LOGINPaulina soube exatamente quando a avó de Eduarda foi embora, pois o seu nome nunca foi por tantas vezes gritado.
— Toma essa criança, estou morta de cansada, nunca imaginei que um ser tão pequeno desse tanto trabalho — Paulina foi chamada assim que Lurdes vai embora, Sofia parecia não suportar mais se passar por boa mãe. — Recém nascidos não dão trabalho, já que eles geralmente dormem muito e só acordam para mamar. — Se ela chorar dê leite, já mamou muito por hoje — Sofia fala jogando os cabelos para o lado — Você está sendo paga para isso, cuidar dela. Minha sogra disse que você tem experiência, mas se não provar que tem, terei que dizer a ela sobre sua incompetência. — Senhora, a sua bebê ainda é muito pequena, tem apenas poucos dias, por isso o melhor é continuar a alimentando com o leite materno — A vontade que Paulina tinha era dizer: "Então boa sorte, se vira, porque eu estou indo embora" mas se fizesse tal coisa, com certeza sobraria para a coitada da Ivone que teria que ser a arrumadeira, cozinheira e babá, isso se ela também não desistisse de trabalhar na casa — Se a senhora autorizar, eu comprarei uma bombinha para retirar o leite, assim eu poderei amamenta-la na mamadeira e também será bom para a senhora, pois vejo que tem muito leite e precisa retirar para que não sinta dor. — Se for para facilitar a minha vida, compre isso o mais rápido possível e resolva esse problema. Eu só não quero ouvir essa criança chorando toda a hora. — Vou fazer o pedido agora mesmo e enquanto espero, vou dar um banho nela. — Pague essa bombinha que me falou com o seu dinheiro, o pai dela quando vier te reembolsa, eu não vou gastar o meu dinheiro comprando coisas para ela, isso é responsabilidade dele que é o pai. Paulina nem se dá o trabalho de responder, ela sobe as escadas com Eduarda no colo que dormia feito um anjinho. Ao chegar no quarto ela enfim pode acalentar aquele serzinho tão inocente, que não fazia ideia da mãe que tinha. Quanto ao pai, não parecia ser muito presente, mas talvez fosse devido ao trabalho, Paulina pensa não querendo ser injusta . Paulina pega a mãozinha da pequena Eduarda, que na mesma hora lhe segura o dedo, como se tivesse encontrado algo em que pudesse se apegar. O que seria daquela criança tendo uma mãe como Sofia? Essa pergunta faz o coração de Paulina se entristecer, nenhuma criança merecia ser rejeitada. — Oi coisinha linda — Eduarda como se soubesse que alguém falava com ela, abre os olhos — Você acordou? É meu amorzinho, acordou? Você é tão linda, me empresta esses olhos? — Os olhos de Eduarda era de um verde tão intenso, que pareciam duas esmeraldas e Paulina fica encantada. Ela era loira como a mãe, mas os seus cabelos eram quase brancos de tão loiros — Sabia que se eu tirar uma foto sua vai parecer ser uma boneca, de tão perfeita que você é? Vamos tomar um banho, vamos? Trocar essa fralda, pois sua mãe parece não saber o que é isso — Paulina por um momento esquece que estava ali a trabalho era como se estivesse lidando com as mesmas crianças que a fez se dedicar a aprender a cuidar delas, crianças órfãs e desamparadas. Paulina dá banho em Eduarda com todo o cuidado, e depois do banho Eduarda reclama, talvez ela quisesse mamar novamente para voltar a dormir, mas o melhor seria não incomodar a patroa, por isso Paulina a faz dormir e corre para pegar a bombinha que já haviam entregado. Depois de higienizar as pressas, ela vai até Sofia, que aceita a sua ajuda, mas, como não podia deixar de ser, dá ordem para que não a acordasse de madrugada. A bombinha foi a solução para as reclamações de Sofia, mas isso fez com que Eduarda passasse a ser ignorada ainda mais pela mãe. A atitude de Sofia não incomodava Paulina, mas ela sabia que aquela atitude podia causar um trauma na criança, e isso a fez estudar meios para que isso não acontecesse, fazendo ela esquecer dos seus propósitos de permanecer ali por pouco tempo como babá. Os dias se passavam e Eduarda passava praticamente todo o tempo com ela, o pai ainda não havia aparecido e isso só fez Paulina ter certeza de que não havia um relacionamento entre ele e Sofia, mas Sofia parecia querer demonstrar que eles eram um casal. Eduarda sentiu cólica, mas isso não foi motivo para Paulina incomodar Sofia, se fizesse isso talvez ela mandasse dar qualquer remédio para a filha, por isso Paulina usou de seus conhecimentos para amenizar o sofrimento da criança. Sua sorte foi ter aprendido o que fazer nessa situação, e as massagens que fazia e outros procedimentos que tinha aprendido, ajudava a aliviar a cólica da criança, que geralmente dormia sobre o seu colo. Um certo dia, Paulina ouviu Sofia gritando ao telefone, não foi difícil saber com quem ela falava, pois pode ouvir Sofia criticar por ele rejeitar a própria filha, sentiu vontade de ri, pois era muita hipocrisia, quem ela era para falar de rejeição, quando mesmo morando na mesma casa rejeitava a filha? O propósito das cobranças não era para que o tal Henrique fosse ver a filha, mas sim, para que Sofia pudesse vê-lo. Numa certa manhã, Paulina estava cuidando de Eduarda quando um homem muito bonito entra no quarto. Ele a olha com os seus olhos escuros, e Paulina acredita já ter o visto antes, com certeza ele não lhe era estranho. Ela engole em seco com medo dele reconhecê-la, provavelmente se conheceram em alguma festa, ela pensa temerosa, mas quando ele desvia os olhos, dando atenção a Eduarda, Paulina respira aliviada.Eduarda estava em seu quarto com a mãe e com a irmã Isabella. — Mamãe, me ajuda a escolher a minha roupa — Eduarda pede aflita, com várias roupas sobre a cama — Quero estar muito bonita nesse evento. — Você já é bonita, é impossível ficar mais — Isabella comenta, ela não havia nascido com os olhos verdes do pai apenas os seus cabelos eram negros e espessos como os dele. Soltos criavam ondas que emolduravam o seu bonito rosto, ela se parecia com a mãe. Quanto a Eduarda, parecia ter ficado ainda mais bonita depois de adulta, os seus cabelos loiros, longos e ondulados, e os seus olhos verdes como duas esmeraldas, chamava a atenção de qualquer um, tamanha a sua beleza. Arthur era a cópia do pai, até a estatura, mesmo ainda estando na adolescência, já era mais alto do que muitos jovens da sua idade. — Obrigada irmãzinha, mas acredito que eu posso ficar mais bonita — Comenta rindo, colocando um vestido a frente do seu corpo. — Lembre-se você escreve para crianças, por isso é melh
PASSAGEM DO TEMPO Aos vinte e dois anos Eduarda havia se tornado uma escritora de livros infantis, desde quando ganhou o concurso literário na escola, decidiu ser escritora e conseguiu realizar o seu sonho de menina. Começou a escrever contando primeiro as histórias que o pai lhe contava, isso foi por querer homenagear o pai, por isso o título do seu primeiro livro foi Histórias contadas por meu querido papai. Com a ajuda do avô o livro havia sido impresso e quando ela presenteou o pai o fez se emocionar, pelas lembranças que aquele livro lhe trouxera. Não havia como ele não se recordar de quando as inventou, Eduarda sendo uma criança de cinco anos, acreditava nas histórias que ele lhe contava e isso o fazia ver a inocência de uma criança, o fazendo amar a cada dia mais a sua filha. Erick ao ver o talento da filha, decidiu patrocina-la e para surpresa de todos, o livro foi sucesso em venda, esgotando todos na primeira tiragem. A única história que não estava inclusa no primeiro l
Eduarda parecia ansiosa para contar o tal segredo ao avô e depois de olhar para os lados, como se fosse para ver se alguém os escutava, ela sussurra com medo de mais alguém escutar. — Estou escrevendo um livro para o papai. — E seu pai ainda não sabe? — João pergunta, também olhando a sua volta de forma engraçada. — Não, vovô — Ela sorri com o jeito que o avô pergunta é olha para os lados — Eu vou contar quando estiver todo pronto.— Faça isso, eu tenho certeza que o deixará muito feliz. O avô a abraça, vendo e ouvindo o carinho que ela demonstrava ao falar do pai, assim como pelas histórias criadas por ele. — Esse será o nosso segredo, mas agora eu quero ser o primeiro a saber quando estiver finalizado. — Eu prometo vovô, o senhor será o primeiro a saber. Para Paulina a mudança dos pais foi uma surpresa que a deixou muito feliz, além de ter os pais por perto, tinha a mãe que lhe ajudava com os seus menores, já que Eduarda já era totalmente independente, e sempre quando ela
Sandra se tornou a melhor amiga de Martina. Martina era aquela que a visitava apenas para tomarem um café juntas e passarem uma tarde agradável conversando sobre assuntos banais. Algumas vezes Sandra dizia para ela encontrar um companheiro, mas ela apenas ria, dizendo não sentir falta de um homem ao seu lado pois, era feliz com a vida que tinha, e pretendia continuar sendo feliz com a família que Deus tinha dado a ela, mas Sandra acreditava que ela um dia encontraria uma pessoa especial como ela encontrou. — Um dia você encontrará alguém que lhe faça sorrir pensando nele – Sandra dizia a amiga. — Acho muito difícil isso acontecer, já estou muito velha para sonhar com um príncipe encantado. — Sei que um dia me contará empolgada que encontrou um grande amor. — Vamos fazer assim, se isso acontecer, você será a primeiro a saber, mas só irei te contar quando realmente houver a possibilidade de eu me envolver — Assim Martina havia lhe dito, nitidamente achando pouco provável disso acont
Martina estava em uma viagem, era a primeira viagem de cruzeiro que ela fazia, foi um presente de Erick e Paulina por ser um sonho que ela tinha, mas pensou que não realizaria. Ela estava fazendo a viagem sozinha, mas isso não foi motivo para ela dizer estar se sentindo só no navio pois, havia feito amizade e estava se divertindo mais do que havia imaginado. Já estava há alguns dias longe de casa e sentia saudade de suas crianças, que a chamavam de vovó, a enchendo de alegria. Paulina, para ela, era a mãe que toda a criança merecia ter, atenciosa, carinhosa e que educava os seus filhos para se tornarem pessoas boas e responsáveis. Conseguia dar conta de tudo, mesmo sem babá, e Martina as vezes se perguntava como ela conseguia, e o mais importante, Paulina nunca demonstrava cansaço ou má vontade, tudo que fazia, fazia com satisfação, monstrando o quanto era feliz em sua tarefa de ser mãe. Quanto a Erick ela não havia se enganado, ele era o pai que sabia falar sério, que conseguia
Gonçalo encerra a ligação e volta a se sentar, pensando em como seria aguentar mais uma gravidez de Giulia, com seus choros incessantes, seus desejos estranhos e sua carência permanente. E ainda tinham Eleonora que lhes sugava as energias e o deixava esgotado com suas manias e birras. Soltando o ar desanimado ele volta fazer o que estava fazsndo antes, o melhor era mergulhar no trabalho Sempre quis ter filhos, mas para ele Eleonora já era o suficiente, nunca teve o sonho de ter um filho homem para ser o seu sucessor, ele acreditava que sendo homem ou mulher, seria capaz de assumir o seu lugar no futuro, bastava estar preparado para isso. Ele pensa em Paulina, com o seu jeito manso e calmo de ser, lhe provou que a mulher é as vezes mais forte que o homem e muito mais determinada. Ela havia lhe mostrado isso, alcançando o que sempre desejou, e mesmo com três filhos continuava sendo uma mulher independente e empoderada, tinha o seu próprio consultório e continuava fazendo as suas obra







