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Capítulo 3

Penulis: Gugu
Coberta de joias e com o queixo erguido, Beatriz abriu caminho entre os convidados e parou diante de mim.

O olhar que me lançou não escondia o desprezo.

— Eu nunca convidei seu pai para esta cerimônia. Foi ele quem apareceu sem ser chamado, sem a menor educação. Se acabou atropelado, procurou por isso.

Ela nem esperou resposta.

— Se meu marido não insistisse nessa união, você nem pisaria nesta casa, muito menos sonharia em se casar com meu filho. E Caio ainda deu quinhentos mil à sua família. No fim das contas, vocês é que saíram ganhando.

Ao redor, vários convidados assentiram.

Para aquela gente, o lugar de esposa de Caio valia mais do que a vida de um velho sem nome.

Beatriz tomou a mão de Luna e suavizou a voz.

— A cerimônia nem começou. Tenho certeza de que, quando meu marido conhecer você, vai desistir de vez dessa ideia absurda de unir os Albuquerque a uma desconhecida.

Luna mordeu o lábio, os olhos marejados.

— Me desculpem... Foi culpa minha. Por descuido, quase estraguei o noivado de Caio.

Bastou aquilo.

Caio a puxou para junto do peito e me lançou um olhar feroz.

— Isadora, o homem morreu e você já recebeu o dinheiro. Luna ainda é jovem. Não arruíne o futuro dela só porque não consegue deixar isso para trás.

A voz endureceu.

— Se ainda quer que esse noivado aconteça, guarde suas acusações e seu ciúme para você.

Então tirou um documento e o estendeu na minha direção.

— Assine. Você abre mão de qualquer direito de responsabilizar Luna por isso e nosso noivado continua de pé.

Olhei para o homem que deveria se tornar meu marido. Ali estava ele, protegendo Luna outra vez.

Sem limite. Sem princípio.

Nem toquei no papel.

— Esse acordo não tem nada a ver comigo. — Voltei os olhos para ele. — Você nunca se perguntou por que seu pai ainda não apareceu? Porque o homem que está no hospital é ele...

— Cale a boca! — Beatriz explodiu. — Quem você pensa que é para amaldiçoar meu marido? Uma ninguém como você! Ele foi para Nova York anteontem participar de uma reunião confidencial. Só volta esta noite!

Eles não faziam ideia.

A tal reunião confidencial era justamente com meu pai. Augusto e Henrique discutiam, em sigilo, os planos de expansão dos Albuquerque e dos Ferraz na Itália.

Depois de acomodar meu pai, Henrique voltou sozinho para o local da cerimônia.

E foi ali que Luna o atingiu.

Não.

Não foi um acidente.

Foi assassinato.

— Isadora, meu pai é a pessoa mais importante da minha vida. É o pilar dos Albuquerque. Eu não admito que ninguém o amaldiçoe, muito menos tente fazer mal a ele.

Caio me encarou com frieza.

— Eu realmente queria me casar com você. Mas, por ciúme, você não para de ultrapassar todos os meus limites.

Tirou o celular e fez outra transferência.

— Mais cem mil. Agora seja sensata, assine o acordo e termine a cerimônia comigo. Meu pai deve chegar a qualquer momento. E, quando ele aparecer, não quero ouvir uma palavra sobre a morte do seu pai. Não transforme meu noivado no funeral da sua família.

A quantia provocou um burburinho imediato entre os convidados.

— Seiscentos mil! Por um velho grosseiro, sem educação, um caipira qualquer? O Sr. Caio é generoso demais!

— O que ela ainda está esperando? Assina logo e fica quieta!

Soltei uma risada fria.

Ao longe, um carro se aproximava da propriedade.

Reconheci na mesma hora.

Era o carro do meu pai.

— Já que você insiste tanto, eu assino.

Peguei a caneta e coloquei meu nome no papel. Depois ergui o acordo diante de Caio e sustentei o olhar dele.

— Mas não vou ficar noiva de você. Só vim até aqui por causa do seu pobre pai. Espero que não se arrependa.

Beatriz perdeu a paciência. Avançou e cravou um dedo no meu peito.

— Ainda vai bancar a orgulhosa? Eu é que mal posso esperar para acabar com essa união! Pegue seu pai morto e suma daqui, sua caipira!

— Está mandando a filha de quem embora?

A voz grave atravessou o jardim.

O silêncio caiu de uma vez.

Meu pai desceu de um Rolls-Royce Cullinan de edição limitada e caminhou até nós sem pressa.

Enquanto avançava, girava discretamente o anel no polegar.

Os olhos ao redor se prenderam à peça.

Não era um anel qualquer.

Em Nova York, aquele símbolo pertencia apenas aos homens que comandavam o submundo. No metal, se destacava o brasão dos Ferraz, carregado de toda a história e prestígio da família.

Foi então que o celular de Caio tocou.

Ele atendeu.

Do outro lado, uma voz anunciou:

— Sr. Caio, seu pai sofreu um acidente de carro. A equipe médica tentou reanimá-lo, mas ele não resistiu. Por favor, venha ao hospital o quanto antes para reconhecer e retirar o corpo.

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