INICIAR SESIÓNTyler seguia em silêncio, enquanto ela chorava, ainda muito abalada com situação, o ar lhe faltava, ele podia sentir em si a dor daqueles gemidos, daquelas lágrimas grossas, ela havia o desarmado com sua dor, com seu medo, coisa que a tempos não acontecia com o temido Tyler.
– preciso que me conte tudo, sua família sabia disso? — ele perguntou, precisava saber para ver como resolver aquilo. – não, eu tentei contar pra minha mãe quando aconteceu a primeira vez, mas ela não acreditou em mim, ninguém acreditaria. — disse ela entristecida. – mas eu acredito. – disse ele. – o que você vai fazer comigo? – ela perguntou ainda temerosa, ele suspirou, seu rosto tinha uma mistura de raiva e compreensão. – eu não vou te machucar, já a sua familia, maldito Donato, me enganou… – ele esbravejou, Sara mais uma vez se encolheu. – ele não sabia. – isso é ainda pior, você foi abusada durante anos dentro de casa e ele não se deu conta, não tente minimizar as coisas. – eu não queria esse casamento, mas não tive escolha e nem tive coragem de contar antes. — contou ela. – aquele fedelho desgraçado acabou com sua vida, eu sinto muito. – disse ele, ela não tinha culpa, era uma vítima naquela situação e ele entendia perfeitamente, não seria desgraçado a ponto de atribuir parte da culpa a ela, então ele a acolheu em um abraço, mas sentiu o corpo dela ficar tenso, mas foi apenas isso que sentiu. – você está queimando de febre, como está se sentindo? – ele perguntou. – doi. — disse ela quase que em um gemido. – onde? – ele perguntou, então ela colocou a mão em seu ventre. – vou te examinar, deite por favor. – você é médico? – ela perguntou ainda tensa. – sou formado em medicina mas nunca trabalhei na area. – disse ele enquanto apalpava a barriga dela, quando chegou ao ventre, ela gemeu. – ontem percebi que estava usando absorvente, seu ciclo é regular, sente cólicas fortes? ele perguntou imaginando que seria apenas uma cólica um pouco mais intensa por causa do estresse. – eu não estou menstruada, foi ele… – maldito desgraçado, não te machucou apenas externamente, se troca, vou te levar no medico. – onde estão minhas coisas? – vou pegar suas malas. Juntos eles seguiam em direção a uma clínica de confiança de Tyler, o silêncio era ensurdecedor, ela o olhava com certo medo, mas também com gratidão, havia lhe escutado, acreditado nela, por primeira vez alguém havia acreditado nela, a sensação era estranha e não sabia como reagir. Quando chegaram à clínica, Tyler pediu pra falar com urgência com Lorence, ela foi colega de Tyler durante a faculdade e se tornou sua amiga, ela havia se especializado em ginecologia e trabalhava naquela clínica por indicação de Tyler, ela sem demora surgiu ali, Tyler explicou por cima a situação, ela logo tratou de atender Sara, em uma consulta demorada, enquanto isso, Tyler aguardava na sala de espera, com cara de poucos amigos, já maquinando o que faria para se vingar e vingar aquela pobre garota. Ao fim da consulta Lorence foi até Tyler, ele assim que a viu, perguntou por Sara. – e Sara? – vou ter que deixá-la em observação, ela vai ter que fazer vários exames, também para medicá-la, ela está com muita febre, conversei com ela, que me contou um pouco do ocorrido, treze anos, ela sequer havia tido sua primeira menstruação, acabou com a vida dela, o próprio irmão. – ela estava com dor no ventre, tem a ver com o que maldito fez na noite anterior, não tem? – ele perguntou. – Infelizmente sim, fiz um exame ginecológico, ela está com várias lesões no canal vaginal, o ato foi muito agressivo. – Tyler, não acho que essa garota seja a indicada pra colocar seu plano maluco em prática, tem ideia do trauma a mais que será para ela ter que transar com mais um homem sem vontade? – sim, eu tenho ideia, mas não vou abrir mão disso, paguei muito dinheiro por ela, e mesmo que eu conseguisse reaver os quatro milhões de euros, eu não poderia devolvê-la a família, para que voltasse a passar pelo mesmo novamente, ela está saudável não é? – Lorence suspirou, conhecia o amigo, sabia que não iria mudar de ideia. – veremos quando sair os exames, se é o risco de contaminação por hiv que te preocupa, ela me falou que ele passou a usar preservativos desde os quatorze, quando ela teve sua primeira menstruação, para não engravidá-la, mas solicitei o exame para tirar qualquer dúvida. – Lorence suspirou e deu um sorriso amargo. – vê o quanto ele era maligno, perverso, sabia bem o que estava fazendo, aos treze já era um ser asqueroso, enquanto ela, era só uma menina inocente, Tyler, não seja você a causar mais um trauma desses nela, então…já que não vai desistir disso, cogite fazer uma inseminação artificial. – é a melhor opção. — disse ele. – olha, ela foi levada para um quarto, deveria ir lá ficar com ela. – eu? eu não tenho intimidade nenhuma com essa garota. – Qual é Tyler, a garota não vai te morder, ela está assustada acabou de sair de uma situação absurda, confessar uma coisa dessas não é fácil. – tudo bem, eu vou. – Tyler foi até o quarto que Sara estava, deitada ela olhava para o teto, enquanto o soro ligado a sua veia gotejava, assim que ele passou pela porta, ela o olhou. – pensei que tivesse ido embora. – ela disse sem animo. – estava na sala de espera…já fizeram a coleta de sangue? – ela apenas assentiu com a cabeça e o silêncio se instalou, depois de cerca de dez minutos, ela quebrou o silêncio. – por que eu? – ela perguntou, ele franziu a testa e perguntou. – você o que? – por que me escolheu pra casar com você? Eu já ouvi falar tantas coisas de você e uma delas é que todas as garotas da mafia cobiçam você. – menos você. – era verdade, Sara não costumava olhar homens desta forma, não conseguia sentir atração por conta do que sofreu e também não se sentia suficiente para desejar nenhum, sua autoestima era inexistente. – bem eu…eu não, mas você não respondeu, eu não sou um bom negócio, minha família está falida, eu não sou inteligente, muito menos bonita. – ele mais uma vez franziu a testa, uma das coisas que havia o feito escolhê-la foi sua aparência, ainda que não se achasse bonita, ela era. – o que está querendo, que por acaso eu diga que você é especial? te escolhi por sua aparência, você tem características parecidas com as minhas, cabelos castanhos, olhos verdes, até seu tom de pele parece com o meu, perfeita para gerar meus filhos, saíram todos com características parecidas com as minhas. – filhos? – ela perguntou assustada, tudo que menos queria era ter filhos dentro da máfia, tinha medo de que passassem pelas mesmas coisas que ela. – por favor né, você sabe muito bem. – não… – seu pai não te contou? – Tyler questionou confuso. – não, ele só disse que eu teria que me casar com você e em troca você daria uma quantia de dinheiro a ele…– ela disse em lágrimas, mais uma vez ele desarmou. – achei que soubesse, seu pai disse que você estava a par e que eu não teria problemas com você. – disse ele, ela permaneceu em silêncio, mal podia acreditar que seu corpo mais uma vez seria usado, e a ideia de gerar um filho e assisti-lo sofrer lhe causava um medo tão grande.Um ano havia se passado, com ele vieram mais mudanças, o bebê que Sara e Tyler estavam esperando nasceu, Angelo, um garotinho saudável, com lindos olhos verdes e cabelo cor de mel, que fez Tyler chorar em sua chegada, e toda a família vibrar de alegria, também veio ao mundo, Dante,filho de Patrick e Lorence, um garotinho de olhos azuis e cabelos negros, que brilhavam com a luz, mas como nem sempre tudo é bom, em uma noite, uma notícia chegou para Sara. Era noite, Sara estava deitada na cama após o jantar, havia colocado as crianças para dormir, e esperava seu amado para ter um momento de carinho com ele, foi quando Tyler entrou no quarto com uma expressão que só aparecia em seu rosto quando coisas ruins aconteciam, Sara o conhecia bem, e logo notou aquilo.– Tyler, está tudo bem? – ela perguntou preocupada.– não sei, talvez. – disse ele sem certeza, fazia anos que não tinham nenhuma notícia relevante sobre Donato e Margaret, mas aquela era.– amor, fala logo, está me deixando pre
Lorence e Patrick, casaram novamente, no civil e fizeram uma pequena cerimônia para comemorar com família e amigos mais próximos, e durante aquela festa, se prometeram que não importava o que acontecesse, não abandonariam um ao outro nunca mais, Julie ficou muito feliz, pois aquele momento foi a confirmação de que, teria seus pais juntos para sempre. Com o passar dos anos, o desenvolvimento de Julie foi inevitável, mas já não era um problema, estava na idade adequada, quase doze anos, um e cinquenta e oito de altura, quando teve sua primeira menstruação, em uma conversa com a menina, Lorence se emocionou, sabia bem tudo que havia passado ao lado da filha, durante o tratamento da puberdade precoce, o choro a cada injeção, as mudanças de humor, o mal estar que por vezes ela sentia, foi desconfortável e complicado, mas ali se deram conta do quão necessário foi, Julie se tornou uma linda mocinha, no tempo certo. Sara estava na janela do quarto, seus olhos presos no jardim, Tyler havia
Cerca de três semanas haviam se passado, a rotina de cuidados com a pequena Martina era leve, afinal Nora seguia ali, cuidando do resguardo de Sara e ajudando em tudo necessário, também porque Tyler era um pai muito presente, ele trocava, dava banho, acalentava, colocava pra dormir, e se divertia com esses cuidados, Sara reparava nisso e achava linda a dedicação dele.– coloquei ela no berço. – disse ele sorridente ao voltar para o quarto, encontrando Sara se vestindo, ela usava apenas uma calcinha e um sutiã, ele a olhou com carinho e ao mesmo tempo com desejo. Da mesma forma que havia visto o corpo dela se modificar por conta da gravidez, estava a vendo retornar às formas anteriores.– poxa, ela dormiu logo agora, o Alessandro deve estar chegando.– pois é, mas está tudo bem, ela acorda a cada três horas pra poder mamar. – disse ele, e ela riu.– até parece que tem um despertador, sempre na hora exata, nem mais nem menos. – disse Sara em seguida os dois riram, logo em seguida ele se
Quando as enfermeiras chegaram trazendo Martina, o sorriso nos lábios de Tyler se alargou ainda mais, de forma cuidadosa, uma delas colocou a menina no berço, ela dormia quietinha, e Tyler só conseguia pensar em como sua filha estava parecendo uma princesa usando aquela linda roupinha cor de rosa.– como ela está? – a enfermeira perguntou se referindo a Sara.– está bem, acabou dormindo, estava cansada. – disse ele.– entendo, qualquer coisa é só nos chamar. – disse ela, em seguida saiu, então Tyler se aproximou mais do berço e com extremo cuidado tocou a bochecha da pequena, seus olhos se encheram de lágrimas, o que ele um dia pensou que só conseguiria comprando uma mulher para gerar seus herdeiros, havia acontecido de forma totalmente diferente, havia sido fruto do amor que o mudou, que mudou sua vida, que o transformou em um novo homem.– Martina, minha pequena princesa, papai te promete que vai cuidar de você, que vai te amar pra sempre, você e sua mãe. – ele sussurrou, sentindo a
Ao chegarem na clínica, Sara foi levada direto para o quarto que já estava pronto a esperando, em meio a uma contração, ela segurou com força a cabeceira da cama, logo Lorence se aproximou.– estão vindo de quanto em quanto tempo? – Lorence perguntou a amparando.– pouco mais de dez minutos. – disse Tyler já aflito, não gostava de ver sua amada sentindo dor. – Lorence, não seria melhor parto cesárea? – ele perguntou enquanto deslizava a mão pela cabeça.– a obstetra está atendendo outra paciente, mas ela já está vindo, vamos fazer o exame de toque, olha, o parto normal a recuperação é muito mais rápida, e se tem a possibilidade de ocorrer sem nenhuma intercorrência, é mais indicado, mas vai da escolha da mãe.– eu prefiro parto normal. – disse Sara já se recuperando da contração, sabia que era o mais indicado, o mais saudável e de fácil recuperação quando feito de forma adequada.– a obstetra vai fazer o exame de toque e vamos ver como está a dilatação, com base nisso já teremos uma i
Sete dias haviam se passado, Sara estava muito contente com os cuidados de Nora, ela estava sempre atenta, lhe acompanhava nas caminhadas e verificava suas refeições, se certificando de que ela estava se alimentando adequadamente.– como está se sentindo hoje? – Tyler perguntou ao deitar ao lado dela na cama naquela noite.– cansada, com dor nas costas, mas sua mãe tem cuidado muito bem de mim.– eu sei, se ela pudesse se enfiava aqui na cama com a gente, só pra velar seu sono. – disse ele e Sara riu.– isso me faz tão bem, ela cuida de mim come se…como…– como se você fosse uma filha pra ela?– sim. – Sara respondeu sem graça, adorava os cuidados de Nora, ela era tudo que ela gostaria de ter tido na infância e adolescência, e mesmo adorando todo aqueles cuidados, sentiu certa dificuldade pra dizer em voz alta o que estava sentindo.– e fico muito feliz por isso, que enfim esteja aproveitando essa presença materna, mas é nossa menina, como está?– agitada, hoje ela escolheu péssimas p







