FAZER LOGIN5 anos depois...As luzes da passarela no coração de Manhattan diminuíram, deixando um silêncio expectante que só o mundo da alta costura sabe sustentar. Não era um evento qualquer; era a noite em que a marca "Valentina F." apresentava sua coleção de outono, uma linha que já não dependia do sobrenome Westerfield nem do legado dos Fairchild. Valentina havia passado os últimos cinco anos trabalhando em ateliês, desenhando até o amanhecer e demonstrando que seu talento não era um acessório de sua vida social, mas sua própria essência.Quando a música começou a vibrar e a primeira modelo desfilou com um design que evocava a liberdade de Florença misturada com a estrutura de Nova York, o público conteve o fôlego. Valentina observava dos bastidores, com o coração batendo forte, mas não mais por medo, e sim por orgulho.Na primeira fila, a imagem era perfeita. Declan estava sentado ali, impecável, mas seus olhos não estavam nas roupas, e sim fixos na cortina por onde sabia que ela sairia. Ao
A luz suave da manhã filtrava-se pelas persianas da unidade neonatal. Haviam se passado três semanas desde aquela noite de terror, e o silêncio estéril do hospital finalmente parecia caloroso. Valentina estava sentada em uma poltrona de amamentação, segurando contra o peito a pequena Elena, enquanto Declan, ao seu lado, ninava com uma delicadeza adorável o Mateo.Os gêmeos, embora nascidos antes do tempo, haviam demonstrado uma força herdada da mãe. Elena tinha os olhos curiosos de Valentina, enquanto Mateo já mostrava aquele gesto sério e decidido que tanto caracterizava Declan.— Olhe para eles... — sussurrou Valentina, acariciando a bochecha macia da filha —. Mal posso acreditar que estão aqui, depois de tudo o que passamos.— São perfeitos — respondeu Declan, baixando o olhar para o menino que dormia placidamente em seus braços —. E eles têm sorte, Valentina. Têm a mãe mais corajosa do mundo.Naquele dia, após a última revisão médica, finalmente receberam a alta. O retorno à cober
Suas mãos, antes firmes, não paravam de tremer. Ele não era o CEO poderoso; era um homem apavorado de que o fio da sua felicidade se cortasse justo quando começava a ser tecido.— Como ela está? Por favor, diga-me que ela está bem.— A cirurgia foi bem-sucedida, mas foi um trauma severo para o corpo dela. O estresse causou uma descompensação crítica. Agora ela está em observação, recuperando-se da anestesia. Quanto aos pequenos... — o médico fez uma pausa e gesticulou para que o seguisse —. Venha comigo.Caminharam em direção à unidade de terapia intensiva neonatal. Através do vidro, Declan os viu. Eram duas figuras minúsculas dentro de caixas de cristal, rodeados de cabos e monitores que mediam cada batimento. Ele se aproximou do vidro, apoiando uma mão nele, sentindo o coração encolher de uma maneira que nunca havia experimentado antes.— São tão pequenos... — sussurrou Declan, com a voz embargada pela emoção. Eram tão frágeis, tão alheios ao caos de Nova York que quase os destruiu.
Declan entrou de supetão, com o coração martelando contra as costelas com uma força ensurdecedora. Seus olhos percorreram o lugar freneticamente até que a viu: Valentina estava encolhida em uma cadeira ao fundo, pálida como mármore, agarrada ao ventre com uma mão e ao telefone com a outra. Não havia sinal de Verônica; restava apenas o eco do veneno que ela havia soltado.— Valentina! — exclamou Declan, chegando ao lado dela em dois passos. Ela levantou o olhar, e o que ele viu o aterrou mais do que qualquer ameaça de seus inimigos. Seus olhos, antes brilhantes de determinação, estavam nublados pela dor e pelo choque.— Declan... dói... — sussurrou ela, a voz mal passando de um fio quebradiço.— Vou te levar para o hospital, eu prometo. Tudo ficará bem — assegurou, ajoelhando-se para ficar à altura dela. Tomou o rosto dela entre as mãos e notou que ela estava encharcada de um suor frio —. Preciso te tirar daqui. Os bebês...Uma contração violenta a sacudiu, fazendo-a arquear as costas
O voo de volta de Florença foi aparentemente tranquilo. Dentro da cabine privada, Declan e Valentina compartilharam silêncios que, pela primeira vez em meses, não pareciam muros, mas sim tréguas. No entanto, assim que os pneus do avião tocaram a pista do JFK em Nova York, a realidade os atingiu com a força de um furacão.Ao cruzar a porta do terminal privado, o clarão de centenas de flashes os cegou instantaneamente. Edward encarregara-se de vazar a hora exata do pouso. Uma horda de repórteres, cinegrafistas e curiosos avançou sobre eles como abutres.— Declan! É verdade que o filho de Lorena Miller não é seu? — gritava um.— Valentina! Como se sente sendo a mulher que quebrou o noivado do ano? — berrava outra, quase batendo nela com um microfone.Valentina empalideceu, levando a mão ao ventre, sentindo que o ar lhe faltava. Declan, com a mandíbula cerrada e uma fúria gélida nos olhos, rodeou-a com o braço, colando-a ao seu corpo. Sua figura imponente servia de escudo humano enquanto
A chuva batia no telhado da mansão Fairchild com uma violência que parecia querer derrubar as paredes, mas o verdadeiro estrondo ocorria no interior da biblioteca. Verônica, com a respiração entrecortada e os olhos fixos em um ponto inexistente do chão, sentia que sua realidade se fragmentava.— Papai, do que você está falando! — gritou, sua voz quebrando-se em um agudo de desespero —. Como pode dizer uma tolice dessas? Como pode me dizer tantas mentiras em um momento assim?Arthur, com o rosto congestionado e o olhar turvo pelo álcool, fez um esforço sobre-humano para se endireitar na poltrona. Suas palavras saíam arrastadas, pesadas, como se cada sílaba fosse um bloco de chumbo.— Você acha que... que eu escolheria este momento para mentir? — balbuciou ele, com uma sinceridade brutal que a atingiu mais do que qualquer insulto —. Nunca estive... tão nu. Estou despindo minhas verdades, Verônica. Tudo o que te conto é a realidade que ocultei... que me apodreceu por dentro durante todo







