LOGINEle morreu acusado de uma ordem que jurou nunca ter dado. Agora, sua viúva descobrirá se o verdadeiro inimigo sempre esteve ao lado dele.🔆 AMIRA YASMIN AL-KHOURY AL-HADDAD Durante tantos anos, aquele nome pertencera às lembranças da minha infância e à voz de minha mãe. Karim me chamava de Amira, e eu amava ouvi-lo. Nikolas escolhera meu segundo nome sem conhecer inteiramente sua história.Talvez fosse isso que me perturbasse.Eu não estava deixando de ser a mulher que Karim amara.Estava descobrindo que, depois da morte dele, ainda existiam partes de mim que não conhecia.A possibilidade me assustava porque parecia exigir uma escolha impossível.Mas eu não precisava decidir naquela tarde quem seria pelo resto da vida.Precisava apenas reconhecer a verdade.Eu amara Karim.Ainda o amava na memória, na saudade e na vida que construímos.E havia começado a sentir algo por Nikolas que não conseguia negar.Aproximei a aliança dos lábios mais uma vez.— Eu não esqueci você, meu amor. Mu
A lembrança do marido volta justamente quando outro homem ainda permanece em sua pele.🔆 AMIRA YASMIN AL-KHOURY AL-HADDADBeirute, Líbano | Residência Al-HaddadVoltar para casa deveria significar encontrar algum conforto. Entretanto, quando atravessei os portões da residência Al-Haddad, compreendi que existiam lugares capazes de preservar uma ausência com mais fidelidade do que qualquer fotografia.Tudo permanecia como Karim deixara.Os jardins impecáveis, as fontes de mármore, os homens da segurança posicionados discretamente ao longo da entrada. Até o perfume das flores que cresciam próximo à escadaria parecia resistir à passagem do tempo.Hassan acompanhou-me até o vestíbulo.— Senhora Al-Haddad, os documentos solicitados serão reunidos ainda hoje. Amanhã poderemos começar a análise dos registros.— Obrigada, Hassan. Por enquanto, quero descansar.Ele inclinou a cabeça, respeitosamente.— Estarei à disposição.Subi sozinha.A cada degrau, sentia o peso de retornar a uma vida que
Depois de três meses, a vingança finalmente cabe dentro de uma mão. 🔆 AMIRA YASMIN AL-KHOURY AL-HADDADA bordo do jatinho particular | Atenas–BeiruteO Mediterrâneo se estendia sob as asas do jatinho como uma imensa superfície azul, tão tranquila que parecia impossível acreditar em quantas vidas haviam sido destruídas por aquilo que acontecera sobre suas águas.Acomodei-me melhor na poltrona e observei meu reflexo na janela.A mulher que deixava Atenas não era a mesma que desembarcara naquela cidade três meses antes, carregando uma única intenção.Matar Nikolas Drakos.Naquela época, eu acreditava que a vingança seria simples quando finalmente conseguisse ultrapassar a segurança do Archon. Estudara seus hábitos, seus deslocamentos, suas preferências. Descobrira o clube onde ele costumava procurar mulheres e passara semanas compreendendo uma rotina que parecia impossível de penetrar.Não havia imaginado que o verdadeiro obstáculo seria meu próprio coração.Apertei os dedos contra o b
Ela deixou Atenas levando as lembranças de uma noite que mudou seu destino. Mas, entre o amor que perdeu e o homem que não conseguiu matar, uma nova história começava.🔆 AMIRA YASMIN AL-KHOURY AL-HADDAD — Não importa o que aconteça entre nós. Não importa o que venhamos a sentir. Precisamos descobrir quem mandou atirar naquele cargueiro.Seus olhos se tornaram sérios.— Vamos descobrir.— Mesmo que a verdade esteja dentro da Casa Al-Haddad?— Mesmo assim.Respirei profundamente.— E se estiver dentro do Consórcio?Nikolas não hesitou.— Também.Observei seu rosto.Eu queria acreditar nele.Mas havia aprendido que confiança não podia substituir provas.— Não quero que proteja ninguém, Nikolas.— Nem eu.Sua mão encontrou a minha.— Quero saber quem matou Stefanos. Quem impediu meu pai de chegar à verdade. E por que Karim morreu antes que pudéssemos compreender o que estava acontecendo.Apertei seus dedos.Não era perdão.Não era absolvição.Era o reconhecimento de que nossas perguntas
Desejar não significa esquecer, mas a culpa não conhece essa diferença. 🔆 AMIRA YASMIN AL-KHOURY AL-HADDADAtenas, Grécia | Cobertura do ConsórcioA mão de Nikolas repousava sobre meus cabelos.Seus dedos deslizavam lentamente entre os fios negros, sem pressa, sem exigências. Era uma carícia simples, dessas que um homem oferece quando não espera nada em troca.Eu estava deitada sobre seu peito, ouvindo as batidas tranquilas de seu coração.Havia uma paz estranha naquele quarto.Uma paz que eu não deveria sentir.Fechei os olhos quando seus dedos alcançaram minha nuca.E foi justamente aquele gesto que me levou de volta a Karim.• BEIRUTE, LÍBANO | SETE ANOS ANTES — Amira, se continuar olhando para aqueles documentos, vou começar a acreditar que se casou com a Casa Al-Haddad e não comigo.Ergui os olhos.Karim estava encostado no batente da porta, com a gravata afrouxada e as mangas da camisa dobradas até os antebraços.Sorri.— Você chegou cedo.— Cheguei há vinte minutos, minha es
Passei a vida procurando prazer sem permitir sentimentos. Até descobrir que o que eu desejava não era apenas um corpo, mas uma mulher que me ensinasse a sentir.⚜️ ALESSANDRO NIKOLAS DRAKOS KALLISTRATOSAtenas, Grécia | Cobertura do ConsórcioDurante anos, acreditei que conhecia tudo o que um homem precisava saber sobre prazer.Conhecia o desejo físico, a necessidade, o alívio que vinha depois. Conhecia os corredores discretos, os quartos reservados, os encontros sem perguntas e as despedidas sem promessas.Meu ritual era simples.Entrava, satisfazia uma necessidade e saía.Não havia beijos. Não havia carícias demoradas. Nunca permitia que uma mulher explorasse meu corpo ou permanecesse em meus braços. Não procurava conhecer seu perfume, descobrir seu sorriso ou guardar qualquer lembrança que pudesse me fazer desejar um reencontro.Eu acreditava que era assim que deveria ser.Que o prazer não precisava de intimidade.Que o corpo poderia existir separado de qualquer emoção.E, durante







