INICIAR SESIÓNO quarto da pousada estava silencioso.
A luz baixa do abajur deixava o ambiente dourado e acolhedor, enquanto o som distante do mar atravessava a janela parcialmente aberta.Davi já lutava contra o sono quando Elizabeth o levou para a cama.O menino ainda segurava sua mão com força, como se tivesse medo de acordar e descobrir que tudo aquilo era apenas um sonho.Ela sentou na beirada da cama e ajeitou cuidadosamente o cobertor sobre ele.— Tá confoA gravidez transformou a casa inteira.Não apenas pelos pequenos detalhes que começavam a surgir aos poucos, roupas delicadas dobradas em gavetas novas, brinquedos espalhados em catálogos sobre a mesa da sala, o quarto sendo cuidadosamente preparado, mas pela forma como todos pareciam viver em torno daquela nova vida que crescia. Principalmente a vovó feliz e ansiosa pela chegada do novo neto.Elizabeth sentia isso principalmente à noite.Depois do banho, quando o silêncio finalmente tomava conta da casa e Davi já estava dormindo, Theodoro sempre a fazia sentar na cama enquanto buscava o pequeno frasco de óleo corporal.Virou um ritual noturno, um momento só deles.Naquela noite, a chuva caía suave do lado de fora enquanto a iluminação amarelada do quarto deixava tudo mais aconchegante. Elizabeth usava apenas um robe leve aberto sobre a barriga já bastante evidente.Theodoro ajoelhou-se diante dela na cama com aquele olhar atento
A casa nova ainda tinha cheiro de tinta fresca misturado ao perfume suave das flores que Elizabeth insistia em colocar em cada cômodo. Pela manhã, a luz dourada atravessava as grandes janelas da cozinha, aquecendo os detalhes simples daquela nova rotina que, para ela, parecia um sonho impossível alguns anos antes.Agora eram só os três.Sem confusão, sem despedidas dolorosas no fim do dia, sem medo constante.Apenas uma família.Theodoro saía cedo na maior parte dos dias, sempre impecável, mas havia algo diferente nele desde o casamento. O homem rígido e calculista parecia mais leve. Mais humano. E isso ficava evidente nos pequenos gestos.Como naquela manhã.Elizabeth terminava de prender o cabelo em um coque desajeitado enquanto tentava convencer Davi a tomar o café.— Eu não quero mamão.— Ontem você queria.— Mas hoje eu não quero mais.— Então coma o pão.— Também não quero. Quero bolinho de chocola
Paris os recebeu coberta por uma chuva fina e elegante. As ruas brilhavam sob os reflexos dourados dos postes antigos, enquanto o carro atravessava lentamente avenidas cercadas por construções históricas e cafés iluminados. Elizabeth observava tudo pela janela com encanto silencioso, absorvendo cada detalhe daquela cidade que parecia existir apenas em romances. Theodoro, sentado ao seu lado, observava menos Paris e mais ela. A maneira como seus olhos brilhavam. O sorriso pequeno e constante. A delicadeza com que os dedos dela tocavam o vidro da janela como se quisesse guardar a cidade nas mãos. Quando o carro finalmente parou diante do hotel, Elizabeth ergueu os olhos para a fachada luxuosa. — Theo… Ele sorriu discretamente. — Ainda nem viu a melhor parte. Assim que entraram na suíte, Elizabeth parou completamente. As enormes portas de vidro levavam
O sino da pequena capela tocava suavemente, espalhando pelo ar uma melodia delicada que parecia acompanhar a respiração ansiosa dos convidados. O perfume das flores brancas misturava-se ao aroma da madeira antiga dos bancos e ao leve cheiro de chuva que vinha das janelas entreabertas daquela tarde fria.A capela era pequena, mas absurdamente elegante. Velas douradas iluminavam o altar em luz morna, enquanto arranjos de lírios, rosas claras preenchiam o ambiente com uma sofisticação discreta. Não havia exagero. Apenas beleza. Havia murmúrios discretos, olhares curiosos e comentários inevitáveis sobre o casamento mais inesperado daquele círculo social.Theodoro Matarazzo finalmente iria se casar. E não seria com uma herdeira tradicional da elite paulista.E então Elizabeth apareceu e o murmúrio cessou imediatamente.Ela entrou sozinha, segura de si e radiante.O vestido tomara que caia moldava seu corpo com delicadeza aristocrática. A
A viagem para Paraty terminou deixando marcas suaves no coração de Elizabeth.Boas marcas.Daquelas que aquecem por dentro.Durante todo o caminho de volta, ela observou discretamente a aliança em sua mão inúmeras vezes, como se ainda estivesse tentando acreditar que aquilo era real.Tudo parecia bonito demais para alguém como ela.Talvez fosse por isso que uma pequena parte sua ainda estivesse esperando o momento em que algo daria errado.Mas, pela primeira vez, essa sensação não era forte o suficiente para estragar sua felicidade.Quando chegou ao apartamento no fim da tarde, Olivia praticamente abriu a porta antes mesmo que Elizabeth tocasse a campainha.— Finalmente! Você sumiu o fim de semana inteiro!Ela parou abruptamente com seus olhos caindo diretamente na mão direita de Elizabeth.Depois arregalaram.— NÃO.Elizabeth começou a rir imediatamente.— Olivia…
Os últimos dias tinham sido estranhamente tranquilos.Depois de tudo o que aconteceu com Camila, depois das mentiras, dos confrontos e do julgamento que parecia ter sugado todas as forças deles, a vida finalmente começava a encontrar equilíbrio. A paz ainda era delicada, como vidro fino, mas estava ali. E Elizabeth conseguia sentir isso todas as vezes que olhava para Theodoro.Mesmo assim ele estava diferente, agindo misteriosamente nos últimos dias.Distraído em alguns momentos, atento demais em outros. Recebia ligações e se afastava. Trocava mensagens escondendo a tela do celular. Fazia perguntas aleatórias sobre coisas que ela gostava, lugares que queria conhecer, músicas favoritas, comidas preferidas.E toda vez que Elizabeth perguntava o motivo, ele apenas sorria daquele jeito irritantemente bonito.— Você anda muito desconfiada.— E você anda muito suspeito — ela respondia, estreitando os olhos.Mas diferente de antes,







