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Capítulo 26 - Minha até o fim

last update Date de publication: 2025-10-05 04:35:46

A brisa fria do mar, o murmúrio arrastado da música distante, o reflexo trêmulo e prateado da lua na água escura — tudo parecia conspirar para amplificar o vazio sufocante entre eles. E Mia, sentada sozinha na areia úmida, com a garrafa de bebida quase vazia e pesada na mão, sabia que aquele era mais um desses momentos dolorosos em que o silêncio cortante entre eles dizia mais do que qualquer torrente de palavras. O sal do ar era quase tão amargo quanto o gosto da frustração em sua boca.

Bryan
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    O Amanhecer da Alcateia (Alguns anos depois) A Mansão Blackwolf estava viva. Não com o som da guerra, nem com o eco de estratégias militares. Mas com risadas. Passos apressados. O caos leve e doce de uma manhã de celebração. Mia atravessava o corredor principal com cuidado, equilibrando um grande vaso de lírios brancos entre os braços. A barriga proeminente denunciava o sexto filhote, e cada passo era acompanhado de um suspiro paciente e uma mão nas costas. De repente, um vulto pequeno passou correndo, quase derrubando uma mesa lateral. — Ei! — Mia gritou, a voz de Luna ecoando com autoridade materna. — Nada de correr dentro de casa! Vocês vão acabar derrubando a decoração! O som de passinhos diminuiu... por exatos cinco segundos. Depois voltou, acompanhado de gargalhadas. Mia sorriu, balançando a cabeça. A vida tinha sido boa. Não perfeita. Mas segura. E isso, para quem conheceu o gosto metálico da guerra, era tudo. Ela encontrou Elizabeth, sua mãe,

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    Ela ergueu o braço. O fio brilhou. A luz negra e tóxica do feitiço chicoteou o ar, cheirando a enxofre e destino forjado a sangue. Bryan sentiu o puxão. Sentiu a força tentar arrastá-lo, dominar sua vontade, reivindicar seu corpo. Ele rugiu em resistência, o som profundo, feral. A saliva pingou dos lábios de Bryan enquanto ele arrastava os joelhos pelo chão de pedra, lutando fisicamente contra a magia invasora. Então Morana proclamou, a voz ecoando carregada de poder: — Eu, Morana Thorne, reivindico você, Bryan Blackwolf, como meu único e verdadeiro companheiro. — Venha até mim, marque-me... e reinaremos juntos por toda a eternidade. Mia sabia que aquele momento chegaria desde o instante em que viu Morana. Ainda assim, manteve uma esperança frágil de que Bryan resistiria. Mesmo com a maldição emergindo. Mesmo com a escuridão tentando tomá-lo. O cheiro de desesperança de Mia era salgado, ácido, sufocando-a por dentro e turvando sua visão. O amor que ela sentia

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    Tudo estava escuro. Um breu absoluto e sufocante que cheirava a terra de cemitério revirada e magia apodrecida. O oxigênio pareceu evaporar de Lunária em um único segundo. As sombras dominavam Lunária, a cidade sagrada agora totalmente mergulhada na escuridão de Morana. A arquitetura divina de mármore e prata havia sido engolida por um piche denso e sobrenatural. A luz da deusa foi extirpada do teto. As trevas se expandiam como um organismo vivo, rastejando pelas colunas, pelo chão, pelas paredes, envolvendo tudo. Cercando todos. As sombras sussurravam. Eram ecos de maldições antigas raspando contra os ouvidos sensíveis dos guerreiros paralisados, cegando até a visão aprimorada dos lobos. Em segundos. O caos não pediu licença. Ele simplesmente obliterou a ordem divina e mergulhou a matilha em um terror paralisante. Bryan segurava Mia nos braços. Ambos estavam sentados no chão, a poucos metros de Morana. O calor febril do corpo de Bryan era a única bússola de Mia na

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    A sombra pareceu se mover levemente em sua cadeira. O som do atrito soou como ossos velhos sendo triturados no silêncio mortal do salão sagrado. — Eu estou aqui apenas para garantir que a decisão seja executada. — Sem exceções. — Não haverá julgamentos, vocês morrerão hoje aqui em Lunária, a própria Lua exigiu que o sangue de vocês fosse derramado. A pressão nos tímpanos de todos aumentou violentamente. O oxigênio pareceu ter sido envenenado de imediato. A palavra ecoou como um cântico fúnebre, espessa e com gosto de ferro e terra na boca de cada lobo. Valentim olhou para Bryan em desespero. O pânico rasgou a máscara de arrogância do líder traidor. O suor frio escorria pelo seu rosto, empesteando o ar com o odor azedo de covardia absoluta. Ele sabia. Não havia saída. Não sairia dali vivo. O peso da sentença desceu sobre a Underground como uma guilhotina invisível. Mas o lado sombrio da Lua não obedecia a regras. A magia podre não reconhecia juízes. Não se curv

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    A promessa foi feita a centímetros do rosto de Katherine, entregue diretamente aos seus pesadelos. Ela deu mais um passo, invadindo o espaço de Katherine, obrigando-a a recuar novamente. — E eu não sou de quebrar minhas promessas. O cheiro do pavor de Katherine tornou-se doce e nauseante, empesteando o ar limpo da montanha. Valentim e Katherine perceberam que os anciões não se moveriam. E que, naquela noite, os Blackwolf estavam em vantagem. A ilusão de diplomacia havia morrido. O conselho sagrado não levantaria um dedo para protegê-los da carnificina. A confiança dele começou a ruir. O chão sob os pés do líder da Underground parecia afundar em um abismo sem fundo. Pela primeira vez, Valentim já não tinha certeza de que sairia dali ileso. O salão não lhe pertencia mais. O silêncio não o protegia mais. A respiração dele engatou. O gosto metálico do próprio medo encheu sua boca com a força de um soco. Ainda assim, tentou uma última vez. Virou-se para os anciões,

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