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Capítulo 4

Author: Bagel
Uma semana depois, os guarda-costas da família trouxeram Leo e Sofia de volta à mansão, vindos do clube equestre.

As duas crianças invadiram o hall e correram direto para o escritório, ansiosas para criar confusão.

— Mãe! — Sofia arfou, sem fôlego. — A tia Jessy machucou o pulso enquanto cavalgava conosco, e o papai ficou tão preocupado!

Leo completou:

— O papai chamou imediatamente toda a equipe médica particular da família. Ele mesmo fez o curativo na tia Jessy e demitiu o instrutor dela na hora!

— Ele até adiou uma reunião urgente com a Comissão e ficou ao lado dela para consolá-la!

Eu estava sentada à mesa, ouvindo em silêncio as vanglórias irritantes dos meus filhos, trabalhando calmamente em um desenho.

Ao ver que não obtinha reação alguma de mim, Sofia ficou impaciente e chutou a perna da mesa.

— Mãe, você está nos ouvindo?

— O papai é muito mais legal com a tia Jessy do que com você —

Meu pincel parou, interrompendo sua reclamação interminável.

Um aroma doce e marcante de tinta e papel preenchia o escritório.

A atenção das crianças foi imediatamente atraída.

Elas se esticaram, tentando ver por cima da mesa.

— É o nosso livro personalizado! — Leo ficou na ponta dos pés, tentando enxergar as imagens. — É o presente exclusivo para os herdeiros Genovese! Quero ver!

Peguei o monte de desenhos.

Era uma série de aquarelas delicadas retratando a infância deles, mas a tinta de uma das páginas havia borrado e as bordas estavam desfocadas.

Franzi a testa, arranquei a página imperfeita e a joguei na lixeira ao lado.

— Ah! — Sofia avançou. — Por que você jogou fora?! Essa é a nossa história!

— A tinta borrada e as linhas falhas não são dignas de um presente desta família, então não podem ser mantidas — expliquei calmamente, como sempre fazia ao pintar.

— Você fez isso de propósito! — Leo gritou, furioso, indo até a lixeira.

A borda afiada do papel cortou sua mão, e ele a puxou de volta, me encarando com ainda mais ódio.

— Você está com ciúmes porque a gente gosta mais da tia Jessy, então não quer nos dar o livro! Seus desenhos são feios, e nós não queremos mesmo! Você é uma péssima mãe!

O rosto de Sofia ficou vermelho de raiva.

— Eu não tenho uma mãe como você! Você nem consegue fazer o seu trabalho direito, quanto mais ter talento artístico!

Coloquei o pincel na mesa.

Mesmo tendo tentado me preparar, eu ainda não conseguia aceitar aquilo.

As duas crianças que carreguei por nove meses, que tinham o meu sangue nas veias, agora pareciam tão estranhas e cruéis.

— Tudo bem — falei suavemente. — Então eu não tenho filhos como vocês.

— A partir de agora, vão procurar a tia Jessy perfeita de vocês. Peçam para ela desenhar um livro que agrade a vocês.

Sem olhar para trás, virei-me e caminhei em direção à porta do escritório.

Atrás de mim, ouvi os gritos infantis:

— Você é horrível! Vamos contar para o papai que você enlouqueceu e estragou o nosso presente!

Meus passos vacilaram por um instante, mas eu não parei.

No momento em que estava prestes a sair do escritório, Leo avançou por trás de mim, tomado pela raiva.

— Você não pode ir embora! Tem que refazer nosso livro!

Ele tentou me impedir, agarrando a barra da minha saia com as duas mãos e puxando com toda a força.

Pegada de surpresa, girei instintivamente, mas o puxão imprudente me desequilibrou. Tropecei para o lado, batendo com força no enorme espelho do chão ao teto ao meu lado.

O estrondo ensurdecedor fez Santino entrar correndo.

Um estilhaço afiado de vidro cortou profundamente meu braço, e o sangue jorrou, manchando instantaneamente minha manga.

O sangue escorria sem parar, cobrindo-me antes que eu pudesse reagir.

A dor lancinante me fez cair sobre os cacos de vidro, o sangue quente pingando das pontas dos meus dedos no piso de madeira fria e cara.

Leo claramente não esperava um acidente tão grave. Ele ficou apavorado, parado, encarando o corte horrível no meu braço. Seu rosto empalideceu, e ele recuou cambaleando.

Atrás dele, Sofia mordeu o lábio, ainda desafiadora.

— Bem feito! Você estragou nossas coisas primeiro! Esse é o seu castigo!

O barulho ensurdecedor fez Santino entrar correndo.

— O que está acontecendo? Por que essa gritaria?

Ele não estava sozinho. Jessy estava com ele, com um sorriso perfeito no rosto.

Os dois congelaram ao ver a cena.

— Papai! — As crianças, como se tivessem encontrado um salvador, abandonaram o pânico, assumiram expressões de pura inocência e correram até Santino chorando.

— A mamãe… a mamãe ficou louca! Ela rasgou nosso livro e quebrou o espelho de propósito para nos assustar! E disse… disse que não quer mais a gente! Buáá!

O olhar de Santino caiu primeiro sobre o desenho borrado na lixeira, depois se voltou para mim, coberta de sangue, em um estado miserável.

— Alessia, você não tem um pingo de decência? São só crianças!

— Dizer isso para os seus próprios filhos e ainda recorrer a esse… esse ato patético para assustá-los? Você sequer é digna de ser mãe?

Me apoiando na parede fria, com muita dor, lentamente me levantei.

O sangue já havia encharcado completamente meu vestido branco, e ele nem sequer perguntou se eu estava bem.

Olhei para Santino, para o rosto que um dia me fascinou completamente, e de repente senti vontade de rir.

— Aos seus olhos, eu nunca fui digna de nada.

Minha voz tremia de dor, mas pronunciei cada palavra com clareza.

— Agora eu vejo tudo com clareza. Eu entendo o meu lugar nesta família.

Os olhos escuros de Santino se estreitaram, surpreso ao ver que sua esposa, normalmente submissa, estava respondendo.

— Já que a Jessy é a única Donna no seu coração — falei, limpando o sangue do meu braço.

Cada palavra era como uma faca girando dentro do meu peito.

— E as crianças só a querem como mãe, então eu vou dar tudo a ela. Vou dar a vocês a família perfeita que sempre quiseram.

— Os papéis do divórcio já foram finalizados. Vamos nos divorciar.

O ar no escritório congelou.

O rosto de Santino escureceu cada vez mais.
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