MasukOlhei para ele e deixei escapar uma risada fria.— Você me ama? Então me diga, Caio. Quando achou que Luna matou meu pai, o que você fez?— Não foi assim! — Ele balançou a cabeça com força, e as lágrimas enfim transbordaram. — Eu sei que, antes de você revelar quem era, todo mundo achava que eu e Luna formávamos um casal. Mas eu sempre vi ela como uma irmã!A voz saiu cada vez mais desesperada.— Ela estava mal, atropelou seu pai, e eu achei que foi um acidente. Só quis proteger ela porque esperava que, no fim, todos nós virássemos uma família.Caio se arrastou de joelhos na minha direção.— Acredita em mim. Me dá mais uma chance. Eu já perdi meu pai... não posso perder você também.Estendeu a mão para agarrar a barra do meu vestido.Eu me afastei sem hesitar.— Que pena.Abri a bolsa e tirei um cheque.Seiscentos mil.Estendi o papel para ele.— É tudo o que posso fazer por você. Afinal, aos seus olhos, a vida de um pai morto vale exatamente isso.Caio ficou imóvel.Uma lágrima escorr
— Foi você! Você matou meu pai de propósito!Caio tremia da cabeça aos pés. O vídeo parecia lhe esmagar o peito, e os olhos, vermelhos, continuavam presos à tela.De repente, ele se virou e agarrou Luna pelo pescoço.— Por quê? Por que você fez isso?!Luna ergueu o rosto, coberto de lágrimas.E sorriu.Um sorriso torto, quase perturbador.— Porque eu te amo, Caio!A voz saiu entrecortada.— Eu não suportava ver a filha de uma ninguém se casando com você! Quem ela pensa que é? Ela nem merece ficar ao seu lado!Caio apertou ainda mais os dedos.— Eu só queria dar uma lição nela! Como eu ia saber que aquele homem era seu pai? — Luna quase gritou. — Se quer culpar alguém, culpe você mesmo! Se você me apresentasse ao seu pai antes, eu não confundiria os dois. Eu não atropelaria a pessoa errada!— Cala a boca!Caio rugiu e apertou o pescoço dela com tanta força que parecia disposto a arrancar sua cabeça.Mas, naquele momento, havia alguém que odiava Luna ainda mais.— Sua desgraçada! Foi voc
Uma ambulância freou bruscamente diante dos portões.Um médico de jaleco branco desceu às pressas.— Ninguém apareceu para reconhecer o corpo do Sr. Henrique. Não tivemos alternativa senão trazer o corpo até aqui! Quem é da família? Precisamos que alguém faça o reconhecimento!As portas traseiras se abriram.O cheiro forte de antisséptico veio misturado ao de sangue.Uma maca foi retirada do veículo, coberta por um lençol branco. Uma das pontas escorregou e revelou o rosto pálido do velho.Mais abaixo, as duas pernas estavam brutalmente decepadas.— Pai!Caio se soltou dos homens que o seguravam e tropeçou até a maca.— O que aconteceu? Como isso aconteceu? Como meu pai pôde morrer assim?!Luna se encolheu a poucos passos dali. O rosto perdeu toda a cor, e o corpo não parava de tremer.— Mas... ele não era o pai da Isadora? Como virou o pai do Caio?A frase atingiu Caio em cheio.Ele levantou a cabeça devagar. Os olhos, vermelhos, se cravaram em Luna.— Foi você que matou meu pai?A vo
— Que absurdo! Esse ator passou de todos os limites! — Caio fechou a cara.Luna correu para ele e se escondeu às suas costas. Bastou vê-la naquele estado para Caio perder de vez a cabeça.Apontou para meu pai e berrou:— Continua! Quero ver até onde vai essa encenação! Achou que bastava vestir roupa de grife e colocar um anel de ouro no dedo para virar um Don?Um sorriso de escárnio lhe entortou a boca.— Entrou tanto no personagem que já acredita que é alguém importante?Beatriz perdeu a paciência e fez um gesto brusco.— Chega. Tirem esse velho daqui!Vários homens dos Albuquerque avançaram e cercaram a mim e ao meu pai.Augusto soltou uma risada baixa.— Não sabem mesmo com quem estão mexendo.Ergueu a mão e estalou os dedos.No instante seguinte, dezenas de homens surgiram de todos os lados da propriedade.Antes que os Albuquerque reagissem, já estavam no chão.A situação se virou em segundos.Caio também acabou imobilizado.— Me soltem! Vocês sabem quem eu sou?!Dois homens prende
Caio franziu o cenho. O leve tremor do corpo denunciava uma inquietação que ele já não conseguia esconder.Luna percebeu na hora e se agarrou ao braço dele.— Calma, Caio. Seu pai provavelmente ainda está no avião. Vai ver o voo atrasou. Depois de uma viagem tão longa, ele ainda pode ter parado no lounge para descansar. — A voz se suavizou. — Isadora deve saber disso. Por isso inventou essa história, só para te assustar.Foi o bastante.A tensão no rosto de Caio cedeu quase de imediato. Ele olhou para Luna com gratidão.— Você sempre pensa em tudo, Luna. É a única que realmente se preocupa com meu pai.Quando se virou para mim, a ternura desapareceu.— Já você, Isadora, não para de usar a vida do meu pai para fazer esse tipo de provocação. Vou te dar uma última chance: peça desculpas a ele. Caso contrário, eu cancelo nosso noivado.Mais uma vez, usava o casamento como ameaça.Só que aquilo já não significava nada para mim.Tudo o que ele fez desde o acidente matou qualquer expectativa
— O quê? Meu pai morreu?Caio ficou imóvel. O celular escapou da mão e caiu no chão.— Isso é impossível! Ele não estava voltando de Nova York? Como poderia sofrer um acidente?Luna se abaixou depressa para pegar o aparelho. Ao se levantar, lançou um olhar enviesado para mim e para meu pai, os lábios curvados num biquinho ofendido.— Srta. Isadora, eu sei que você me culpa pelo que aconteceu com seu noivado, mas precisava mesmo chegar a esse ponto? Contratar alguém para fingir que liga do hospital... e ainda trazer um ator para se passar pelo seu pai? Você se deu bastante trabalho só para fazer Caio olhar para você.Caio se virou para mim. A surpresa no rosto cedeu lugar a um desprezo frio.— Um ator?— Não. E eu não preciso fazer isso.Sustentei o olhar dele, mas só encontrei desdém.— Isadora, quantas vezes você pretende repetir a mesma mentira? — A voz se enrijeceu. — Foi um acidente. Só isso. Por que você insiste em perseguir Luna?Deu um passo na minha direção.— Meu pai sempre ap







