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Capítulo 3

Author: Bagel
No primeiro dia na mansão dos Genovese, Jessy já começou a dar ordens aos funcionários da casa.

Ela fazia questão de encenar uma grande reforma na sala principal.

— Esses móveis de madeira maciça, feitos à mão em Altoria, são tão pesados — disse, passando a mão com desdém sobre a mesa, antes de se virar para Santino com um sorriso sedutor.

— Santino, podemos trocar por aqueles sofás dourados em estilo imperial? Algo que combine com o seu status como Don de Veridia.

Santino nem sequer piscou, apenas instruiu o mordomo ao seu lado:

— Faça como a Jessy diz.

Fiquei ali como um fantasma, observando, entorpecida, enquanto vários soldados da família, vestidos de preto, retiravam as gravuras que eu mesma havia escolhido na capital artística de Solaria apenas seis meses atrás.

Eram antiguidades da era renascentista, presentes que levei mais de duas semanas para conseguir em leilões, para comemorar a entrada deles em uma escola particular de elite.

Leo e Sofia seguiam atrás de sua saia de seda como dois filhotes leais.

Eles apontavam animados:

— Tia Jessy, os tapetes e as cortinas também têm que sair! As coisas que a mamãe escolheu são tão antiquadas e chatas, parece que a gente mora num museu!

Jessy se abaixou e beijou suavemente suas testas.

— Claro, queridos. Vamos mudar tudo para ficar do jeitinho que vocês gostam.

Minhas mãos se apertaram no corrimão de mármore frio com tanta força que minhas unhas quase quebraram, mas, logo em seguida, afrouxei o aperto.

Aquelas obras eram coisas que eu havia procurado em galerias por todo o continente, coisas que eu havia escolhido para eles pessoalmente. Algumas eu mesma criei, pincelada por pincelada.

Durante a gravidez, suportei todos os desconfortos, querendo apenas dar a eles um lar cheio de cultura e bom gosto.

As peças foram feitas com os pigmentos mais caros e tratadas com óleo de lavanda calmante porque, quando eram pequenos, tinham alergia a muitos materiais decorativos comuns.

E agora, estavam sendo jogadas em um caminhão de sucata no pátio, como se fossem lixo barato.

Nos dias seguintes, a mansão antes tranquila foi transformada em algo irreconhecível.

Santino e as crianças atendiam a todos os caprichos de Jessy, como se ela fosse a verdadeira Donna da família.

— Jessy, deixe isso. — Santino segurou o pulso dela enquanto ela dava ordens aos funcionários que carregavam um vaso.

Seus longos dedos repousaram levemente sobre a pele delicada dela.

— Suas mãos são para tocar piano e acariciar as crianças, não para isso.

— Tia Jessy, eu pego sua bolsa! — Leo correu até ela, pegando sua bolsa como um pequeno cavalheiro.

Eu nunca tinha visto uma expressão tão bajuladora no rosto daquele herdeiro mimado da máfia.

— A senhorita Jessy só precisa relaxar e cuidar de si mesma, para se preparar para o futuro da família — disse o mordomo de forma servil, entregando-lhe uma taça de champanhe recém-servida.

— Deixe o trabalho pesado conosco.

A ironia era quase risível.

Eu, que um dia achei ser a verdadeira senhora desta família, sempre os tratei com o máximo respeito, mantendo postura e elegância.

Mas no momento em que perdi o favor, eles simplesmente passaram para uma nova Donna, tornando todos os meus esforços inúteis.

Jessy apenas entrou, não fez nada e se tornou a princesa mimada que todos bajulavam e protegiam.

Os sussurros deles não eram tão discretos quanto pensavam.

— O Don é tão generoso com a senhorita Jessy. Olha o jeito que ele olha para ela, como se quisesse devorá-la. Ele mal olha para a Donna.

— Nem me fale. Olha o jovem mestre e a jovem senhorita, sempre grudados nela. Aposto que em breve vamos chamá-la de nova Donna.

O último resquício de sentimento no meu coração morreu.

Retornei ao meu quarto e comecei a arrumar, em silêncio, as poucas roupas velhas que ainda me restavam, esperando o momento certo para ir embora de vez.

Naquela tarde, meu celular vibrou sem parar com mensagens de Jessy.

Era uma sequência de fotos e vídeos curtos mostrando o “tempo em família” dela com as crianças no clube equestre.

Ela os exibiu descaradamente no lounge dos pais.

No vídeo, Leo e Sofia estavam cercados pelos filhos de outros Dons da máfia e empresários ricos.

Eles seguravam a mão de Jessy com orgulho e diziam:

— Essa é a nossa… nova mãe! Ela é a mulher mais linda de toda Veridia!

As outras crianças soltaram exclamações exageradas.

— Uau! Sua nova mãe parece uma estrela de cinema! O perfume dela é incrível!

— Seu papai é o Don, e sua nova mãe é tão bonita e elegante. Sua família é tão incrível!

— Então, sua nova mãe cozinha para vocês e ajuda com o dever de casa? — perguntou outra criança rica, claramente sem entender a situação.

No vídeo, Leo e Sofia hesitaram por um segundo.

Então, murmuraram:

— Ah, isso é trabalho da nossa babá. Vocês já a viram antes. É aquela que vinha nos buscar.

Meus dedos tremiam violentamente.

A xícara escapou das minhas mãos, quebrou no chão e espalhou café preto pelo carpete caro.

Ajoelhei lentamente, recolhendo os cacos com as mãos nuas, e de repente comecei a rir.

Era uma risada carregada apenas de tristeza.

Então, todos esses anos… no coração dos meus próprios filhos, eu nunca fui mãe.

Nunca fui digna de ser a Donna.

Eu não passava de uma babá com status.

Mas isso já não importava mais.

Essa “babá barata” estava prestes a se demitir — para sempre.

A partir de agora, que a encantadora e linda “mãe de verdade” deles lidasse com as birras e as tarefas escolares.
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