MasukDona Elisa, inocente, me respondeu sorridente: — Filha, do que você está falando? Eu estou ótima, até fui ao shopping com as amigas hoje! Eles me mandam muito dinheiro, mas é como você sabe, eles … — Mãe, tudo bem. Eu só queria saber se está bem. — E você, minha filha? Como está? Como foi a lua de mel? — Tudo bem, mãe. — Contínuo sendo monitorada, sabia? Até minhas amigas perceberam! Respirei fundo e olhei para Vera, realmente ela não estava blefando. — Mãe, tenho que desligar agora — eu disse resignada. Voltei a jogar o celular sobre o leito. Vera riu sarcástica e intimidadora. — Viu, a mãezinha está ótima, mas que pena que uma pneumonia surge assim do nada! — Uma pneumonia só mata rápido no seu mundo, Vera, sabia? — eu a rebati. — Mas é exatamente o meu mundo que importa, meu anjo! Suspirei sem paciência e não me dei ao trabalho de retrucar, preferi o silêncio. A bruxa se foi, levando seu veneno consigo. Suspirei aliviada e sent
Alejandro perdeu a paciência e repreendeu a mãe, sem levantar os olhos. — Chega mãe! Pare de bancar a bruxa malvada! Eu sei que não chega a ser tão má a ponto de maltratar uma pessoa na situação em que a Cris já se encontra! Ela não queria estar aqui, nem casada comigo. Já basta eu ter que obrigá-la a cumprir à força as suas obrigações como esposa, apenas para não parecer para o mundo aí fora que o nosso casamento é arranjado! Vera baixou a guarda e ponderou. — Está bem meu filho. Você tem razão, eu sei que sabe se impor. Eu vi sua demonstração de força e poder ainda pouco. Meus olhos pousaram naquela cobra com tanto desprezo, que minha intenção foi sair da mesa. — Não se atreva!— Alejandro disse segurando meu braço com força, me obrigando a sentar novamente. Respirei fundo, sentindo-me péssima. Tudo mudou, o mundo desabou na minha cabeça! Eu estava desolada! Aquela família só esperou eu me casar para fazer da minha vida um inferno Olhei para A
Pouco depois ele voltou e eu fui para o closet me trocar. Quando voltei, apenas a luz fraca do abajur iluminava o quarto. Suspirei entristecida e pensei em insistir, em conversar com Alejandro a respeito da mãe, contar das ameaças, era tão importante para mim que ele me ouvisse, mas desisti. Eu sabia que chegando em São Paulo, tudo voltaria a ser como antes. Aqui debaixo do mesmo teto que os pais, ele seria outra pessoa, inalcançável para mim. No dia seguinte, acordei decidida. Quando ele me estendesse a mão, como sempre o fazia, eu me recusaria e enfim colocaria para fora a angústia que sentia e não desceria para o desjejum sem fazê-lo. E assim aconteceu. — Antes precisamos conversar, Alejandro. — Não vai dar, tenho que chegar mais cedo no gabinete, há muita coisa para fazer por lá. Vamos, se apresse, estou faminto! — Não, você vai ter que me ouvir! — Recusei a mão estendida pela segunda vez. — Não temos mais o que conversar. Fizemos um acordo, e
Thomaz era tão asqueroso que achava que existia razão para os seus atos covardes! — Filho, eu fiz isso para te proteger! Se a Eva também tivesse me falado que estava grávida, antes de contar para você, eu teria feito o mesmo acordo com ela! A maldita escondeu por muito tempo a gravidez e quando soubemos, já era muito tarde! Inconformado, Alejandro meneava a cabeça impaciente. — Pai, quantas barbaridades o senhor está me falando! Isso é monstruoso! Thomaz não se importava com as críticas do filho, seu foco estava em mim, que inocente, conversava com a bruxa má sem conseguir escutar nem entender, que eles falavam a meu respeito. — Meu filho, o que importa agora é que essa moça não esteja grávida! Tem certeza de que o chá causou mesmo alguma reação? Eu não acredito nessas crendices da Paulina! Alejandro lembrou-se de que eu havia passado mal e tido um sangramento. — Sim, ela passou muito mal com o chá, eu cheguei a proibir a Paulina de dar-lhe para be
Vera respondeu rápido, para dar veracidade ao que acabara de falar. — Claro! Tudo o que o meu filho faz, no que diz respeito a você, é milimetricamente planejado! Meneei a cabeça indignada, sem conseguir interromper a megera. — Minha querida, entenda uma coisa, você foi comprada, aceitou o preço! — Eu já tenho a minha fazenda — falei quase chorando. — Mas assinou o acordo pré-nupcial. Tem dinheiro para pagar a multa? E as promissórias que a sua mãe assinou, tem dinheiro para cobrir tudo isso? Nem se vendesse a sua fazenda conseguiria! Fiquei olhando para aquela mulher má, irônica, rindo discretamente da minha desgraça, que ódio! Fiquei olhando para o chão, pensativa, angustiada, os pés inquietos, uma vontade enorme de chorar! — Querida, seja obediente ao seu marido, e lembre-se: “eu não quero ouvir queixas!” O meu filho sabe que precisa respirar outros ares fora de casa, e não quero nem sonhar que você está fazendo algum tipo de questionamento com
Um tempo depois, eu e Alejandro descemos para o jantar. Eu estava muito feliz em ver o Felipe à mesa, como um bom menino. Durante o jantar, tudo correu normalmente. Como sempre, Tomaz abordou temas políticos, e Alejandro lhe deu atenção, a contragosto, claro. Felipe era paparicado por Anita, os dois estavam mesmo mais chegados. Ela o acompanhava na refeição, cuidadosa e carinhosa. Em silêncio, eu observava tudo com satisfação. Tinha a impressão de que não faria nenhuma diferença quando o meu tempo ali chegasse ao fim. Terminado o jantar, Anita subiu com Felipe. Antes ele veio me beijar no rosto e me abraçou carinhosamente. — Boa noite meu amor, durma bem!— eu disse emocionada. — Você ainda vai cuidar de mim?— ele saiu com essa. — E eu por acaso não estou cuidando bem de você, hein?— Anita brincou, divertida. Felipe respondeu a Anita, sem tirar os olhos de mim. — Sim, você cuida bem, mas sinto falta da Cris. Anita sorriu resignada.







