queria Clara pela linhagem e pelo poder. Queria que eu ficasse à espera nas sombras, até que decidisse que eu poderia ser útil novamente.

Foi naquele momento que finalmente o compreendi por completo.

Por isso, não chorei nem implorei.

Saí andando do templo, enquanto os nobres murmuravam às minhas costas, e, antes da meia-noite, já havia deixado a Fortaleza Blackthorn para trás.

Todos tinham a certeza de que eu voltaria se arrastando em menos de um mês. Uma mulher rejeitada durante a própria cerimônia de vínculo não tinha proteção, nem posição dentro de nenhum clã, nem sequer um futuro que valesse a pena mencionar.

Talvez estivessem certos, se a Deusa dos Dragões não tivesse respondido à minha súplica.

Naquela noite, ajoelhei-me a céu aberto e rezei com o pouco de força que ainda me restava.

— Não sei o que fiz de errado — sussurrei. — Mas se isto é uma prova imposta por si, aceito-a. Apenas não me deixe sozinha.

A luz das estrelas caiu sobre a estrada que seguia para o norte, brilhante o suficiente para cortar a escuridão das colinas que ficavam fora do território Blackthorn.

E eu segui naquela direção.

As terras do norte pertenciam aos Dragões de Gelo — a linhagem mais antiga e temida entre todos os clãs. No centro daquele domínio reinava Caelan Frost, o Rei dos Dragões, senhor de todos aqueles que um dia me olharam com desprezo.

Encontrei-o na orla da floresta de gelo.

A essa altura, a minha roupa já estava rasgada por causa da viagem, e os meus pés sangravam através do calçado. Caelan não perguntou por que eu tinha ido até lá, quem me havia rejeitado ou que tipo de vergonha eu carregava comigo. Apenas colocou a sua própria capa sobre os meus ombros.

— Está com frio?

Foi só isso que disse.

Sem pena, sem condições, sem exigir que eu provasse o meu valor antes de me tratar com bondade.

Ele curou os ferimentos que a viagem havia deixado no meu corpo e esperou com uma paciência quase inatingível, até que o meu coração se sentisse seguro o suficiente para se abrir novamente.

No primeiro ano que passamos juntos, eu dei à luz ao nosso filho.

Os videntes o chamaram de o herdeiro mais forte dos Dragões de Gelo nascido em séculos. Caelan, porém, apenas o apertou contra o peito e chorou tão baixinho que ninguém da corte teve coragem de admitir que havia percebido.

E agora, eu esperava o nosso segundo filho.

Um brilho suave e quente percorreu o cristal de mensagens que usava no pulso, e as palavras de Caelan apareceram gravadas em letras prateadas:

[Mal nos separamos há algumas horas e já estou ficando impaciente. Volte logo, minha rainha. Quero tê-la nos meus braços.]

Não pude deixar de sorrir.

Fora daquelas muralhas, o Rei dos Dragões tinha poder suficiente para silenciar cortes inteiras. Mas comigo, ele sempre foi incrivelmente terno e sem reservas.

Atrás de mim, as risadas vindas da Fortaleza Blackthorn ainda ecoavam ao longe.

Riam da minha roupa simples, da minha criança, do meu anel e da mentira que supunham que eu contava.

Toquei o rubi mais uma vez.

— Daqui a três dias — murmurei para mim mesma — veremos quem ainda terá motivos para rir.

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