LOGINIsabella Ferreira, 22 anos, vive prisioneira em uma mansão de luxo. Seu pai, o magnata da Fer Cosmetics, a trata como substituta da esposa morta e com ameaças veladas. Sem amigos, sem família, sem saída. Desesperada por vingança e liberdade, ela cria sozinha uma rede social underground para mulheres e anuncia o leilão mais chocante de sua vida: sua virgindade intocada. O lance vencedor? Alessandro Rossi, 32 anos, chefe mafioso, frio, arrogante e implacável. Ele não compra apenas uma noite, ele compra ela inteira. Para Alessandro, Isabella é só uma garotinha mimada vendendo o corpo por capricho de rica rebelde. Ele a força a assinar um contrato sem ler: mas ali venderia sua alma. Ela sai da mansão do pai sem nada e nunca mais volta.
View MoreEu sou a princesinha num grande castelo, com as grandes escadas e os longos vestidos das histórias que minha mamãe conta antes de dormir. Ela tinha feito uma linda coroa para mim, dourada, cheia de purpurina e pedrinhas coladas.
Eu estava com um vestido meu dessa vez, mamãe pegou o mais bonito para mim. Já que da ultima vez meu pai tinha brigado por ter arrastado a roupa da mamãe pela casa. Mas tudo aqui era meu reino e eu era sua princesinha.
Eu corria pelos corredores, com a Teresa em minha mão. Minha melhor amiga. Estávamos procurando passagens secretas no castelo. E entrei furtivamente no quarto da mamãe. Ela estava em pé no banheiro de frente para a grande cama de casal.
— Mamãeeee, vamos tá na hora do chá.
Mas ela não me respondeu. Parei de olhar para Teresa em meu colo. Mãe estava se olhando no espelho, tremendo um pouco. Será que um dragão tinha aparecido e eu não vi? Mas eu veria, dragões eram muito grandes e com certeza eu teria medo de um.
Mamãe estava com a mão cheia de remedinhos de dodói. dava pra ver de onde eu estava. Mas a mamãe não poderia estar dodói. Ela tinha que estar boa para minha irmãzinha crescer bem. Papai tinha pedido para que eu colaborasse.
— Mamãe? — Eu chamo bem baixinho, com medo de assustar o dragão.
Ela não respondeu. Começou a tremer mais. Mais forte. A cara dela tava branca que nem leite, e os olhos pareciam molhados. O papai brigaria comigo por isso? Eu não podia ficar chamando ela.
Ela se abaixou na minha frente devagar, ficando do meu tamanho. Eu adorava quando ela fazia isso. Ela me deu um sorriso fraco.
— Oi, bonequinha… — a voz dela saiu toda embolada. — A mamãe precisa descansar um pouquinho agora, tá bem? Volta pro teu quarto, meu amor. Brinca com as tuas bonecas, faz a mesinha de chá delas, ou faz as tarefinhas que a professora mandou. Tá bem, minha princesinha?
Eu pisquei. Meu coração fazia tum-tum-tum muito rápido. Será que eu ficaria de castigo? Papai não queria que eu brincasse com a mamãe para que ela descansasse.
— Mamãe… tá tudo bem? — perguntei, apertando a boneca mais forte contra o peito. — E a irmãzinha? Ela tá bem também?
Mamãe não respondeu. Só fechou os olhos um segundo. Depois abriu de novo e falou baixinho, quase sussurrando:
— Por favor, bonequinha… obedece a mamãe. Vai pro quarto. Por favor.
Eu não queria ir. Mas mamãe pediu e parecia triste comigo. Então eu fiz o que ela me pediu. Só que eu não estava mais querendo brincar de nada. Não queria que a mamãe ficasse triste comigo. E tinha minha irmãzinha.
Quando ela nascer a mamãe vai ficar boa de novo. quando ela nascer a gente vai poder brincar juntas. Eu iria dividir todas as minhas bonecas com ela.
No meu quarto eu arrumei a mesinha do chá. Coloque as xícaras com desenhos de flores e os biscoitinhos de massinha. Minhas bonecas sentaram direitinho: a Maria de vestido azul, o coelhinho de colete, e a Teresa com o vestido igual ao meu.
— Calma, meninas, a mamãe já vem. Ela só tá descansando. Vamos tomar um chá, que ela deve vir depois.
Tum. Tum. Tum.
Tomei um susto com aquele barulho. Será que o dragão finalmente tinha chegado?
Tum. Tum. Tum…TUM
Eu corri pra porta e abri. Queria ver o dragão. Mas não tinha dragão nenhum.
Cheguei na beira da escada a mamãe tava lá embaixo.
Deitada de um jeito esquisito, toda torta, como quando minhas bonecas de pano caem da cama e ficam com o braço virado pra trás, a perna dobrada. O cabelo dela estava espalhado no degrau. Parecia que ela estava brincando de ser boneca.
Será que o dragão tinha deixado ela assim? Eu sorri, eu teria que procurar esse tão dragão. Ele não poderia atacar minha mamãe!
— Mamãe! O dragão te atacou?
Ela não mexeu.
— Mamãe?
Nada.
Eu comecei a descer um degrau. Mas lembrei: o papai não deixa. Ele sempre fala que criança não pode ficar perambulando pela casa, que tem que ficar no quarto. Então eu parei. Fiquei olhando.
Tinha uma manchinha vermelha no chão. Começou pequena, perto da cabeça da mamãe, e foi crescendo. Devagar. Igual tinta vermelha.
— Mamãe, o papai vai brigar se a gente brincar assim. Ele não gosta de tinta.
Mas ela não se mexia. Eu comecei a chorar. Primeiro baixinho, depois mais alto.
— AAAAAAAAAAAAAA!
A empregada me assustou. Eu não via ela, mas ela estava gritando muito alto e estava me dando muito medo.
Ela gritou de novo e caiu de joelhos do lado da mamãe.
Tudo virou bagunça. Barulho. O papai saiu do escritório xingando alto. Ele sempre fica lá dentro, com a porta fechada. A gente não podia ir lá. Ele veio bravo, mas quando viu a mamãe no chão, parou. A cara dele ficou dura, igual pedra.
— Não sai daí! — ele gritou pra mim, apontando o dedo. — Fica aí em cima! — Depois olhou pra empregada. — Limpa essa bagunça. Agora!
Ele se abaixou, pegou a mamãe no colo como uma boneca muito, muito grande. Saiu com ela pela porta da frente. Eu ouvi o carro ligar lá fora. Depois silêncio.
Eu obedeci. Fiquei parada no topo da escada.
A empregada voltou com um pano e um balde que cheirava muito forte, de produto de limpeza que arde o nariz. Ela esfregava o chão chorando baixinho.
Ela não olhava pra mim. Mas eu também chorava.
Eu me sentei no primeiro degrau. Abracei minhas pernas. Esperei.
Esperei muito.
Mas mamãe não voltou.
Eu fiquei ali sozinha, ouvindo o relógio da sala fazer tic-tac, tic-tac, e pensando que talvez eu tivesse feito algo errado. Talvez eu não devesse ter chamado a mamãe. Talvez se eu tivesse ficado quietinha brincando, a manchinha vermelha não tivesse aparecido.
O rosto dela mudou em um segundo. Os olhos se arregalaram, a boca se abriu num “o” silencioso. A surpresa pura, crua, como se eu tivesse aparecido do nada no meio de um sonho seguro. Mas a reação de choque era totalmente ensaiada e artificial.A peruca ruiva ainda estava na cabeça de manequim, o cabelo verdadeiro dela estava a mostra. Um loiro um pouco sem vida e mais escuro do que eu me lembrava, com fios brancos um pouco aparente. Um pouco bagunçado por causa do travesseiro. Ela estava um pouco mais descuidada e menos vaidosa do que era, talvez por conta da peruca que tanto usa. Ela se sentou na cama de um pulo, puxando o lençol contra o peito.Eu a olhei e senti exatamente o que sentia quando a via sua fotos atuais: desprezo. Uma repulsa profunda, quase física, que subia pela garganta junto com a bilis. Não me importava o sangue. Não importava que ela me tivesse gerado. Aquela mulher era veneno puro. Cada linha do rosto dela me lembrava traição, mentira e a forma como ela tinha tr
Ficar parado esperando seria pior. Estávamos vulneráveis demais naquele ponto, escondidos atrás da pouca vegetação. Então dei o sinal e saímos nos aproximando aos poucos, usando a sombra das árvores e o movimento natural do amanhecer.Os empregados começavam a circular pelo terreno e pareciam pouco atentos ao que acontecia ao redor deles. Jardineiros, cozinheiras, gente carregando baldes e ferramentas passavam de um lado para o outro. Ninguém parecia interessado em mais alguns homens de roupa escura e prática.Vitoriosamente estavamos passamos despercebidos no meio deles. Pura sorte. Um grupo de seguranças atravessou o caminho à nossa frente, indo preguiçosamente em direção à frente da casa. As roupas deles eram muito semelhantes às nossas, todas pretas, discretas, sem identificação. Era o momento de aproveitarmos a oportunidade e nos encaixamo no fluxo e entramos pela porta de serviço junto com outros funcionários, como se fizéssemos parte da rotina matinal.Por dentro, a casa tinha
Subir aquelas pedras era mais difícil do que eu imaginava.Eu não era alpinista. Nunca tinha escalado nada além de muros baixos em operações rápidas. Agora, cada movimento exigia força real. Eu precisava fazer força para cima e para sustentar todo o meu corpo com as minhas pernas em um angulo de quase 90° graus. As pedras eram irregulares, cobertas de musgo úmido pelo orvalho da manhã, e escorregavam sob as botas.E eu estava amarrado pela cintura a uma corda fina e resistente de aço que ligava meu corpo ao homem à minha frente. Ele tinha certo conhecimento, de forma bem básica mas tinha, e eu estava apostando que isso bastaria. Ele subia com mais fluidez, testando os pontos de apoio, indicando com a mão onde eu deveria segurar.Abaixo de nós, o caos se instaurava.Gritos. Tiros distantes. O som de gente correndo entre as fileiras da plantação. O segundo grupo já estava agindo. Eu precisava subir rápido. Cada segundo perdido ali era um segundo a mais para alguém do outro lado perceber
Ainda estávamos a uma distância considerável da parede de pedras quando o susto veio.A plantação, que de longe parecia apenas um campo de cultivo comum, se revelou muito mais densa e ocupada do que as imagens de satélite tinham mostrado. Homens e mulheres trabalhavam entre as fileiras altas, vestidos com roupas precárias, rasgadas e sujas, que mal protegiam do sol já crescente. Chapéus velhos, camisas esfarrapadas, calças remendadas.Nenhum deles parecia se importar com nossa presença, ou, pelo menos, fingiam não perceber. Continuavam curvados sobre a terra, as mãos calejadas mexendo na plantação, o olhar baixo.Até que um deles se assustou.Um dos meus homens passou perto demais. O trabalhador ergueu a cabeça de repente, os olhos arregalados. Abriu a boca… e parou. Não gritou. Não falou. Apenas abriu. A boca estava quase toda preta. E não havia língua.O reconhecimento bateu como um soco no estômago. Essa era uma das grande punições que usavamos para grandes traidores, uma vergonha p












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