INICIAR SESIÓNO olhar dele era afiado. Intenso.
Eu tentei fingir que não percebia, mas ele nem se dava ao trabalho de disfarçar. Os olhos azul-escuros me percorreram dos pés à cabeça, devagar, calculando. Não era um olhar admirado. Era avaliativo. Como se eu fosse um produto. Depois de um longo silêncio, ele suspirou. E não foi um suspiro satisfeito. Foi… de decepção? Meu peito apertou. Meus dedos se fecharam discretamente contra o tecido do vestido. O que ele esperava? Uma modelo de capa de revista? Alguém mais alta? Mais sofisticada? Mais… tudo? Sem dizer nada, ele se afastou e foi até o minibar no canto do quarto. Cada movimento dele era controlado, preciso. Pegou uma garrafa de uísque, serviu duas doses em copos baixos de cristal e voltou até mim. Estendeu um dos copos. Eu aceitei, mas não tinha a menor intenção de beber. Meu estômago já estava embrulhado o suficiente. Eu nunca lidei bem com álcool. Uma dose pequena já era suficiente para me deixar tonta e ficar vulnerável aqui, nesse quarto com um homem que eu mal conhecia, definitivamente não parecia inteligente. Levei o copo aos lábios e fingi um gole. Ele observou. Mas não comentou nada. Apenas bebeu o próprio uísque com um ar pensativo, como se estivesse decidindo algo importante. — Yanek Kovalev-Harris. Ele disse por fim, estendendo a mão. O nome soou forte. Estrangeiro. Imponente. Eu hesitei antes de apertar sua mão. A pele dele era quente, firme. Confiante demais. — E você? Pode me dizer seu nome real ou inventar um. Não me importa. Eu pensei em mentir. Seria mais seguro. Mas havia algo na forma como ele me olhava,direto, quase desafiador que me fez mudar de ideia. — Bárbara Llanos Smith. — Bárbara. Ele repetiu devagar, como se estivesse testando o nome na boca. — Diferente. Quais são suas origens? — Meio latina, meio americana. Minha mãe era espanhola. Ele assentiu lentamente, como se aquilo explicasse alguma coisa que só ele entendia. Girou o copo entre os dedos. — Sempre saí com uma determinada pessoa do site. Mas ela decidiu sair. Vai se casar. Fiquei em silêncio, esperando. Ele parecia gostar de pausas dramáticas. — Então… Continuou, sem rodeios. — Preciso de outra garota para servir a mim. Servir. A palavra ficou presa na minha garganta. — Servir a você? Repeti, sentindo o desconforto subir pela espinha. Ele percebeu minha reação. Claro que percebeu. Seus olhos analisaram cada pequena expressão minha, mas o rosto dele permaneceu inalterado. Frio. Ilegível. Por algum motivo, isso só me deixou ainda mais desconfortável. Ele terminou o uísque e colocou o copo sobre a mesa de vidro com um clique suave. — Você vai entender em breve. Enigmático. Controlado. Como se estivesse sempre três passos à frente. Então ele se levantou, ajeitou o terno impecável e tirou do bolso um pequeno maço de notas. Contou calmamente e colocou duzentos dólares sobre a mesa. — Foi um prazer conhecer você, Bárbara. E foi embora. Simples assim. Fiquei parada no meio do quarto, olhando para a porta fechada, tentando entender o que tinha acabado de acontecer. Ele me analisou. Suspirou como se estivesse decepcionado. Falou frases vagas. Pagou. E saiu. Era isso? Olhei para o dinheiro. Bom… pelo menos o aluguel estava garantido. Respirei fundo, peguei o celular e mandei mensagem para Zoe. Eu: McDonald's? Eu pago. Zoe: O QUÊ? Eu: Só vem. --- — VOCÊ TÁ ME ZOANDO! Zoe estava quase gritando, segurando um Big Mac na mão. — Ele é gostoso assim mesmo? Revirei os olhos e mordi uma batata frita. — Sim. Mas também é arrogante. — Amiga, eu aceitaria ser destratada por um homem desses se no final ele pagasse meu aluguel. Eu ri. Mas por dentro… havia algo estranho. Eu não esperava nada dele. Nada mesmo. Ainda assim, me senti rejeitada. Ele me olhou como se eu não fosse suficiente para algo que eu nem sabia o que era. E isso me irritava mais do que deveria. Não que importasse. Homens como ele não olham duas vezes para garotas como eu. — Você acha que ele vai te chamar de novo? Zoe perguntou. Dei de ombros. — Duvido. Mas não faz diferença. O aluguel tá pago, sobrou um pouco e eu nem precisei fazer nada. Brindamos nossos refrigerantes e rimos. Mas a verdade? Eu sabia que aquela história não tinha terminado. --- No dia seguinte, acordei tarde, mas fui direto ao escritório do senhorio. Quando entreguei os 125 dólares, ele até sorriu,milagre. — Pagando direitinho… isso é novo. Ignorei o comentário, peguei o recibo e saí. Pela primeira vez em semanas, consegui respirar sem aquele peso esmagando meu peito. Fui para o trabalho mais leve. Estava limpando uma mesa quando senti o celular vibrar no bolso. Peguei o aparelho distraída. E congelei. Y.K.H: Te aguardo hoje. Mesmo horário, mesmo quarto. Meu coração parou por um segundo. Era ele. Yanek Kovalev-Harris. E, pelo jeito… ele ainda não tinha terminado comigo.Yanek cola o peito em minhas costas nuas. O peso do seu corpo, a firmeza dos seus músculos e o volume enorme da sua ereção pressionando contra a fenda da minha bunda me fazem soltar um gemido que reverbera na parede de pedra. — Você quer isso, Babi? A voz dele é um trovão baixo, vibrando diretamente na minha nuca. — Quer que eles vejam o quanto você é minha? Gemo baixinho. — Quero. Respondo, minha voz falhando, carregada de um desejo que eu nem sabia que era capaz de sentir. — Por favor, Yanek. Agora. Ele não me faz esperar. Sinto suas mãos grandes subirem pelas minhas coxas, levantando o tecido fino do meu vestido até que ele esteja amontoado na minha cintura. O ar frio da sala atinge minha pele exposta apenas por um milésimo de segundo antes que ele agarre minhas nádegas com uma possessividade que me faz cravar as unhas no mármore. Com um movimento ágil, ele se livra do restante de sua calça. Ouço o som do zíper e o baque surdo do tecido caindo no chão. Então,
Yanek ainda segurava meu rosto quando disse que estava tudo bem. Que eu podia relaxar. Que ninguém ali iria interferir. Por um segundo fiquei apenas olhando para ele, tentando decidir se meu corpo estava reagindo por causa da champanhe, do ambiente ou simplesmente por causa dele. Talvez fosse tudo junto. Atrás de Yanek, o trio continuava no sofá. A mulher de vestido dourado agora estava sentada no colo do homem, as pernas cruzadas ao redor da cintura dele rebolando lentamente enquanto de olhos fechados sentindo o prazer, sussurrava algo em seu ouvido. A outra mulher estava ao lado, passando os dedos pelo braço dele, às vezes inclinando-se para beijar o pescoço da primeira e abrindo o zíper do seu vestido. Era uma cena íntima. Quase hipnótica. E eles não pareciam se importar em serem observados. Um dos olhares voltou para nós. Meu estômago deu uma pequena volta. Yanek percebeu. — Está tudo bem. Eles também gostam de serem observados assim. Repetiu ele em voz baixa. A
Yanek ainda estava muito perto quando voltou a me beijar.Dessa vez o beijo não teve a mesma calma do anterior.Havia mais urgência.Mais calor.A mão dele deslizou novamente pelas minhas costas, desta vez com mais intenção, os dedos percorrendo minha pele devagar até alcançar o zíper do vestido.Meu coração acelerou imediatamente.— Yanek… Murmurei contra os lábios dele.Mas ele já estava abrindo.O som suave do zíper descendo pareceu absurdamente alto para mim, embora ao nosso redor a música e as conversas continuassem normalmente.Meu corpo reagiu na mesma hora. Um arrepio percorreu minha coluna quando o tecido se abriu um pouco mais, expondo a pele das minhas costas e a alça do sutiã.Afastei um pouco o rosto e olhei ao redor.Foi quando percebi.Não estávamos completamente sozinhos naquele canto.Havia três pessoas próximas.Um homem e duas mulheres.Eles estavam encostados em um sofá baixo, cada um com uma taça de champanhe na mão. As máscaras que usavam eram mais elaboradas qu
Seguimos em direção ao bar, atravessando o salão principal novamente. Quanto mais eu observo mais detalhes surgem. O som de conversas elegantes misturado à música suave, o brilho das taças de cristal, o perfume caro que parece pairar no ar.Era como entrar em outro mundo.Um mundo onde tudo parece mais sofisticado, mais secreto.O bar é enorme, iluminado por uma parede inteira de garrafas que refletem tons dourados e âmbar. Algumas pessoas estão sentadas em bancos altos conversando discretamente, outras apenas observam o movimento do salão.Yanek apoia o braço no balcão.— Champanhe. Pediu ao bartender com naturalidade.O homem assentiu e logo começou a preparar duas taças.Enquanto esperávamos, olhei ao redor novamente.Algumas pessoas conversavam animadamente. Outras pareciam simplesmente observar. E, por algum motivo, senti que alguns olhares passavam por nós com mais atenção do que o normal.Talvez fosse impressão minha.As taças chegaram.Yanek pegou uma e me entregou a outra.
O carro desacelerou conforme deixávamos as ruas mais movimentadas da cidade para trás. As luzes urbanas foram ficando distantes e, aos poucos, o caminho se tornou mais silencioso, mais escuro, cercado por árvores altas e bem cuidadas. Eu já estava prestes a perguntar para onde exatamente estávamos indo quando o portão apareceu. Alto. Imponente. De ferro trabalhado com desenhos elegantes, iluminado por duas colunas de pedra clara. Quando o carro de Gabe se aproximou, o portão se abriu automaticamente, revelando uma longa entrada cercada por jardins perfeitamente aparados. — Yanek… Eu disse, olhando pela janela. Ele apenas sorriu de canto. — Espere. Seguimos pela alameda iluminada até que a mansão apareceu. Meu Deus. Era enorme. Não era exatamente uma casa… parecia mais uma propriedade histórica restaurada. A fachada tinha colunas claras, janelas altas e uma iluminação dourada que destacava cada detalhe da arquitetura clássica. Ao mesmo tempo, havia algo moderno na forma com
Acordei antes mesmo do despertador tocar.Fiquei alguns segundos olhando para o teto, ainda meio perdida entre sonho e realidade, até lembrar imediatamente do motivo da minha inquietação.O encontro.Com Yanek.Meu estômago deu aquela revirada boa de ansiedade que parecia começar no peito e se espalhar pelo corpo inteiro. Era ridículo o efeito que ele tinha sobre mim.Rolei para o lado na cama e peguei o celular na mesa de cabeceira. Nenhuma mensagem nova. Ainda era cedo demais. Provavelmente ele já estava trabalhando ou prestes a sair para alguma reunião importante.Suspirei e me levantei.Se eu ficasse em casa o dia inteiro pensando nisso, ia enlouquecer.Depois de um banho rápido e um café da manhã quase automático, decidi que precisava sair. Fazer alguma coisa. Comprar alguma coisa. Pensar no que usar pela noite.E, claro, precisava de ajuda.Peguei o telefone e liguei para Zoe.Ela atendeu no segundo toque.— Bom dia,gata.— Zoe, você está ocupada na hora do almoço?— Depende.Re







